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	<title>Nina Lemos</title>
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	<description>Famosos, modismos e videoteipe</description>
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		<title>Show da &#8220;Legião&#8221;: quem mandou mexer em vespeiro?</title>
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		<pubDate>Wed, 30 May 2012 14:52:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nina Lemos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Era para ser uma homenagem. Ou era para ser um show que gerasse dinheiro e audiência para televisão. Cada um acha uma coisa. Mas o fato é. A tal homenagem à Legião Urbana, criada pela MTV e transmitida na noite &#8230; <a href="http://blogs.estadao.com.br/nina-lemos/show-da-legiao-quem-mandou-mexer-em-vespeiro/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Era para ser uma homenagem. Ou era para ser um show que gerasse dinheiro e audiência para televisão. Cada um acha uma coisa. Mas o fato é. A tal homenagem à Legião Urbana, criada pela MTV e transmitida na noite de ontem, com o ator Wagner Moura como vocalista da banda, virou uma espécie de luta. Mais raivosa que final de eleição ou de Brasileirão. O que se viu não foi, não, só mais um barraco de internet. Mas uma reação em massa de gente apaixonada, com ódio, soltando sangue pelos olhos.</p>
<p>A MTV (e falo da emissora porque a ideia partiu deles) pode ser acusada de tudo. Menos de não ter movimentado a mobilizado os telespectadores.</p>
<p>De um lado (e eu estou desse), os fãs inconformados de Renato Russo com o que pode soar como simples caça níqueis:  “junte um ator famoso com a banda mais importante da história do Brasil e ganhe muito dinheiro.” E pessoas que nem são fãs da banda. Mas que acham que a música deve ser tratada com respeito . As piores fantasias dessa turma se viram realizadas ontem pela TV (ao vivo eu não sei como foi. Mas era um show para TV, certo?).  O ator é excelente ator, mas cantou muito, muito mal. E a coisa não parecia fazer sentido. A não ser quando ele saiu do palco e o mais que digno Dado Villa-Lobos cantou emocionado e simpático.</p>
<p>Do outro lado, fãs de Wagner Moura e pessoas que acharam que era só uma homenagem e tudo bem. Renato Russo ficaria emocionado. Valeu a intenção. E Wagner foi muito corajoso de aceitar o desafio. E, além de tudo, ele era um declarado fã da banda. Por que não deixar isso acontecer em paz. Quem está reclamando é uma gente muito chata, cruzes!</p>
<p>O fato é que na frente das TVs, o clima era de revolta, ânimos exaltados, todos com sangue nos olhos.  Briga feia mesmo. Porrada. Amizades devem ter acabado por conta desse show e talvez eu não esteja exagerando.</p>
<p>Ligo para uma amiga. Começamos a falar que o show não está dando nada certo. Ela começa a gritar com uma amiga que está ao seu lado. “Mas fulana, não é só uma homenagem, fulana, a gente tem direito de ter opinião”. “Fala para ela que a gente tem que refletir sobre as coisas”, , grito. As vozes do outro lado da linha se exaltam. Peço calma. Desligo o telefone e ligo o twitter.</p>
<p>Quando percebo todos estão brigando. Amigos com amigos. Inimigos concordando com inimigos. Sabe quebra pau? Pois bem. Se fosse um estádio e não o mundo virtual, ele teria sido destruído por torcidas rivais.</p>
<p>Wagner Moura foi achincalhado. E não, não foi só briga de “internauta”. Se eu briguei pelo telefone, muita gente deve ter feito o mesmo. E, nessa hora, no almoço da firma, pessoas devem estar discutindo: “Mas o Wagner Moura canta mal”. “Não, mas o Wagner Moura foi corajoso”.</p>
<p>Sim. É tudo ao mesmo tempo triste (para fãs como eu). Mas também é engraçado. Reproduzo abaixo alguns dos twitters de ambos os lados da torcida</p>
<p>“O que aconteceu com o Wagner Moura para ele estar cantando em um karaokê na televisão? É aniversário dele?”</p>
<p>“É preciso amar a Legião Urbana como se o Wagner Moura não fosse o vocalista amanhã”.</p>
<p>“Vocês podem acusar o Wagner Moura de tudo, menos de não ter coragem. E eu gosto de quem tem coragem”.</p>
<p>Vocês são muito chatos, viu? É só uma homenagem. Wagner tá arrasando. Deixem o Waguinho em paz&#8221;.</p>
<p>Mas por que todo mundo brigou por conta de um programa de TV? Porque a MTV e o Wagner Moura mexeram em um vespeiro daqueles. A Legião (e a briga só prova isso) faz parte da formação de muita, muita gente. E de verdade. Renato Russo foi nosso professor, nosso amigo, nosso mentor. E com gente que a gente ama não se brinca. E tem mais. É realmente difícil (para mim, pelo menos) olhar para a homenagem e não pensar que a ideia não era ser bonzinho e legal. Mas sim fortalecer a audiência de uma emissora de televisão. Muita gente do outro lado da torcida pensa igual. Mas acha que tudo bem. E não se conforma com tanta revolta.</p>
<p>Fato. Não se mexe com uma  banda que desperta tanta passionalidade impunemente. Vai ter critica, sim. Quem esta na chuva é para se molhar. E Wagner Moura, como fã da banda, com certeza sabia disso muito bem. A MTV, se não sabia, devia saber. Mas deu audiência. Se falou muito deles.. A empresa deve estar satisfeita.</p>
<p>Hoje tem outro show. Depois um CD e um DVD serão lançados. Agora que o vespeiro foi aberto: é rezar para que ninguém saia ferido fisicamente. Emocionalmente, muita gente já saiu. 2012, camaradas!</p>
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		<title>Eu juro que tentei, Rafinha Bastos!</title>
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		<pubDate>Mon, 28 May 2012 01:45:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nina Lemos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Por cinco segundos nessa noite de domingo, achei que eu pudesse gostar do programa novo do Rafinha Bastos (o importado “Saturday Night Live”, só que em versão brasileira e aos domingos). Eu mesma, que há um ano gritava na Marcha &#8230; <a href="http://blogs.estadao.com.br/nina-lemos/eu-juro-que-tentei-rafinha-bastos/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por cinco segundos nessa noite de domingo, achei que eu pudesse gostar do programa novo do Rafinha Bastos (o importado “Saturday Night Live”, só que em versão brasileira e aos domingos). Eu mesma, que há um ano gritava na Marcha das Vadias: “abaixo o CQC” junto com centenas de mulheres, como profissional “séria”, falaria que ele era engraçado e agora fazia um programa legal.</p>
<p>Por que reclamamos em alto e bom som do Rafinha Bastos ano passado? Porque, entre outras coisas, ele fez uma “piada” onde disse que estuprador merecia uma medalha. Essa foi uma da série de graças ofensivas, defendidas por ele e sua turma como “liberdade de expressão”. Não acho que liberdade seja xingar os outros e fazer apologia ao crime. Mas, quem sabe? Dizem que o cara no fundo é talentoso. Vai que ele mudou de linha?</p>
<p>Com essa esperança, gostei do Rafinha Bastos por cinco segundos. Porque por cinco segundos ele conseguiu rir de si mesmo. Viva! Na abertura do programa, fez piada com o fato do programa “Saturday Night Live” ser aos sábados, pediu desculpas com uma lista a várias pessoas que se sentiram ofendidas por ele, “como os acreanos”, e arrasou fazendo merchandising de guaraná ao mesmo tempo em que falava que aquele era um programa independente e sem patrocínio. E eu também ri de mim mesma pensando: “meu deus, vou ter que falar bem do Rafinha Bastos!”.</p>
<p>Bem, não vou conseguir falar bem. E eu estava, sim, disposta, a dar uma chance (pelo menos por cinco segundos). Mas logo depois de Rafinha rir dele mesmo, esquetes sem graça e sem timing, estilo Zorra Total piorado,  tomaram conta do programa.</p>
<p>E aos poucos aquele Rafinha que me fez gritar na porta do clube de comédia onde ele é um dos sócios apareceu de novo, na hora de mostrar as noticias do dia. Marcha das vadias: “elas precisam emagrecer e fazer dieta”. “Amy Winehouse, seu sangue tem Aids.” Ele disse também que o segundo filho de Eike Batista torce para que o irmão Thor morra em um acidente para herdar a fortuna sozinho. Me senti dentro de um show de stand up “proibidão” e não gostei nada da sensação.</p>
<p>Não foi uma boa noite de domingo. Mas eu tentei, Rafinha Bastos.</p>
<p>PS. E sempre que eu escrevo sobre o Rafinha Bastos e seus amigos sou xingada da maneira mais baixa. Então, pelo jeito, também não vai ser uma boa segunda-feira. Só rindo. De mim mesma, no caso.</p>
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		<title>Globo de Ouro, Carrosel e o surto de melancolia</title>
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		<pubDate>Thu, 24 May 2012 21:16:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nina Lemos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“Tente entender em que ano estamos”. Bem, não vai ser fácil. Na firma, pessoas comentam os capítulos da novela “Que Rei Sou Eu”. Você se pergunta: “mas como? Isso não era uma história tão do passado que eu nem lembro &#8230; <a href="http://blogs.estadao.com.br/nina-lemos/globo-de-ouro-carrosel-e-o-surto-de-melancolia/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“Tente entender em que ano estamos”. Bem, não vai ser fácil. Na firma, pessoas comentam os capítulos da novela “Que Rei Sou Eu”. Você se pergunta: “mas como? Isso não era uma história tão do passado que eu nem lembro mais que existia?” De noite, a programação é outra. Assistir ao Globo de Ouro. Hã? E uma das novelas sensações do momento é “Carrossel”.<br />
Os responsáveis diretos pelo surto de melancolia no Brasil 2012 são, entre outros, o Canal Viva (na TV paga, que passa principalmente atrações antigas da TV Globo). Mas, claro, tanta nostalgia encontra eco na audiência, formada pela gente mesmo.<br />
O “Especial Globo de Ouro”, que vai ao ar de terça a sexta, virou uma febre. “Você vai ver o Globo de Ouro hoje?”, me perguntaram ontem. Achei que era a premiação. Juro.<br />
Por que tanto apego ao passado? Será que o presente anda tão ruim assim? Será que é preciso lembrar (e ver e rir) da época em que a Angélica cantava “Vou de Taxi”? Como somos melancólicos! Só uma lembrancinha. Os anos 80 não foram tão legais assim, não. O presidente era o Sarney. E tinha também o Collor e a Casa da Dinda. Aquela era a época da inflação. Nossas mães iam correndo para o supermercado porque os preços seriam remarcados. A dívida externa nos dava pesadelos e quando crescêssemos não conseguiríamos trabalhar no que queríamos, porque o mercado estava péssimo. Vocês lembram?<br />
E a programação de TV&#8230;. A gente via Globo de Ouro porque não existia internet nem youtube. E se é para falar de novela. Bem, “Avenida Brasil”, a trama das nove, mostra que até a teledramaturgia evoluiu no Brasil. Quem diria? E na música também tem uma moçada nova fazendo coisas bem legais por aí.  Muita gente sabe disso. Mas mesmo assim, o Globo de Ouro continua chamando nossa  atenção.<br />
Estamos irremediavelmente presos ao passado. E também com uma certa preguiça de sair de casa, presos que somos aos nossos bens (TV, celular, I pad, i pod i phone).<br />
Claro, sentimos saudades da infância. Normal. Quem não sente? Saudades da adolescência? Todo mundo, absolutamente todo mundo tem.  (Momento querido diário: eu tenho tanta saudade que nem consigo assistir à reprise do programa).<br />
Mas é engraçado ver que a distancia do tempo faz a gente esquecer todo o lado ruim do passado e o bom do presente. Aquela musica que eu detestava passa a ser emocionante. O que era brega vira cult. Aquele ex-babaca vira uma lembrança doce. E somos capazes até de gostar de novela ruim.<br />
A grama do vizinho é sempre mais verde. A grama do passado também. </p>
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		<title>Xuxa: a nova vítima do sensacionalismo baixo do Fantástico</title>
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		<pubDate>Mon, 21 May 2012 14:40:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nina Lemos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Antes de tudo, eu não vou ser analista da Xuxa. O Brasil inteiro já se coloca nesse papel agora. Todas as pessoas do país falam hoje (em tom de especialistas ou de julgadores) sobre a entrevista que a apresentadora deu &#8230; <a href="http://blogs.estadao.com.br/nina-lemos/xuxa-a-nova-vitima-do-sensacionalismo-baixo-do-fantastico/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes de tudo, eu não vou ser analista da Xuxa. O Brasil inteiro já se coloca nesse papel agora.  Todas as pessoas do país falam hoje (em tom de especialistas ou de julgadores) sobre a entrevista que a apresentadora deu ontem para o Fantástico.<br />
Xuxa chorou e disse que foi abusada sexualmente com câmera dramática, cenário dramático e trilha dramática. Tudo ali cheirava a sensacionalismo. A chamada, de que Xuxa revelaria coisas inéditas, já soava como puro circo sensacionalista barato armado pelo ainda mais “importante” programa dominical do Brasil.<br />
Xuxa ter sofrido abuso é muito triste. Mesmo. Ela chorar na TV também. Mas isso não é exatamente novidade. Ela sempre usou a mídia como divã. E ela não é a única. Muitas celebridades usam, sim, a imprensa, a TV, para tentar se resolver. Não sou capaz de dizer por que uma pessoa faz isso. Mas sou capaz de entender que a culpa não é só dela.<br />
A mídia e os fãs, esses “amigos da onça”, estão sempre apontando as câmeras para você.  São sempre carinhosos, afinal, te amam, se importam e querem saber ABSOLUTAMENTE TUDO SOBRE VOCÊ.  Só que essa mesma gente que te ama um dia vai te usar e pode te matar.<br />
 De novo. Eu não vou analisar a vida da Xuxa. Essa hora mesmo, enquanto escrevo, todo mundo já está fazendo isso.  E tem mais. O que ela disse não me assusta. Faz parte da trajetória de alguém que sempre se expos. O que assusta é o sensacionalismo do Fantástico e da TV Globo com uma das suas funcionárias mais rentáveis (se não está rendendo tanto, desculpem, já rendeu mais que o suficiente por muito tempo).<br />
Mas não. É preciso aumentar o ibope. É preciso ganhar dinheiro. Faça um exercício. Imagine tudo o que a Xuxa disse escrito em uma revista ou em um jornal. Ela contar que sofreu abuso continuaria triste. Mas não seria tão chocante. O Michael Jackson ter a  pedido em casamento seria apenas uma historia curiosa e quase engraçada. Ela ser solitária? Normal. Quantas estrelas solitárias existem por aí?<br />
Mas com aquela luz. Aquela câmera próxima. Aquela trilha. Tudo pode virar filme de terror. E virou. No twitter, as pessoas BRIGARAM por causa da entrevista.  Se brigamos por causa de uma entrevista dada por uma apresentadora de TV para um programa dominical, quem somos nós para chama-la de louca?<br />
Pelo jeito não foi só a Xuxa que caiu no jogo do Fantástico. Nós, telespectadores, também caímos. E, na dúvida, saímos chamando a mulher de maluca. E esquecemos que aquilo era um programa de televisão usando o sensacionalismo mais barato.<br />
 Na internet, as pessoas dizem que estão com vergonha alheia da Xuxa. Eu também estou com vergonha alheia. Só que é do Fantástico.</p>
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		<title>A vilã Carminha e as mulherzinhas passivo-agressivas</title>
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		<pubDate>Fri, 18 May 2012 16:58:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nina Lemos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sabe gente boazinha que te ferra? Estou falando daquele tipo de amiga que é uma fofa. Mas que um belo dia, para o seu bem, diz, no meio de uma festa, que &#8220;você precisa emagrecer&#8221;. Não se enfureça. Ela está &#8230; <a href="http://blogs.estadao.com.br/nina-lemos/a-vila-carminha-e-as-mulherzinhas-passivo-agressivas/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sabe gente boazinha que te ferra? Estou falando daquele tipo de amiga que é uma fofa. Mas que um belo dia, para o seu bem, diz, no meio de uma festa, que &#8220;você precisa emagrecer&#8221;. Não se enfureça. Ela está sendo sua AMIGA. Talvez, pensando por aqui, o sucesso da vilã Carminha, da novela Avenida Brasil, seja também por isso. Ela é a primeira vilã passivo-agressiva das novelas brasileiras.<br />
É também uma falsa moralista. Como escreveu o amigo James Cismino, ela é uma espécie de Bolsonaro. Faz todo sentido.</p>
<p>Mas repito. É uma BOAZINHA. Claro. As boazinhas da vida real não andam por aí matando gente. Ok. Mas entre um chazinho verde e outro, pelo bem da família, são capazes de falar mal de gay &#8220;tadinhos&#8221; e afirmar que não gostariam de ter um neto negro porque “eles iam sofrer”.</p>
<p>Não é preciso nem ir tão longe. Não conheço quem fale mal de gay. Mas conheço, sim, muita mulherzinha passivo-agressiva. Elas vagam por aí magoando quem não tem a esperteza delas vestidas de bege (ou nude), o tom das boazinhas. Um belo dia, muito fofamente, elas vão lá e roubam o namorado da amiga. Depois dizem que não podiam fazer nada &#8220;ele me quis&#8221;. Em seu clássico texto “Bad like me”, Courtney Love faz um compendio entre as diferenças entre uma boazinha e uma Garota Má. &#8220;As garotas boazinhas roubam os namorados das más. As más podem até transar com o namorado das boazinhas, mas se sentem um lixo depois.”</p>
<p>Fato. Qualquer moça não dada a elaborados jogos de competição femininos  costuma se ferrar quando esbarra com uma boazinha. É assim desde os colégio, quando elas nos convenciam, sabe-se lá como, a “dar” para elas os nossos melhores papéis de carta. Esse era um tipo de roubo consentido. Típica coisa de passivo-agressiva.</p>
<p>Quando a gente cresce, continua se deparando com algumas delas. Elas se fazem de vítima (Carminha é a especialista em cenas, quase desmaios e necessidades de tomar água com açúcar) quando a barra pesa e não é fácil lidar com elas. Conselho: não lide. Melhor limar as passivo-agressivas da sua vida. Porque no duelo com uma delas, qualquer moça não preparada para o jogo (e mesmo as mais agressivas não são) vai se ferrar. E se dar mal no final. Se cruzar com uma boazinha Carminha passivo agressiva na vida real, Corra, Lola, corra!</p>
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		<title>A prisão Emicida, a música pop de combate e o racismo</title>
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		<pubDate>Mon, 14 May 2012 16:39:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nina Lemos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O rapper Emicida foi preso ontem em Belo Horizonte por desacato à autiridadade. Motivo:  cantar a música &#8220;Dedo na Ferida&#8221;. E falar para a platéia levantar o dedo no refrão que diz: &#8220;fodam-se suas leis, fodam-se vocês.&#8221; Vamos lá. Emicida &#8230; <a href="http://blogs.estadao.com.br/nina-lemos/emicida-o-pop-de-combate-e-o-racismo/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left"><a href="http://blogs.estadao.com.br/nina-lemos/files/2012/05/emicida.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-234" src="http://blogs.estadao.com.br/nina-lemos/files/2012/05/emicida-300x198.jpg" alt="" width="300" height="198" /></a></p>
<p style="text-align: left">O rapper Emicida foi preso ontem em Belo Horizonte por desacato à autiridadade. Motivo:  cantar a música &#8220;Dedo na Ferida&#8221;. E falar para a platéia levantar o dedo no refrão que diz: &#8220;fodam-se suas leis, fodam-se vocês.&#8221;</p>
<p style="text-align: left">Vamos lá. Emicida não mandou ninguém atacar a policia, praticar vandalismo, quebrar o estádio. Sugeriu que levantassem o dedo em uma música que chama dedo na ferida e que fala mal da policia, mais precisamente da desocupação de Pinheirinho.<br />
Usar palavrões em música é parte da cultura rap e das musicas pop de protesto. Normal. Assim como as gírias. As letras de rap são escritas do jeito que se fala no &#8220;dialeto suburbano&#8221;, como diz Criolo, amigo e parceiro de Emicida na música &#8220;Mariô&#8221;. A mesma em que diz: &#8220;eu odeio explicar gíria.&#8221;</p>
<p style="text-align: left">Emicida também deve odiar. Então, não vamos fazer o garoto explicar sua letra, certo?<br />
Quando ouvi Dedo na Ferida pela primeira vez, achei a música leve para um rap com esse nome. No bar, eu e amigos lembramos que os Racionais já haviam cantado &#8220;Não confio na policia raça do caralho.&#8221;</p>
<p style="text-align: left">E agora lembro de &#8220;Policia&#8221;, da mega ultra mainstream banda Titãs. Eles falavam &#8220;policia para quem precisa. Policia para quem precisa de policia&#8221; nos anos 80, época em que a ditadura não tinha nem acabado direito. Renato Russo, no famoso episódio do estádio Mané Garrincha, xingou a policia e quem mais passasse pela frente. Lembranças antigas da minha adolescência. Mas  nenhum artista foi preso (ainda bem).</p>
<p style="text-align: left">Em 97 os integrantes do Planet Hemp foram presos. Além de cantar coisas como &#8220;eu canto assim porque fumo maconha&#8221;, eles eram quase todos pretos. E cantavam rap.</p>
<p style="text-align: left">Emicida sempre é &#8220;quase preso&#8221;. Ele conta que vive tomando dura da policia: porque é pobre, preto e mora na periferia.<br />
O rapper que foi preso ontem pode, sim, de alguma maneira, ser comparado aos titãs dos anos 80. Ele é um artista pop, com amplo sucesso na MTV. Os filhos dos meus amigos, meninos de seus nove anos, são fãs do Emicida. E faz sentido. Nos palcos, ele é simpático, muitas vezes engraçado e tem cara de menino. E ele é mesmo um menino de 26 anos.</p>
<p style="text-align: left">A história de Emicida é impressionante. Ele saiu da linha da miséria absoluta cantando sua luta. Hoje, trabalha muito, muito mesmo. O artista tem uma agenda de shows lotada. É um guerrilheiro do rap que trabalha muito e honestamente. Mas, como diz seu amigo Criolo, de novo,&#8221; trabalhador brasileiro é tratado como lixo&#8221;. Principalmente se for preto e pobre e cantar rap.</p>
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		<title>A mãe descabelada x a mãe famosa tapete vermelho</title>
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		<pubDate>Fri, 11 May 2012 22:21:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nina Lemos</dc:creator>
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		<category><![CDATA[#diadasmães #famosas]]></category>

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		<description><![CDATA[Certo. Domingo é Dia das Mães. Nos sites e capas de revistas, famosas mostram como alcançaram a boa forma rápido (o novo “meu parto foi bom”), exibem a prole com orgulho (sempre bem vestidos, com roupas PASSADAS). E uma rotina &#8230; <a href="http://blogs.estadao.com.br/nina-lemos/a-mae-descabelada-x-a-mae-tapete-vermelho/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Certo. Domingo é Dia das Mães. Nos sites e capas de revistas, famosas mostram como alcançaram a boa forma rápido (o novo “meu parto foi bom”), exibem a prole com orgulho (sempre bem vestidos, com roupas PASSADAS). E uma rotina em geral tão perfeita que deixa qualquer mulher normal, aquela que fica descabelada, grita com a criança (quem nunca?) e tem surtos de loucura deprimida.<br />
Ok. Algumas das mães famosas sempre dizem que são, sim, normais. Oras, são mães como qualquer uma! Estão sempre muito preocupadas, culpadas etc. Mas o fato é que elas não perdem o glamour. Lá está a mulher falando que é uma mãe normal em uma casa totalmente arrumada, com os cabelos perfeitos e as unhas impecáveis (normal, sei).<br />
E, ah, claro, ela já voltou a trabalhar. E ela lida com isso, sim, com alguma culpa. Mas lida. E pelo que vimos na foto, sim, tem tempo de passar no cabeleireiro semanalmente.<br />
Em casa, a mãe não famosa também é preocupada, culpada e já voltou ao trabalho. Mas&#8230; e o glamour? Foi parar naquele lugar, diz a mãe da criança pequena, e solta um palavrão. Sua casa não tem nada a ver com a das revistas. E os brinquedos no chão da sala? As fotos das “celebridades em casa com família” poderiam deixar uns espalhados pelo menos como cenografia!<br />
Nas propagandas, a coisa não melhora. A mãe está sempre sorridente, cozinhando com riso plácido no rosto e bem penteada até mesmo no café da manhã. Qualquer pessoa que conheça uma família normal com filho pequeno sabe o quanto isso é impossível.<br />
Alguns reality shows já tentam resolver “o problema”, um deles “Mãe Modelo”, tenta exatamente isso: transformar uma mãe comum em uma mãe “tapete vermelho (eles usam essa expressão). E funciona assim: uma mãe (com roupa esculachada e descabelada) ganha um dia de beleza para se transformar em&#8230; uma mãe diva! E ela chora ao se olhar no espelho e se ver, assim, “transformada”, tal qual uma mãe de Hollywood.<br />
Dá até para entender. Cada dia é mais difícil ser uma pessoa (seja mãe ou não) descabelada. Ou seja, uma pessoa normal.</p>
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		<title>Manifesto: free, Carolina Dieckmann, free!</title>
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		<pubDate>Tue, 08 May 2012 22:07:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nina Lemos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Ok. Todo mundo já sabe da historia. Então vou contar em poucas palavras, só para o caso de um ET que não acompanha o que se passa no país ter acesso a esse blog. A atriz Carolina Dieckmann tirou fotos &#8230; <a href="http://blogs.estadao.com.br/nina-lemos/manifesto-free-carolina-dieckmann-free/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ok. Todo mundo já sabe da historia. Então vou contar em poucas palavras, só para o caso de um ET que não acompanha o que se passa no país ter acesso a esse blog. A atriz Carolina Dieckmann tirou fotos pelada (ou meio) e elas foram parar na internet e divulgadas Brasil a fora. Agora a atriz tenta processar os sites que republicaram a imagem. Sim. Todo mundo sabe disso. Por aqui, só algumas considerações e perguntas sobre ’o caso.’</p>
<p>Um tribunal popular parece ter sido criado na internet e em cada rodinha com mais de duas pessoas para julgar a moça, desde sexta-feira, quando as fotos foram publicadas.</p>
<p>Como ainda somos moralistas&#8230; Sim, existe muita gente se fazendo de chocado com o fato de uma moça adulta, mãe de dois filhos e livre tirar fotos sensuais com sua câmera. Espera, na boa. Ninguém nunca fez isso? Essa atitude não é uma coisa normal, ainda mais agora, que andamos o tempo todo com celulares superpotentes nas mãos, como se eles fizessem parte do nosso corpo?  Ela fez alguma coisa “errada”?</p>
<p>Depois de condenar o fato de uma mulher tirar fotos nua, o tribunal começou imediatamente a fazer outros julgamentos. “Ah, mas ela não está depilada o suficiente”. Ou ela não está depilada do jeito “certo”. Bem, patrulha com os pelos púbicos dos outros? De novo? Sempre que uma mulher posa nua e não está seguindo a “depilação da moda” (sim, isso existe) ela vai ser condenada por isso? Socorro. Não basta ser linda (e ela é) é preciso estar com a depilação que você, que não a conhece e viu a foto, considera adequada.</p>
<p>Em que anos estamos? O advogado da atriz disse que as fotos eram para “uso do casal”. Tudo bem. Acredito. Mas e se não fosse? Qual o problema? Cada um se fotografa do jeito que quer. Ou melhor, cada um faz com o seu corpo o que tem vontade, certo? Principalmente uma coisa que, definitivamente, não está fazendo mal para ninguém.</p>
<p>Normal que todos vejam as fotos. Normal a curiosidade. Normal Carolina tentar de todo jeito tirar as fotos da internet. Aconteceu um acidente (acidentes acontecem) e a reação é prevista.</p>
<p>E sim, quem é famoso está sujeito a ser julgado mais que os outros (ou por mais gente). Mas pelo amor à Simone de Beuvoir, que sim, já posou nua para um amigo, vamos deixar a menina em paz?</p>
<p>Free, Carolina Dieckmann, free!</p>
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		<title>Era virtual e famosos ensinam: a arte de brigar sem gritar</title>
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		<pubDate>Fri, 04 May 2012 15:34:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nina Lemos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sujar as mãos de sangue em uma briga é muito chato. Discutir, falar o que não deve e ouvir o que não quer? Péssimo. Dói. Cansa e dá trabalho. Mas na época da virtualidade, existem outras maneiras de brigar. Quem &#8230; <a href="http://blogs.estadao.com.br/nina-lemos/era-virtual-e-famosos-ensinam-a-arte-de-brigar-sem-gritar/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sujar as mãos de sangue em uma briga é muito chato. Discutir, falar o que não deve e ouvir o que não quer? Péssimo. Dói. Cansa e dá trabalho. Mas na época da virtualidade, existem outras maneiras de brigar. Quem é muito famoso, briga por meio de seus programas de televisão. Sim, sem ter nem que falar com o outro. E quem é um reles mortal neurótico briga por redes sociais.  &#8221;Você não sabe, briguei com a fulana&#8221;. “Como?” “Ah, foi pelo instagran.”<br />
Se você for famoso, as maneiras de brigar sem nem encontrar a pessoa aumentam. Você manda seus assessores brigarem por você! Simples assim.</p>
<p>A recente briga de Adriane Galisteu e Ana Hickman é um ótimo exemplo das brigas contemporâneas. E antes que vocês briguem comigo (xingar em comentários é uma outra ótima maneira de brigar) deixa eu explicar: esse é um exemplo.</p>
<p>Pois bem. As duas resolveram brigar por meio de programas de TV. Cada uma dava um recado para a outra no seu espaço, com todos os telespectadores ouvindo, e amando (todo mundo gosta de ver sangue, mesmo se for de mentirinha). Aí o marido de uma delas, que também tem um programa de TV, se meteu. Pronto. Sabe aquela boa briga na rua, com cada mulher gritando de cada lado do muro das casas, bem barraqueira mesmo? No mundo dos famosos ou dos maníacos virtuais ela não existe mais. O que não tem nada a ver com uma espécie de “paz entre os homens.”</p>
<p>Famosos e anônimos, continuamos brigando muito. Quem não tem programa de TV ou assessor manda umas indiretas pelo twitter ou pelo Facebook e pronto. E quem é famoso. Bem..<br />
Faça uma declaração polêmica sobre a fulana. E conte com o jornalista pra te ajudar, claro. A outra famosa nem vai precisar responder diretamente. Ela vai mandar um recado. E os fofoqueiros vão espalhar as notas por todos os lugares. Dá para imaginar (e sim, tudo isso é muito engraçado) divas deitadas em ofurôs dando ordem para os assessores: “manda dizer que eu disse isso”. E a outra lê e a resposta se espalha rapidamente, ao infinito. Se você quiser caprichar na briga, mande umas indiretas (ou diretas) pelo Twitter. Os jornalistas vão amar e escrever a frase mais clichê do jornalismo moderno (fulana disse em seu microblog).</p>
<p>A sua briga está pronta e você ainda conseguiu aparecer bastante. E virar o assunto mais comentado da semana (uhuuu!). E antes que os assessores briguem comigo: isso é uma sátira. E o final da história? Elas farão as pazes em um programa de televisão. Difícil é escolher o de quem. Porque a briga agora vira briga por audiência (e não era desde sempre?). Bons tempos em que as pessoas davam uns gritos uma com a outra e pronto.</p>
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		<title>A volta da Legião e a &#8220;vida&#8221; uma estrela morta</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Apr 2012 16:24:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nina Lemos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[#pop #musica #legião]]></category>

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		<description><![CDATA[É verdade essa história de que a Legião vai voltar com o Wagner Moura de vocalista? Os amigos perguntam isso na mesa do bar. “A gente vai voltar ao mesmo assunto?”. Sim, cinco minutos antes alguém já tinha aparecido com &#8230; <a href="http://blogs.estadao.com.br/nina-lemos/a-volta-da-legiao-urbana-e-as-dificuldades-de-uma-estrela-morta/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É verdade essa história de que a Legião vai voltar com o Wagner Moura de vocalista? Os amigos perguntam isso na mesa do bar. “A gente vai voltar ao mesmo assunto?”. Sim, cinco minutos antes alguém já tinha aparecido com a notícia. Alguns acham meio engraçado. Outros acham que é revoltante. E ponto. Mas o círculo do absurdo está montado. E é difícil juntar as peças. A Legião Urbana é uma banda adorada até os dias de hoje, 16 anos após o seu fim (devido à morte de seu criador, o ainda ídolo Renato Russo). E o Wagner Moura, todo mundo sabe, é um ator querido, talentoso para caramba e inteligente. Talvez o melhor de sua geração. Em todos os pontos.</p>
<p>Mas fato é que as peças dessa “volta” não combinam. Se alguém contasse que isso iria acontecer um dia, todo mundo pensaria que era invenção. “Como?”. A ideia bizarra, parece, foi da MTV, a emissora que fez o famoso Acustico com a Legião Urbana mais de 20 anos atrás. E que entrevistou Renato Russo com muita dignidade várias vezes. A sensação é de que alguma coisa se perdeu (a tal dignidade) quando a gente dá de cara com a volta da banda, assim, do nada.</p>
<p>Vamos lá. Renato Russo era um pop star cheio de peculiaridades. Ele dava muito “piti”, ele parava shows no meio. E não, ele não aceitava tocar em festivais patrocinados. Negou várias vezes tocar no então Hollywood Rock (sim, nos anos 80-90) cigarro podia patrocinar coisas. Renato Russo não era um vendido. Não. De forma alguma. Ele era digno. E sua relação com a fama sempre foi essa. De entrega aos fãs. De pé atrás com o mercado. Seu ídolo máximo e espelho era Morrissey, o cantor que veio ao Brasil mês passado dando aula de dignidade simplesmente sendo ele mesmo.</p>
<p>Bem, Renato Russo morreu. E é impossível não fazer piada com sua banda. E não pensar que ele está se revirando no tumulo. E não imaginar o que ele acharia disso tudo. Os ingressos já estão sendo vendidos a 200 reais. Os ensaios já começaram e já existe até foto de divulgação da tal “homenagem” ao Renato Russo. Homenagem com ingresso a 200 reias? Homenagem para ser transmitida (e provavelmente conseguir muita audiência) da MTV?</p>
<p>Hora de recorrer a Morrissey, artista que Renato amava tanto que quase imitava. “Na reunião da gravadora, nas mãos deles: uma Estrela morta, Ah, os planos que eles armam. Ah, a ganância doentia. Na reunião da gravadora, uma estrela morta. Os babacas velhos dizem: “o conheci pessoalmente, e eu o conheci primeiro. E eu o conheci bem. Relance. Reembrulhe”. A letra brilhante de “Paint a Vulgar Picture” diz ainda: você poderia dizer não. Se você quisesse. Bem, Renato Russo não pode dizer não porque os mortos não falam, certo?</p>
<p>É difícil a “vida” de uma estrela morta.</p>
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