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Nina Lemos

Um shopping de luxo foi aberto em São Paulo semana passada. Mais um. Ok. A economia do pais esta crescendo e o mercado de luxo também. Normal.
“Aqui não tem Chanel”, cantava uma banda nos anos 90, época em que moda começou a ser assunto. No tal shopping vai ter Chanel, Gucci e já tem Lanvin e Top Shop ( marca inglesa de fast shopping).

A coisa começa a fugir do normal quando passam a pipocar as notícias sobre filas na porta da Top Shop (uma espécie de Renner inglesa, mais descoladinha). E histórias de clientes que se gabam por serem os primeiros a comprar um produto de alguma grife. Menos. O mesmo acontece cada vez que a Apple lança um novo modelo de iPhone.

Além de ser preciso ter, é importante ter antes dos outros. Eu sou dono da bola de grife, eu sou melhor que você.E mostrar, claro. E para isso existem os blogs de looks do dia, uma espécie de mania nacional sem dias para acabar e que é a combinação perfeita para quem compra as duas coisas (iPhone e roupa cara). Você pega seu aparelho de telefone e se fotografa em frente ao espelho. E conta para os outros na legenda da onde vem cada peça.
Basicamente. Todo mundo vira modelo e fotografo de si mesmo para um publico alvo que inclui qualquer pessoa da internet. Nessas, claro, as mais ricas viram musas e são copiadas pelas “coitadas” que não têm 10 mil reais para gastar em uma bolsa.

A tendência dos blogs de moda (na real, de consumo) tem até feito sombra para os eventos de moda mais importante do país. Na semana da SPFW, o fato de uma dessas blogueiras ter postado um colete feito de pele de coelho causou escândalo na internet, virou Trend Topic do Twitter e fez lojas e grifes afirmarem que não usavam peles de animais.

Antes, só celebridades eram atacadas por usar peles porque somente elas expunham suas roupas em sites e revistas. Hoje, todo mundo pode fazer isso, o que poderia ser considerado democrático. Só que não é. Afinal, para fazer um “look do dia” de sucesso é preciso ter uma bolsa de 20 mil reais da Gucci, que poderá ser comprada com estardalhaço no tal shopping. Saudades do tempo da minha adolescência, quando para ser aceita era só comprar uma mochila da Company e uma calça da Zoomp.

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As imagens mais marcantes de Fátima Bernardes são as dela como repórter. A apresentadora, que sempre segurou com competência a apresentação do “Jornal Nacional”, brilhava de verdade quando cobria ao vivo uma tragédia ou entrava no ônibus da seleção e era eleita musa da copa. E foi exatamente esse lado que ficou de lado na estreia do aguardado “Encontro com Fátima Bernardes”, que aconteceu hoje.

O programa apresentou um jornalismo frio como uma geladeira. “Ficar na geladeira”, por sinal, é o termo usado no meio jornalístico para deixar alguém pendurado ou encostado no emprego. Claro, não dá para falar que uma pessoa que ganha um programa diário ao vivo de uma hora esteja exatamente na geladeira. Mas Fátima Bernardes, destituída de brilho da repórter intrépida, estreou falando de adoção, tema importantíssimo, mas tratado sem clima de calor da hora, viagem para o exterior e depilação. Uma jornalista como ela merece mais. E antes ela estava ali, pronta, falando com cara séria dos assuntos mais importantes do dia.

A matéria sobre viagem para o exterior merece um parágrafo só para ela. A TV Globo agora fala da chamada Classe C sem parar. Às vezes funciona. Às vezes não, como no caso da história dos três amigos que conseguiram realizar o sonho de conhecer a Disney. A matéria, arrastada, parecia sem propósito, sem ritmo. Eles viajaram e voltaram, poderia ser o resumo.

Fátima conta com auditório, ajuda de um humorista e convidados, no molde de programas americanos como Oprah, a comparação mais óbvia. A diferença é que Oprah tem sangue, suor e lagrimas. O programa de Fátima, por enquanto, não tem nada disso. A parte mais quente foi a pequena participação de William Bonner, que além de mostrar um clima festa de firma, falou sobre os destaques jornalísticos do dia. O pau quebrando ali no Paraguai e Fátima falando sobre depilação?? Ela não merece. Nem o público. Sensação. O programa só começou quando acabou e entrou no ar o telejornal.

Dizem que pela manhã as pessoas (mulheres donas de casa, ainda) gostam de ver coisas leves. Há duvidas. Em todo caso, leve é diferente de gelado. Ok. Era estreia. Pode melhorar. Deve melhorar. Espera-se. Uma repórter como Fátima Bernardes merece.

 

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Era o fim da década de 70, ou início dos 80. Não lembro direito porque era criança. Sei sonhava que com os Estados Unidos (por mais que meu pai falasse que aquele país era a terra do demo). Grudadas na televisão, víamos “Dallas”, a novela americana que foi exportada para 67 países (!!). Nos deslumbrávamos com o prédio onde funcionava os escritórios da família Ewing e éramos todas apaixonadas pelo Bobby, o irmão bonzinho da família milionária do Texas.

Isso deve ser alguma anomalia de “geração Coca-Cola que desde pequena comeu lixo”, mas “Dallas” foi mais marcante na minha infância do que “Gabriela”, a novela que voltou com altos índices de audiência na TV Globo. E acho que não sou a única.

Eu queria mesmo era ser a Pamela, mulher do Bobby, e inimiga da Sue Ellen, esposa do monstro J.R. Atenção: não confundir com a personagem periguete-libertária de “Avenida Brasil”. A Sue Ellen gringa era má, sem caráter, só queria saber de dinheiro e de ferrar com os outros. Dallas era uma série pré yuppie. Falava-se muito de dinheiro, de milhares de dólares. Não, não existia euro. E a gente devia muito dinheiro para o FMI e os Estados Unidos mandavam muito no mundo (mais que hoje) e tínhamos amor e medo por eles.

Agora, a série voltou em nova versão e é exibida pela Warner. A trama mostra vida dos filhos dos personagens principais, Bobby e J.R. Engraçado imaginar. Será que a série-novela vai ter força agora que os EUA não estão assim com essa bola toda? Será que vale a pena mostrar montanhas de dólares na televisão quando a moeda norte-americana vale bem menos que o Euro, que mesmo assim está em crise?

Pode ser que os personagens, em época politicamente correta, voltem culpados. Vai ver os herdeiros da fortuna (ganha com PETRÓLEO) vão doar parte do dinheiro para ONGs. Ou vão andar por aí deprimidos porque o nome da família não vale mais tanta coisa, investindo em energia solar.  E os filhos do Bobby, o bonzinho, talvez entrem para algum movimento estilo Ocuppy.

Fato. Riqueza americana jogada na cara dos outros provavelmente não ganha ibope. Os novos Estados Unidos precisam ser, antes de tudo, politicamente corretos. Lembrança. O seriado Beverlly Hills 9210, que voltou em versão moderna, com Brendon, o galã bonzinho, transformado em um negro que foi adotado pelos pais.

Dinheiro não vale mais tanto como marketing. Mas correção política vira marketing e dinheiro. Vai ser bem engraçado ver no que vai dar essa versão 2012 de “Dallas”

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A trama é bizarra. Sua irmã morre assassinada. Você está dentro de uma casa disputando um reality show com famosos. Você recebe a notícia trágica. Vamos repetir: um assassinato. Uma tragédia. E você, bem, você decide ficar no programa. “Eu vou ficar porque eu sou forte. Se saísse era derrota”, disse Ângela Bismarchi, a irmã de Angelina, a moça assassinada. Ângela está confinada em “A Fazenda”, o reality show mais deprimente da TV brasileira.

Tudo é triste demais. “A Fazenda” em si já me faz ter vontade de chorar. Não consigo achar graça em  uma atração que parece um baile dos “losers” da classe das celebridades. Se você não deu certo no mundo da fama, você tem uma última chance, vá para “A Fazenda”! Ver essas imagens de gente tentando desesperadamente “voltar” ou dar “um up” é mais triste que um filme existencialista.

Agora, tudo ganha ares mais apavorantes. O que é ser guerreira? É ficar até o fim! Encarar! Passar por cima da dor. Banalizar o luto, que passa a ser exibido em um programa de TV!

Na edição passada, a “atração” era ver Monique Evans chorando. Sim, a musa, que já lutou contra uma grave depressão, se debulhava em lágrimas, desabafava sobre seus transtornos psicológicos. Tudo triste. Triste demais.

A Fazenda escancara uma crueldade da vida “mercadológica” que dói. É preciso competir! É preciso ganhar! Se o mercado te mandou embora, você que tente voltar, mesmo que seja cuidando nos porcos (no caso do programa, literalmente). Tudo já era trágico antes da morte da irmã da moça, que é conhecida como a campeã brasileira de cirurgia plástica (!!!). Agora, ficou desesperador. Uma moça transfigurada por plásticas, um assassinato terrível, lágrimas, competição.

Parece um filme de terror. Mas é só um reality show.

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“A Madonna mostrar o peito aos 53 anos não é mais chocante, é nojento”. O comentário é de um leitor de um site. Assunto: a pop star mostrou um peito durante um show de sua nova turnê, MDNA. Espera. Madonna já fez um livro de fotos sexys, já beijou moças em clipes, flertou com o sadomasoquismo e fez coreografias eróticas com uma cruz(!). Mostrar um peito? O que isso tem demais?

A cantora tem exibido sua forma física em outros shows da turnê. Logo depois do “escândalo” do peito, abaixou o figurino e exibiu uma sexy calcinha fio dental. “Não pode!”, gritam os patrulhadores mundo a fora. Como não pode?  Madonna já fez de tudo! Motivo de tanta repressão: a cantora tem 53 anos. Se você é mulher, você não pode envelhecer. E, bem, se isso aconteceu (e costuma acontecer com todo mundo), que você coloque uma burca!

Claro, a regra só vale para as moças. O rei Iggy Pop, do alto dos seus 65anos, continua dançando e rebolando maravilhosamente pelos palcos. Ele adora usar uma calça de cintura muito baixa. Se ela cai, ele não liga. Ninguém fala que o Iggy é nojento. Nós, mulheres fãs, gritamos achando que ele é um gato. E os homens aplaudem a lenda do rock.

No mesmo mês em que Madonna mostrou um peito (de novo, só um peito, nada demais) e chocou o mundo, outra artista, que mora em outra margem da história, desafia o mundo com sua poesia aos 65 anos. Patti Smith, a poeta do rock, a ídola do underground americano, lançou um disco excelente, ”Banga”, aclamado pela crítica como um dos seus melhores trabalhos. Na foto de capa, Patti posa quase sem maquiagem, rugas aparentes, cabelo grisalho e jeito de garota.

Madonna e Patti, cada uma ao seu modo, estão aí dando tapas na cara da sociedade que insiste em colocar mulher “de uma certa idade” em papéis de avós recatadas. “Saber envelhecer”, dizem por aí, é ser chique. E ser chique é ser discreta. A regra,  insisto, só vale para as mulheres.

Viva Madonna e Patti que estão aí para quebra-las.

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Você tem um namorado legal e vocês decidem casar. Normal.  Ótimo. Mas é preciso que o “pedido” seja o mais original e incrível do mundo. Ele será gravado e colocado na Internet, com a data dos pombinhos para que todas as pessoas do mundo inteiro possam ver. Não basta viver. É preciso exibir.

Sim, essa parece ser uma nova modalidade de competição. As pessoas competem para ver quem dança melhor em programas de TV, quem faz o melhor bolo e agora também para ver quem é mais romântico na hora de fazer o pedido. No Youtube, milhares de vídeos com pedidos de casamentos exóticos podem ser encontrados. E, o mais absurdo, há também tutoriais que dão ideias de como fazer o tal grande pedido. Um deles, onde todos os familiares da noiva aparecem fazendo uma coreografia bizarra, está sendo chamado de O MELHOR PEDIDO DE CASAMENTO DO MUNDO e foi exibido no programa dominical Fantástico. E um jovem apaixonado brasileiro tentou (com ajuda do programa) superar e fazer um mais legal ainda. Tudo gravado e transmitido, claro. Senão, quanto vale o show?

Bem, antes de tudo, essa coisa de grande pedido de casamento nem existia no Brasil. Não era uma tradição, mas tudo bem. Quem quer fazer assim, que faça. Isso se parasse por aí. Mas não para.

Depois de ter o pedido de casamento “ideal”, você precisa achar o vestido de noiva dos sonhos. E para isso há um programa de TV: “O vestido ideal”, exibido semanalmente pelo canal Discovery Health. O mesmo canal exibe também “Casamentos Espetaculares”. Óbvio,  depois do pedido MAIS LEGAL DO MUNDO e do  MELHOR vestido, você precisa  também da MAIOR  festa. Tudo tem que ser ideal, como se ideal existisse, assim como príncipe encantado e Papai Noel.

E o que acontece quando as luzes de TV se apagam?  Bem, difícil imaginar que essa gente toda não vá cair em depressão. A vida real está completamente fora do ideal e não é a melhor do mundo para ninguém. Mas não, muitos adultos de 2012 parecem estar afins de brincar de Barbie Noiva, com a cinturinha da boneca e tudo. A TV incentiva e ganha dinheiro com isso. E se der tudo errado? Bem, é só ver, no mesmo canal, o programa “Como salvar seu casamento.” Medo.

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Esqueça qualquer top que vá desfilar na SPFW e todas as blogueiras de moda que mostram suas roupas caríssimas diariamente na Internet. A verdadeira “it girl” do momento do Brasil é Suelen, a personagem periguete da novela “Avenida Brasil”.

Não, nada de peça conceitual ou de calça jeans de grife esbarrando no chão bem flare (larga, mas em inglês, a língua oficial do mundo da moda) ou de peças conceituais. Esqueça também qualquer tendência importada dos desfiles europeus. Na rua, ali na vida real, muitas querem ser Suelen, a personagem dadeira de “Avenida Brasil”.

A moça, interpretada por Isis Valverde, usa roupa de quem “pega na boate”, termo muito usado no tal mundo da moda. “Ah, esse estilista é ótimo, mas com roupa dele, ninguém pega na boate”.  Em geral, isso é uma piada, mas também é verdade. Vamos ser todos sinceros agora. Quem não quer pegar na boate? Ou ser sensual? Ou chamada de gostosa? Quem? Sério, vamos ser SINCEROS.

Suelen pega muito (e não só na boate). E é interessante ver que a tal garota que muitas  querem ser (e o enjoativo termo “it girl” quer dizer isso mesmo, a garota que tem um “it”) seja uma menina que abusa da sensualidade deslavadamente, dá em cima de todo mundo, manipula os homens, faz deles gato e sapato, os usa e não tem caráter.

Mesmo assim, todos amam Suelen. Os homens a acham musa. E as mulheres, que poderiam odiá-la, não só a enxergam com simpatia, como querem se vestir como ela. Calças e vestidos estilo “Suelen” já são vendidos em ruas de comércio popular com esse nome mesmo e sites ensinam o passo a passo de como se vestir como a musa.

Tempos atrás, o mais possível é que a personagem fosse chamada de vadia, piranha e por aí vai. Mas há algo de libertador na “truqueira”.  Assim como existe no funk carioca que foi cantado por mulheres ou no tecnobrega de Gabi Amarantos. Suelen parece uma Tati Quebra Barraco cantando: “tô podendo pagar motel para os homens e é isso o que interessa”.

Não, viver a custas de dar golpes em homens não é legal. Não é um bom exemplo, muito pelo contrário. Mas as famosas vítimas sofredoras de novela também não são bom exemplo, certo? Vale lembrar de Norma,  da novela “Insensato Coração”, a vitima magoada e vingativa. Cruzes. Talvez as mulheres se sintam um pouco vingadas ao ver que não aparecem na TV só fazendo ´papel de vítima. E os homens vejam nela uma sensualidade livre.

Fato. Os personagens de “Avenida Brasil”  são extremamente bem construídos e não existe gente só do mal ou do bem. Suelen não tem caráter, mas tem alguma simpatia, e parece levar a vida na onda. Ninguém manda nela. Ela faz o que bem entende.

Uma liberdade impossível, claro, principalmente porque não vamos sair por aí usando os outros. Mas fazer o que se quer é muito bom. E deve ser por isso que todo mundo gosta tanto da personagem. Se uma calça trouxer um pouquinho do gosto dessa liberdade.  Por que não?

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“Saí do Facebook”. De um tempo para cá, alguns amigos têm me dado essa noticia com tom de alivio, sucesso, e já prevendo reações de espanto. “Estou correndo, escrevendo meu livro e larguei todas as redes sociais. Estou me sentindo muito bem”, escreveu outro dia um deles por e-mail.

Sempre reajo dando parabéns. Nem penso muito no motivo. Mas dou tapinha nos ombros tal qual uma frequentadora de um grupo de autoajuda para viciados. E não é isso o que somos? Olha a expressão. “Larguei”. “Estou me sentindo melhor”.

Sair do Facebook hoje é também uma atitude meio alternativa, hippie. Tipo: “olha, não uso mais gravata”. “Abandonei meu emprego careta”. E quando conheço alguém que não tem Facebook olho para essa pessoa como se ela fosse alguém mais iluminado do que eu.

Hoje, acordo e leio dois textos sobre isso. Alexandre Matias escreveu em seu blog aqui nesse portal  http://blogs.estadao.com.br/alexandre-ma…) que teve sua conta de Facebook desativada pela “empresa”. De cara, teve duas reações. A primeira foi pânico. A segunda foi alivio. “Não vou ter mais que me preocupar com o Facebook.” Ele conta também que o número de usuários parou de crescer vertiginosamente e que há a possibilidade de que, no futuro próximo,  muita gente “largue o Facebook”.

No mesmo dia, recebo um link de uma jornalista do New York Times que largou a rede. Pensem. O Facebook é tão importante nas nossas vidas e um vício tão desgraçado que alguém sair da rede rende uma excelente crônica para o NYT. Sair do Facebook é notícia.

Muitas teorias dizem que nossos dados são compartilhados mundo a fora e que por estar no Facebook todo mundo sabe tudo da nossa vida. Pode ser. Li também que o sistema de publicidade é tão eficiente que funciona da seguinte maneira. Eles rastreiam seus interesses e colocam na sua página coisas que tenham aquilo que a gente gosta, se interessa, a idade que você tem. Pode ser verdade. Olhei meus anúncios. Produto de rejuvenescimento para quem tem 40 anos (nossa, como eles descobriram?), sandália em color block (ok, sou meio vítima da moda, faz sentido) e curso intensivo de inglês (gente, eles sabem até que o meu inglês é péssimo? Será?).

Um dia, quem sabe, eu serei uma pessoa iluminada e largarei o Facebook. Mas não é porque eles sabem tudo da minha vida, fazem jogadas de publicidade assustadoras e são caretas ao ponto de tirar fotos da “Marcha das Vadias” dos perfis dos usuários. O dia em que eu largar (e eu pressinto que nunca alcançarei esse estágio de iluminação) vai ser por um motivo mais prosaico: cuidar mais da minha vida. Olhar menos para o profile do vizinho, que insiste em ser mais verde que o meu todos os dias e me concentrar no meu (que não, não vai precisar ser mostrado para todo mundo). O Facebook faz a gente se sentir loser. Não, não consigo não comparar a minha vida com a dos outros. E a vida dos outros costuma ser bem editada. Já existem estudos que mostram isso. “Nossa, aquela garota da faculdade teve dois filhos, ela que deve ser feliz.” O Facebook deprime, aponta estudo.

Um dia, quem sabe, eu largarei não só o Facebook, mas também o Instagram e o Twitter. Um dia, quem sabe, eu vou morar na praia, ou no campo, viver de subsistência, parar de consumir. Sim, hoje em dia, largar as redes sociais é o novo ter uma casa no campo.

PS. Enquanto esse dia não chega, vou ali ver se alguém deixou uma mensagem no meu mural. Aff!

 

 

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  • Quem Faz

    Quem Faz

    Nina Lemos

    Nina Lemos tem 40 anos e é carioca exilada em São Paulo. É autora de cinco livros, entre eles o romance "A Ditadura da Moda". Atualmente é repórter especial da revista "Tpm".

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