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Quarta-feira, 19 de Junho de 2013
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O perigo agora? Um bando de piratas

Categoria: Animação, Aventura, Comédia, Critica, Trailer

Felipe Branco Cruz

Uma das franquias de maior sucesso da animação ganhou um quarto capítulo. Amigos inseparáveis, o mamute Manny, o bicho-preguiça Sid e o tigre-dentes-de-sabre Diego agora enfrentam um perigo muito pior do que o derretimento das calotas polares em A Era do Gelo 4, em cartaz nos cinemas. O filme chegará às salas também em versão 3D – lembrando que a terceira parte também havia sido lançada no formato.

Ao todo, os três filmes anteriores, somados, lucraram quase US$ 2 bilhões em todo mundo e tiveram a direção do brasileiro Carlos Saldanha. Após o sucesso, o cineasta abriu sua própria empresa e seguiu carreira solo, lançando o longa Rio (2011). É por isso que esta nova versão é dirigida por Steve Martino e Mike Thurmeier, e não por Saldanha.

Diferentemente dos outros títulos, nos quais a ameaça era a natureza, desta vez, os amigos têm de combater um grupo de piratas, liderado pelo macaco capitão Gutt. Além disso, quando um cataclismo de separação dos continentes é desencadeado pelo esquilo Scrat, Manny se vê separado de sua família, a mamute Ellie e a filha Amora. Navegando a esmo pelo oceano em um imenso iceberg, Manny, Sid e Diego precisam achar um jeito de voltar ao continente e reencontrar a família.

Além de Gutt, outros novos personagens foram introduzidos na trama. Agora, conhecemos também a família do bicho-preguiça Sid. Dentre eles, a sua avó, que não tem dentes e, a todo momento, fica pedindo a Sid que mastigue as comidas para ela. Enquanto isso, Diego finalmente encontra uma namorada, Shira, que faz parte do bando do capitão Gutt. Os perigos oferecidos pelo capitão, aliás, deram ao filme um fôlego a mais a esta nova sequência da franquia.

No Brasil, os personagens continuam com a voz de Márcio Garcia (Diego), Diogo Vilela (Manny) e Tadeu Mello (Sid). Já Shira é dublada por Andréa Suhet e Ellie, por Carla Pompílio. Na versão em inglês, os personagens são dublados por Ray Romano (Manny), John Leguizamo (Sid), Denis Leary (Diego), Jennifer Lopez (Shira) e Queen Latifah (Ellie).

E, mais uma vez, o simpático esquilo Scrat acaba sendo responsável pelos momentos mais engraçados do longa, em esquetes que são inseridas na trama. Em sua incansável busca pela noz, ele cai em um buraco que o leva até o centro da Terra e lá, sem querer, divide os continentes. Seu empenho, no entanto, é recompensado e ele é conduzido até o paraíso dos esquilos, repleto de nozes por todos os lados.

Pela expectativa de público e retorno financeiro que poderá gerar, A Era do Gelo 4 é também um dos lançamentos mais aguardados deste ano, ao lado das novas superproduções de Batman e Homem-Aranha, ambas com previsão de estreia em julho.

Aquecimento global
No primeiro longa, os três amigos encontram um bebê humano. Juntos, eles farão de tudo para devolvê-lo à sua tribo. O segundo filme começa mostrando o derretimento das calotas polares e os animais se divertindo na água abundante. É nesse filme que Manny conhece sua mulher, a mamute Ellie. A princípio, ela acha que é um gambá, já que foi criada com dois deles. Naquela ocasião, os répteis marinhos pré-históricos que surgem após o derretimento das calotas é que representam perigo.

Já a terceira sequência mostra Ellie grávida. Sid encontra ovos, que depois descobre serem de dinossauros. Após cair em um buraco de uma caverna, a turma encontrará outros dinossauros, que vivem em um mundo tropical subterrâneo. O longa termina com Ellie e Manny apresentando sua primeira filha, a mamute Amora. E a saga continua agora.

Antes da projeção de A Era do Gelo 4, é exibido o curta O Dia Mais Longo na Creche, com cinco minutos de duração e estrelado por Maggie Simpson. Nele, a bebê Simpson tem de salvar uma borboleta azul da fúria de um outro bebê. O curta, que não tem nenhuma fala, também rende boas risadas.

Fausto enfrenta seus demônios

Categoria: Critica, Drama

Por Felipe Branco Cruz

Fausto, obra-prima do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe, publicada em 1808, não é um livro fácil. O diretor russo Aleksandr Sokurov tentou captar o ambiente de decadência moral e financeira que permeou a Europa no século 18, onde é ambientado o livro, para criar sua versão cinematográfica. O longa Fausto, que entra hoje em cartaz, assim como o livro, também não é um trabalho fácil de assistir. O filme, de 2h15 de duração, no entanto, prima por excelentes fotografia e direção de arte, que deverão agradar a quem busca um cinema mais autoral.

As dificuldades para assistir ao longa começam pelo incomum formato da tela. Ele não é wide screen, 16:9, 4:3, nem cinemascope, mas quadrada com as bordas arredondadas. Além disso, as lentes utilizadas distorcem a imagem (ou como o diretor queria interpretar a realidade), deixando-a desfocada nas bordas. A diferente fotografia é mérito de Bruno Delbonnel, indicado três vezes ao Oscar por O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001), Eterno Amor (2004) e Harry Potter e o Enigma do Príncipe (2010). No ano passado, o longa ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza e, no Brasil, encerrou a Mostra de Cinema de São Paulo.

O filme narra a história do estudioso Fausto, ávido pelos saberes do mundo, porém desiludido com a limitação dos conhecimentos de seu tempo. Com a promessa de ganhar dinheiro, sabedoria e a mulher que ama, Fausto vende sua alma para Mefistófeles. Mas o demônio não é retratado como um ser chifrudo e assustador. Ele se assemelha muito a um humano, mas é deformado fisicamente, assexuado e com uma proeminente corcunda. Em uma das cenas mais fortes do filme, podemos vê-lo nu, entrando em uma terma repleto de mulheres. Nenhuma delas, no entanto, parece se incomodar com o jeito repulsivo de Mefistófeles.

Para criar o cenário de época, o diretor e sua equipe pesquisaram imagens em galerias de arte, além de obras de artistas plásticos alemães, como Caspar David Friedrich (1774-1840). O resultado é um ambiente que imediatamente remete ao espectador uma sensação de repulsa e estranhamento, assim como na leitura de Fausto.

Certamente este é um trabalho que não deixará nenhum espectador impassível. Boa parte da crítica especializada teceu críticas elogiosas ao filme. Ao públicoque está acostumado com o cinema de Hollywood, no entanto, o longa poderá ser considerado chato e cansativo.

Hollywood com sotaque brasileiro

Categoria: Cinema Nacional, Drama, Entrevista, Ficção, Hollywood, Terror

Por Felipe Branco Cruz
De Los Angeles

Depois de servir de cenário para a série de TV Alcatraz, que foi exibida no Brasil pelo canal por assinatura Warner até o início do mês, a ilha que abriga a famosa prisão homônima agora será retratada no cinema em produção de origem brasileira. O suspense The Last Boat to Alcatraz (na tradução livre O Último Barco Para Alcatraz), com previsão de estreia nos Estados Unidos para 2013, tem, por trás, a produtora paranaense Helena Hilário, de 26 anos, que há três anos mudou-se para os Estados Unidos para estudar na New York Film Academy, em Nova York. Há menos de um ano, mudou-se para Los Angeles, na Califórnia, para tentar a sorte em Hollywood. E a sua hora parece ter chegado.

O filme de baixo orçamento (menos de US$ 1 milhão) contará a história de um grupo de amigos que decide fazer um passeio, ilegal, à noite, na ilha de Alcatraz. Presos no lugar, decidem explorar a ilha, onde começam a presenciar estranhos fenômenos sobrenaturais. No elenco, estão outras duas brasileiras, a sul mato-grossense Stefanye Falco e a carioca Luciana Faulhaber, ambas de 28 anos. Stefanye mora há seis meses nos EUA; Luciana, há oito anos. O elenco, que também tem americanos, conta ainda com jovens atores de Portugal e Inglaterra, que são dirigidos pelo cineasta italiano Mario Pece, de apenas 22 anos. Pece é especialista em efeitos especiais da empresa Ingenuity Engine, sediada em Los Angeles. Mas, curiosamente, o dinheiro veio do Brasil, da produtora G8 Entertainment Group (leia ao lado).

Helena Hilário conta que só conseguiu o investimento depois de garantir que filmaria na histórica ilha-prisão. “O aluguel de Alcatraz corresponde a 40% do orçamento”, diz, sem revelar o total do valor. Atualmente, 60% do longa já foi filmado. Além da ilha, foram usadas locações nas cidades de São Francisco e Los Angeles. “É um filme muito comercial. Suspense vende em todo o mundo”, arrisca a brasileira.

O trabalho, que começou meio por acaso, é feito entre amigos. Helena e Stefanye, por exemplo, se conhecem de longa data, estudaram juntas no Brasil. O diretor Mario Pece é namorado de Helena e o casal mora junto em West Hollywood. Eles dividem o apartamento com o ator português James Serra, de 22 anos, também no filme. Entre atores, técnicos e produtores, a equipe de filmagem tem cerca de 20 pessoas. “É um daqueles filmes em que as pessoas se juntam por amor ao cinema. Ninguém está ganhando muito dinheiro”, diz Stefanye, que atuou na novela A Vida da Gente (Globo), de Jayme Monjardim.

A produtora Helena Hilário e a atriz Stefanye Falco

A produtora Helena Hilário e a atriz Stefanye Falco

“Estou vivendo o sonho”, diz a produtora, citando uma frase comum entre os jovens que tentam a sorte na disputadíssima indústria de cinema americano. “Helena e eu fomos para São Francisco nas férias e fizemos o passeio noturno em Alcatraz. Achamos o ambiente bastante assustador e tivemos a ideia de criar uma história de suspense”, conta Pece, fã de Martin Scorsese, Michael Bay, Christopher Nolan e Tim Burton. “Dirigir um longa está sendo um sonho, estou muito feliz com esta oportunidade.”

O filme sobre a prisão não é o primeiro trabalho do casal nos EUA. Antes, eles estavam produzindo Out at Home, longa sobre um jogador de beisebol que se envolve com drogas e assassinatos. Helena diz que parte da trama veio do caso real de Bruno, ex-goleiro do Flamengo, acusado de assassinato. “Adaptamos ao universo do beisebol”, diz ela. O filme não está pronto, mas o trailer foi premiado em festivais de lá.

Em Los Angeles, o casal respira cinema 24 horas por dia. Em seu apartamento, além das centenas de DVDs, têm uma moderna ilha de edição e um aquário cheio de peixes palhaços. “São iguais ao Nemo”, lembra Helena, citando a animação Procurando Nemo.

Independentemente se o longa ganhará público e reconhecimento, Helena e Mario, tão cedo entenderam como funciona a indústria cinematográfica, e com ajuda brasileira, já deixaram, nessa aventura, sua marca em Hollywood.

 

Cena do filme The Last Boat to Alcatraz feita dentro da prisão

Cena do filme The Last Boat to Alcatraz feita dentro da prisão

Empresa brasileira financia filme feito nos Estados Unidos
Há quase dois anos no mercado, a empresa G8 Art & Entertainment Group, é a responsável pelo financiamento do longa The Last Boat to Alcatraz. No currículo está também o financiamento do filme O Tempo e o Vento, do diretor Jayme Monjardim, e a produção da banda brasileira Kiara Rocks. Os empresários Pablo Martins, de 35 anos, e Mario Marcuso, de 44, estão por trás desses projetos. “Nossa aposta é no talento de Mario Pece e de Helena. Esperamos, claro, ter lucro com o filme, mas estamos investindo nas pessoas”, disse Pablo. Segundo ele, até o momento, eles já injetaram cerca de US$ 900 mil no The Last Boat to Alcatraz. “Nosso objetivo é criar um time de diretores, roteiristas e produtores, descobertos pela nossa empresa. Não concordamos com o atual modelo de mercado e resolvemos montar o nosso”.

A respeito do filme de Monjardim, segundo Martins, para finalizar o longa, o diretor precisava de mais dinheiro, e a G8 entrou para completar o orçamento. Ao todo, O Tempo e o Vento, que deve estrear no início de 2013, vai custar R$ 16 milhões, igual a Tropa de Elite 2, e será transformado em minissérie de Globo.

Cena da série de TV "Alcatraz"

Cena da série de TV "Alcatraz"

Alcatraz no cinema e na TV
Durante 29 anos a prisão de segurança máxima de Alcatraz abrigou presos como Frank Morris e Al Capone. Fechada em 1963, após a fuga de Morris, Alcatraz virou ponto turístico e um concorrido cenário de cinema. Em 1979, por exemplo, Clint Eastwood filmou Fuga Impossível, que conta a história de Morris. Talvez o mais famoso longa feito na ilha, A Rocha (1995), teve Nicolas Cage, Sean Connery e Ed Harris. Nele, bandidos usam a ilha como base para um ataque nuclear. Recentemente, o local serviu de cenário para a série de TV Alcatraz (foto), exibida no Brasil na Warner Channel entre janeiro e junho. O programa teve produção de J.J. Abrams, de Lost, mas foi cancelado por conta da baixa audiência.

O que os homens falam na mesa do bar

Categoria: Cinema Nacional, Comédia, Critica, Trailer

Por Felipe Branco Cruz

Por Felipe Branco Cruz

Depois de ter levado mais de 3 milhões de espectadores ao cinema no ano passado com o filme Cilada.com, uma das maiores bilheterias de 2011, o ator e humorista Bruno Mazzeo parece ter descoberto a fórmula do sucesso. O longa E Aí, Comeu?, em cartaz na cidade, segue a mesma linha e despeja, nos 100 minutos de projeção, piadas sexistas e diálogos rasos com o objetivo de fazer graça a partir de situações cotidianas. Como resultado, eles esperam ultrapassar a marca de 1 milhão de pessoas – número que nenhum título nacional ainda conseguiu alcançar este ano.

A pressão por bons resultados de bilheteria, no entanto, não preocupa Mazzeo. “Quanto mais pessoas assistirem ao filme, melhor, mas não encaro essa responsabilidade”, diz. Uma adaptação da peça teatral homônima de Marcelo Rubens Paiva, o longa tem orçamento em torno de R$ 5,5 milhões.

Com direção de Felipe Joffly, o filme conta a história de três inseparáveis amigos de infância, cada qual com seus problemas com as mulheres. Todos os dias, eles se reúnem no bar Harmonia para tentar entendê-las. Bruno Mazzeo interpreta Fernando, que acabou de se separar da namorada Vitória (Tainá Muller) e se apaixona por Gabi (Laura Neiva), que é sua vizinha e menor de idade. Marcos Palmeira faz o papel de Honório, jornalista, pai de duas garotas e em crise no casamento com Leila (Dira Paes). O último amigo é Fonsinho (Emilio Orciollo Netto), um escritor fracassado que vive saindo com prostitutas e se apaixona por uma delas, Alana (Juliana Schalch).

Ainda no bar, eles recebem conselhos do garçom Seu Jorge, que, por ser muito parecido com o cantor, ganhou esse apelido dos amigos. O garçom é interpretado pelo próprio Seu Jorge.

Dira Paes, que já fez papéis densos, como em Baixio das Bestas (2007), dirigido por Cláudio Assis, aposta no sucesso da comédia. “Fazer humor no Brasil é uma ousadia”, diz. O título do filme, apesar de soar machista, na opinião dos atores, é uma homenagem às mulheres. O objetivo, segundo eles, é revelar para elas o que homens falam no bar. “É como se elas pudessem olhar pelo buraco da fechadura e ouvir o que falamos”, diz Palmeira.

O filme, na realidade, é uma sequência de piadas manjadas e situações clichês. Como, por exemplo, a ex-mulher do personagem de Mazzeo ter muitos pares de sapatos que são confiscados por ele após a separação. Quem busca uma diversão leve certamente vai se divertir com E Aí, Comeu?. O humor brasileiro, no entanto, já produziu filmes melhores e mais inteligentes do que esse.

Bate-papo com o alenco

Emilio Orciollo Netto - ATOR, INTÉRPRETE DO ESCRITOR FONSINHO

O filme é um Sex and the City para os homens?
Queríamos falar sobre relacionamentos e entender como o homem se relaciona com a mulher moderna. Está tudo muito aberto e livre. Todo mundo fala e ninguém se escuta. Essa falta faz com que as relações não se concretizem e sejam mais efêmeras.

De onde veio a inspiração para esse personagem?
Cada personagem complementa o outro. Eu observei como as pessoas se relacionam na rua e em como os meus amigos enfrentam a solidão hoje em dia.

Prefere humor ou drama?
Gosto de bons personagens que te proporcionam bons conflitos. Não importa se é mocinho ou bandido.

Cilada.com foi um sucesso de bilheteria. Qual é a sua expectativa para E Aí, Comeu?
Sou pé quente. Fiz Tropa de Elite 2 e fiz O Palhaço. Espero que o longa dê uma reaquecida no cinema nacional nesse ano. Esse é um filme que tem frescor.

Marcos Palmeira ATOR, INTÉRPRETE DO JORNALISTA HONÓRIO

Acha que o filme é machista?
Meu personagem é um jornalista sindicalista. Ele traz o machismo. Acho que vivemos numa sociedade machista, mas isso está mudando. Você vê que o filme tem uma fragilidade e insegurança por trás. Se fosse outro, o título seria hipócrita. Não estamos tentando dizer uma coisa que não é. Trata-se de um filme que fala de amor.

Você já conhecia a peça de Marcelo Rubens Paiva?
Sim. Fizemos algumas leituras e fomos construído o roteiro em cima de informações que trazíamos. Na mesa de bar, esquecíamos o roteiro. O Bruno é meu primo, eu o conheço desde pequeno. E o Emilio é meu grande amigo. Foi fácil montar tudo.

Como foi atuar mais uma vez com a Dira Paes?
Ela é uma companheira antiga. Temos uma cumplicidade. Fizemos uma cena sem cortes de seis minutos. Construímos o texto praticamente juntos de uma discussão do casal. Fiquei feliz com o resultado.

Bruno Mazzeo ATOR E PRODUTOR, INTÉRPRETE DO ARQUITETO FERNANDO

Acha que seu filme consegue dialogar com todas as classes?
Mercadologicamente, quando o filme ultrapassa 1 milhão de espectadores, você já atingiu a classe C. Essas pessoas que foram assistir ao filme são aquelas que não têm o hábito de ir ao cinema. Percebi isso no Cilada.com. Temos uma dificuldade de mercado que é a questão do número de salas, que poderia ser maior.

Como lida com as críticas?
Infelizmente, os filmes de maior bilheteria não agradam à crítica, os chamados “inteligentinhos”. Pega mal para eles.

Você acha que os críticos falam mal de um filme porque “pega mal” falar bem?
Acho que o crítico tem um comprometimento com ele mesmo e com o pessoal que janta com ele da editoria de esporte. Isso aconteceu com Villa-Lobos, com Caetano Veloso, com Tom Jobim. É uma coisa comum do brasileiro. É muito fácil escrever sobre um filme para detonar. Se for para detonar, eu falo mal até do filme Casablanca.

‘Febre do Rato’ chega com vocação para chocar

Categoria: Cinema Nacional, Estreia, Festivais, Festival de Cinema de Paulínia, Ficção, Mostra, Trailer

Por Felipe Branco Cruz

Pronto desde 2010, somente hoje, dois anos depois, é que o cineasta pernambucano Cláudio Assis conseguirá lançar seu novo longa, Febre do Rato. Mesmo assim, o filme estará em apenas três salas brasileiras. Trata-se de um dos projetos mais polêmicos e também um dos mais maduros de Assis, que dirigiu Amarelo Manga (2003) e Baixio das Bestas (2007). No ano passado, o título participou do Festival de Cinema de Paulínia, recebendo oito prêmios, inclusive o de Melhor Filme. “O cinema brasileiro é cruel com os realizadores. Apesar de ganharmos um monte de prêmios, só agora conseguimos estrear”, comentou o diretor na divulgação do longa.

O trabalho, no entanto, deve dividir a plateia. Filmado em preto e branco, com fotografia de Walter Carvalho, repleto de cenas de nudez explícitas, palavrões e com uma história forte, Febre do Rato, definitivamente não é um filme fácil. “Isso é cinema”, diz Assis. “Cinema é feito para arrumar e desarrumar a cabeça.” Algumas canções da trilha sonora são assinadas por Jorge Du Peixe (integrante do Nação Zumbi), dando um clima de mangue beat.

Ambientado no Recife, em Pernambuco, às margens do rio Capibaribe, o roteiro conta a história do poeta anarquista Zizo, interpretado por Irandhir Santos (o Fraga, de Tropa de Elite 2). Sempre com uma poesia na ponta da língua, Zizo é cercado por pessoas que estão à margem da sociedade. Seus amigos são interpretados por Matheus Nachtergaele, Juliano Cazaré e Vitor Araújo, entre outros. “Como ator, quero que o filme seja visto como foi Tropa de Elite 2”, diz Irandhir. “Em comum, acho que Tropa 2 e Febre são filmes que acreditam na história que está sendo contada”, continua ele, que participou do filme de maior público do Brasil (mais de 11 milhões de espectadores) e agora está neste, que será lançado em apenas três salas.

O verborrágico Zizo é dono de um jornalzinho batizado de “Febre do Rato”. O título faz referência a uma expressão popular no Nordeste usada para designar alguém que está fora de controle. Com um megafone e a ajuda dos amigos, ele berra pelas ruas do Recife palavras de ordem contra tudo e contra todos. Zizo também é conhecido por gostar de fazer sexo com mulheres mais velhas dentro de uma caixa d’água, mas acaba se apaixonando por Eneida, uma estudante secundária interpretada por Nanda Costa. Entre os amigos de Zizo está Pazinho, personagem de Matheus Nachtergaele, que é um coveiro apaixonado por um travesti. “Cláudio Assis não abre mão do que acredita para se adaptar ao mercado”, diz o Nachtergaele, que também atuou nos outros dois filmes do diretor. “Em cada um dos trabalhos eu tive a honra de lidar com algo forte. O que mais me divertiu foi Amarelo Manga. No Baixio das Bestas, meu personagem era um homem horroroso. Foi tenso”.

Com vocação nata para chocar, de fato, o título não faz concessão para agradar. “Febre do Rato tem atitude. E que não tem atitude, rasteja. Meu filme não é a novela das oito”, declara o diretor.

Um balzaquiano E.T.

Categoria: Ação, Animação, Aventura, Critica, Crônica, Ficção, Hollywood, Infantil, Trailer

Por Felipe Branco Cruz

Um dos maiores fenômenos de bilheteria da história do cinema completará amanhã três décadas. E.T. O Extraterrestre, dirigido por Steven Spielberg, foi lançado nos EUA no dia 11 de junho de 1982, mas só chegou às telonas brasileiras no Natal daquele ano. Para celebrar a data, a Universal vai lançar em outubro o Blu-Ray do filme, remasterizado digitalmente e com som 7.1, além de trazer entrevista inédita com mais de uma hora de duração com o diretor e informações curiosas sobre a produção. Também será lançada uma versão em DVD.

E.T. estreou no festival de cinema de Cannes, na França, e, durante 11 anos, manteve-se como a maior bilheteria da história do cinema, ultrapassando, pela primeira vez, a marca dos US$ 700 milhões. O valor só foi superado por Parque dos Dinossauros, em 1993, sob direção do mesmo Spielberg.

A história do simpático E.T., que é esquecido na Terra por sua nave – mais especificamente nos EUA – e é protegido por três irmãos, rendeu ao longa uma lista de prêmios, incluindo quatro Oscar (trilha sonora, efeitos especiais, efeitos sonoros e som), além de outras cinco indicações nas categorias melhor filme, diretor, roteiro original, fotografia e edição.

Os irmãos Elliot (Henry Thomas), Michael (Robert MacNaughton) e Gertie (Drew Barrymore), guardiões do alienígena, encantaram o mundo. Trinta anos depois, dois deles, Thomas e Drew, continuaram na carreira artística. Já MacNaughton, que interpretou o irmão mais velho, mudou-se para Phoenix, Arizona, onde atualmente trabalha para o serviço postal americano.

O preço do sucesso
O sucesso repentino propiciado pelo filme, porém, cobrou um preço caro de Drew Barrymore, hoje com 37 anos. A atriz teve uma infância conturbada. Quando filmou E.T., ela tinha apenas 7 anos. Aos 9 anos, começou a fumar cigarro. Aos 11, bebia, aos 12, já fumava maconha e, com 13, consumia cocaína. Aos 14 anos, tentou se matar. Desde então, passou por diversas clínicas de reabilitação e, pelo menos publicamente, nunca mais demonstrou nenhuma recaída. Superada a má fase, a atriz fez outros sucessos de bilheterias, como As Panteras (2000) e Como Se Fosse a Primeira Vez (2004).

Henry Thomas, o simpático garotinho, tinha só 12 anos quando fez E.T. Depois disso, no entanto, o ator não conseguiu outros papéis tão marcantes quanto Elliot, mesmo participando de 50 filmes. Entre os longas dos quais fez parte já adulto, destacam-se Lendas da Paixão (1994), Gangues de Nova York (2002) e Querido John (2010).

O roteiro, indicado ao Oscar, aliás, é de autoria de Melissa Mathison, ex-mulher do ator Harrison Ford, de quem se separou em 2000. A roteirista conheceu Ford em 1979, no set de Apocalipse Now e, poucas semanas depois da estreia de E.T., eles se casaram. Além de E.T., Melissa também escreveu o roteiro de O Corcel Negro (1979), Kundun (1997), baseado na vida de Dalai Lama e dirigido por Martin Scorsese, entre outros.

Na época do lançamento de E.T., Steven Spielberg já era um dos diretores mais respeitados de Hollywood, com Tubarão (1975), Contatos Imediatos de Terceiro Grau (1977) e Os Caçadores da Arca Perdida (1981) no currículo. ET. O Extraterrestre, entretanto, revolucionou a maneira de se mostrar (e de se ver) um alienígena. Geralmente retratado no cinema como um vilão ávido por destruir a Terra, o filme aproximou a figura do alien do universo infantil. Já que o dócil E.T. não passava de um ser indefeso, que só queria ligar para casa e retornar ao seu planeta.

 

Casais debatem sobre suas vidas numa sala de visitas

Categoria: Comédia, Critica, Crônica, Drama, Estreia, Oscar, Trailer

Por Felipe Branco Cruz

Baseado numa peça teatral homônima da dramaturga francesa Yasmina Reza, o filme Deus da Carnificina, que estreia amanhã, consegue transpor para a tela o mesmo impacto que o espetáculo tem nos palcos. Aliás, aqui no Brasil, o texto ganhou montagem com Deborah Evelyn, Julia Lemmertz, Orã Figueiredo e Paulo Betti, que já passou por São Paulo e continua rodando o País.

No cinema, o título é dirigido por Roman Polanski e tem, assim como no original, quatro pessoas no elenco: Kate Winslet (Nancy), Jodie Foster (Penélope), Christoph Waltz (Alan) e John C. Reilly (Michael). O cenário é um só: a residência do casal interpretado por Jodie e Reilly, localizado em Nova York (na realidade, o filme foi rodado em Paris, já que o diretor não pode pisar nos Estados Unidos, onde responde por um processo de abuso sexual de uma menor de idade).

E é em um curto espaço de tempo que o quarteto mostra todo o seu talento. Também não é para menos: todos os atores e o diretor, juntos, somam cinco Oscar e 12 indicações. Jodie Foster ganhou duas vezes o prêmio de melhor atriz: em 1989, por Acusados, e 1992, por Silêncio dos Inocentes. Waltz foi o melhor ator coadjuvante em 2009 por Bastardos Inglórios. Kate Winslet levou o troféu de melhor atriz em 2009 por O Leitor. E Polanski foi eleito o melhor diretor em 2003 por O Pianista.

O forte de Deus da Carnificina são os diálogos travados entre os casais, recheados de ironia e, em alguns momentos, de pura agressão verbal. A trama é desencadeada por dois garotos que brigaram. Os pais dos dois se encontram para um pedido formal de desculpas, sem a presença dos meninos. Logo fica claro que o motivo de tanta discussão – regada a charutos e uísque – não são os jovens e, sim, as neuroses dos mais velhos.

A princípio, a educação e a civilidade imperam, com os pais do garoto agredido recebendo em sua casa os pais do agressor. Depois de todas as formalidades, quando o casal está indo embora, o outro o convida para ficar mais um pouco, comer um bolo e tomar um café. A partir daí, mais relaxados, os quatro começam a debater mais profundamente sobre a briga dos meninos – e vêm à tona diferenças sociais e comportamentais bem mais profundas. Ora machistas por parte dos pais, ora feministas por parte das mães.

Os pais do agressor são Kate Winslet, que vive uma corretora de imóveis, e Waltz, que interpreta um advogado de uma empresa de medicamentos. Da outra parte, Jodie é uma escritora ativista dos países pobres da África e seu marido, um vendedor de materiais de construção.

A todo momento, a questão que paira é: tudo isso não poderia ter sido evitado se cada um dos casais mantivesse o foco apenas na discussão sobre a briga dos filhos? O problema é que o telefone celular de Waltz nunca para de tocar, enquanto Reilly adora falar da vida pessoal e inclui na conversa a forma perversa como largou o hamster da filha num bueiro de esgoto, porque “todo rato gosta de esgoto”, entre outras pérolas.

Incríveis qualidades
Cada um dos personagens tem seu grande momento nessa história. Kate, por exemplo, perde a linha depois de tomar algumas doses de uísque. Jodie, por sua vez, dá um show de interpretação ao explicar por que os africanos estão morrendo de fome. Outro mérito do longa está na certeira direção de Polanski. Com diálogos ágeis e excelente trilha sonora, o público praticamente se sentirá no meio dessa discussão.

O difícil será tomar partido de algum desses personagens, já que todos têm seus indesculpáveis defeitos. Suas incríveis qualidades, porém, são constantemente colocadas à prova.

O céu e o inferno de Violeta

Categoria: Critica, Drama, Trailer

Por Felipe Branco Cruz

Ao ser questionada se era comunista, a cantora, compositora, instrumentista e artista plástica chilena Violeta Parra (1917-1967) respondeu: “Sou tão comunista que, se levar um tiro, verterei sangue vermelho”. A resposta, dada em um programa de TV do Chile, deixava claro, mesmo que de forma sutil, que, de fato, Violeta tinha simpatia pelo comunismo.

Essa parte de sua biografia, no entanto, é a menos importante de um currículo que inclui a formação, a pesquisa e a criação da música popular chilena. Deprimida com o fracasso de seus projetos, além do abandono de um grande amor, a cantora se matou com um tiro aos 49 anos. Apesar de ter vivido pouco, sua extensa produção cultural e ativismo mundial a colocaram no panteão dos grandes artistas latino-americanos e sua história é contada no filme Violeta Foi para o Céu, em cartaz nos cinemas.

O longa, do cineasta chileno Andrés Wood, diretor de Machuca (2004), é baseado no livro homônimo de Ángel Parra, filho de Violeta. Coprodução da brasileira BossaNovaFilms com a chilena Wood Producciones e a argentina Maiz Producciones, foi vencedor da categoria World Cinema Dramatic Competition no festival de Sundance (EUA) deste ano e abriu, no fim de semana, a mostra competitiva do Cine Ceará.

Na tela, Violeta é vivida pela atriz chilena Francisca Gavilán, que interpreta algumas canções clássicas da cantora, como Gracias a la Vida e Volver a Los 17. O filme a retrata desde a infância, quando acompanhava o pai em apresentações musicais, até sua peregrinação pelo interior do país em busca de músicos e compositores amadores. Mostra também como a cantora não suportou as adversidades de sua vida. Um de seus filhos morreu ainda bebê quando ela apresentava sua música na Polônia comunista. Anos depois, já como artista consagrada, chegou a ser desprezada pela elite chilena – em um show para abastados locais, foi “convidada” a comer na cozinha – e não foi bem-sucedida quando montou, na Comuna de La Reina, uma grande tenda, com a intenção de transformá-la no centro da cultura folclórica do Chile.

No campo do amor, foi igualmente sofredora. Namorou muitos homens, mas só amou um: o suíço Gilbert Favre (Thomas Durand), com quem ela manteve uma conflitante relação.

Mesmo com uma relevante produção artística, após sua morte e o advento da ditadura militar no Chile, o nome de Violeta caiu no ostracismo. Recentemente, os estudantes chilenos redescobriram a cantora entoando pelas ruas de Santiago a canção Me Gustan Los Estudiantes, em protestos contra as reformas educacionais no país. E foi graças a seu filho, Ángel Parra, que a história da mãe pôde ser preservada. O filme, assim como o livro, é um importante documento, essencial para a divulgação da trajetória de Violeta Parra e da cultura latina em geral.

O reflexo da crise mundial na fria cidade de Quebec

Categoria: Critica, Drama, Trailer

Por Felipe Branco Cruz

O cinema canadense, principalmente aquele feito em Quebec, onde a língua oficial é o francês, costuma ser pautado por filmes densos. É o caso, por exemplo, de Invasões Bárbaras, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2004. Com O Vendedor, da mesma procedência, não é diferente. Dirigido pelo estreante Sébastien Pilote e indicado ao Grande Prêmio do Júri do Festival de Sundance do ano passado, o filme usa a crise mundial como argumento para contar a história de um homem cuja vida gira em torno de seu trabalho como vendedor de carros.

Marcel Lèvesque, interpretado por Gilbert Sicotte, é um vendedor veterano, de 67 anos, que não quer se aposentar, apesar dos apelos da filha. Ano após ano, ele é premiado na empresa como o melhor vendedor da equipe. Paralelo a isso, a principal fábrica da cidade, que produz papel, está ameaçando fechar as portas e os funcionários entram em greve. E, enquanto ninguém mais parece trabalhar ali, Marcel continua vendendo seus automóveis.

De fato, algo não vai bem na cidade, mas Marcel parece não perceber nada de errado, já que continua a melhorar sua performance como vendedor a cada mês. Criam-se, então, momentos de expectativa, uma vez que não se sabe o que poderá acontecer dali a alguns instantes. Essa sensação do pior iminente se mistura às angustiantes cenas do cenário gélido e depressivo da cidade. Está sempre nevando e as pessoas, sempre trabalhando para tirar a neve dos carros, das ruas e das portas das casas.

Um dos pontos altos do longa é mostrar um homem idoso ainda ativo, sem descambar para situações piegas ou emotivas. Marcel é um simples trabalhador e o melhor no que faz. E essa demora em engatar os acontecimentos é outro mérito do roteiro. Aos espectadores, fica a ansiedade pelo clímax – e por uma reviravolta na vida do personagem.

No final das contas, a única certeza é de que a crise chega para todos. E, no caso de Marcel, restará descobrir se ele será capaz de suportá-la.

Houve uma vez um verão…

Categoria: Critica, Drama, Estreia, Romance, Trailer

Por Felipe Branco Cruz

Uma parceria entre França, Itália e Suíça, o filme Um Verão Escaldante, que estreou sexta-feira nos cinemas, traz no elenco a deslumbrante atriz italiana Monica Bellucci, de 47 anos, além dos atores Jerôme Robart, Louis Garrel (filho do diretor do filme, Phillipe Garrel) e Céline Sallette. No enredo, Paul (Robart) e Frédéric (Garrel) são amigos inseparáveis e, com suas mulheres, passarão um inesquecível verão em Roma, na Itália.

O longa é narrado por Paul e, logo na primeira cena, Frédéric aparece sofrendo um acidente fatal de carro. Em seguida, a história volta no tempo para contar como essa amizade começou. Paul é um aspirante a ator que vive fazendo pequenos papéis em filmes franceses. Em um deles, conhece sua namorada Élisabeth (Céline). Os dois se apaixonam e viajam para Roma para visitar Frédéric.

Na capital italiana, Frédéric vive com a experiente atriz Angèle (Monica), famosa no cinema italiano, enquanto ele começa a se destacar como um talentoso pintor. Angèle, é claro, é sua musa e praticamente o inspirou em todas as criações. Vale o registro de uma cena em que Monica aparece nua, deitada em uma cama, como as musas do passado.

Em Roma, os casais de amigos vivenciam um período idílico regado a boa comida, bebida e passeios. Tudo passa a mudar quando Élisabeth e Paul percebem que esse não é o tipo de vida que eles querem levar e que é necessário buscar um trabalho decente. Por outro lado, Angèle não se sente mais tão feliz ao lado de Frédéric e ele passa a desconfiar da fidelidade dela. O problema é que Frédéric já teve vários casos extraconjugais, mas não aceita uma possível traição da mulher.

A partir dessa ruptura, os casais entram em diversas situações limites, chegando a um ponto insuportável em que não parece existir uma solução fácil para ninguém. A tensão entre eles vai permear toda a trama, até o trágico desfecho apresentado no início do filme.

Bons momentos
O diretor francês Phillipe Garrel, em declarações à mídia internacional, revelou que o longa foi feito porque, assim como o narrador do filme, ele também perdeu o melhor amigo. “Um amigo é alguém por quem você daria a vida”, disse ele.

Entre os prêmios que Garrel já conquistou, estão o Leão de Prata, recebido em 1991, no Festival de Veneza, pelo longa J’entends Plus la Guitarre. Em 2005, ele voltou a ser premiado com o Leão de Prata de direção por Amantes Constantes. O próprio Um Verão Escaldante também foi indicado em três categorias em Veneza, no ano passado. Com exceção de Monica Bellucci, o elenco e o roteirista Marc Cholodenko já trabalharam com diretor em Amantes Constantes.

Em Um Versão Escaldante, fica a mensagem de que nada trará a pessoa morta de volta. A única solução é relembrar os bons momentos juntos. É isso que aquele verão escaldante que os amigos passaram juntos pareceu ser: o melhor momento que tiveram na vida.


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