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Quarta-feira, 30 de Maio de 2012
O mundo da música sertaneja
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Pablo, o ‘inventor’ do arrocha, comemora sucesso do estilo entre os sertanejos

 Por Cristiane Bomfim

Em São Paulo, o arrocha virou moda entre as duplas sertanejas. Luan Santana, João Neto e Frederico, Thaeme e Thiago, Gusttavo Lima: todos já gravaram – com modificações – o estilo musical nascido na cidade baiana de Candeias. Mesmo assim, nas rádios de muitas cidades do Nordeste, o grande nome do arrocha é o cantor romântico Pablo, um desconhecido nas regiões sudeste, centro-oeste e sul.

Pablo? Mas que Pablo? Foi essa a pergunta que eu me fiz antes de chegar em Aracaju, em Sergipe, onde o cantor dividiu o palco com a banda Chiclete com Banana. Passava das 2h de domingo, os chicleteiros já tinham incendiado o público e mesmo assim ninguém arredou o pé do Forró do Nana, que é o nome da festa. Todos esperavam o início do show da “voz romântica” e criador do termo arrocha.

“O arrocha é na verdade a seresta e esse termo eu usava nos shows para pedir para os casais dançarem agarradinhos e coladinhos. Eu dizia. Agora arrocha. E foi ficando assim, as pessoas não dizem mais que vão pra seresta. Elas vão para o arrocha”, conta Pablo.

O show começa pouco depois das 2h. Primeiro entram dois casais de bailarinos. As mulheres estão vestidas de ‘empreguetes’, com uniformes justos e na cor pink. A dança é sensual e o ritmo da música romântico. Vestido com calça jeans colada, botas de caubói (de plástico) e uma camiseta listrada, Pablo arranca gritos e aplausos de um público que sabe de cor todas as músicas. A primeira música é Pecado de Amor. Na plateia, os casais se abraçam e também começa o arrocha.

Não há grandes efeitos especiais durante a apresentação. E, talvez por causa do ritmo, do cenário, da voz aguda,  o teclado, tudo pareça brega. Enquanto Pablo canta, alguns convidados comentam que as roupas precisam mudar, que o cenário poderia ser mais pop e que as músicas deveriam ter uma pegada mais moderna.

Mas tudo isso é pura implicância. O arrocha moderno já existe e está sendo gravado pelas duplas sertanejas que estouraram em São Paulo. E embora ninguém dê o crédito, muita coisa foi copiada do cantor Pablo. É que como já diz Gusttavo Lima na música Balada Boa, “vem que o brega é bom”.

O cantor, que se denomina “a voz romântica” não precisa cantar sucessos de outros artistas para conquistar o público: com apenas 27 anos, Pablo já acumula 12 de carreira, 9 CDs e 3 DVDs. Faz cerca de 30 shows por mês – a maioria no nordeste – e seu cachê varia de R$ 50 mil a R$ 100 mil. A presença de quatro canções de Zezé di Camargo e Luciano no repertório é exceção: ele é fã confesso da dupla e sonha, um dia, gravar com seus ídolos. Veja entrevista que ele concedeu ao Jornal da Tarde:

O que difere o arrocha dos outros estilos?
A gente tem um carinho muito grande na seleção das músicas, que são românticas. Nós resgatamos as músicas românticas antigas e até esquecidas, damos uma nova roupagem e colocamos o nosso estilo, que é o arrocha. E as pessoas abraçam com o carinho.

Em São Paulo, quem está gravando o arrocha são as duplas sertanejas. Para quem não conhece o estilo, como se faz essa distinção?
É a batida da bateria é um pouco diferente. Hoje está surgindo dupla sertaneja cantando o arrocha universitário. Mas o arrocha com teclado, com violão e guitarra está muito tempo na estrada e hoje está tendo essa mudança com o arrocha universitário, o que não é ruim para o movimento em si. Serve para fortalecer.

Como é ver o estilo bombando na voz de artistas sertanejos?
O coração bate forte vendo o trabalho de longa estrada ser cantado. Se fosse ruim, ninguém queria copiar e fazer também.

Além do sertanejo, o arrocha está também no carnaval. Você participa da festa em Salvador. Como você define isso?
A música é diversidade e atinge todas as classes e gostos. Participar do carnaval foi maravilhoso. É o terceiro ano que nós puxamos o bloco Arrocha Mutantes e não é um público selecionado. Todo mundo vai atrás do trio, você vê o movimento crescendo. Antigamente tinha um pouco de preconceito com o arrocha. Hoje ele está conquistando todas as classes e todas as idades. E eu estou muito feliz com isso e com o fato de ser precursor do arrocha.

Como é o sertanejo no Nordeste? E esse fato das duplas gravarem o estilo?
Eu sempre fui fã do sertanejo e vendo também o movimento crescendo, duplas sertanejas cantando arrocha é música popular brasileira. Isso só fortalece o estilo. É sinal que a coisa está boa.

Em São Paulo, o ritmo é tratado como ritmo brega. Você se considera brega?
Eu não sei. Depende o que a pessoa acha que é brega. Eu canto música romântica, o arrocha tem essa linha romântica. Quem é que nunca perdeu um amor, que quer conquistar um amor? Para mim não é brega. Se dizem que é brega, é o brega que vem conquistando a Bahia, o Brasil, enfim… Estou muito feliz com isso. O Brasil é brega.

São 12 anos de carreira. Onde você quer chegar?
Todo artista sonha em ter uma carreira sólida em nível nacional. E eu sonho com isso também porque é de garotinho que eu canto. Eu comecei garotinho a cantar com meu pai em barzinhos e hoje me vejo com milhares de fãs. Sonho sim em ser um artista nacional.

E você gostaria de fazer parceria com quem?
Eu sempre me inspirei no Zezé di Camargo e Luciano. Eu sou fanático por eles.

O arrocha é passageiro?
Não. Claro que não. Eu tenho certeza que é daqui pra frente. O movimento cresce a cada dia. As pessoas dizem que vai acabar em 2 ou 3 anos e ele já está ai há 12 anos.

Românticos para sempre

Hoje, os irmãos Zezé Di Camargo e Luciano celebram 21 anos de estrada. AoJT, falaram, com exclusividade, de carreira, fama e da briga que tiveram no ano passado

Por Cristiane Bomfim 

José Patrício/AE

“Se disserem que é preciso citar três artistas conhecidos em qualquer canto do Brasil e que todo mundo já ouviu falar, Zezé Di Camargo e Luciano vão estar entre estes três. Não tenho dúvida.” A frase pode até parecer arrogante, mas, ao completar hoje 21 anos de carreira, com 130 shows por ano, cachê médio de R$ 200 mil e dono da voz de Mentes Tão Bem, a segunda música mais tocada nas rádios em 2011, Zezé Di Camargo, que forma dupla com o irmão Luciano, não se faz mais de modesto.

Desde que lançaram o primeiro disco da carreira, em 19 de abril de 1991, Zezé Di Camargo e Luciano já venderam mais de 36 milhões de cópias de seus 19 álbuns de carreira, quatro coletâneas e dois CDs em espanhol. O novo trabalho, um DVD intitulado Zezé Di Camargo e Luciano – 20 Anos de Sucesso, gravado ao vivo em setembro, para comemorar as duas décadas de estrada, chega às lojas em 7 de maio. No mesmo dia, a dupla lança um CD com 15 faixas, sendo sete inéditas. Eles falaram, com exclusividade, com o JT.

A coerência na carreira de vocês pode ser a resposta para explicar estes 20 anos de sucesso?
Zezé – A música romântica vai ser sempre eterna. Você não precisa ter 20, 30 ou 40 anos para sentir frio na barriga quando você vê aquela pessoa que você gosta. É nesse momento que a gente entra, um momento muito importante da vida das pessoas. É diferente de uma música da moda, que você curte pelo baratinho que ela está dando, pela dancinha que você vai fazer. Qual é emoção que um cara vai ter quando ouvir, daqui a dez anos, a música “hoje é festa lá no meu apê”. Ai Se Eu Te Pego é do momento. Mas daqui a dez anos, ele vai continuar ouvindo “detalhes tão pequenos de nós dois” e vai sentir a mesma emoção. A música romântica fica.
Luciano – A música Mentes Tão Bem fez sucesso em um momento em que a música sertaneja romântica está em segundo plano. Estamos há 20 anos fazendo música romântica e renovando sem sair deste nicho. Somos a dupla mais romântica do Brasil e deste título eu não abro mão.

Mas o sucesso de um artista não depende só do repertório ou do talento de um artista…
Zezé – Até hoje, não sei o que é carisma. Por que eu tenho carisma agora e não tinha aos 16 anos? Por que ele só passou a existir depois que eu fiz sucesso? Acho que o carisma tem de andar junto com o sucesso e é você cantar e falar aquilo que emociona as pessoas. Você tem de ser o príncipe encantado que as pessoas imaginam que você seja. Tento me portar assim.

Como é ser o príncipe encantado? Ter de ser um exemplo cansa?
Zezé – Eu nem sou exemplo. Sou uma pessoa correta na minha vida, com relação à bebida, nunca mexi com droga. Sou um cara correto, família. Mesmo assim pegam no meu pé, acham que sou o maior paquerador do Brasil e que tenho uma namorada em cada Estado do Brasil. Estou na base do quer falar, fala. Já me preocupei muito com isso. Hoje não, sou bem tranquilo. Além disso, ser certinho demais é muito chato, né?

José Patrício/AE

O sucesso tem uma parte ruim?
Zezé – Não. Quem quer ser famoso, quer exatamente isso. Quer ser reconhecido. Esse papo de eu gosto de ir para Miami, para a Europa porque lá posso andar na rua sossegado é hipocrisia. Se ficar dois dias sem ser reconhecido, vai sentir falta. Quem fala que essas coisas perturbam está mentindo. Perde o sucesso para ver se não fica desesperado. Sucesso é sinônimo de ser querido pelas pessoas, de trabalhar e fazer o que gosta. Sou privilegiado, porque ganhei a minha vida, arrumei a vida da minha família toda, e ajudei várias pessoas, fazendo o que eu mais amo, que é cantar. Tem coisa melhor que essa? Em todos os lugares onde eu chego, as pessoas quererem me ver, saber como estou.
Luciano – Quando você atinge o sucesso, você é do público. Você saiu de casa, tem de sorrir, tem de estar bem. Se você não estiver a fim de retribuir um carinho e parecer bem, então, não sai de casa. Sou desse jeito. Claro, o que mais afeta um artista são as pessoas que estão em volta, que trabalham com ela. É um produtor, um diretor, até mesmo um empresário que, às vezes, quer ser mais que o artista. O que me levou a brigar com o meu irmão (referindo-se ao desentendimento que ocorreu antes de um show em Curitiba, no ano passado), por exemplo, foi uma série de problemas com as pessoas que estão à nossa volta. Depois disso, decidimos que tudo o que um precisasse falar para o outro seria sem intermediários.

Zezé, sobre o desentendimento do ano passado, Luciano disse que foi por causa de pessoas que trabalham com vocês. O que aconteceu?
Zezé – O motivo foi atendimento no camarim. Tínhamos 80 pessoas para atender e o Luciano ficou bravo com o número. E fiquei puto com ele. Ele queria atender antes do show e eu queria atender depois, porque a gente tem mais tempo com o pessoal. E a menina que produz para a gente já tinha reclamado para mim, no almoço, que o Luciano nunca ficava tempo suficiente para atender aos patrocinadores e fui falar isso para ele na hora da discussão. Aí, o bicho pegou.

José Patrício/AE

O Leonardo disse que pretende se aposentar. E você, Zezé?
Zezé – Aposentar de quê? Nunca fiz porra nenhuma na vida. Aposentar é para quem trabalhou a vida inteira. Para mim, cantar não é trabalho, é diversão. Sou pago para me divertir. Aquele trabalhador que levanta às 6h da manhã a vida inteira, pega ônibus lotado para ir trabalhar e voltar para casa cansado e, no dia seguinte, de novo ir trabalhar é quem pensa em se aposentar. Não vou me aposentar do que estou fazendo, de cantar, de subir no palco, de soltar a voz.

Você tem medo de virar um artista decadente? Passa pela sua cabeça a possibilidade de, daqui a alguns anos, ninguém se lembrar de você?
Zezé – Acho que isso não vai acontecer. Construímos uma história muito importante para ser esquecida. E, se tivesse de acontecer, já teria acontecido. Já vi muitos artistas que chegaram depois da gente e já foram. E se acontecer é um processo natural da vida e você vai se adequando à sua nova realidade. Você tem de ter a felicidade naquilo que faz. Minha felicidade é cantar, subir no palco. Hoje faço megaproduções para 50, 60 mil pessoas, mas, se daqui a alguns anos, eu estiver cantando para 200, 300 pessoas, mas com qualidade, já está gostoso do mesmo jeito.

Qual o melhor lugar para se fazer show?
Zezé – Tudo tem uma particularidade. Às vezes, a gente pensa: ‘Caramba, o que eu estou indo fazer lá?’. E quando chega, não acredita. É uma surpresa. Há uns três meses, fomos fazer um show no Pará, e pensei: ‘Caramba, estou fazendo 20 anos de carreira e o que estou fazendo aqui?’. A cidade tinha 6 mil habitantes, mas 30 mil pessoas foram para o show. Eu olhava na plateia e via muito índio, com as faixinhas na testa escritas Zezé e Luciano. Tem coisa melhor no mundo? Fiquei encabulado, e é isso que vale a pena. Vai gente de cavalo, de carroça. E depois do show, você passa pelos caminhões indo embora e o povo todo em cima. Outro dia, fomos fazer um show em Mato Grosso, numa cidade distante uns 300 km de Cuiabá. Ficamos hospedados numa cidade que era maiorzinha, onde tinha um hotel. Na estrada, uns 20 km antes de chegar à cidade, a rodovia estava toda parada. Olhei pela janela e tinha gente em caminhão, caminhonete, todo tipo de carro e até fusca com oito pessoas dentro. Vi muitas motos com as mulheres de vestido e salto. Todos indo para o nosso show.

Como vocês medem o sucesso?
Zezé – Se disserem que é preciso citar três artistas conhecidos em qualquer canto do Brasil e que todo mundo já ouviu falar, Zezé Di Camargo e Luciano vão estar entre estes três. Não tenho dúvida. Zezé Di Camargo e Luciano estão na história da música popular brasileira. Gostando ou não gostando, pode estar onde for, você já ouviu falar Zezé Di Camargo e Luciano.

Qual é o melhor álbum de vocês?
Zezé – O novo. Está lindo, lindo. Maravilhoso. Gosto muito do CD Double Face, de modão. Mas meus favoritos são os volumes 6, 9 e 10.

Luciano, se você não fosse cantor, teria um plano B para sua vida?
Luciano – Nunca tive um plano A para minha vida e nunca tive um plano B em relação a nada, nem na profissão. Eu morava em Goiânia e só estudei até a terceira série primária. Hoje, seria um cara sem mão de obra qualificada, sem estudo para poder gerenciar alguma coisa. Cantar aconteceu. Aquilo foi uma brincadeira e virou sucesso de verdade. Com o passar do tempo, você começa a adquirir experiências, gostos diferentes.

E como isso foi para você?
Luciano – Passei a ler mais, a buscar informações. Acho que poderia ser jornalista por ser essa pessoa inquieta que quer sempre saber mais. Sou fascinado com a arte das pessoas de entrevistar, de ir a fundo numa matéria e descobrir o que tem por trás de alguma coisa que está acontecendo. Mas não que eu tivesse essa ideia quando era pequeno. Falo isso porque eu passei a conhecer. Não busquei nenhum objetivo na minha vida. Aliás, passei a conhecer as coisas depois que comecei a cantar.

Como é ficar o dia inteiro com o irmão, resolver todas as questões de trabalho, viajar juntos, fazer show juntos? É pesado?
Zezé – Eu e o Luciano ficamos pouco tempo juntos. Venho para o estúdio, faço a produção toda, coloco a minha voz. Ele vem aqui depois, coloca a voz dele. É muito pouco. Ele não fica o tempo todo no estúdio. Eu, sim, fico aqui, produzo e escolho repertório. Quando viajamos para fazer shows, cada um fica em um quarto. No nosso avião, sentamos separados. E, na folga, fazemos coisas diferentes. O Luciano é muito urbano. Já eu gosto de ficar no meio do mato.

(a matéria foi publicada na edição de hoje, 19, do Jornal da Tarde. No caderno Variedades)

Eduardo Costa fala sobre música, gostos e manias. Entrevista exclusiva

Por Cristiane Bomfim

Minutos antes de subir no palco, o cantor sertanejo Eduardo Costa se olha no espelho. Primeiro, de frente. Depois, de lado. Pede a opinião dos produtores e do seu estilista pessoal. Olha mais uma vez para o espelho e levanta a camiseta branca. Eduardo é um cara vaidoso, gosta de malhar (duas horas por dia, menos nos fins de semana), e vestir roupas coladas ao corpo. Anda sempre perfumado, tem dezenas de botas (mas diz que acaba usando sempre a mesma nos shows). Aprendeu a se maquiar para disfarçar as irregularidades da pele e prefere produtos da marca MAC.

“Eu não sou vaidoso. Dizem que quem se olha muito no espelho é inseguro. Acho que é o meu caso”, diz o cantor ao ser perguntado sobre o assunto. Uma marca de expressão entre os dois olhos o incomoda. “Fico com cara de bravo. Já fiz preenchimento, mas não resolve”, continua.

Embora negue, a vaidade fica explícita nas fotos que o cantor publica nas redes sociais: a maioria sem camisa. “É que eu sempre gostei de andar sem camisa, mas antes não fotografava porque tinha uma barriguinha”, explica. E a vaidade também ficou clara quando, em tom de brincadeira, o cantor disse que gostaria de ter uma estátua ou dar nome a um viaduto. Tudo isso porque ele foi perguntado se acha que será um artista famoso e lembrado depois da morte.

Eduardo também tem manias. Confessa que gosta de pensar na decoração da casa e que ela esteja sempre muito bem arrumada com cada coisa em seu lugar. As roupas devem estar alinhadas no guarda-roupa. E diz que se sente incomodado se, por exemplo, os interruptores de um cômodo estiverem virados para lados opostos.

Aos 33 anos, Eduardo Costa comemora o sucesso da carreira que insistiu em demorar para acontecer. No início de março, lotou o Credicard Hall, em São Paulo, nas duas apresentações da turnê De pele, Alma e Coração. Solteiro e com dinheiro, diz que “ainda se diverte com as mulheres erradas até encontrar a certa” para, só então, poder casar. Mas sua principal preocupação hoje é manter uma carreira sólida e longa como o seu maior ídolo, o também sertanejo Leonardo, fez. E quando o assunto é música, o cantor fica sério e fala com a autoridade de quem já ralou muito para fazer sucesso

JT esteve com Eduardo Costa no dia 2 de março. O encontro foi no hotel Bourbon, no centro, onde ele costuma se hospedar quando está em São Paulo. A conversa começou no quarto quando ele ainda se maquiava e definia – com seu estilista – quais roupas levaria para usar na apresentação do Credicard Hall. E o papo, divertidíssimo, continuou na van a caminho da casa de show e no camarim.

Por ser muito longa, a entrevista será publicada em partes, com direito a fotos e alguns áudios dos melhores trechos.

JT – Qual foi a pergunta que você mais respondeu para jornalista?
Eduardo Costa – Não é bem pergunta. As pessoas sempre têm um pouco de medo de mim. Acho que eu tenho cara de bravo. Mas o que mais fizeram nesse tempo todo foi a comparação da minha voz com a do Zezé di Camargo. Foi uma coisa que me encheu o saco demais. Foi a coisa que mais falaram na minha cabeça. Virou um coro de gente falando disso.


JT – Isso ainda incomoda ou já passou?
Eduardo Costa – Incomoda ainda, mas eu não deixo transparecer. Respondo normalmente porque eu nunca quis imitar o Zezé. Nem outro artista. E se eu quisesse imitar alguém, imitaria o Leonardo, porque eu sou fã do Leonardo demais. E gosto do Zezé também e acho que todo mundo gosta. Mas o cara que eu mais gosto é o Leonardo, eu gosto dele como artista, como ser humano, como humorista. E eu não quero imitar ninguém. Mas, se um dia eu tivesse que imitar alguém seria o Leonardo. E eu até acho que eu tenho um pouquinho dele. Como nós somos muito amigos, acabamos tendo coisas em comum.

JT – Qual é o preço do sucesso?
Eduardo Costa –Não tem preço não. Sucesso é só coisa boa. Acho que o preço do meu sucesso é o mesmo que o de um engenheiro, de qualquer pessoa bem sucedida. Você trabalha mais, você tem que dar mais atenção, tem que se preocupar com o que você fala, com o que você faz. Você tem que ser um bom exemplo. Mas eu acho que é isso. Eu busquei isso. Eu procuro levar uma vida extremamente normal. Meus fãs me respeitam muito e eu acho que eu consegui uma coisa muito importante que é credibilidade. Quando eu gravo um CD, as pessoas não querem ouvir primeiro para depois comprar. Elas compram e depois ouvem. Poucos artistas tem esse privilégio hoje, principalmente na atual circunstância por qual passa nossa música.

JT – Você disse que tem que se preocupar mais com o que fala, com o que faz. Você se preocupa em ser exemplo mesmo?
Eduardo Costa –Eu tento. Tenho fãs crianças que gostam das minhas músicas e jovens que estão começando a vida agora e que gostam da minha história de vida, gostam do que eu faço, do que eu falo. Antigamente eu era um cara mais desleixado. Eu falava bobagens de cachaça, de bebida alcoólica. E continuo falando. Só que hoje, moderadamente. E o conselho que eu dou para as pessoas é que tem que ter um motivo para beber. E depois, quando for beber, se preocupar com a quantidade. Tem gente que acha que o mundo vai acabar em cachaça e tem que beber tudo no mesmo dia. As pessoas têm que se divertir, mas com moderação. Eu tenho uma filha pequena (com cinco anos) e me preocupo em ser um bom exemplo.

JT – O que é ser um bom exemplo?
Eduardo Costa – Existe uma diferença entre você ser um fake. Tentar ser um exemplo e não ser e realmente ser um bom exemplo. Eu acho que eu sou um bom exemplo. Eu não fico fazendo média com ninguém. Não quero agradar ninguém, quero ser um bom exemplo porque acho que Deus me cobra isso. Até pelo dom que ele me deu. Eu quero ser um bom exemplo porque Deus pode tomar o dom que me deu. Isso acontece com um monte de artistas. Um bom exemplo é um homem que paga as contas em dia, que se preocupa em ser um bom filho, ser um bom pai, em não mexer com drogas pesadas. (Um bom exemplo) é ser um cara se preocupa com os horários. Eu tenho compromisso com meus fãs.


JT – Antes do sucesso você passou muita necessidade. Qual foi a primeira coisa que você comprou quando ganhou dinheiro?
Eduardo Costa – Eu passei até fome. O primeiro dinheirinho que eu ganhei foi um empresário quem me deu. Eram R$ 30 mil na época. Nesse dia eu não tinha nem R$ 10 no bolso, nem expectativa de onde arrumar. Lembro que peguei R$ 20 mil e dei para minha mãe e pedi para ela usar só em extrema necessidade. Peguei os R$ 10 mil e guardei. E fui no supermercado e comprei R$ 2 mil de arroz, feijão, macarrão, massa de tomate e sardinha. Eu lembro que quase chegou um caminhão em casa. E eu comprei do arroz mais barato. Deu uns 150 pacotes de arroz. Aí eu pensei: “fome eu não passo tão cedo. Eu como esse trem até vencido”. Isso faz oito anos. Foi quando eu gravei meu primeiro CD.

JT – Quando você sentiu que já podia esbanjar um pouco mais, o que você comprou?
Eduardo Costa – Foi uma caminhonete Dakota preta linda. Modéstia parte eu sempre tive muito bom gosto para casa e carro. Sou muito enjoado e bem detalhista. Sou um cara que cuida de casa. Eu saio para comprar lençol, roupa de cama. Quando eu casar, minha mulher não vai precisar se preocupar com essas coisas, porque são coisas que eu tenho paixão. Eu gosto de decorar a casa, de desenhar os móveis. A primeira casa que eu comprei foi para minha mãe e depois para o meu pai, já que eles são separados. E depois  comprei um sítio para eu morar. Aí depois eu tive Ferrari e essas coisas de velho. Tipo, Ferrari para mim é um carro de velho. Quando vejo uma parece que vai sair um velho de dentro dela. Por exemplo, eu tive uma Lamborghini, aí um dia eu desanimei porque fui em um restaurante perto de casa e parou uma Lamborghini igual a minha. Desceu um senhor do carro, ele tinha uma bermuda no joelho, um tênis, uma meia na canela e estava de boné. Aí eu desanimei. Hoje eu gosto de carro potente e mais barato. Descobri que esses carros esportivos caros são para velhos porque jovens não têm condições de comprar. E eu também gosto de moto, a minha favorita é uma chamada Aprilia, que é importada e muito bonita e gosto de moto esportiva da Yamaha também.

JT – Como você escolhe o repertório?
Eduardo Costa – Eu pego alguns CDs de compositores, de pessoas que me mandam, seleciono as que mais gosto. Só eu escolho e não passa pelo meu produtor que é o César Augusto, um dos melhores do Brasil. Normalmente eu ouço os CDS no carro. Aí nessa hora eu até gosto de trânsito. E a música tem que me arrepiar. Se eu eu for gravar 15 músicas, eu seleciono 10 e cinco eu tenho obrigação de fazer. Eu me cobro isso.

JT – E é difícil compor?
Eduardo Costa – É difícil. Porque eu não componho por compor. Eu só componho quando estou inspirado e não é sempre que eu estou. Eu tenho uma regrinha de compor de noite. E maioria sai de dia. Mas pela minha cabeça tem que ser de noite. Às vezes pinta um clima aqui e agora eu guardo a ideia e escrevo em casa. E eu faço dois tipos de música: ou muito melosa ou muito engraçada.

JT – Você gosta mais das músicas melosas ou das engraçadas?
Eduardo Costa – Existe momento pra tudo. Eu me preocupo com o momento. Quando gravo um CD, me preocupo com o momento em que as pessoas vão estar ouvindo ele. Se ela está feliz, ela vai acordar no domingo e lavar o carro – é uma coisa que eu gosto de fazer – aí você não vai colocar uma musica melosa. Tem que ser uma coisa mais agitada Você vai malhar ouvindo Julio Iglesias? Você começa a chorar.

JT – E a mulherada?
Eduardo Costa – A mulherada fala que eu sou galinha. Eu já falei que eu não sou galinha. Eu sou cachorro. É diferente. Eu não encontrei a pessoa certa e estou me divertindo com as erradas.

JT – Por ser famoso, você acha que pegam mais no pé e controlam mais a sua vida pessoal?
Eduardo Costa – Eu não ligo não. Até porque nunca fui de beijar na rua. Se eu beijar um beijo muito gostoso. Sabe aquele beijo? Se eu beijar esse beijo, eu tenho que transar. Eu não consigo dar aquele beijo em uma mulher e só ficar naquilo.

JT – Daqui 20, 30 anos como você imagina sua carreira?
Eduardo Costa – Eu tenho hoje 33 anos. Quero chegar aos 50 anos e não precisar mais me preocupar com quantos shows eu preciso fazer no mês. Eu quero ter uma carreira bonita. Por isso que eu não gravo qualquer coisa. Quando chegar nessa idade, quero fazer poucos shows para que as pessoas possam apreciar uma boa música, mas sem exageros. Até porque a gente tem que se preocupar com o futuro, porque as coisas passam, o mundo dá muita volta, a gente não sabe o que vai acontecer. Então eu quero fazer um pé-de-meia, montar uma vida estruturada. Eu vejo tantos artistas se preocupando em fazer shows. Eu não sei se eles estão precisando de dinheiro ou se de fato ele quer se autoafirmar como artista, apesar de não precisar mais. Mas a gente vê uns artistas correndo atrás do sucesso numa idade em que eles já não precisavam mais disso.

JT – Você se preocupa em não lotar casas de shows?
Eduardo Costa – Sim. Chegar num parque de exposições que cabe 20 mil pessoas e só ter 3 mil me preocupa. A gente tem que pedir a Deus para que não aconteça. Aí a gente vê vários artistas que tinham uma carreira bonita, bacana e que podiam ter segurado um pouquinho, feito menos shows, aparecido menos na TV e dado menos a cara. E as pessoas enjoam de ver artista: está toda hora na TV, na internet.

JT – É por isso que você não está sempre na mídia?
Eduardo Costa – Eu não gosto, porque eu acho que as pessoas tem que ter vontade de ir no meu show. E tem artista que está toda hora em todo lugar. Você liga a TV, o cara está lá. Liga o rádio, o cara está lá. Liga o computador, o cara está lá. Ninguém aguenta mais ver o cara. Tem gente que vai no show para ouvir uma música, depois vira fã, mas se voê está o tempo inteiro atazanando a vida do cara no rádio, na internet, na TV, ele cansa. Eu gosto de tocar no rádio, mas acho que tem um limite.

JT – Qual é o peso de programas de TV para a carreira
Eduardo Costa – Claro que o Faustão é importante e todo programa de TV é importante. Só que tem que ser natural. Se você ficar forçando a barra para ir, as pessoas não vão entender o que você está fazendo ali. O legal é ser convidado. Se o cara não te convida, é sinal que você não está fazendo falta lá, entendeu? Tem alguns programas que eu tinha vontade de ir, até porque eu gosto do apresentador.

JT – Quais programas são esses?
Eduardo Costa – Eu gosto da Marília Gabriela, por exemplo. E tenho vontade de ir num programa dela. Mas não porque eu queira aparecer, mas porque eu tenho vontade de conhecer a Marília Gabriela. Eu gosto do Jô Soares e gostaria de ir no programa dele. E para ir no programa dele tem até que ter um pouco de cautela para não passar do bonito para o feio.

JT – Você acha que é um cantor sertanejo ou romântico?
Eduardo Costa – Eu acho que eu sou um cantor de música sertaneja e um cantor romântico. Porque a verdade é que música sertaneja hoje não existe mais. Até as músicas que Leandro e Leonardo, Chitãozinho e Xororó cantavam nos anos 1990 já não eram sertanejas. Sertanejo é Tião Carreiro e Pardinho, Milionário e José Rico, Léo Canhoto e Robertinho. Essa música que nós cantamos é a música popular brasileira. MPB é essa que está no rádio o tempo inteiro, que se você vai numa festa de 12 anos, de 15 anos, de 17 anos, de 30 anos, de 50 anos, de 100 anos, a música está lá. Podem até achar que é outro estilo, mas a música popular brasileira é essa.

JT – Como você reage quando dizem que música de verdade é Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e por aí vai? Ainda existe o preconceito?
Eduardo Costa – Eu estudei instrumentos e estudo até hoje. Os meus músicos estudaram música. A nossa música é rica. A música sertaneja é cheia de mistura e gente competente. É claro que tem um monte de gente incompetente que faz também. Mas os que se prontificaram a fazer bem feito, fizeram com autoridade. Existe porcaria em todos os tipos de música. Existe porcaria no rock, no forró e no nosso estilo existe mais porcaria que em todos os outros porque é o que mais faz sucesso. Então, hoje pode-se dizer que 95% do que se faz é ruim.

JT – Como você reage quando é colocado dentro dessa cesta do ruim, do brega, do cafona, do comercial?
Eduardo Costa – Isso mexe com minha vaidade. Porque eu me preocupo de fato com isso. Eu tenho uma das melhores bandas do Brasil para me acompanhar. E me preocupo com a musicalidade. Então quando alguém fala que eu sou ruim, eu queria que ele provasse onde eu sou ruim. Porque aí eu vou colocar numa balança e ver onde estou errando. O cara tem direito de não gostar do estilo que eu faço. Mas dentro do que eu me propus a fazer, posso dizer que faço com autoridade. E eu tenho obrigação de ser bom porque vivo disso.

JT – Você acha que vai ser lembrado para sempre? Você gostaria de daqui 50, 60, 70 anos ser lembrado?
Eduardo Costa – Eu sou da seguinte opinião: morre o homem fica a fama. Eu queria ser lembrado. Queria até ter uma estátua, um viaduto, uma rua. Rua Eduardo Costa. Mas não põe Edson (o nome verdadeiro do cantor), tem que ser Eduardo Costa. Eu penso nisso. Eu queria ser bem lembrado. Mas Deus sabe o que faz e eu quero que Ele me dê inspiração para que eu possa ter censo crítico. Não quero me achar bom e não ser. Para que eu tenha noção do eu estou fazendo e não fique achando que sou o bom e todo mundo rindo da minha cara lá na rua.

JT – Você tem vontade de cantar no exterior?
Eduardo Costa – Não. Tenho nada. O dia que você ouvir que um artista nosso está fazendo sucesso no exterior, tem até que investigar porque a nossa língua é muito complicada de se entender e de se falar. Raramente as pessoas vão consumir a nossa música em outros lugares do mundo por causa da nossa língua. Não por causa da nossa musicalidade. Já tem seis anos que eu faço shows nos Estados Unidos e na Europa, só que é para brasileiro. Não vai gringo porque eles não entendem nada. Tirando o Tom Jobim, que foi um cara que de fato pegou o outro público por causa da bossa nova, eu não conheço outro artista brasileiro que foi para fora e fez sucesso.

JT – Você gosta de fazer shows em lugares populares?
Eduardo Costa – Eu gosto de fazer porque eu sou um artista que vive de rádio. O público que liga pra rádio para pedir a minha música é aquele público. Então eu não posso agora que sou um artista grande, deixar de atender eles, senão daqui a pouco eu volto a ser pequeno, entendeu? E não é porque estou precisando fazer show, é porque eu acho que essas pessoas precisam de mim, elas gostam de mim, elas que me mantém no lugar que eu estou. E é ótimo. Eu prefiro o povão, claro que fazer show nas casas bacanas é legal demais. Você precisa manter todos os públicos.

Notas sobre Zezé di Camargo e Luciano

Por Cristiane Bomfim

O melhor cruzeiro
A quarta edição do Cruzeiro é o Amor, que aconteceu entre 3 e 6 de março, foi considerada por Zezé di Camargo a melhor de todas. Um dos principais motivos foi a participação do maestro Eduardo Lages, que acompanha Roberto Carlos desde 1977.  “Ele faz muita diferença. É um grande maestro. Além disso, quando começamos a fazer o navio, ficamos preocupados porque o palco era muito pequeno. Neste ano não foi diferente. E fizemos tudo de forma improvisada. Escolhemos o repertório e subimos no palco e por isso os shows ficaram mais descontraídos e o público que saiu de vários lugares do Brasil para passar três dias com a gente merece um show mais longo, merece se sentir mais próximo de nós. A intenção é essa mesma”, disse Zezé.

Voz de veludo
Seguro no palco, Luciano arrancou aplausos e gritos do público quando fez a primeira voz em três músicas. A primeira delas foi Do seu lado, da banda Jota Quest. Perguntado sobre sua segurança no palco e a voz que parece estar cada vez mais bonita, Luciano respondeu: “Eu não sinto essa mudança na minha voz. Por eu ter uma voz rouca, eu canto no mesmo tom que o Zezé, só que mais baixo. Não posso cantar alto demais, o médio é uma região boa para mim. O que acontece é que a gente vai cantando, cantando e as pessoas vão se acostumando e prestando mais atenção. E também passam a respeitar mais o artista que normalmente faz a segunda voz”, disse.

21 anos de carreira
No dia 19 de abril, Zezé e Luciano comemoram 21 anos de carreira. A previsão é que o CD e DVD de 20 anos de carreira (gravado em outubro) chegue nas lojas poucos dias antes.

Michel Teló “pegou” em 2011

Por Cristiane Bomfim

O esquema de plantão no fim de ano e a correria na redação impediram que eu escrevesse com tanta frequência neste blog em dezembro. Alguns assuntos não foram abordados, agendas de shows não foram publicadas. Nem sempre é fácil dividir o tempo entre a apuração de matérias de cidades do Jornal da Tarde e o blog. E isso é quase uma desculpa.

Pensei em fazer uma retrospectiva da música sertaneja em 2011, mas todo mundo já fez isso. E o destaque é, sem dúvida, Michel Teló. Em dezembro, o paranaense foi capa do caderno de Variedades do Jornal da Tarde, da revista Época, foi notícia no Jornal da Tarde, Estadão, na Folha, na Veja e até na revista americana Forbes. A música Ai se eu te pego já foi assistida quase 100 milhões de vezes no Youtube e sua coreografia está sendo copiada no mundo todo. E isso não é um exagero.

No JT, a matéria saiu no dia 30. E foi por causa de todo esse sucesso, que escolhi Teló para o primeiro post de 2012. Para ler é só clicar na imagem:

Lado A e Lado B de João Carreiro e Capataz vai cair na rede

Por Cristiane Bomfim

Como eu publiquei no Twitter e no Facebook, desde a madrugada de segunda-feira (28), está no ar o clipe da nova música de trabalho de João Carreiro e Capataz. O que essa moça fez aqui faz parte do álbum duplo Lado A e Lado B que será colocado na internet para download.

A promessa era que o álbum chegasse em novembro nas lojas, mas em entrevista ao Jornal da Tarde, Capataz contou que os CDs ainda não foram prensados e, por isso, na próxima semana serão disponibilizados para download no site da dupla. A nova previsão é que o CD chegue nas lojas até o fim do ano.

Este será o sétimo álbum da dupla que completa dez anos em 2012. No Lado A foram gravadas apenas modas de viola e no Lado B, músicas mais comerciais. “É claro que tanto eu quanto o João Carreiro preferimos o lado das modas”, diz Capataz.

Daniel toca hoje com Orquestra Philarmônica de São Paulo

Por Cristiane Bomfim

A vontade de tocar com uma orquestra vinha de tempos atrás. Daniel até que fez algumas participações, a última na festa de 60 anos da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) com regência do maestro João Carlos Martins, no ano passado. Mas eram participações pequenas.

Hoje o cantor sertanejo apresentará na Via Funchal, na zona sul de São Paulo, show inteiro acompanhado por uma orquestra: a Orquestra Philarmônica de São Paulo, regida pelo maestro Solielson Ghoethe.

“Para mim é uma experiência única. Eu já almejava fazer um projeto com uma orquestra. Eu gosto da sonoridade, sempre gostei. Isso é bem claro. E poder fazer um apanhado geral da minha carreira e história com essa orquestra me dando a honra, é muito bom”, contou Daniel Em coletiva com a imprensa na terça-feira, após o segundo (e último) ensaio para o show.

No repertório estarão grandes sucessos do cantor e músicas do seu mais novo álbum Pra ser Feliz, lançado em setembro. “Está tudo muito bonito, mas é claro que algumas músicas crescem quando têm o acompanhamento de uma orquestra”, diz Daniel. Como exemplo ele cita Esperança, Te amo cada vez mais e Eu amo amar você. “A gente conseguiu aproveitar estas canções, adequar ao grupo sinfônico e tirar o máximo dos músicos. E nessas canções que o Daniel citou, funcionou muito bem”, completa o maestro Ghoethe.

Daniel, que completa 30 anos de carreira em 2012, não descarta a possibilidade de gravar um DVD comemorativo ao lado da Orquestra Philarmônica de São Paulo, mas avisa que por enquanto é só uma ideia. De concreto mesmo, por enquanto só a biografia e um documentário com sua história.

 

Música romântica, barriga a mostra e a loucura das mulheres

Por Cristiane Bomfim

Não é preciso muito esforço para entender porque o público que lota os shows de Eduardo Costa é formado, em sua maioria, por mulheres que chegam cedo, se espremem na frente do palco e não ligam muito para as paqueras antes e durante a apresentação. A diferença do cantor que ficou conhecido em 2007 após lançar seu primeiro DVD e os novos nomes da música sertaneja é que ele preferiu o estilo romântico.

No palco, ele ele sofre por amor como qualquer cantor sertanejo romântico que se preze tem que saber fazer. E também faz charminho, rebola, manda beijos e enlouquece a mulherada. E elas não fazem cena: declaram o amor pelo artista em faixas colocadas na cabeça, gritos e até pedidos de casamento.

“Mas que homão é esse? Quero ele na minha casa. Sou louca por ele”, confessou a secretária Rosélia Camargo, de 27 anos. Ela chegou cinco horas antes do show na Villa Country, na zona oeste, na última terça-feira, 7. Saiu de Parelheiros, na zona sul, com quatro amigas. “Não dá para trazer homem porque a gente se descontrola”.

E olha que Eduardo Costa não é um homem alto. Talvez por isso, abuse da malhação e use roupas coladas. Ele também não sente vergonha de levantar a camiseta branca e mostrar a barriga durante o show. E a mulherada perde o fôlego, grita e até chora. Já os homens, ficam de lado observando a histeria feminina. Boa parte deles está ali porque gosta do cantor, mas assumir é coisa para poucos.

“Ah, eu gosto de algumas músicas. Não posso dizer que o cara não canta bem, né? Só não entendo o que faz esse bando de mulheres ficar gritando e chorando”, disse bancário Renato Paulo Correia, de 31 anos.

O show de Eduardo Costa não lotou a casa, como fizeram Jorge e Mateus no primeiro semestre. Mas, o sertanejo fez todo mundo cantar durante duas horas. A primeira música foi Não acredito. Depois vieram sucessos como Me apaixonei, Eu duvido, Amores Imortais, Eu aposto, Ela saiu à francesa, e a canção que empresta o nome ao último DVD Pele, Alma e Coração.

Eduardo Costa agradeceu ao público pela presença e disse que depois do acidente com o jatinho em Manhuaçu, na Zona da Mata de Minas Gerais, os shows tem outro “gosto”. “Eu nasci de novo”, justificou. Antes do show, ele conversou com o Jornal da Tarde:

Como você se machucou no acidente com o avião na última sexta-feira?
Eu tirei o cinto porque quando o trem de pouso explodiu e o ferro começou a arrastar no asfalto, saiu muito fogo. E eu imaginei que o avião fosse explodir. Eu fiquei com medo de morrer carbonizado ou de não conseguir sair. Entrei em pânico. Aí eu tirei o cinto e uns cinco, sete segundos depois, o avião deu um 360º na pista e desceu ladeira abaixo e bateu no meio de uma lavoura de café. Eu trinquei a cabeça, o nariz em dois lugares, quebrei dois dedos da mão direita.

E como foi cancelar o show daquele dia?
Eu só não fiz porque os médicos não deixaram. Eu estava com a cara inchada, mas queria fazer mesmo machucado.

Teve que dar uma pausa na cachaça?
Vou ter que esperar uns dias, né?

Você pensa em parar de beber cachaça?
Nunca pensei em parar. Cachaça é igual vinho, não se toma para ficar bêbado. A cachaça é uma bebida muito mais de degustação do que de beber para fazer festa. Para fazer festa, você toma cerveja, champanhe. Cachaça você toma um golinho meia hora antes do almoço. Eu gosto de tomar cachaça antes dos shows.

Qual cachaça você toma?
Eu tomo várias. Tem uma cachaça que chama GRM. Tem outra que chama Germana. A minha favorita é a Germana 10 anos. Essa eu tomo até um litro. Se eu sentar para conversar, eu tomo um litro fico sóbrio porque meu organismo já acostumou. As cachaças do norte de Minas Gerais são as melhores.

Em média, são cerca de 20 shows por mês na sua agenda. Você não acha que está pegando pesado e viajando muito?
Muito raramente eu faço dois shows por noite. Estamos chegando a 140 shows neste ano, então o que acontece é que a gente depende de avião e infelizmente acidentes acontecem. Eu agradeço a Deus pela oportunidade de estar vivo. Mas parar é difícil. Eu estou com 31 anos, estou numa fase muito boa da minha carreira e tenho que aproveitar porque eu não seio o que vai acontecer. Eu luto para que minha carreira dure muitos e muitos anos, eu faço um trabalho sério, mas tenho que aproveitar ao máximo o meu momento.

Você tem medo de que essa fase boa da carreira passe logo? Existe uma receita para evitar que isso aconteça?
Eu me preocupo, mas não faço músicas da moda. Quem faz música descartável, corre risco de ter uma carreira descartável. E para mim, com todo respeito à música universitária, muitas músicas são descartáveis. Tem muitos artistas que eu adoro, mas não gosto das músicas que eles fazem. Eu me preocupo em fazer músicas com arranjos modernos, mas cantando a música sertaneja romântica. Eu nãoi quero cantar uma música chamando a mulher de cachorra, falando que eu quero pegar as mulheres. Eu quero falar de amor.

Você escolheu gravar o seu último DVD em São Paulo. Qual é a diferença do público paulista?
Cantar no Brasil inteiro é ótimo, mas São Paulo é um estado formador de opinião e o Brasil se encontra em São Paulo. Aqui tem gente do País inteiro. Tem gente de Minas Gerais, do nordeste, do Rio Grande do Sul… Então, quando você canta em São Paulo, você canta para o Brasil.

Você e o Leonardo vão gravar um DVD juntos?
Está fechado. A gente vai gravar no fim do ano que vem. Será um DVD de paixão só com músicas que a gente gosta. Ainda estamos procurando um lugar para gravar.

‘Juras de Amor’ é álbum que vale a pena

Por Cristiane Bomfim

Normalmente eu preciso ouvir muitas vezes um único CD para gostar ou não dele. E para minha tristeza, mesmo com tantos lançamentos sertanejos em um único ano, poucos foram os álbuns com mais de quatro ou cinco músicas realmente boas. Juras de Amor, o novo compacto de Bruno de Marrone, foge à regra.

O 18º CD da carreira dos amigos foi lançado no início de setembro. Dias antes, a música de divulgação Juras de Amor – que dá nome ao álbum – já estava sendo tocada em todas as rádios de todo o País. São 15 faixas e, ao contrário dos últimos trabalhos da dupla, a maioria é romântica (do jeito que eu gosto).

E Juras de Amor nem é a mais bonita, na minha opinião. Minhas favoritas são Inevitavelmente, Já não sei mais nada (que é uma regravação de Yo no se mañana, sucesso na voz do cantor latino Luis Enrique), Parede de vidro,  Te quero tanto (regravação de Te quiero tanto, tanto ,  composição de Guillermo Mendez  Guiú) e Querendo Viver.

Outra, Amor só é bom quando dói, não chega a ser uma declaração de amor, mas sim uma confissão de quem gosta mesmo é de sofrer. Ela compara vários tipos de amor e assume que nenhum tão é bom como aquele que faz perder a razão e nos transforma em ‘escravos da paixão’. Boa canção também.

É claro que o CD tem músicas mais dançantes, como Proposta Indecente e Tô largado. Outro exemplo é Rancho, que me lembra muito aquela que todo mundo sabe cantar: Que pescar, que nada! sucesso de 2005.

Por enquanto, Bruno vai fazer a divulgação do CD Juras de amor sem o parceiro Marrone, que está em licença médica e não deve subir nos palcos até o fim do ano. O anúncio foi feito no Programa do Faustão, da Globo, no dia 18 de setembro. No fim deste mês, o JT bateu um papo com Bruno no lançamento oficial da carreira solo de Hugo Pena, em São Paulo:

Quando o Marrone deve voltar a cantar. Tem previsão?
Não, por enquanto não tem previsão. O médico ainda não falou nada. Vai depender muito dele. É uma coisa psicológica e muito difícil. Não é uma doença fisiológica, mas a gente espera que ele se cure logo. Mas eu acho difícil ele voltar esse ano.

Como ele está se sentindo fora dos palcos?
EU acho que ele estava sofrendo muito em ter que viajar. Ele estava muito estressado em ter que viajar. Ele precisava dessa parada para ele refletir sobre a vida dele, sobre o trabalho. Acho que é legal essa reflexão.

E para você, como está sendo se acostumar a cantar sozinho?
A gente se acostuma com tudo. O ser humano é de fácil adaptação em qualquer circunstância. Eu já faço a primeira voz e as pessoas vão me prestigiar, o show acontece e só falta a figura do Marrone que é muito importante, uma marca forte. Mas eu acostumo, mas prefiro cantar com ele.

Como é divulgar o CD Juras de Amor, que você disse ser um dos melhores da carreira, sozinho?
Anunciamos a pausa do Marrone no Programa do Faustão e agora eu vou fazer os outros programas de TV sozinho.Esse CD está muito bom e as pessoas querem muitos shows nossos para o ano que vem e a gente precisava que o Marrone parasse para voltarmos no ano que vem com força total. Ele estava estressado, não estava querendo cantar.

Depois de anunciar que este é um dos melhores CDs da carreira, a cobrança dos fãs e da mídia é maior?
O que eu acho às vezes não é o que a maioria das pessoas acham. Quem fala se é bom ou não é o público, e ele tem correspondido dessa mesma maneira.

Para quem não conhece, segue um vídeo de Luis Enrique cantando Yo no se mañana. Em português, a letra mudou pouco:

E você,  o que achou do novo CD de Bruno e Marrone? Qual sua música favorita? (Para quem ainda não ouviu o novo CD de Bruno e Marrone, a notícia ‘boa’ é que dá para baixar algumas faixas na internet)

Hugo Pena se emociona em show solo

Por Cristiane Bomfim

O lançamento oficial da carreira solo do sertanejo Hugo Pena teve gostinho de primeira vez com direito a frio na barriga e choro. Depois de quatro meses separado de Gabriel ­- com quem fazia dupla –, o cantor decidiu retornar aos palcos de maneira “despretensiosa”, como ele prefere dizer. Escolheu uma casa noturna sertaneja em São Paulo com capacidade para 900 pessoas. Na plateia estavam amigos, artistas e fãs.

O show, marcado para as 23h de ontem, 21, teve a participação de Fernando e Sorocaba e do cantor Bruno, da dupla Bruno e Marrone. Hugo Pena subiu no palco da Wood’s, na Vila Olímpia, na zona sul de São Paulo, pouco depois da 1h. Iniciou com a animada Tô nem aí. Visivelmente nervoso e emocionado, o cantor buscava com os olhos o sorriso de apoio dos amigos enquanto meninas de um fã clube gritavam aos seus pés. A romântica Ponto de equilíbrio, a primeira música de trabalho do artista que agora canta sozinho, veio na sequência.

Com 27 músicas, o repertório de Hugo Pena misturou sucessos da antiga dupla – como Robin Hood da paixão, Mala pronta e Estrela –, canções inéditas, clássicos sertanejos e baladas universitárias como Ai se eu te pego.

Bruno foi convidado a subir no palco para cantar Te amo e não te quero e Telefone mudo. No bate-papo, Hugo Pena elogiou a voz do amigo e fez a proposta: “Você não quer fazer uma dupla comigo, não?”. Em tom de brincadeira Bruno respondeu que se Marrone não voltar a cantar, ele aceitará o convite. Marrone está afastado temporariamente da dupla por causa de problemas psicológicos.


Fernando e Sorocaba cantaram junto com Hugo Pena, que teve de secar as lágrimas com as mãos,  A casa caiu, Parece castigo, Até o final e o modão Saudades de minha terra.

Antes da apresentação Hugo Pena disse à imprensa que o reinício não está sendo fácil e descartou a possibilidade de reatar a dupla com Gabriel:

Qual é a sensação de subir no palco sozinho?
É como se fosse a primeira vez. É incrível uma pessoa que já enfrentou todo tipo de público dizer isso, mas eu to bastante ansioso. E é gostoso ter essa sensação de friozinho na barriga novamente. Já faz quatro meses que aconteceu do fim da dupla, mas é sempre bom estar de volta. Faz falta ter alguém para dividir o palco, parece que ele fica maior.

Como foram os quatro meses até chegar no lançamento oficial da carreira solo e do novo trabalho?
Primeiro passei aquele período de transição, de recomeço. Eu não esperava que adupla fosse terminar. Então esse período foi mais de adaptação e serviu para rever a equipe para poder trabalhar. Tive muita sorte que a banda ficou toda comigo, isso foi meio caminho andado para minha musica e para o nosso som. E culminou nessa grande festa.

Quantas músicas terão o show?
Vou apresentar as músicas que fizeram sucesso na época da dupla e alguns lançamentos das músicas que farão parte do novo DVD que irei gravar no final do ano, mas ainda não sei ao certo em qual cidade será.

Como é recomeçar a carreira?
É bem difícil. Não vou participar da parte administrativa, eu tenho profissionais que trabalham comigo agora. Não tenho empresário porque estou meio traumatizado de empresário. Mas tenho uma equipe com uma historia muito bacana dentro da música e se Deus quiser vai ser tanto sucesso quanto foi na época da dupla

Existe alguma chance de você voltar a cantar com o Gabriel?
Eu acho bem difícil porque o fim da dupla foi bastante traumático para mim e par minha família, mas não posso dizer que eu não possa perdoar. A gente tem coração mole, então é difícil dizer, mas seria bem complicado.

Vocês não se falam mais?
Perdemos o contato. Eu procurei o Gabriel para conversar depois dos acontecimentos, mas ele não me atendeu e disse que só conversaria comigo na presença do empresário. Então não deu para conversarmos.

O pivô da briga foi mesmo o empresário?
Foi. Eu tinha problemas com ele. Eram problemas de administração e o Gabriel tomou o partido do empresário. Eu estava procurando o bem da dupla e de todos, mas infelizmente não deu. Em respeito ao próprio Gabriel não tenho a intenção de colocar ninguém cantando comigo. Eu devo muito ao Gabriel o que eu sou hoje, ele me ajudou muito nessa caminhada.

Quem perdeu mais com a separação da dupla, você, o Gabriel ou os fãs?
Todo mundo perdeu um pouco. Posso medir as minhas perdas. Eu tenho que começar de novo. Tudo o que a gente investiu, que a gente sonhou como dupla, o que a gente passou na estrada e de repente terminar de uma forma tão triste. Eu perdi muito com isso, demorei para me recuperar. Só eu sei o que passei nesse período. Mas agora é bola pra frente e se tem que ser assim, então vamos seguir na carreira solo e tem tudo para dar certo.