‘Febre do Rato’ vence em Paulínia
- 16 de julho de 2011|
- 11h23|
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Categoria: Cinema Nacional, Critica, Estreia, Festivais, Festival de Cinema de Paulínia, Mostra, Trailer
Por Felipe Branco Cruz
Febre do Rato, polêmico longa-metragem do diretor pernambucano Cláudio Assis, foi o grande vencedor do Festival de Cinema de Paulínia, recebendo oito prêmios Menina de Ouro, inclusive o de Melhor Filme. Selton Mello, diretor, ator e roteirista de O Palhaço, levou o prêmio de melhor Diretor de Ficção e melhor Roteiro (em parceria com Marcelo Vindicatto). O Palhaço também ganhou nas categorias de melhor Figurino e melhor Ator Coadjuvante (Moacyr Franco). Antes de os mestres de cerimônia Rubens Ewald Filho e Marina Person indicarem os premiados, foi exibido o longa Assalto ao Banco Central, do ator e diretor Marcos Paulo, que não concorreu e tem previsão de estreia para a próxima semana (leia matéria à direita).
“Não faço filme para ganhar prêmio. Faço filme para conquistar o público”, disse Cláudio Assis, num dos vários discursos que fez enquanto recebia seus prêmios. Com uma mensagem anarquista, o filme de Assis tem fortes cenas de sexo, nu frontal, exagero de palavrões e violência. Muitas dessas cenas poderiam ficar de fora do longa, sem alterar em nada a história. Mesmo assim, a qualidade técnica da obra é incontestável. Tanto que Febre do Rato ganhou também nas principais categorias técnicas, como Montagem, Fotografia e Direção de Arte. As atuações de Nanda Costa e Irandhyr Santos lhes renderam os prêmios de melhor Atriz e melhor Ator. Eles interpretam o casal Eneida e Zizo.
Voto popular
Um dos pontos mais emocionantes da entrega dos prêmios foi quando Moacyr Franco, 74 anos, ganhou na categoria melhor Ator Coadjuvante. Franco aparece em apenas uma cena, de dois minutos, no filme O Palhaço. Sua atuação, no entanto, é tão marcante que mereceu o prêmio. Selton Mello lembrou que, em toda a carreira de Moacyr Franco, esta é a primeira vez que ele fez um filme. “Ele é meu ídolo. Desde criança, eu e meu pai assistíamos a seus programas na TV”, disse Selton.
O público também elegeu seus melhores filmes por meio do voto popular. Onde Está a Felicidade?, de Carlos Alberto Riccelli, com Bruna Lombardi no elenco, levou o prêmio popular de melhor Filme. “O voto do público é o melhor que se pode ter”, disse Bruna Lombardi. “Cresci com o cinema. Sempre convivi com essa magia”, completou. O documentário À Margem do Xingu – Vozes Não Consideradas, que aborda o projeto da construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, comoveu o público e levou o prêmio popular de Melhor Documentário.
Durante o evento, os organizadores anunciaram as datas do próximo festival, que será realizado entre 21 e 28 de julho de 2012. Neste ano, o evento recebeu um público estimado de 27 mil pessoas. “É um número altíssimo, se considerarmos que Paulínia tem uma população de quase 80 mil habitantes”, disse o secretário de Cultura,Emerson Alves. “Este foi o festival em que mais tivemos a participação da população”, lembrou o prefeito José Pavan Junior.
(O repórter viajou a convite da organização do festival)
Confira o resultado completo:
FILMES DE LONGA METRAGEM
• Melhor Filme Ficção (R$ 250 mil) – “Febre do Rato”, Cláudio Assis
• Melhor Documentário (R$ 100 mil) – “Rock Brasília”, Vladimir Carvalho
• Melhor Diretor Ficção (R$ 35 mil) – Selton Mello, “O Palhaço”
• Melhor Diretor Documentário (R$ 35 mil) – Maíra Bühler e Matias Mariani, “Ela Sonhou Que eu Morri”
• Melhor Ator (R$ 30 mil) – Irandhyr Santos, “Febre do Rato”
• Melhor Atriz (R$ 30 mil) – Nanda Costa, “Febre do Rato”
• Melhor Ator Coadjuvante (R$ 15 mil) – Moarcir Franco, “O Palhaço”
• Melhor Atriz Coadjuvante (R$ 15 mil) – Maria Pujalte, “Onde está a felicidade?”
• Melhor Roteiro (R$ 15 mil) – Selton Mello e Marcelo Vindicatto, “O Palhaço”
• Melhor Fotografia (R$ 15 mil) – Walter Carvalho, “Febre do Rato”
• Melhor Montagem (R$ 15 mil) – Karen Harley, “Febre do Rato”
• Melhor Som (R$ 15 mil) – Gabriela Cunha, Daniel Turini e Fernando Henna, “Trabalhar Cansa”
• Melhor Direção de Arte (R$ 15 mil) – Renata Pinheiro, “Febre do Rato”
• Melhor Trilha Sonora (R$ 15 mil) – Jorde Du Peixe, “Febre do Rato”
• Melhor Figurino (R$ 15 mil) – Kika Lopes, “O Palhaço”
• Especial do Júri (R$ 35 mil) – “Trabalhar Cansa”, de Marco Dutra e Juliana Rojas
CURTAS REGIONAIS
• Melhor Filme (R$ 25 mil) – “Argentino”, Diego da Costa
• Melhor Direção (R$ 15 mil) – Diego da Costa, “Argentino”
• Melhor Roteiro (R$ 10 mil) – Caue Nunes e Maurício de Almeira, “3×4″
CURTAS NACIONAIS
• Melhor Filme (R$ 25 mil) – Carlos Nader, “Tela”
• Melhor Direção (R$ 15 mil) – Gabriela Amaral Almeida, “Uma Primavera”
• Melhor Roteiro (R$ 10 mil) – Gustavo Suzuki, “O Pai Daquele Menino”
JÚRI POPULAR
• Melhor Longa Ficção (R$ 25 mil) – Carlos Alberto Riccelli, “Onde Está a Felicidade?”
• Melhor Documentário (R$ 15 mil) – Damià Puig, “À Margem do Xingu – Vozes Não Consideradas”
• Melhor Curta Nacional (R$ 5 mil) – Thiago Luciano, “Café Turco”
• Melhor Curta Regional (R$ 5 mil) – Diego da Costa, “Argentino”
JÚRI DA CRÍTICA
• Melhor Longa Ficção – Claudio Assis, “Febre do Rato”
• Melhor Documentário – Lucia Murat, “Uma Longa Viagem”
• Melhor Curta Nacional – Carlos Nader, “Tela”
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