Casais debatem sobre suas vidas numa sala de visitas
- 9 de junho de 2012|
- 19h13|
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Por Felipe Branco Cruz
Baseado numa peça teatral homônima da dramaturga francesa Yasmina Reza, o filme Deus da Carnificina, que estreia amanhã, consegue transpor para a tela o mesmo impacto que o espetáculo tem nos palcos. Aliás, aqui no Brasil, o texto ganhou montagem com Deborah Evelyn, Julia Lemmertz, Orã Figueiredo e Paulo Betti, que já passou por São Paulo e continua rodando o País.
No cinema, o título é dirigido por Roman Polanski e tem, assim como no original, quatro pessoas no elenco: Kate Winslet (Nancy), Jodie Foster (Penélope), Christoph Waltz (Alan) e John C. Reilly (Michael). O cenário é um só: a residência do casal interpretado por Jodie e Reilly, localizado em Nova York (na realidade, o filme foi rodado em Paris, já que o diretor não pode pisar nos Estados Unidos, onde responde por um processo de abuso sexual de uma menor de idade).
E é em um curto espaço de tempo que o quarteto mostra todo o seu talento. Também não é para menos: todos os atores e o diretor, juntos, somam cinco Oscar e 12 indicações. Jodie Foster ganhou duas vezes o prêmio de melhor atriz: em 1989, por Acusados, e 1992, por Silêncio dos Inocentes. Waltz foi o melhor ator coadjuvante em 2009 por Bastardos Inglórios. Kate Winslet levou o troféu de melhor atriz em 2009 por O Leitor. E Polanski foi eleito o melhor diretor em 2003 por O Pianista.
O forte de Deus da Carnificina são os diálogos travados entre os casais, recheados de ironia e, em alguns momentos, de pura agressão verbal. A trama é desencadeada por dois garotos que brigaram. Os pais dos dois se encontram para um pedido formal de desculpas, sem a presença dos meninos. Logo fica claro que o motivo de tanta discussão – regada a charutos e uísque – não são os jovens e, sim, as neuroses dos mais velhos.
A princípio, a educação e a civilidade imperam, com os pais do garoto agredido recebendo em sua casa os pais do agressor. Depois de todas as formalidades, quando o casal está indo embora, o outro o convida para ficar mais um pouco, comer um bolo e tomar um café. A partir daí, mais relaxados, os quatro começam a debater mais profundamente sobre a briga dos meninos – e vêm à tona diferenças sociais e comportamentais bem mais profundas. Ora machistas por parte dos pais, ora feministas por parte das mães.
Os pais do agressor são Kate Winslet, que vive uma corretora de imóveis, e Waltz, que interpreta um advogado de uma empresa de medicamentos. Da outra parte, Jodie é uma escritora ativista dos países pobres da África e seu marido, um vendedor de materiais de construção.
A todo momento, a questão que paira é: tudo isso não poderia ter sido evitado se cada um dos casais mantivesse o foco apenas na discussão sobre a briga dos filhos? O problema é que o telefone celular de Waltz nunca para de tocar, enquanto Reilly adora falar da vida pessoal e inclui na conversa a forma perversa como largou o hamster da filha num bueiro de esgoto, porque “todo rato gosta de esgoto”, entre outras pérolas.
Incríveis qualidades
Cada um dos personagens tem seu grande momento nessa história. Kate, por exemplo, perde a linha depois de tomar algumas doses de uísque. Jodie, por sua vez, dá um show de interpretação ao explicar por que os africanos estão morrendo de fome. Outro mérito do longa está na certeira direção de Polanski. Com diálogos ágeis e excelente trilha sonora, o público praticamente se sentirá no meio dessa discussão.
O difícil será tomar partido de algum desses personagens, já que todos têm seus indesculpáveis defeitos. Suas incríveis qualidades, porém, são constantemente colocadas à prova.
A estrela de Lula nos cinemas da Argentina
- 30 de setembro de 2010|
- 9h08|
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Lula, o Filho do Brasil, dirigido por Fábio Barreto, debutou nos cinemas portenhos na quinta-feira passada, transformando a Argentina no primeiro país no exterior a exibir o filme que retrata a vida do presidente brasileiro. Foram 8 mil espectadores no fim de semana da estreia. O coprodutor do filme, o argentino Eduardo Costantini Jr., que confessa seu “fascínio” pelo Brasil, será o responsável pela distribuição do longa na América Latina. Em entrevista no café do Malba (Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires), instituição criada por seu pai, o financista Eduardo Costantini, o produtor de 34 anos falou sobre seus projetos e a repercussão que o filme teve na área política.
Qual sua expectativa de público para a obra no país?
Estreamos com 20 cópias em Buenos Aires. Não é a melhor época para a estreia, pois na primavera, com o sol, as pessoas vão em peso aos parques e deixam de lado os cinemas. Além disso, com a proximidade das eleições no Brasil, houve até críticas de que havia um interesse eleitoral, o que é um absurdo, já que no país o volume de brasileiros que vota na embaixada é mínimo…Mas, de forma geral, nossa estimativa é que poderíamos chegar aos 100 mil espectadores. Uma coisa peculiar é que o filme foi até comentado nos jornais argentinos no meio de matérias sobre a economia brasileira. Nas próximas semanas, levaremos o filme às cidades de Córdoba e Rosário (respectivamente, a segunda e terceira cidade da Argentina). Esta é a primeira estreia fora do Brasil. Estamos viabilizando a distribuição no México, Venezuela, Colômbia, Chile, Paraguai, Equador e Uruguai. A ideia é estrear em todos esses países até meados de 2011. Minha expectativa de público para a Argentina é de 100 mil pessoas, o que é um volume grande. Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles, atraiu um público de 150 mil espectadores na Argentina.
Hoje, há um crescente fascínio pelo Brasil por parte dos argentinos. Antes, o Brasil interessava mais pelas praias e pelo carnaval.
Mas, desde o final dos anos 1990, os políticos brasileiros, tanto da oposição como do governo, são citados como exemplos a seguir pelos argentinos. E de quebra, os empresários argentinos confessam sua inveja da economia brasileira.
A que atribui essa “brasilmania” que tomou conta da Argentina?
Acho que o Brasil está vivendo um período de enormes transformações que vem de várias décadas. Já na época do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso começou a tornar visível a estabilidade graças ao Plano Real e ao crescimento da economia. E, depois, Lula, com todo o seu carisma, continuou esse plano, dando prosseguimento ao crescimento do Brasil.
Seria possível fazer um filme sobre outra figura política da região, como Chávez ou os Kirchners?
Acho que poderiam ser feitos filmes sobre Evo Morales e Chávez. Mas a política não me interessa. O que me interessa é o Brasil, e especificamente, a figura de Lula, além do prazer de ter trabalhado com Fábio Barreto. O Brasil me interessa como um todo, mais do que fazer filmes sobre políticos da região.
Foi criticado por ter produzido um filme que alguns setores enquadraram de “direita” como o ‘Tropa de Elite’ e agora é criticado por ter produzido um filme definido como de propaganda política da esquerda…
São acusações ridículas. A intenção de um filme como Tropa de Elite era a de mostrar a violência da polícia com os narcotraficantes. Não apoiamos essa violência, mas a mostramos e denunciamos. No caso do filme do Lula, alguém dizer que tem intenções políticas é um absurdo. Além disso, o trabalho está focalizado na relação de Lula com a sua mãe.
Quais as chances para o Oscar de melhor filme estrangeiro?
Acredito que ele tem altas chances de ser selecionado. Fico feliz que o Brasil tenha escolhido este filme para o Oscar. A produção é sobre Lula, logo, Hollywood deve ficar bem interessada. Ora, para que escolher outro filme para representar o Brasil?
Tem novos projetos para o país?
Estivemos conversando com o cantor e produtor americano Lenny Kravitz, que quer fazer um filme no Brasil, no qual ele seria protagonista. O diretor seria um inglês que reside em Hollywood. Estamos atrás do financiamento. Tudo deve estar definido até o fim do ano.
Nas últimas décadas foram feitos filmes sobre figuras como Gandhi e Mandela. Gandhi já morreu e Mandela está aposentado. É complicado fazer um filme sobre um líder político que ainda está na ativa?
Complicado não foi. Mas aprendi que muitas pessoas não gostaram porque acharam que era um filme proselitista por coincidir com o ano eleitoral…
Como imagem do Brasil, para as novas gerações, Lula poderia ser mais conhecido do que Pelé?
Sim, acredito que daqui para a frente, Lula deverá se tornar mais conhecido do que Pelé.
O presidente Chávez assistirá a Lula, o Filho do Brasil quando o filme estrear em Caracas?
Não sei… mas seria ideal!
Ariel Palacios (Correspondente em Buenos Aires)

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