ir para o conteúdo
 • 

Nina Lemos

Esse não é um texto partidário. Não. Não é. Votei e voto de novo na Dilma Roussef, mas o assunto aqui é outro. É o machismo mesmo. Um jornal teve uma idéia incrível: chamar um cirurgião plástico para analisar a cara de cansada da Dilma.
Há semanas, outra publicação teve uma idéia genial: analisar quanto a presidenta gasta com maquiagem e cabelo agora que existe uma crise política no Brasil e ela precisa fazer muitos pronunciamentos na TV.
Pára já! Pode parar. Pessoas ao meu lado já falaram: “ela anda acabada e com cara de cansada”. Bem, se a presidenta não estivesse com cara de cansada ela não seria humana.  E que coisa terrível ser mulher por essas bandas, não? Você não pode nem ter cara de cansada em paz que logo é xingada de acabada. Mulher tem que estar sempre impecável. Que prisão! Que chatice.
Ok. Mas já que mulher tem sempre que está impecável, a presidenta tem que gastar uma puta grana com “beleza”. E não pode. Não, de jeito nenhum. “Com os nossos impostos!”, grita a mesma pessoa que havia acabado de falar que Dilma estava com cara de acabada.
Ser mulher por essas terras é um inferno, não consigo parar de pensar, quando lembro que, no auge da crise, a tag: “arrume um namorado para a Dilma” fez sucesso no twitter.
Mulher não pode ficar cansada. E, claro, precisa de um macho. Não basta ser a primeira presidenta do país, de um país do tamanho do Brasil, eleita democraticamente!  Tem que ser linda e ter um homem. Macho acalma, pensam os machistas mais ogros. E um monte de gente, incluindo meninas, sai falando isso por aí sem pensar.
Lembro de um amigo que me disse uma vez que se fosse mulher no BRASIL se matava. Não, não vamos nos matar, mas que é horrível, oh, Simone, isso é.

 

Comente!

  • A + A -

Todo  mundo conhece a cena. O avião pousa. Imediatamente todo mundo começa a desabotoar os cintos (antes do aviso de que isso é permitido) e a ligar seus celulares (antes que as portas em automático etc).

Outro dia quase chamei a aeromoça. O avião decolou e um menino sentado ao meu lado não desapegava do Ipad, onde estava jogando um treco. Ele parecia um viciado em drogas com técnicas avançadas de dissimulação. A aeromoça passava, ele escondia. Ela sumia de vista, ele pegava com cara de adicto.  Acho que não chamei a aeromoça porque fiquei com medo de levar uma ipadada na cabeça. Fiz cara feia. Ele me olhou como se eu fosse uma idiota.

Bem, é possível ficar desconectado por 40 minutos (era uma ponte aérea, meu deus) de um aparelho eletrônico? Parece que não. Não dá mais. Os viciados precisam ser atendidos. E mais que isso, os executivos precisam checar seus emails para fazer o mundo andar (mentira, na verdade eles estão no chat do Facebook paquerando enquanto suas mulheres estão em casa cuidando dos filhos).

Os EUA se preparam para liberar os aparelhos eletrônicos em pousos e decolagens de aviões. Uma das alegações é essa mentira: as pessoas precisam dos seus brinquedos para fazer o mundo andar. Puro caô, como diriam os cariocas.

Quanto tempo dura aterrisagem e decolagem? Dez minutos? Se você ficar dez minutos sem seu brinquedo caro você morre? Deu no “New York Times”: o presidente da Comissão Federal de Comunicações dos EUA enviou uma carta pedindo que a agencia que controla os vôos mude suas regras e libere o tal uso de eletrônicos por esses dez minutos porque senão o país vai parar, o mundo vai acabar, as pessoas vão morrer (isso ele não disse, mas devia estar pensando).

Uns minutos sem brinquedos eletrônicos não vão matar ninguém. Mas somos todas crianças mimadas, como já escrevi aqui várias vezes. “Não vivo sem meu tablet”, diz o pai, enquanto proíbe o filho de ver televisão.

Dez minutos sem um aparelho eletrônico? Você não consegue? Jura? Você está doente. Você é maluco. E o governo do seu país ainda incentiva a sua loucura. Parabéns.

PS. Ontem eu fui ao shopping e vi pessoas APLAUDINDO a inauguração de uma loja de smartphones e tablets (e nem era a tão sonhada Apple Store). O mundo acabou antes da profecia dos Maias.

Comente!

  • A + A -

A presidenta Dilma Rousseff não é adepta de aparições televisivas. “Não tenho tempo para isso”, diria  Dilma Bolada, a personagem genial do Facebook e do Twitter que faz as vezes da presidenta sem papas na língua opinando sobre tudo. Bordão da personagem criada pelo carioca Jeferson Monteiro: “Sou Dilma, sou presidenta, sou linda, sou diva”.

Dilma (a Rousseff, não a Bolada) foi a atração hoje da estréia da nova temporada do programa “Esquenta”, apresentado por Regina Casé. O show de auditório é um fenômeno raro: consegue falar com a tal classe C (seja lá o que isso seja) e com a classse “intelectualizada” (seja lá o que seja) da mesma forma. Regina manda bala, parece estar em casa e tudo que faz ali soa sincero.

Outra aparição marcante de Dilma. Sua visita guiada com Hebe Camargo ao Palácio do Planalto. De novo, me fazendo de Dilma Bolada, a presidenta “arrasa” ao fazer essas escolhas. Ela quebra a imagem de sisuda ao andar de braços dados com apresentadoras de TV amadas e populares e dá abraços que parecem ser de verdade. Regina, como a deusa Hebe, tem o dom de deixar qualquer pessoa a vontade. E não se intimidaram ao passear por um hospital de Brasilia com a presidenta. Se ela é brava? Dizem que sim, mas não somos amigos dela para saber. Na TV, passa a imagem de uma mulher nada inatingível. Ela levou a Hebe para conhecer a capela do Palácio do Planalto enquanto Hebe dizia: “mas que lindura”.

Dima Rousseff também reforça o “feminismo” do seu governo com essas aparições. E falo isso porque sou do tempo que o SBT (então TVS) apresentava um programa dominical chamado “a semana do presidente”. Eu tinha medo daquele programa, uma coisa sisuda, mostrando homens engravatados, cercado de militares (sim, eu lembro dos presidentes milicos). O assunto aqui não é política, não, é imagem. E acho que todos nós perdemos o medo da presidenta ao vê-la apresentando um hospital para uma Regina que fala gírias, carrega no sotaque carioca e não faz cerimônia com nada. Nessas horas (e, de novo, o assunto aqui é imagem) Dilma arrasa. “Sou linda, sou Dilma, sou diva”, escreve a Dilma Bolada do twitter. E rimos. Rir de uma presidenta é bom, sim. Melhor do que ter medo deles.

 

 

Comente!

  • A + A -

Desde que teve a manha de estrelar um show usando lingerie, mostrando a bunda, pagando peito (ou seja, sendo sensualmente explicita como sempre foi), Madonna, que se apresenta hoje em São Paulo com sua mega turnê MDNA, tem sido xingada das coisas mais “elegantes” que se pode chamar uma mulher pelo mundão da internet a fora. Madonna, a pop star mais famosa do planeta, de repente virou  uma veia doida, uma sem vergonha, uma caída, uma plastificada, uma decadente que “devia se aposentar”.  Motivo de tanto ódio: Madonna tem 54 anos.

Dá para odiar alguém por causa da idade? Se ela for mulher e não virar uma tia careta ou uma mãe comportada, dá. O ódio à Madonna, antes celebrada como uma espécie de deusa, só prova isso. No show do Rio de Janeiro, ela escreveu a palavra “periguete” no corpo. Madonna não podia ter sido mais bem assessorada. Ela é, sim, uma das rainhas do piriguetismo no mundo, mesmo que ele seja um produto comercial absolutamente calculado.

Aqui por essas bandas, outra moça é xingada, perseguida e detonada dentro da categoria “veia doida”. Rita Lee, 65, ídola máxima da minha adolescência, mostrou a bunda em um show em Brasília mês passado. Perdeu patrocínios. “Como pode uma avó fazer uma coisa dessas?” Escuta, a avó é a Rita Lee, aquela que foi presa grávida e gritava lança perfume bem na cara da censura. Vocês esperavam o que da Rita Lee?

Madonna e Rita Lee deviam se aposentar!, grita o coro moralista que acha que lugar de mulher depois de “uma certa idade” é fazendo tricô. Não parem Rita e Madonna, não parem não!

1 Comentário | Comente! !

  • A + A -

Pegadinha é um clássico da TV Brasileira. Tão tradicional como o Panetone do Natal, os dinheiros jogados pelo Silvio Santos e a sua risada (de filme de terror). Quando eu era criança, morria de medo de ser alvo de uma pegadinha do Silvio. Sério. Tinha gente na escola que aplicava uma meta-pegadinha que funcionava assim: eles espalhavam o boato que a equipe do Silvio Santos estava na área “dando pegadinhas”. Resultado: crianças em pânico e com medo de sair de casa.

Agora, uns 35 anos depois, a pegadinha da menina fantasma do elevador vira sucesso internacional. Trata-se de um vídeo idiota onde uma menina fantasma assusta pessoas em elevador. As moças que são “alvo” também ficam dentro de um elevador parado e no escuro. Enquanto isso, Silvio Santos dá aquela risada dele de terror. Se eu achei engraçado? Nem um pouco? Se eu me surpreendi? Nada.

Silvio Santos já aplicou pegadinha em uma criança, a menina Maisa, que saiu desesperada do seu programa, ao vivo, enquanto era perseguida por um palhaço e Silvio Santos ria da cara dela. Aquilo sim me assustou. Apavorar uma criança para ganhar Ibope para mim é crime. Pronto.

A tal pegadinha da menina fantasma virou escândalo porque teve repercussão na imprensa internacional. Bem, podíamos mostrar todo o programa do Silvio Santos para eles. E eles também podiam ver seus próprios programas de TV. Pegadinha não é invenção brasileira. É mania mundial. Rir de gente sendo enganada é um clássico.

Eu, como todos vocês, sou alvo de pegadinhas quase todos os dias na vida real. É aquele cara que parece bacana  mas não é. A colega de trabalho que puxa seu saco mas no fim puxa mesmo é o seu tapete. O vizinho cordato que você descobre durante uma madrugada que espanca a mulher. As revistas que prometem regimes que te farão secar em dois dias. Pegadinhas não faltam. É só sair de casa e você  ser alvo de uma.

Detalhe. Para aparecer na televisão, você precisa assinar uma autorização que permita que a sua imagem seja veiculada na TV. Quem é alvo de pegadinha do Silvio assina, sim, o tal papel. Eles deixam.  Meus palpites: ou as pessoas querem aparecer no programa mais tradicional que o Panetone ou acham que nem tem o direito de dizer não.  “Fui enganada, ah, acontece, melhor eu rir disso tudo para não ficar com fama de mal humorada.”

Continuo com medo de pegadinhas e não achando a menor graça delas. De pegadinha, para mim basta a vida.

Comente!

  • A + A -

Esqueça a Madonna. Amanhã, quarta-feira, um sujeito de 48 anos vai se descabelar de dançar em São Paulo. Ele vai mostrar que é possível ser muito jovem depois dos 40 e vai fazer quem é um pouco mais novo do que ele (tipo eu) sentir uma fé enorme na humanidade.

Esqueçam a Madonna com sua boca cheia de botox. Amanhã Jarvis Cocker, o vocalista do PULP, o mito, estará entre nós. A banda, que voltou ano passado para uma série de shows, faz uma apresentação no Via Funchal, São Paulo. Amanhã não é um dia qualquer.

Esqueçam Madonna só por hoj. Ver um show do Pulp é um acontecimento e tanto. Jarvis Cocker, o letrista sarcástico, é uma espécie de socialista do pop. Está do lado oposto dos mega shows falando de política e amor com ironia.

O hino da banda já tem quase 20 anos, mas não datou. “Common People”, um dos maiores hits dos anos 90, conta a história de uma menina que quer “viver como uma pessoa comum e acha que ser pobre é cool”. Na canção, em ritmo de crônica, Jarvis leva a garota até um supermercado e fala para ela imaginar como é viver sem dinheiro. A canção, em show, ganha ares de musica de protesto punk. Eu falo sério.

A banda voltou depois de dez anos e sua primeira apresentação foi em Barcelona, ano passado, não por acaso, o socialista do pop Jarvis Cocker dedicou a música para os “indignados”, que ocupavam a praça de Barcelona naqueles dias. A volta teve clima de histeria. E Jarvis (e o resto da banda) mostrou que sim, é possível ser jovem aos 48. Sem plástica, sem “se adaptar” e sem virar um careta que volta cedo para casa (“he´s so straight”, ele grita em Do You Remember the First time, falando do marido de uma ex namorada).

Jarvis, o socialista barraqueiro, provocou escândalo nos anos 90 ao invadir uma apresentação de Michael Jackson para a TV durante uma premiação e fugir de seguranças rindo pelas costas de Michael. E abaixando as calças para as câmeras. Foi perseguido. Literalmente. Virou herói e declarou que Michael Jackson não era Jesus. Camisetas começaram a ser vendidas em Londres com a inscrição “Jarvis is Jesus”. Bem, ele não caiu nessas e compôs “Im not Jesus”, onde canta: “Eu não sou Jesus, apesar de termos as mesmas iniciais, eu sou o cara que fica em casa e tem que lavar a louça.”

Ele parece mesmo ser esse cara comum. O homem adorado que vai subir no palco do Via Funchal amanhã e foi a principal atração de festivais como o Coachella, se apresenta com um terno amassado, o cabelo completamente despenteado e usa um óculos de professor de história. Mas requebra como ninguém e usa um sapato de saltinho.

Jarvis não é Jesus. Mas é um socialista do pop e tanto. Salve, companheiro.

Comente!

  • A + A -

Eu devo ser ignorante. Mas não, não sabia o que era Black Friday até acordar hoje e abrir minha caixa de e-mails. Seria uma sexta-feira 13 fora de época? Um dia do capeta? As ofertas de descontos não param de invadir a minha caixa postal com o título em letras garrafais: “BLACK FRIDAY”.

Fui entendendo o que era a tal sexta-feira negra (eu não saber deve significar que eu sou “caipira”). Trata-se de uma invenção americana que o Brasil resolveu copiar. É assim. Depois do “Thanksgiving”, eles fazem um dia com grandes descontos nas lojas. Espera, se a gente não comemora o “Thanksgiving”, que afinal é uma tradição deles, não nossa, porque teremos Black Friday? E por que chama em inglês? Provavelmente porque em inglês vende mais (e mais caro). Já temos o “Fashion´s Night out”, noite em que as lojas e shoppings ficam abertas para vender, outra “tradição” copiada.

Em inglês deve vender mais, sim. Afinal, liquidação virou “sale” faz tempo e alguém que for seqüestrado no Canadá e largado em um shopping brasileiro vai achar que está no Texas. A boa noticia. Você não precisa mais viajar para os Estados Unidos para se sentir americano. Você pode ficar por aqui mesmo. É só você morar em um loft em um prédio chamado “Summer”, trabalhar em um prédio de “offices” e comemorar feriados americanos, como o Halloween e o Thanksgiving.

É bom todo mundo aprender logo a assar peru. As passagens aéreas estão caras. Vamos brincar de Disney por aqui. E comprar muito, claro. Quer dizer, “let´s go shopping!” Ah, ano que vem a gente não pode deixar de comemorar o quatro de julho!

PS. Obrigado, Camilo Rocha, pela inspração. Quer dizer, Thanks, friend!

Comente!

  • A + A -

O globalizado da rede

Ele nunca está em casa. Está “at home”. Adora dar “check in” em aeroportos do mundo. Mas a maior característica desse tipo é mesmo sua predileção pela língua inglesa. Só escreve em inglês no Facebook, onde seus amigos, também globalizados, respondem na mesma língua. Ou seja, eles ficam brincando de aula de inglês do CCA se achando chiques. Pessoa que não freqüenta o Twitter, pois se sente mal porque lá as pessoas falam em português (vê se pode?). Quando está “at home, ” posta fotos de sua última viagem internacional com a legenda “latest acquisition” (últimas compras, em bom português).

 

O ativista de sofá

Categoria sugerida nos comentários do post anterior desse blog e que engloba essa que vos escreve. Pessoa revoltada com as injustiças do mundo, que tem vontade de sair berrando “está tudo errado” e faz isso em redes sociais. Usa as redes para chamar pessoas para ocuparem praças, reclamar da violência policial e das injustiças do mundo em geral. Adora um abaixo assinado e uma causa. Existem vários tipos de ativistas de sofá: os defensores dos animais (uma categoria a parte), o político, o ecologista etc. E claro, algumas pessoas são poli-ativistas, e englobam todas as causas.

 

A participante de reality show

Não, ela nunca entrou em um reality! E ainda é capaz de falar mal deles. Mas faz da sua vida um. Tudo que acontece no seu próprio umbigo é noticia. Muda seu status no Facebook para escrever: “de que cor pinto as unhas?”. Tudo é documentado: suas idas ao hospital, seu novo corte de cabelo. E escreve no twitter coisas do estilo: “indo tomar banho”. Ok, ok. Todos somos um pouco participantes de reality. Como negar?

 

O chavequeiro da DM

Do nada, começa a conversar muito com você pelo tiwtter, sendo que na vida real vocês nunca passaram do oi. Aí começa a te mandar DMs (mensagens diretas) sem parar. Em uma delas, te chama para sair. Mas nunca aparece. Irmão de sangue do Dom Juan de Facebook.

O curtidor compulsivo

Curte todas as fotos do Instagram, todas as mudanças de status, tudo, absolutamente tudo. Você se assusta, achando que a pessoa está obcecada pela sua vida, que claro, como a de todo integrante de redes sociais, tem um “que” de reality. Até que comenta com amigos e eles dizem: “ah, mas é assim comigo também”. Detalhe: melhor um curtidor compulsivo do que um hater, aquele ser cheio de ódio no coração     que nem merece um tópico nesse texto.

O Fantasminha Camarada

Pessoas que usam nomes falsos no twitter e acabam meio virando suas amigas. “Como assim, você não conhece ele?”, perguntam seus amigos quando você cita com intimidade uma frase que ele disse. “Não, mas a gente é meio amigo”, você responde. Sim, somos amigos de pessoas que nunca vimos a cara, não sabemos o nome, nada. Também conhecido, segundo uma amiga, como “nosso pessoal”.

Comente!

  • A + A -

O don juan de Facebook

Por trás da tela do computador, é o homem mais corajoso e galante do mundo. Dá em cima de deus e o mundo, manda musiquinhas e e-mails fofos. Em geral ele dá em cima de várias pessoas ao mesmo tempo. Característica básica: chama as moças para sair (via chat) mas não concretiza nunca o encontro (no mundo real). Fora do computador, é um ser apavorado. E vai ver, bem, ele nem existe.

O barraqueiro do twitter

Termo que engloba praticamente todas as pessoas que usam a rede. Não há quem freqüente o site e não entre em uma polêmica pelo menos de vez em quando. Mas existe o barraqueiro excessivo. Essa é aquela pessoa que “não leva desaforo para casa”. Isso significa que ela responde com xingamentos os xingamentos que recebe de outros barraqueiros, em um vai e vem que nunca tem fim ou acaba. Não, isso não é uma indireta. E, sim, eu tenho medo de barraqueiros de Twitter.

A mulher mais feliz do intagram

Seus filhos são maravilhosos. Seu marido também. Assim como sua casa. Ela está sempre bem vestida e posta fotos do estilo “família margariha chique” no Instagram. Claro, todo mundo diz por aí que a vida dela está em ruínas. Mas quem vê Instagram não vê coração.

A recalcada

Termo usado hoje na internet para designar pessoas que falam mal das outras, fazem piada e criticam. Quase todo mundo é “recalcado”, algo que não tem nada a ver com o termo criado pelo Dr Freud. Recalcada é simplesmente alguém invejosa. Sim, o termo geralmente é usado no feminino.  Quem escreve em um blog piadas com gente muito feliz no Instagram,  Dom Juans de Facebook e barraqueiros de Twitter é o que?  Recalacada, claro!

E a lista continua….

Comente!

  • A + A -

De novo, as princesas. Uma amiga me repassa um release: escola de princesas. Achei no inicio que era um filme. E existe, sim, um “estrelado” pela Barbie com o mesmo título. Mas não. Existe uma escola de princesas no Brasil.

“Como?”, você pergunta. Não temos monarquia, rainha e o rei foi posto faz tempo. Mas se você quiser, pode matricular a sua filha em uma escola onde ela aprenderá a se portar como “uma verdadeira princesa”. A missão da escola, localizada em Uberaba, interior de Minas Gerais, é “oferecer serviços de excelência que propiciem experiências de natureza intelectual, existencial e vivencial do dia a dia da realeza para meninas entre 4 e 15 anos que sonham em se tornar princesas.”

Sim, você vai matricular a sua filha para que ela aprenda a ser uma coisa que ela nunca vai ser. Mas o show do absurdo continua. “A escola de princesas não é somente uma escola de etiquetas…. acreditamos na formação do caráter sólido.” E a cereja do bolo, ou melhor, a coroa de princesa: “A cada lição, as meninas são encorajadas a apreciar e aproveitar as qualidades positivas do caráter do comportamento das Princesas, sejam elas reais ou da ficção.”

Nos anos 50, 60, as mães matriculavam as filhas em aula de etiqueta, para que elas se saíssem boas esposas. Acho que era mais digno. Pelo menos elas sabiam o destino de gata borralheira que as esperava: bordar, manter uma boa mesa, agradar o marido e por aí vai. Agora, 2012, as meninas podem ser matriculadas em uma escola onde terão, entre outras coisas, vivências de “chás reais”.

Um dia elas vão crescer, vão ver que princesa não existe e que príncipe muito menos. Ou pior, elas vão acreditar que são princesas. Vão querer ser tratadas como tal. E se viverem em uma sociedade um pouco normal, vão quebrar a cara, simples. E o que uma princesa tem a ensinar mesmo? Que lugar de mulher é do lado do príncipe, quietinha?

Outro dia escrevi nesse blog que a nova princesa era uma blogueira de moda. Reitero. As mulheres que chamam blogueiras de princesas, as que matriculam filhas em escolas de princesas e as garotas que têm blogs do estilo “vida de princesa”, “princesa descolada” (são centenas) querem a mesma coisa: brincar de faz de conta e de submissão.

“As princesas de Uberada”. Era para ser engraçado. Se não fosse triste.

Comente!

  • A + A -
  • Quem Faz

    Quem Faz

    Nina Lemos

    Nina Lemos tem 40 anos e é carioca exilada em São Paulo. É autora de cinco livros, entre eles o romance "A Ditadura da Moda". Atualmente é repórter especial da revista "Tpm".

Arquivos

Seções

Blogs do Estadão

Você já leu 5 textos neste mês

Continue Lendo

Cadastre-se agora ou faça seu login

É rápido e grátis

Faça o login se você já é cadastro ou assinante

Ou faça o login com o gmail

Login com Google

Sou assinante - Acesso

Para assinar, utilize o seu login e senha de assinante

Já sou cadastrado

Para acessar, utilize o seu login e senha

Utilize os mesmos login e senha já cadastrados anteriormente no Estadão

Quero criar meu login

Acesso fácil e rápido

Se você é assinante do Jornal impresso, preencha os dados abaixo e cadastre-se para criar seu login e senha

Esqueci minha senha

Acesso fácil e rápido

Quero me cadastrar

Acesso fácil e rápido

Cadastre-se já e tenha acesso total ao conteúdo do site do Estadão. Seus dados serão guardados com total segurança e sigilo

Cadastro realizado

Obrigado, você optou por aproveitar todo o nosso conteúdo

Em instantes, você receberá uma mensagem no e-mail. Clique no link fornecido e crie sua senha

Importante!

Caso você não receba o e-mail, verifique se o filtro anti-spam do seu e-mail esta ativado

Quero me cadastrar

Acesso fácil e rápido

Estamos atualizando nosso cadastro, por favor confirme os dados abaixo