Nina Lemos - Estadao.com.br
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Nina Lemos

Amamos a Hebe porque ela nunca mudou. Nunca. Sempre gostou de ouro. Sempre amou suas jóias. Sempre mandou beijo no coração. Sempre usou a expressão linda de viver. Sempre morou numa mansão. Na minha cabeça, desde que eu nasci, a Hebe nunca mudou nem de endereço.

Amamos a Hebe porque ela sempre estava lá, fiel, falando “ai que gracinha” e declarando seu amor por Roberto Carlos, tão tradicional como ela em nossas vidas. E ela devia entender isso por nutrir tanto amor pelo Rei.

Hebe nunca pintou o cabelo de preto por alguns milhões. Era loira. Platinada. Muito antes disso ser moda. Nunca passou a usar nude porque a moda era essa. Nunca.Hebe não precisava ser rainha do bom gosto. Não precisava parar de usar minisaia porque “não para sua idade”. Ela não provava nada para ninguém.

Hebe sempre fez seu programa como quem estava em casa. E acho que estava mesmo. Acredito piamente que Hebe era absolutamente sincera. Dava bitoca, apoiava o Maluf, tinha as unhas impecáveis e longas, amava viver. Acredito em tudo.

Hebe era uma tia ou tia avó “perua animada” de todos nós. Amamos a Hebe. Amamos de verdade. E ficamos tristes hoje porque lembramos das nossas avós que nos ensinaram a amar a Hebe (e já morreram). E de tanta gente que a gente víamosum pouquinho de novo quando assistíamos ao programa da Hebe.

Não conheço uma pessoa que não tenha apego à apresentadora. Nenhuma. E deve ser por essas coisas. Hebe, sem nunca mudar, nunca nos deixou na mão. Tudo mudava, menos ela. Mas tudo acaba. Faz parte. :-(

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Estreou ontem, no “History Chanel”, um documentário-reality que mostra a vida de alguns dos personagens da cena cultural da Rua Augusta, reduto de efervecência da noite alternativa de São Paulo. “Caos” exibe de maneira simpática o cotidiano de pessoas que trabalham no clube-loja homônimo. Tibira, um dos criadores da nova cena da Augusta, é fanático por objetos antigos e vive caçando peças, organizando bazares etc.

Engraçado (e triste) o programa estrear em um canal chamado “history” logo agora em que muitos temem que a Augusta, com seus clubes e seus personagens ,”vire história”. O temor: que a cena, criada há cerca de sete anos, e que reúne artistas de vanguarda da nova música paulistana, roqueiros novinhos, prostitutas, rapazes que andam de mão dada etc acabe por causa da especulação imobiliária.

Clubes emblemáticos da cena do “Baixo Augusta” fecharam as portas esse ano, como o Vegas, o primeiro a ocupar a “nova rua” e o Ecletico´s, boteco que virou cult. Quem freqüenta a noite de SP tem alguma coisa para contar sobre o bar, imortalizado na música “Par de tapas que doeu em mim”, de Tatá Aeroplano, um dos frequentadores tradicionais da rua.  “Naquela quinta feira de agosto a gente se pegou na porrada, bem no meio da Augusta, em frente ao eceticos club, em meio aos freaks da Night”. Muitos dos moradores de São Paulo não saíram na porrada, ainda bem. Mas alguma coisa viveram  ali. Um amor que começou no subterrâneo do bar do Neetão, uma noite incrível no Vegas, um show da vida no Studio SP.

O Studio, principal reduto da nova cena de música de São Paulo, resiste. “Fechamos um contrato de três anos e meio depois de muita dificuldade”, comemora um dos donos do clube e agitador da rua, Alexandre Youssef. Outros, fecharam suas portas para dar lugar a prédios. Ecletico´s e Vegas são apenas os mais emblemáticos.

Os frequentadores da cena da noite paulista alternativa esperam que a Augusta resista. E que tudo não vire lembrança que a gente assista em programas de TV com os olhos cheios de saudosismo. Ver TV é bom. Mas viver é muito melhor.

 

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Em geral, a gente acredita que uma pessoa entra em um reality show para ficar famoso ou ganhar uma grana. Agora, essa ideia entra em cheque. Ronaldo Fenômeno, um dos brasileiros mais famosos do mundo, começou a participar de um reality show. E daqueles humilhantes. Ele é o novo “personagem” do quadro “Medida Certa”, do “Fantástico”,  que já teve como cobaias os próprios apresentadores do programa, Zeca Camargo e Renata Ciribelle

Ronaldo estreou ontem e vai passar meses endo avaliado por nutricionistas, se pesando, mostrando se consegue ou não mudar hábitos. Basicamente, ele vai ficar meses DANDO EXPLICAÇÃO.

“Medida Certa” é inspirado em outros programas do tipo no mundo, como o “Perder para ganhar”, uma competição para ver quem perde menos peso. Nesse caso, podemos imaginar que as pessoas se submetem a tal humilhação porque não têm dinheiro para pagar médicos, nutricionistas, treinadores. Ronaldo, além da fama, tem dinheiro para tudo.

A gordura do Ronaldo sempre foi assunto. Ele é um dos brasileiros mais trolados de todos os tempos. Tem uma série de apelidos. Gornaldo é só o mais famoso.

Quando ele abandonou a carreira e revelou que tinha um problema de tiroide, lá estava, se explicando. E mesmo depois de aposentado, a patrulha continuou. Uma foto dele de férias exibindo uma enorme barriga (feliz da vida com a família em uma praia) correu a internet e Ronaldo foi detonado.

O que esse blog pensa. Não temos nada a ver com isso. E muita gente que reclamou deve ter uma barriga maior que a dele, e por isso saiu XINGADO MUITO NA INTERNET para colocar para fora seus próprios demônios.

Ronaldo, pelo jeito, gosta de ser patrulhado. E ele é tão, mas tão perseguido pelos vigilantes do corpo que quase parece uma mulher. Entre nos sites de fofocas e veja quantas legendas existem chamando mulher de “balofa”, “fora de forma” e “denunciando” celulites. Os homens costumam escapar dessa vigilância. Ronaldo, pelo contrário.

Agora, ele mesmo se coloca de prisioneiro.  “Por favoer, me julguem! Torçam comigo! Me ajudem a emagrecer!” Ronaldo voltou a uma concentração, tendo todos os telespectadores como algozes. Ronaldo não conseguiu ficar longe das câmeras. Ronaldo não aprendeu como é a vida sem ser vigiado.

Quanto à televisão. Bem, a idéia, do ponto de vista de ibope é genial. Programa de superação sempre faz sucesso (a gente torce contra ou a favor). Os de emagrecimento são uma epidemia maior que a de obesidade. Agora, um famoso fazendo isso, bem, é prato diet de sucesso. Mesmo que possa parecer triste para um craque. .

 

 

 

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“O rap ainda é o dedo na ferida”. A frase, de Emicida, nunca fez tanto sentido como na noite de ontem. Parecia roteiro de filme. Na mesma hora em que os principais artistas de rap eram coroados no VMB 2012, a polícia entrava em confronto com moradores da Favela do Moinho, que pegou fogo no início da semana. De um lado, a premiação. Do outro, porradaria. Relatos falam que houve bomba de gás, bala de borracha e um homem baleado por bala de verdade mesmo. Esse foi o ano em que o VMB mais valorizou e premiou o rap na história. E, mais que nunca, o rap é a voz da periferia e da favela. “Rap é atitude política”, costuma dizer o “artista masculino do ano”, Criolo.

Sim, parecia filme. O vencedor da noite, Emicida, estava na festa para ser premiado justamente por causa da música e do clipe de “Dedo na Ferida”, que fala sobre o massacre de Pinheirinho. Ele próprio já ficou sem casa por conta de desocupações de favelas quando era criança e essa é uma das suas maiores causas.  O refrão é:  “foda-se vocês, fodam-se suas leis”. E a frase: “o rap ainda é o dedo na ferida” é dessa música.

Na noite de ontem, Emicida e seus “irmãos” mostraram que o rap é o dedo na ferida, sim. E demonstraram a tal atitude política de que Criolo fala. “O momento não é de festa”, disse Emicida ao subir no palco para ganhar o prêmio de música do ano por “Dedo na Ferida”. “A polícia está impedindo moradores de voltarem para suas casas na favela do Moinho. O momento não é de festa.” O rapper empunhava uma bandeira do MST e usava uma camiseta do Cólera, banda de punk rock ativista que acabou ano passado após a morde de seu líder, Redson.

Criolo já tinha mostrado que “a família” não estava ali para brincadeira. Ao ser eleito o melhor artistista masculino do ano, dedicou o prêmio “às autoridades do Brasil que com certeza vão investigar os incêndios que castigam as favelas de São Paulo”.

No fim da noite, os mitológicos Racionais MCs mostraram o quanto a música pode ser absurdamente política. Clipe do ano vencedor: “Mil faces de um homem leal, Marighella”. A  música foi feita para o líder da ALN, morto durante a ditadura militar. “Super herói mulato, defensor dos fracos”.

Se alguém tinha dúvida, ontem ficou provado. Os meninos do rap são hoje os artistas com mais coragem e atitude política no Brasil. E, graças a eles,  foi bonita a festa, pá.

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Há anos o amigo Xico Sá já avisava: “homem que é homem não sabe a diferença entre estria e celulite”. Pois dou uma sampleada básica no irmão e afirmo: “mulher que é mulher não sabe a diferença entre uma barriga tanquinho e uma barriga “normal””.

Motivo de colocar o assunto em pauta. Antes, só as mulheres (e o jogador Ronaldo Fenômeno, coitado) eram perseguidas pela patrulha da estética. Agora, a indústria da fofoca começa a exibir “tanquinhos” dos homens famosos como se isso fosse um “plus” a mais. “Fulano de tal exibe barriga tanquinho durante corrida”. Esse virou um título bastante encontrado por aí nas revistas de celebridades.

Os mesmos sites e as mesmas revistas que mandam as mulheres “conquistarem” uma barriga negativa (saiba lá o  que é  isso) agora escrevem para os homens: “conquiste uma barriga tanquinho em uma semana”. Fim dos tempos.

Vamos lá. Não é porque a patrulha nos persegue que queremos que ela agora atinja também os homens. O ideal é que ninguém seja patrulhado. Mas não. Esse alerta vem tarde, pois já existe até  “galeria de fotos de tanquinho”.

Se você é homem, uma dica, nós, mulheres, não ligamos para isso, não. E não, não vamos ficar na praia medindo se a sua barriga tem ou não “gomos”.  Não caiam nessa, não virem vítimas como a maioria de nós já virou. Vocês ainda têm tempo de escapar. Quer ser um cara legal, seja bacana! Seja gentil. Isso não tem nada, nada mesmo a ver com dobras na barriga “trabalhadas” em academia.

De neuróticas, basta a gente. Quer dizer, que a gente deixe de ser tão neurótica. E para Ronaldo Fenômeno, um conselho, se te convidarem para o quadro “Medida Certa”, do Fantástico (noticias falaram que isso iria acontecer), não aceite. Você é ótimo do jeito que é. Relaxa

E para os homens: escapem da ditadura do corpo que agora quer pegar vocês. Fujam bem rápido enquanto é tempo. E pensando aqui: um mundo povoado só por homens com barriga tanquinho seria um mundo… chato.   Tão chato quanto um cara narcisista preocupado em conquistar a barriga “dos sonhos”.

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No passado remoto, o ser humano masculino ficava em polvorosa com o lançamento de uma revista com uma gostosa na capa. Imaginem, por exemplo, a Suellen pelada? Todos fariam fila nas bancas e a revista rapidamente se esgotaria. Isso foi antes. Antes de Steve Jobs lançar o iPhone. Antes de Steve Jobs começar a matar o sexo.

Nós, moças, não ligamos tanto assim para foto de gente pelada. Mas, no passado, surtávamos com a notícia de que um pop star gostoso e talentoso faria show no Brasil. Sairíamos correndo para comprar ingresso. Viraríamos noites esperando um site começar as vendas.

Nada pode superar a histeria causada pelo lançamento do iPhone 5 (apresentado hoje). Nem a capa com a mulher gostosa. Nem um show do Mick Jagger solo para poucas pessoas. Do que adiantaria ir a um show desses sem um iPhone. Como poderíamos filmar? E postar fotos no instagram? E avisar para todo mundo pelo Twitter que estava sendo TUDO MUITO MARAVILHOSO? O mesmo vale para a capa da revista com a gostosa. Do que adianta ver as fotos e não comentar no Facebook? Qual é a graça?

O mais maluco de tudo é que PRECISAMOS do iPhone 5, mas muitos de nós (tipo eu!) já têm iPhone. Mesmo assim, boa parte da humanidade remediada trocaria a gostosa, o show da banda para poucos e até as roupas do corpo pelo novo produto, que, segundo os fanáticos da Apple não é só um produto. Desculpe, mas é só um produto sim. Um produto ótimo. Mas um produto.

Para justificar o fato de querer ter um iPhone 5, e para isso entrar em uma FILA DE ESPERA, você pode cair no papo da Apple e pensar que:

Ele vai ter uma tela maior, as imagens vão ser mais nítidas, a conexão mais rápida (para que tanta pressa), os mapas, praticamente um mundo paralelo. Ao ver a descrição do produto, nos comportamos como crianças de 5 anos ao ver um novo boneco de Pokemon: “Quero! Quero, Quero!!!!!!”.

A Apple, além de ameaçar o fetiche da mulher gostosa e superar em popularidade até o Mick Jagger, também nos transformou em crianças. Daquelas mimadas, que ficam no shopping se jogando no chão gritando: “eu querooooooo, mãeeee!”

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Angela Bismarchi é a personalidade mais bizarra do Brasil. A moça é modelo e conhecida pelo seu numero de plásticas (um enigma). Agora, ela se prepara para fazer mais uma. E avisa isso em entrevista. Vai, pela segunda vez, fazer uma operação de reconstituição de himem, para fingir para si mesma e para o marido que ainda é virgem.

Em entrevista, ela avisa que isso é uma fantasia sexual dos dois. Sim, vivemos uma época em que as pessoas marcam entrevista para contar qual é o seu fetiche. A graça do fetiche não seria justamente ele ser escondido? Não, porque existe outro fetiche, que é o de aparecer. Mesmo que seja da maneira mais estapafúrdia.

Cada um com o seu fetiche. Mas dar de presente uma virgindade falsa para o marido é bizarro e machista que só. Querer evitar a passagem do tempo de todas as maneiras é assustador. Angela é o nosso Michael Jackson em versão brasileira e feminina. Uma Barbie que fala.

Poderia ser tudo engraçado se não fosse triste. O Brasil é o segundo país no mundo em numero de cirurgias plásticas. Só perdemos para os Estados Unidos. Muitas mulheres viajam para o Brasil SÓ PARA FAZER PLÁSTICA, em pacotes de turismo que incluem sangue. Angela acaba sendo exemplo de coisas tristes que temos por aqui: obsessão por plástica é só uma delas.  Angela também mostra o que uma cultura machista faz. É preciso se fingir de virgem. E toda mulher que não tem coragem de contar para o namorado com quantos homens já transou acaba sendo um pouco Angela Bismarchi quando faz isso.

Ela é a versão exagerada de toda a loucura, claro, óbvio. E como recompensa, ganha a tão sonhada fama. Outro absurdo: ela estava em “A Fazenda” e soube lá que sua irmã morreu. E chorou em um reality show. Fim do mundo. Suas plásticas são espetáculo, seu luto e agora sua RECONSTITUIÇÃO DE HIMEM.

Pense em Angela Bismarchi cada vez que for retocar o botox, dar uma esticadinha ali ou se fazer de difícil para conseguir pegar um homem. Angela é uma caricatura. Mas não custa se prevenir. :-)

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“Onde está o juizado de menores?” Essa foi a pergunta que veio a cabeça de qualquer pessoa sensata que teve o desprazer de ligar a televisão ontem na hora em que a Record estreava sua nova atração, o programa “Ídolos Kids”, versão infantil do programa “Ídolos”.

A proposta oferecida por “Ídolos”, “American Idol” e qualquer outra nova modalidade de shows de calouros é questionável em si.  O que é ser um ídolo? Por que todos querem ser famosos? Que sonho está sendo vendido? Mas tudo ganha ares de terror quando quem se exibe são crianças (uma delas tinha cinco anos).

Os pais são um show de terror a parte. Ontem, enquanto cada criança entrava para uma audição-entrevista com os jurados (Kelly Key, João Gordo e Afonso Nigro, ex Dominó) eles ficavam do lado de fora, ouvindo tudo por um fone. Mães choravam, rezavam, tinham ataques. Pobres criancinhas.

Exibir crianças como animaizinhos de estimação não é novidade no mundo. Os concursos de beleza infantil são sucesso nos Estados Unidos. Mães dão a vida e seu dinheiro para ver sua filha de dois anos ganhar um prêmio porque “ela adora desfilar” (sei, criança de dois anos sabe do que gosta, conta outra!).  Essa praga andava longe do Brasil. Só assistíamos aos tais shows de horror em documentários e em filmes como o sensacional “Pequena Miss Sunshine”.

Agora, o pesadelo está perto de nós. Nossas criancinhas estão na arena pronta para serem julgadas. Pérola do absurdo. Kelly Key, para um menino tímido de óculos. “Me convence de que você deve ficar?”. Como uma criança pode convencer um adulto?  Por que uma criança teria que fazer isso? No que depender da TV, dos pais e dos jurados, a criança é o novo adulto com sede de sucesso, pronto para ser humilhado.

“Desde pequenos nós comemos lixo”.

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O ano era 1989. Na TV, Leonel Brizola grita para Paulo Maluf: “filhote da ditadura! Filhote da ditadura!” A plateia vaia. Brizola continua, agora para o público: “vocês são todos filhotes da ditadura! Filhotes da ditadura!”

Desde então está claro que debate político é o melhor programa de humor da TV brasileira. Humor muitas vezes finíssimo, como no caso citado acima. Debate é melhor que qualquer novela, seriado gringo hype ou alguma nova fórmula de (ai) programa humorístico.

Debate é um programa tão bom que a formula não muda. Não é necessário cenário rocambolesco, novidades tecnológicas, nada. Só candidatos, assessores, mediador, jornalistas. Uma fórmula clássica que funciona desde que eu era criança e gostava de ver o Brizola na TV.

Como todo bom programa de TV, debate ficou ainda melhor com o advento do Twitter, o melhor lugar para ver televisão, como sempre repito. O que se viu ontem na tela da Rede TV e na do meu computador durante o debate dos candidatos à prefeitura de São Paulo foi o melhor programa de humor do ano. E não, eu não acho debate engraçado porque “todo-político-não presta-e só-quer-roubar “ etc e outros clichês de quem não gosta de política. Eu amo politica desde que nasci. Mas também gosto de rir.

Por isso, publico a seguir os melhores momentos do debate, pelos políticos e pelo twitter. É HUMOR. Mas é tudo verdade.

Os cabelos

Grande discussão levantada no Twitter. Gianazzi, do PSOL, tem um cabelo desconstruído tipo strokes. A maioria acha feio. Minha sugestão. Ele devia colocar uma calça skinny, uma boina, e fazer propaganda no VMB fingindo ser um integrante do Cachorro Grande. Ia pegar bem com os jovens. Outro tema levantado por @cynaramenezes: “como o Haddad penteia o cabelo?” Questão ainda sem resposta, já que o penteado é meio para frente em uma parte e para trás em outra.

As pessoas não gostam de mim porque me conhecem muito

Melhor frase da noite. De José Serra, ao tentar explicar sua grande rejeição. “Eu sou o candidato mais conhecido”. Então, vou passar a usar essa desculpa sempre que for rejeitada. “Sou rejeitada por muitos homens porque muitos me conhecem”. “Aquela amiga passou a me rejeitar porque ela me conhece bem”. Piada pronta, parafraseando o colega José Simão, o mesmo que criou o apelido “Vampiro Brasileiro”, que faz agora eu remixar o apelido e aparecer com…

Vampiro da Saga Crepúsculo

Celso Russomono parece uma outra modalidade vampiro. Poderia ser um personagem de “True Blood” ou da saga Crepúsculo. Branco, com fala lenta. Dá meio medo dele.

O motomédico

Idéia maravilhosa do candidato Levi Fidelix. Médicos que atendam de moto! Aí alguém no twitter escreveu: “vai ser ótimo, porque ele pode levar o doente para o hospital em uma maca sendo arrastada pela rua.”

O figurino da Soninha

A candidata usou um blazer branco com modelagem anos 80 segundo o @sorryperiferia ela estava “vestida de Roberto Carlos  em dia de especial de fim de ano.”

Tem como não amar debate?

 

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A piada é pronta. A pessoa é muito famosa. Acha que a fama atrapalha a sua vida. Sonha com a vida de uma pessoa comum. O anonimato, que maravilha! E reclama disso tudo em… um programa de televisão, onde aproveita e conta mais algumas das suas intimidades muito intimas.

Exemplo de celebridade piada pronta do momento: Xuxa, reclamando da fama em um momento em que se expõem parecendo uma desesperada que não quer perder a fama de jeito nenhum.  Ontem, no programa Na Moral, de Pedro Bial, ela disse que se fosse anônima “beijaria, daria muito, iria onde quisesse, sem que ninguém escrevesse sobre ela”. É comum também ver famosos reclamando do excesso de exposição em capas de revista.

Escuta. As pessoas têm liberdade de ir e vir. Se não quer ser mais famosa, a primeira coisa é parar de aparecer em programa de TV contando detalhes sobre sua vida amorosa e seus sofrimentos do passado (uma coisa que mesmo os anônimos que não querem se expor evitam contar para muita gente) e dar um tempo das capas de revistas, não?

Xuxa, e outros famosos do mundo, parecem a menina personagem de uma velha canção da banda inglesa Pulp (que talvez toque no Brasil em novembro, oremos) que virou uma espécie de hino contra milionários reclamões. “Eu quero viver como as pessoas comuns, eu quero fazer as coisas que as pessoas comuns fazem, eu quero dormir com pessoas comuns”, diz a filha de um milionário. No que o narrador, depois de levar a menina para um passeio em um supermercado, responde, entre outras coisas: “Alugue um quarto em cima de uma loja, corte seu cabelo para poder arrumar um emprego, fume cigarros e jogue bilhar. Não, você nunca vai conseguir viver como as pessoas comuns.”

Xuxa, e os outros super famosos, poderiam viver como pessoas “mais ou menos comuns”, se quisessem. Alguns conseguem. Mas para isso vai ter que fazer o que as pessoas comuns fazem. Reclamar dos problemas para os amigos (e não na televisão). No máximo, pagar um analista. Pintar o cabelo, mas pagar por isso (ao invés de receber dois milhões). Desencanar de ser o centro das atenções. Chorar na cama, que é lugar quente. Ou por baixo dos óculos escuros no trabalho “para que ninguém veja”.

É, pelo jeito, Xuxa nunca vai conseguir viver como as pessoas comuns.

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  • Quem Faz

    Quem Faz

    Nina Lemos

    Nina Lemos tem 40 anos e é carioca exilada em São Paulo. É autora de cinco livros, entre eles o romance "A Ditadura da Moda". Atualmente é repórter especial da revista "Tpm".

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