Houve uma vez um verão…
- 9 de junho de 2012|
- 18h44|
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Por Felipe Branco Cruz
Uma parceria entre França, Itália e Suíça, o filme Um Verão Escaldante, que estreou sexta-feira nos cinemas, traz no elenco a deslumbrante atriz italiana Monica Bellucci, de 47 anos, além dos atores Jerôme Robart, Louis Garrel (filho do diretor do filme, Phillipe Garrel) e Céline Sallette. No enredo, Paul (Robart) e Frédéric (Garrel) são amigos inseparáveis e, com suas mulheres, passarão um inesquecível verão em Roma, na Itália.
O longa é narrado por Paul e, logo na primeira cena, Frédéric aparece sofrendo um acidente fatal de carro. Em seguida, a história volta no tempo para contar como essa amizade começou. Paul é um aspirante a ator que vive fazendo pequenos papéis em filmes franceses. Em um deles, conhece sua namorada Élisabeth (Céline). Os dois se apaixonam e viajam para Roma para visitar Frédéric.
Na capital italiana, Frédéric vive com a experiente atriz Angèle (Monica), famosa no cinema italiano, enquanto ele começa a se destacar como um talentoso pintor. Angèle, é claro, é sua musa e praticamente o inspirou em todas as criações. Vale o registro de uma cena em que Monica aparece nua, deitada em uma cama, como as musas do passado.
Em Roma, os casais de amigos vivenciam um período idílico regado a boa comida, bebida e passeios. Tudo passa a mudar quando Élisabeth e Paul percebem que esse não é o tipo de vida que eles querem levar e que é necessário buscar um trabalho decente. Por outro lado, Angèle não se sente mais tão feliz ao lado de Frédéric e ele passa a desconfiar da fidelidade dela. O problema é que Frédéric já teve vários casos extraconjugais, mas não aceita uma possível traição da mulher.
A partir dessa ruptura, os casais entram em diversas situações limites, chegando a um ponto insuportável em que não parece existir uma solução fácil para ninguém. A tensão entre eles vai permear toda a trama, até o trágico desfecho apresentado no início do filme.
Bons momentos
O diretor francês Phillipe Garrel, em declarações à mídia internacional, revelou que o longa foi feito porque, assim como o narrador do filme, ele também perdeu o melhor amigo. “Um amigo é alguém por quem você daria a vida”, disse ele.
Entre os prêmios que Garrel já conquistou, estão o Leão de Prata, recebido em 1991, no Festival de Veneza, pelo longa J’entends Plus la Guitarre. Em 2005, ele voltou a ser premiado com o Leão de Prata de direção por Amantes Constantes. O próprio Um Verão Escaldante também foi indicado em três categorias em Veneza, no ano passado. Com exceção de Monica Bellucci, o elenco e o roteirista Marc Cholodenko já trabalharam com diretor em Amantes Constantes.
Em Um Versão Escaldante, fica a mensagem de que nada trará a pessoa morta de volta. A única solução é relembrar os bons momentos juntos. É isso que aquele verão escaldante que os amigos passaram juntos pareceu ser: o melhor momento que tiveram na vida.
Audrey Tautou não é mais aquela Amélie Poulain
- 25 de maio de 2012|
- 15h09|
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Por Felipe Branco Cruz
A melhor amiga de Nathalie Kerr (Audrey Tautou) não consegue aceitar que ela se apaixone por um homem feio, estranho e que seja seu subordinado no trabalho. Depois da trágica morte de seu noivo, Nathalie, que trabalhava num pequeno teatro vendendo livretos com os programas das peças, mudou completamente de vida. Nathalie passou a dedicar 100% de seu tempo ao novo trabalho, num escritório de advocacia, até se tornar uma das sócias. Sua vida parecia sem sentido e vazia pela morte do noivo até que o “feio e estranho” subordinado surgiu. A amiga de Nathalie, assim como todos a sua volta, acredita que ela deveria namorar alguém bem sucedido.
Sublime e delicado – para usar um dos adjetivos do título – o filme A Delicadeza do Amor, que estreia hoje, é dirigido pelos franceses David Foenkinos e Stéphane Foenkinos e baseado no romance Delicadeza (Ed. Rocco), de autoria do próprio David. No enredo, somos apresentados a essa improvável história de amor. Mas, o que os amigos de Nathalie não percebem é que esse amor está além das aparências. Markus (François Damiens) é um sueco desengonçado, com barba desgrenhada e calvície precoce, além de se vestir mal. Mas ele é engraçado, simpático, educado e capaz de fazer Nathalie feliz novamente.
Uma das cenas mais fortes do longa talvez seja quando Nathalie volta para casa sozinha após o enterro do noivo. Sem nenhuma trilha sonora a recorrer, vemos a personagem sentada, sozinha, em casa, observando seu livro aberto na página que lia no momento em que soube da morte. Em seguida, ela pega o celular e tenta apagar o nome dele da agenda do telefone.
A dicotomia do longa reside justamente no fato de que Nathalie tinha uma vida de sonhos,e formava com o noivo o casal perfeito – ele era bonito, inteligente, descolado. Ou seja, perfeitamente adequado ao que a sociedade esperaria de um casal jovem, completamente diferente do que ela passou, mais tarde, a ter com Markus.
A atuação de Damiens talvez seja o grande destaque. Audrey Tautou, eternamente conhecida como a intérprete de Amélie Poulain, tem uma atuação competente e seu jeito meigo dá o tom perfeito da comédia romântica. É, porém, quando Damiens entra em cena que o longa ganha vida.
Certamente o público, espectador privilegiado dessa relação de amor, entenderá perfeitamente, ao contrário da desconfiança dos amigos dela, o porquê de Nathalie decide ficar com Markus.
Esqueça, porém, das piadinhas ou da sucessão de situações engraçadinhas que permeiam outras comédias românticas de Audrey, como O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001). A pegada de A Delicadeza do Amor não é essa. Nathalie não é uma garotinha ingênua. El a é depressiva, focada no trabalho e praticamente isolada do mundo.
A chegada de Markus pode ser comparada na vida dela à chegada da primavera, fazendo com a felicidade desabroche novamente. O romance dos dois se desenvolverá a despeito da interferência do chefe de Nathalie, apaixonado por ela e incapaz de aceitar o fato de ela preferir Markus. E, também, a despeito das fofocas dos colegas de trabalho que passarão a cumprimentar Markus apenas para saber quem é aquele cara que está “saindo” com chefe.
A impressão que temos é que já sabemos, sem grandes surpresas, qual será o final desse filme. Porém, a grande sacada aqui é acompanhar quais serão os caminhos trilhados pelo casal até que, finalmente, possa ficar junto.
A visão do Brasil por meio de quatro estrangeiros
- 12 de julho de 2011|
- 5h03|
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Por Feliipe Branco Cruz
Além do longa Onde Está a Felicidade?, foram exibidos também os curtas-metragens Café Turco (de Thiago Luciano) e Trocam-se Bolinhos por Histórias de Vida (Denise Marchi). O destaque entre esses filmes, foi o documentário A Cidade Imã, de Ronaldo German. Nele, o diretor mostra como quatro imigrantes: Bruce Henri (nascido em Nova York e criado na Espanha), Idriss Boudrioua (França), David Chew (Inglaterra) e Masako Tanaka (Japão) que decidiram morar no Rio de Janeiro depois de se apaixonarem pela cidade e pela música brasileira.
Um dos pontos mais interessantes do documentário é a visão que o estrangeiro tem do Rio de Janeiro. Masako, de todos eles, é a que está a menos tempo no Brasil (menos de dez anos), enquanto os outros três já vivem no país há mais de 30 anos. O deslumbramento, no entanto, continua o mesmo. Seja com a beleza, com a música e com os cariocas.
Além da música, o documentário mostra o cotidiano dessas pessoas, a família que eles formaram no Brasil e o trabalho que eles desenvolvem por aqui. “É a música que me alegre e me conforta longe do meu país”, disse, bastante emocionada, a japonesa Masako. “No Japão nossos pais não nos abraçam. Muito diferente do Brasil, onde a gente dá beijinhos no rostos até de desconhecidos”, completou.
Idriss é saxofonista, David é músico clássico e toca violoncelo, Masako canta samba e bossa nova, além de tocar percussão (inclusive nos desfiles das escolas de samba na Sapucaí) e Bruce é multiinstrumentista e produtor cultural. O longa também conta as dificuldades que os personagens enfrentaram, tanto de língua até a adaptação aos costumes do Brasil. “Ninguém chega no horário. Agora estou sabendo lidar com isso”, disse Idriss.
A violência carioca também está presente. Três deles já foram assaltados na cidade. “Não fiz um filme promocional do Rio de Janeiro. E eu tive fundamental o dia-a-dia dos personagens. Como é a família deles, etc. Mas não poderia deixar de tratar o caos da cidade, inclusive a violência”, diz o diretor.
Trata-se de um longa singelo, que mostra como a cidade, mesmo com seus problemas, é capaz de encantar e atrair, como um verdadeiro imã, pessoas do mundo inteiro. “Não acho que este filme é sobre nós, imigrantes, e sim sobre como a cidade do Rio de Janeiro é linda”, disse Bruce.
Crítica Barroca ao horror da guerra
- 24 de outubro de 2010|
- 18h50|
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Por Luiz Zanin Oricchio
Jean-Pierre Jeunet tem estilo, isso não se nega. Barroco, artificioso, às vezes cheio de engenho. Tudo isso faz parte da sua assinatura, jornada reconhecível desde que seu Delicatessen (em parceria com Marc Caro) apareceu por aqui. A mesma marca está em Ladrões de Sonhos e em seu melhor trabalho, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Reaparece, inalterável, neste MicMacs – Um Plano Complicado.
Desta vez, a sua visão de mundo (porque é disso que se trata nesse estilo tão definido) aparece na maneira como entende e se opõe à suposta vocação guerreira do ser humano. O personagem principal, Basil (Dany Boon), tem tudo para detestar armas de qualquer espécie. Seu pai morre por ação de uma mina no Marrocos; ele próprio é vítima de uma bala perdida. O ferimento o deixa à beira da morte e produz sequelas. Perde seu emprego e vaga pelas ruas, até encontrar um singular vagabundo, que o apresentará a um grupo de seres extravagantes, vivendo num esconderijo – um homem-bala, uma contorcionista, um gênio em matemática, etc. O grupo se colocará a serviço do combate a dois traficantes de armas.
Desse modo, a aventura proposta por Jeunet se resume a invadir a casamata desses senhores da guerra e levá-los à perdição. Seria mesquinhez negar a originalidade com que Jeunet faz sua denúncia da guerra, vista não como “loucura”, maneira que pacifistas ingênuos costumam defini-la, mas como negócio lucrativo – o que a torna mais criminosa ainda. Fosse apenas um desvario, seria algo a lamentar, uma insanidade inscrita na limitada natureza humana. Mas, como fato destinado a vender armas e produzir lucro, revela-se simplesmente execrável. É o que está no centro, digamos, ideológico, do filme e se refere, obviamente, ao envolvimento europeu na Guerra do Iraque, mais recente manifestação dessa atividade comercial a serviço da morte e do dinheiro.
Que essa ação venha de um grupo de marginalizados, é expressão do pensamento social de Jeunet. Ele o veste com sua marca pessoal, o aspecto lúdico. Sua paixão por engenhocas e seu afeto pelo registro fotográfico um tanto estiloso, sua busca da maneira mais inesperada de atingir um alvo – tudo isso está lá, inevitavelmente. Quem prefere a simplicidade, que a busque em outro filme. Este aqui, apesar dos excessos, tem seu encanto.
Woody Allen começa a rodar filme que terá Carla Bruni
- 6 de julho de 2010|
- 16h24|
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(EFE) O cineasta americano Woody Allen se instalou em Paris, onde já começou a trabalhar em “Midnight in Paris”, filme no qual a primeira-dama francesa, Carla Bruni-Sarkozy, estreará como atriz.
Allen gravou as primeiras tomadas de seu próximo longa-metragem no bairro de République, centro parisiense, junto a uma das protagonistas do filme, a francesa Marion Cotillard, segundo informa nesta terça-feira o jornal “Le Parisien”.
A primeira-dama, segundo o jornal, não começará a gravar antes de agosto, mês no qual já reservou cinco dias para trabalhar às ordens do famoso diretor.
A ex-modelo, cantora e agora atriz interpretará a diretora de um museu no filme, uma comédia romântica protagonizada por uma família que viaja à capital francesa para tratar de negócios.
O cenário das cenas que terão a participação de Carla Bruni será o prestigioso Hotel Le Bristol de Paris, muito próximo ao Palácio do Governo, e no qual Allen se instalou junto a sua família.
No elenco do filme estão nomes como Kathy Bates, Rachel McAdams, Michael Sheen e Owen Wilson.
Dos quadrinhos franceses para a telona
- 2 de julho de 2010|
- 0h25|
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Filme "O Pequeno Nicolau" é baseado em história em quadrinhos francesa
Felipe Branco Cruz
Nicolas (ou Nicolau, em português) é um personagem tão importante e conhecido para os franceses quanto a Mônica, da “Turma da Mônica”, para os brasileiros. Em setembro do ano passado, estreou na França a adaptação para o cinema dessa história em quadrinhos, que hoje (2) chega às telas brasileiras.
Naquele mês, dentro das estações de metrô e espalhados por outdoors por toda Paris, os diversos cartazes davam a dimensão da importância do personagem para os franceses. As peças traziam a imagem de um garotinho de calças curtas, vestindo uma gravata e um suéter vermelho, sentado num banco, entre seus pais.
O personagem Nicolau nasceu na década de 1950, pelas mãos do escritor René Goscinny (o mesmo que criou Asterix) e ilustrado por Jean-Jacques Sempé. Suas aventuras se passam na escola, com seus amigos, e dentro de casa, com seus pais. Ele é filho único, muito bagunceiro e não consegue entender certas decisões tomadas pelos adultos. No seu fértil universo imaginário, há espaço para discussões filosóficas sobre a vida, amizade, fraternidade e amor. E sempre com muito humor permeando todos os debates.
O pequeno Nicolau é tão importante para os franceses que ele é considerado quase que uma instituição nacional. Prova disso é que 5 milhões de pessoas assistiram ao filme na França, número que corresponde a quase 7% da população do país. É como se quase 14 milhões de brasileiros assistissem a um filme nacional – para efeito de comparação, e “Eu Fosse Você 2″, o maior sucesso do cinema brasileiro dos últimos anos, teve mais de 6 milhões de espectadores.
Nicolau, aliás, não é um completo estranho do público brasileiro, já que suas histórias são usadas para ensinar francês nos cursinhos.
O longa foi dirigido por Laurent Tirard, que a princípio pensou em não aceitar a direção, tamanha a responsabilidade em adaptar Nicolau para o cinema. Diferentemente do que ocorre na Turma da Mônica, as historinhas em quadrinhos não são publicadas mensalmente. Elas foram lançadas em formato de livros compostos por episódios com começo, meio e fim.
Para achar um fio condutor para o cinema, o diretor resolveu explorar o enorme medo que Nicolau tem de ganhar um irmão, já que ele é filho único. Todas as confusões e bagunças do personagem e seus amigos giram em torno de uma suposta gravidez da sua mãe. Mais do que um filme infantil, trata-se de uma história para toda a família, com o característico humor refinado dos franceses.
A turma de Nicolau – composta de tipos como o comilão, o inteligente, o riquinho e o esportista – lembra, em diversos momentos, as aventuras das crianças do filme “Os Batutinhas”(1994), o que deixa a história, além de engraçada, também muito tocante. Para quem não conhece Nicolau, o diretor faz, logo no início do filme, uma ágil e curiosa apresentação de todos os personagens, mostrando as características de cada um. O próximo projeto de Laurent Tirard, coincidência ou não, é a uma nova filmagem de “Asterix”. Mas esse projeto ainda está no início e o roteiro nem começou a ser escrito.
Assista, abaixo, o trailer do filme:

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