Luan Santana transforma show em São Paulo em festa com participação de sertanejos no palco
- 29 de abril de 2013|
- 1h30|
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POR CRISTIANE BOMFIM
( cristiane at gmail.com)
O segundo show da turnê “Te Esperando”, de Luan Santana em São Paulo teve clima de festa. Ingressos esgotados, presença de importantes nomes do cenário sertanejo como Fernando e Sorocaba, Zezé di Camargo e Michel Teló, o prêmio de melhor cantor em 2012, segundo o Troféu Imprensa do apresentador Silvio Santos, e fãs enlouquecidos (ao contrário do que muita gente imagina, não eram apenas garotas na adolescência. Tinha muito marmanjo com as músicas na ponta da língua, casais apaixonados que trocavam carinhos entre um “Nega” daqui e “Meteoro”, dalí). Tudo isso contribuiu para que a apresentação no Credicard Hall, na zona sul da capital, fosse especial.
Cenas do público levantando faixas e cartazes, meninas chorando e os camarotes cheios de artistas devem fazer parte do próximo DVD de Luan, que deve ficar pronto no segundo semestre deste ano. “As gravações de hoje (28) e ontem foram dedicadas à imagens do público, principalmente. Mas por mim entraria tudo”, contou Luan ao Estadão. Nos próximos dias ele deve anunciar a data da gravação do principal show do DVD, que será em São Paulo. Já as cenas de público serão gravadas em várias cidades.
Durante o show de pouco mais de uma hora e meia, “Te Esperando” – a música sensação do momento – dividiu espaço com sucessos da carreira do artista.”Nega”, “Sinais”, “Um Beijo”, “Você Não Sabe o Que é Amor” foram cantadas em coro pela multidão que lotou a casa. O cantor fez pose de galã, rebolou e fez questão de brincar com a plateia ao notar – em cima do palco – um sutiã. Emendou músicas de outros artistas como “Sinal Disfarçado” (da dupla Zé Ricardo e Thiago) e “Sou praieiro” (Jammil). Recebeu elogios de Zezé di Camargo, com quem interpretou “No Dia em que Saí de Casa” e de Sorocaba que afirmou: “O sucesso desse menino vai perdurar”. Luan deu ainda oportunidade para a jovem dupla Breno e Caio Cesar cantarem a bonita “Londres”, que teve clipe lançado há duas semanas.
E, não bastasse tudo isso, atendeu fãs no camarim e tirou fotos. Mas só depois de assistir na TV a entrega do Troféu Imprensa na TV. A premiação foi gravada na quarta-feira, 24, mas foi ao ar na noite de ontem. Luan Santana empatou com o rei Roberto Carlos. Os dois ganharam o prêmio de “Melhor cantor” em 2012. “Foi a coisa mais linda do mundo. O Roberto Carlos é meu ídolo. É a pessoa em quem eu sempre me inspirei. E esse ano empatar com Roberto Carlos e “Esse Cara Sou Eu”, que foi o maior sucesso foi lindo. Ele é o rei e se eu tivesse perdido também seria lindo demais”, disse.
Canções em quatro rodas
- 3 de agosto de 2012|
- 23h09|
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POR CRISTIANE BOMFIM
cristiane.bomfim at estadao.com
A matéria sai amanhã (sábado, dia 4) no Jornal do Carro, do Jornal da Tarde.
Quando eram adolescentes, os cantores de música sertaneja Munhoz e Mariano iam para as baladas de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, de carroça. Não tinham carro nem dinheiro e precisavam de muita lábia para conquistar as mulheres. Tudo mudou em maio deste ano, quando eles gravaram Camaro Amarelo, canção que virou hit e já tem mais de 12 milhões de acessos no YouTube. Agora, adivinhe como eles vão para as baladas? De Camaro amarelo, claro, o esportivo mais caro da Chevrolet no Brasil, que parte de R$ 201 mil.
Sobre o sucesso, Mariano diz que é questão de momento. “A música fez esse sucesso todo porque o sertanejo está mais urbano e a letra juntou a gíria de ficar doce com o carro”, diz ele, que tem na garagem de casa uma picape Mitsubishi L200, já encomendou seu Camaro e sonha em comprar outra picapona, uma Ford F-250.
O parceiro Munhoz pulou de um Fiat Palio direto para um Audi A3. E já tem um Camaro. “Quero um Camaro ‘modelo americano’. É lindo”, conta.
Não é de hoje que músicas que têm veículos como tema viram sucesso, mas a nova onda ganhou força no fim do ano passado, quando o também sertanejo Israel Novaes compôs e gravou Vem ni mim Dodge Ram, mesmo sem nunca ter entrado na picape da marca norte-americana.
“Tive a ideia da letra no intervalo de uma aula da faculdade. Um cara veio dizer que era bonito e não pegava ninguém e que o amigo dele era feio e estava pegando todo mundo porque tinha carro”, conta Israel.
A escolha da Dodge foi por achar que é um modelo imponente. “Esse papo de maria-gasolina sempre vai ter. Todo mundo quer conforto, né?”. Ele diz que começou a dirigir aos 11 anos escondido do pai. O cantor prefere não revelar qual carro tem.
O sucesso da música não está diretamente ligado ao preço do veículo. Em 1964, Roberto Carlos incendiou as pistas de dança com O Calhambeque. Almir Rogério eternizou o besouro da Volkswagen com Fuscão Preto, que foi regravada por uma série de artistas.
A Brasília amarela dos Mamonas Assassinas, em Pelados em Santos, de 1995, virou ícone de irreverência. E a piauiense Stefhany Absoluta saiu do anonimato graças ao CrossFox que ela cita em Eu sou Stefhany, de 2009. “Me apaixonei pelo carro assim que foi lançado. Minha mãe escreveu a letra”, conta a cantora.
O clipe da música fez tanto sucesso na internet que a moça acabou ganhando um CrossFox de presente da Volkswagen durante o programa de televisão Caldeirão do Huck, da Rede Globo.
Seguindo essa moda, Gabriel Gava, que é do Espírito Santo, gravou no início deste ano Fiorino. “A história da música é muito boa. Foi baseada no que acontecia com um amigo meu. Ele tinha uma namorada que não queria entrar na (picape Fiat) Fiorino dele de jeito nenhum”, explica o cantor. Colaborou Thiago Lasco
Sem carta, mas de moto
O mineiro Juninho Bessa nunca pilotou uma moto. Nem tem habilitação para isso, mas a CBR 600, da Honda, é sua aposta para o sucesso: ela dá nome à nova música do cantor. O ritmo é o arrocha. “Quem escreveu foi Thales Lessa. Quando vi essa onda de músicas automotivas, percebi que ninguém tinha gravado uma sobre moto”, conta ele, que comprou seu primeiro carro, um Peugeot 206, no ano passado.
Notas sobre Zezé di Camargo e Luciano
- 14 de março de 2012|
- 21h39|
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Por Cristiane Bomfim
O melhor cruzeiro
A quarta edição do Cruzeiro é o Amor, que aconteceu entre 3 e 6 de março, foi considerada por Zezé di Camargo a melhor de todas. Um dos principais motivos foi a participação do maestro Eduardo Lages, que acompanha Roberto Carlos desde 1977. “Ele faz muita diferença. É um grande maestro. Além disso, quando começamos a fazer o navio, ficamos preocupados porque o palco era muito pequeno. Neste ano não foi diferente. E fizemos tudo de forma improvisada. Escolhemos o repertório e subimos no palco e por isso os shows ficaram mais descontraídos e o público que saiu de vários lugares do Brasil para passar três dias com a gente merece um show mais longo, merece se sentir mais próximo de nós. A intenção é essa mesma”, disse Zezé.
Voz de veludo
Seguro no palco, Luciano arrancou aplausos e gritos do público quando fez a primeira voz em três músicas. A primeira delas foi Do seu lado, da banda Jota Quest. Perguntado sobre sua segurança no palco e a voz que parece estar cada vez mais bonita, Luciano respondeu: “Eu não sinto essa mudança na minha voz. Por eu ter uma voz rouca, eu canto no mesmo tom que o Zezé, só que mais baixo. Não posso cantar alto demais, o médio é uma região boa para mim. O que acontece é que a gente vai cantando, cantando e as pessoas vão se acostumando e prestando mais atenção. E também passam a respeitar mais o artista que normalmente faz a segunda voz”, disse.
21 anos de carreira
No dia 19 de abril, Zezé e Luciano comemoram 21 anos de carreira. A previsão é que o CD e DVD de 20 anos de carreira (gravado em outubro) chegue nas lojas poucos dias antes.
Há 10 anos, Zezé di Camargo reclamou de preconceito
- 12 de setembro de 2011|
- 18h44|
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Por Cristiane Bomfim
Zezé di Camargo e Luciano gravam amanhã (13) CD e DVD para comemorar 20 anos de carreira. Encontrei no banco de dados de notícias do Jornal da Tarde uma matéria bacana sobre a dupla publicada em 7 de outubro de 2001. Até aquela data, os irmãos tinham vendido 18 milhões de CDs e lançado 12 álbuns. Hoje já são 37 milhões de cópias vendidas de 21 trabalhos lançados (sendo dois em espanhol).
A matéria em questão é, na verdade, uma entrevista com Zezé di Camargo e o tema principal é o preconceito com a música sertaneja. “O que mais policia, vigia e põe preconceitos no Brasil são os críticos musicais”, disse o cantor. O bate-papo é ótimo. Entre os questionamentos do cantor, super válido ainda hoje, está a definição do que é bom e ruim quando se fala em música. Afinal, quem foi que disse que rock ou MPB são melhores que sertanejo? Quem vende mais CD hoje no País? Vale a pena ler:
A dupla de 18 milhões de CDs volta a atacar
DESABAFO “O respeito que o artista popular angaria na mídia é pelo que ele representa em números”, afirma Zezé di Camargo
Por André Domingues
A dupla Zezé di Camargo & Luciano acaba de lançar seu 12.º álbum de carreira, também chamado Zezé di Camargo & Luciano, um possível recordista de vendas deste segundo semestre. Sucesso nas lojas, entretanto, não é novidade para os sertanejos que, em quase 11 anos de carreira, acumulam a espantosa cifra de 18 milhões de discos vendidos.
O disco segue a bem-sucedida fórmula dos trabalhos anteriores da dupla e investe no repertório romântico que a projetou. Entre baladas, folks e até um hit italiano (Bella Senz’Anima), a dupla apresenta uma série de novas candidatas para as listas de “as mais pedidas” das rádios populares. A faixa Passou da Conta, por exemplo, já conseguiu seu lugar.
Mas nem mesmo depois de seu inegável triunfo popular, Zezé di Camargo e Luciano conseguiram boa reputação entre a crítica de MPB.
Embora estejam em evidência há mais de dez anos e tenham números bastante respeitáveis, os rapazes ainda se queixam da pouca receptividade que encontram nos meios especializados. No escritório da Sony Music, em São Paulo, Zezé di Camargo falou ao JT sobre o disco, mas, principalmente, sobre MPB, mídia e show biz.
Jornal da Tarde – O que motivou vocês na criação desse novo disco?
Zezé di Camargo – Na verdade, para um artista depois de 10 anos de carreira, é difícil achar uma motivação assim, a não ser a continuidade do trabalho. Sou um artista romântico, já falei de todas as maneiras sobre o amor. Vou mudar o lado da moeda? Acho que não é por aí. Então, a motivação de fazer um disco é, quase que total, comercial mesmo: continuar no mercado, na competitividade, e vender todo ano – na pior das hipóteses, igualar os números. Você passa a concorrer com você mesmo.
Jornal da Tarde - Ainda preocupa a possibilidade de ficar fora do mercado?
Zezé di Camargo - Claro. O artista popular não tem esse privilégio de se ausentar da mídia, de ficar dois, três anos sem gravar, como muitos fazem. Ele é respeitado pelo que representa em números. Caetano é respeitado pelo cara maravilhoso, intelectual, que escreve, aquela coisa toda. Gal, Betânia, Chico, também. Esse pessoal conquistou um espaço na música, que dá o privilegio de virar as costas para a mídia na hora que querem. Artista popular não. O respeito que ele tem na mídia, na imprensa, é pelo que representa em números. Até dentro da gravadora é assim.
Jornal da Tarde - A faixa Meu País tem um enfoque social. Você sente falta de cantar mais coisas assim?
Zezé di Camargo - Sinto. O artista, como o político, vive da generosidade do povo, que compra os nossos discos, vai aos nossos shows. Por isso, o artista deve se posicionar como cidadão, com opiniões próprias e uma maneira de pensar. Meu País é exatamente a minha maneira de pensar sobre uma coisa que me atingiu na minha infância e está no dia-a-dia. O mais importante para o ser humano é a barriga cheia. A música fala disso.
Jornal da Tarde - O que é, hoje, a música sertaneja?
Zezé di Camargo - A música sertaneja, hoje, não tem um perfil definido. Os artistas sertanejos, apesar de a maioria ter vindo do interior e ter uma formação musical influenciada pelas duplas sertanejas, acabaram ouvido muita coisa…Qual artista, hoje, não é influenciado pela música americana? Com exceção de alguns gêneros – moda de viola, samba e bossa-nova, que é invenção brasileira –, toda a música brasileira tem influência americana. Sertanejo é apenas um rótulo. Se você for ouvir o nosso som, ele é tão pop e romântico, quanto Luiz Miguel, Fábio Junior, Roberto (Carlos), Júlio Iglesias.
Jornal da Tarde - O romantismo que vocês cantam, ligado à idéia de abandono, de separação, é o sentimento do Brasil?
Zezé di Camargo - Amar, se ama no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa. Se você pegar Beatles, que é denominada uma banda de rock, nenhum dos maiores sucessos deles é rock: é tudo balada romântica – Yesterday, Let it Be… É preconceito dizer que o sertanejo fala de amor sofrendo e coisa e tal.
Jornal da Tarde - Por que a MPB ainda tem uma reserva grande contra o sertanejo?
Zezé di Camargo - É puro preconceito. Acho que o maior valor, a maior maturidade do ser humano é conseguir se despir dos preconceitos. Quando a Bethânia gravou minha música É o Amor, foi achincalhada por toda a imprensa. O que mais policia, vigia e põe preconceitos no Brasil são os críticos musicais. A minha filha Wanessa foi vaiada no prêmio Multishow e o culpado da vaia fui eu. Vaiaram ela por ter sido a revelação do ano diante do filho da Elis Regina e do Simonal.
Jornal da Tarde - Todo mundo era filho de alguém?
Zezé di Camargo - É, e a filha do sertanejo ganhou. Aquilo, para eles, foi uma afronta. Mas era um prêmio verdadeiro, votado pela Internet, pelo público. E ela foi humilde, como todos nós sertanejos somos, e se saiu muito bem quando disse que curtiu Max de Castro. Mentira. Ela não tem nenhum disco do Max de Castro e não curte. Acho que nem ela, nem eu, nem ninguém tem, porque ele não vende nem 10 mil discos por ano. Mas aquilo foi legal porque mostrou a cara do País.
Jornal da Tarde - O Caetano foi um que defendeu vocês.
Zezé di Camargo - Esse é um dos caras mais conscientes que tem na música popular brasileira. Caetano, Djavan, Betânia, Gil, Gal – que já teceu elogios a mim – são pessoas que já estão assentadas na vida. Estão acima da disputa. O que eu digo é sobre uma meia dúzia – principalmente de gente nova, que se denomina como “a nova cara da música popular brasileira” – que se acha dona da verdade. Essa turminha ainda não provou nada, não fizeram sucesso nem no quintal da casa deles. É neles que eu bato e não aceito achar que são mais do que eu, que tenho 18 milhões de discos vendidos e tenho, no mínimo, 20 sucessos de minha autoria e mais uns 40 de autoria de outros cantados pelas bocas do Brasil. Eu bato em quem acha que, por ser comercial, não tem valor nenhum. Me ouçam primeiro. Vejam o caminho que eu quero atingir. Se eu quisesse agradar a alguém, regravaria 500 músicas do Tom Jobim, do Vinicius, sei lá. A família iria adorar, porque eu vendo 1,5 milhão de discos e iria render uma grana legal. Mas eu quero agradar a quem chora no meu show, quem fica duas, três horas de pé me esperando na frente do palco. Eu vim de lá, sou do meio deles.

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