Pablo, o ‘inventor’ do arrocha, comemora sucesso do estilo entre os sertanejos
- 28 de maio de 2012|
- 22h49|
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Por Cristiane Bomfim
Em São Paulo, o arrocha virou moda entre as duplas sertanejas. Luan Santana, João Neto e Frederico, Thaeme e Thiago, Gusttavo Lima: todos já gravaram – com modificações – o estilo musical nascido na cidade baiana de Candeias. Mesmo assim, nas rádios de muitas cidades do Nordeste, o grande nome do arrocha é o cantor romântico Pablo, um desconhecido nas regiões sudeste, centro-oeste e sul.
Pablo? Mas que Pablo? Foi essa a pergunta que eu me fiz antes de chegar em Aracaju, em Sergipe, onde o cantor dividiu o palco com a banda Chiclete com Banana. Passava das 2h de domingo, os chicleteiros já tinham incendiado o público e mesmo assim ninguém arredou o pé do Forró do Nana, que é o nome da festa. Todos esperavam o início do show da “voz romântica” e criador do termo arrocha.
“O arrocha é na verdade a seresta e esse termo eu usava nos shows para pedir para os casais dançarem agarradinhos e coladinhos. Eu dizia. Agora arrocha. E foi ficando assim, as pessoas não dizem mais que vão pra seresta. Elas vão para o arrocha”, conta Pablo.
O show começa pouco depois das 2h. Primeiro entram dois casais de bailarinos. As mulheres estão vestidas de ‘empreguetes’, com uniformes justos e na cor pink. A dança é sensual e o ritmo da música romântico. Vestido com calça jeans colada, botas de caubói (de plástico) e uma camiseta listrada, Pablo arranca gritos e aplausos de um público que sabe de cor todas as músicas. A primeira música é Pecado de Amor. Na plateia, os casais se abraçam e também começa o arrocha.
Não há grandes efeitos especiais durante a apresentação. E, talvez por causa do ritmo, do cenário, da voz aguda, o teclado, tudo pareça brega. Enquanto Pablo canta, alguns convidados comentam que as roupas precisam mudar, que o cenário poderia ser mais pop e que as músicas deveriam ter uma pegada mais moderna.
Mas tudo isso é pura implicância. O arrocha moderno já existe e está sendo gravado pelas duplas sertanejas que estouraram em São Paulo. E embora ninguém dê o crédito, muita coisa foi copiada do cantor Pablo. É que como já diz Gusttavo Lima na música Balada Boa, “vem que o brega é bom”.
O cantor, que se denomina “a voz romântica” não precisa cantar sucessos de outros artistas para conquistar o público: com apenas 27 anos, Pablo já acumula 12 de carreira, 9 CDs e 3 DVDs. Faz cerca de 30 shows por mês – a maioria no nordeste – e seu cachê varia de R$ 50 mil a R$ 100 mil. A presença de quatro canções de Zezé di Camargo e Luciano no repertório é exceção: ele é fã confesso da dupla e sonha, um dia, gravar com seus ídolos. Veja entrevista que ele concedeu ao Jornal da Tarde:
O que difere o arrocha dos outros estilos?
A gente tem um carinho muito grande na seleção das músicas, que são românticas. Nós resgatamos as músicas românticas antigas e até esquecidas, damos uma nova roupagem e colocamos o nosso estilo, que é o arrocha. E as pessoas abraçam com o carinho.
Em São Paulo, quem está gravando o arrocha são as duplas sertanejas. Para quem não conhece o estilo, como se faz essa distinção?
É a batida da bateria é um pouco diferente. Hoje está surgindo dupla sertaneja cantando o arrocha universitário. Mas o arrocha com teclado, com violão e guitarra está muito tempo na estrada e hoje está tendo essa mudança com o arrocha universitário, o que não é ruim para o movimento em si. Serve para fortalecer.
Como é ver o estilo bombando na voz de artistas sertanejos?
O coração bate forte vendo o trabalho de longa estrada ser cantado. Se fosse ruim, ninguém queria copiar e fazer também.
Além do sertanejo, o arrocha está também no carnaval. Você participa da festa em Salvador. Como você define isso?
A música é diversidade e atinge todas as classes e gostos. Participar do carnaval foi maravilhoso. É o terceiro ano que nós puxamos o bloco Arrocha Mutantes e não é um público selecionado. Todo mundo vai atrás do trio, você vê o movimento crescendo. Antigamente tinha um pouco de preconceito com o arrocha. Hoje ele está conquistando todas as classes e todas as idades. E eu estou muito feliz com isso e com o fato de ser precursor do arrocha.
Como é o sertanejo no Nordeste? E esse fato das duplas gravarem o estilo?
Eu sempre fui fã do sertanejo e vendo também o movimento crescendo, duplas sertanejas cantando arrocha é música popular brasileira. Isso só fortalece o estilo. É sinal que a coisa está boa.
Em São Paulo, o ritmo é tratado como ritmo brega. Você se considera brega?
Eu não sei. Depende o que a pessoa acha que é brega. Eu canto música romântica, o arrocha tem essa linha romântica. Quem é que nunca perdeu um amor, que quer conquistar um amor? Para mim não é brega. Se dizem que é brega, é o brega que vem conquistando a Bahia, o Brasil, enfim… Estou muito feliz com isso. O Brasil é brega.
São 12 anos de carreira. Onde você quer chegar?
Todo artista sonha em ter uma carreira sólida em nível nacional. E eu sonho com isso também porque é de garotinho que eu canto. Eu comecei garotinho a cantar com meu pai em barzinhos e hoje me vejo com milhares de fãs. Sonho sim em ser um artista nacional.
E você gostaria de fazer parceria com quem?
Eu sempre me inspirei no Zezé di Camargo e Luciano. Eu sou fanático por eles.
O arrocha é passageiro?
Não. Claro que não. Eu tenho certeza que é daqui pra frente. O movimento cresce a cada dia. As pessoas dizem que vai acabar em 2 ou 3 anos e ele já está ai há 12 anos.
Resumo da semana: Paula Fernandes + Munhoz e Mariano + Eduardo Costa + Carnafacul
- 25 de maio de 2012|
- 21h37|
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Por Cristiane Bomfim
A semana foi corrida e eu não consegui escrever aqui. Então, segue um resumo do que aconteceu no mundo da música sertaneja nos últimos dias.
PAULA FERNANDES
Paula Fernandes apresenta hoje, 25, amanhã e domingo no Credicard Hall, na zona sul de São Paulo, o show da sua nova turnê chamada Meus encantos, mesmo nome do CD que chega no dia 29 às lojas de todo o País. A apresentação terá novo cenário – iluminado e colorido. No repertório também estarão músicas do último álbum da cantora, que foi gravado ao vivo e vendeu mais de 1,5 milhões de cópias.
Sobre o álbum Meus encantos, ele tem somente faixas inéditas e participação de Zé Ramalho, a americana Taylor Swift e o colombiano Juanes. A primeira música de trabalho é Eu sem você. O clipe foi divulgado pela assessoria de imprensa da cantora ontem, 24:
MUNHOZ E MARIANO
Falando em vídeo, o clipe oficial da música Camaro Amarelo, da dupla Munhoz e Mariano, está no ar desde o dia 21 e já ultrapassa 400 mil acessos. O clipe foi gravado no dia 6 de maio em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, durante show para 90 mil pessoas no Parque das Nações Indígenas e é parte do DVD que será lançado no início do segundo semestre.
Para quem não lembra, dias antes da gravação do DVD, Munhoz e Mariano soltaram na rede um vídeo meio caseiro apresentando a música, que faria parte do repertório.
TALISMÃ
Nesta semana o escritório Talismã, que cuida da carreira de Paula Fernandes, Leonardo, Eduardo Costa, Rick Sollo e da dupla Di Paullo e Paulino lançou um portal. O site tem desde a agenda de cada artista até vídeos e notícias. O site é : www.talisma.art.br
EDUARDO COSTA
Eu não dei antes, mas desde o dia 30 de abril está no Youtube o clipe da nova música do Eduardo Costa. O vídeo de Começar de Novo já tem, até agora, pouco mais de 13.400 acessos.
TRIOS SERTANEJOS NO CARNAFACUL
Cerca de 40 mil pessoas devem participar do Carnafacul que acontece domingo, 27, no Anhembi, na zona norte de São Paulo. Além de grupos de axé, as duplas Jorge e Mateus, Humberto e Ronaldo e Guilherme e Santiago estarão em cima dos trios elétricos. A festa terá ainda a participação especial de Israel Novaes. Ainda restam ingressos.
Pedro Leonardo, o acidente e a comoção nacional
- 21 de maio de 2012|
- 23h50|
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Por Cristiane Bomfim
Parece coisa de filme. Ou, como disse o cantor Leonardo em entrevista dada hoje, 21, na entrada do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, foi um milagre. Na noite de ontem, Pedro Leonardo, de 24 anos, acordou do coma: um mês depois de sofrer o acidente de carro perto da cidade de Tupaciguara, em Minas Gerais, quando voltava de um show. Leonardo se preparava para fazer um show e só hoje conseguiu visitar o filho: “Nos meus longos 48 anos de vida, foi a melhor notícia que eu tive”, disse
Pedro abriu os olhos por volta das 20h de domingo. Respondeu algumas perguntas feitas pelo médico, entre elas ‘quem era o Leonardo’, respondeu todas. Na manhã de hoje, segundo a assessora de imprensa do cantor, Ede Cury, passou por novos testes simples, perguntou do pai e quando foi informado que seu primo e parceiro na dupla Pedro e Thiago iria fazer uma visita, disse que queria retomar os shows.
No período em que o filho ficou em coma, Leonardo pediu orações aos fãs. Mas mesmo que não pedisse, as redes sociais estariam lotadas de correntes. Mulheres, homens e crianças se aglomerariam na porta do hospital e pediriam para os santos, entidades, anjos, deuses e o que mais existir. Multidões continuariam lotando shows, ainda que com olhar triste. E rezariam antes de dormir pelo filho de Leonardo, que na maioria das vezes foi só uma voz ou uma imagem na tela da televisão. Pediriam (e pediram) que Pedro acordasse. Implorariam um milagre.
E foi exatamente isso que aconteceu. Medicina, milagre ou a força da fé. Cada um tem sua explicação para a melhora de Pedro Leonardo. Mas, no fim das contas, o que importa é que o quadro clínico do rapaz passou do preocupante “grave, porém estável” para o: “agora ele mexeu as pernas”, “hoje ele abriu os olhos”, “de tarde ele conversou com o pai e sorriu”.
E nesse tempo todo Leonardo dividiu com o público e amigos todos os minutos de agonia e os avanços na saúde do filho. As notícias e boletins médicos eram publicados quase que em tempo real no Twitter da Talismã, empresa de Leonardo. A TV, os rádios, a internet e os jornais impressos acompanharam de perto. Leonardo fez questão, show após show, de manter o público informado. E anunciou ontem, na metade do show em Goiás, que o filho tinha acordado. Disse ter tremido.
Essa coisa de fã, de gostar tanto de alguém que está tão distante, de sofrer como se fosse da família é muito louca, de se sentir tão perto de alguém que não tem ideia de quem somos é muito louca. E bonita. Essa comoção nacional só acontece com ídolos. E Leonardo nunca precisou de esforço para ganhar este título.
Pedro Leonardo será submetido a uma cirurgia na perna direita amanhã, 22. A previsão é que ele deixe a UTI na quarta-feira, 23. E a notícia deixou o País feliz.
Fernando e Sorocaba lotam Credicard Hall
- 21 de maio de 2012|
- 2h23|
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Por Cristiane Bomfim
Depois de um intervalo de quase quatro anos, Fernando e Sorocaba voltaram, neste último fim de semana, a se apresentar na mais famosa casa de espetáculos de São Paulo: o Credicard Hall, na zona sul. A primeira apresentação no local ocorreu em novembro de 2008 durante o lançamento do álbum Bala de Prata, que fez a dupla estourar.
Com repertório suficiente para um show longo sem precisar apelar para canções famosas de outros artistas e, de quebra, fazer o público cantar em coro, eles lotaram a casa nos dois dias.
O show de ontem, 20, começou e terminou com É tenso, a penúltima música de trabalho dos cantores. Foram quase duas horas de apresentação em que sequências de músicas animadas eram intercaladas com românticas. Fizeram parte do repertório Celebridade, A casa caiu, Pega eu, Férias em Salvador, Everest, Tô passando mal, Delegada e a mais nova música romântica A verdade. Boa parte das músicas escolhidas faz parte do CD e DVD acústico gravados em outubro do ano passado na Ópera do Arame, cartão postal de Curitiba, no Paraná.
A dupla não precisou criar um mega cenário para chamar a atenção. A interação com o público (que é característica) foi o ponto forte do show. Na metade do espetáculo Sorocaba “desapareceu” do palco para ir parar no meio do público no que ele chamou de “tele transporte”. Depois de cantar duas músicas gravadas por Luan Santana (Um beijo e Você não sabe o que é amor) retornou na bolha, bem conhecida dos fãs da dupla, para o lado de Fernando.
Diferentemente dos shows da maioria dos artistas sertanejos, a apresentação não teve o momento ‘modas de viola’ ou as canções clássicas do estilo, como Boate azul. Mas, em compensação, teve sim alguns minutos dedicados ao axé com refrãos já batidos, como “sou guerreiro, sou praieiro, tô solteiro“. A receita é repetida pela maioria das duplas universitárias e parece que o público não enjoou. E teve ainda a participação de Thaeme e Thiago que cantaram 365 dias, Tchá, tchá, tchá e Perdeu.
“É um orgulho muito grande tocar no Credicard Hall. A casa é muito respeitada, com palco incrível, iluminação também, o som é muito bom”, confessou Sorocaba ao JT depois da apresentação de ontem. Perguntados sobre a demora para voltar à casa, Fernando respondeu que: “nosso show é bem para cima e aqui tem vários lugares que as pessoas ficam sentadas, então nós ficávamos um pouco receosos em fazer show para pessoas sentadas. Não sabíamos como seria a reação. Foi um desafio e deu muito certo. Essa era a hora”, disse.
A dupla comentou ainda a lotação da casa, apesar de terem se apresentado na semana passada no rodeio de Carapicuíba, na região metropolitana. “São Paulo tem muito público. E é um público que frequenta locais diferentes. Nem sempre o povo da periferia vem em para cá (Credicard Hall). E o povo que frequenta aqui não vai para a periferia. Só na grande São Paulo são cerca de 20 milhões de pessoas. Estados como o Mato Grosso do Sul inteiro tem 4 ou 5 milhões de habitantes”.
Marrone faz 1ª voz na gravação do sexto DVD com Bruno
- 18 de maio de 2012|
- 11h59|
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Por Cristiane Bomfim
Sem formalidade ou entrada triunfante Bruno e Marrone subiram no palco do Espaço das Américas, na Barra Funda, zona oeste da capital, na noite de ontem, 17, para gravar o 6° DVD da carreira. Para o repertório foram escolhidas algumas músicas dos álbuns Sonhando e Juras de Amor – os últimos dois da dupla -, além de canções do início da carreira. “Escolhemos algumas músicas que não tínhamos registrado em DVD”, afirmou Bruno antes da apresentação.
A gravação começou pelo meio, às 22h05, com a participação de Michel Teló. É que o cantor ainda tinha que viajar para fazer outro show. Com trechos como “Ele só pensa em fazer amor. Sem compromisso”, a música é a cara de Teló. E a mais animada da noite.
Uma hora de pausa, e os amigos voltaram ao palco. Enquanto esperavam Jorge e Mateus, convidados para cantar Pela porta da frente, Bruno e Marrone aproveitaram para ensaiar, com o público, algumas músicas inéditas. George Henrique e Rodrigo cantaram Receita de amar com os anfitriões. E emendaram Tá bagunçado, sozinhos, enquanto Bruno e Marrone trocavam de roupa.
A surpresa do show foi Marrone fazendo a primeira voz na música 24 horas de amor. Antes, Bruno afirmou que quem diz que seu parceiro não canta é porque não entende muito de música e de primeira e segunda voz. “Eu não escolheria outro parceiro. Marrone é um grande músico e vai fazer a primeira voz”. Empolgada, a plateia aplaudiu, mas Marrone parecia nervoso. E, talvez pareça injusto dizer que a tentativa foi importante para mostrar a importância da voz de Marrone na dupla e deixou claro que cada artista tem sua ‘função’ na parceria.
Ao contrário do que normalmente acontece em gravações de DVDs, a dupla não parecia tão preocupada com a perfeição ou com aqueles detalhes que fazem um show ficar cansativo. O público se animou e se sentiu em casa. Foram 21 canções.
Seis shows em quatro dias
- 16 de maio de 2012|
- 19h15|
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Por Cristiane Bomfim
Tem que diga que a semana ainda está na metade, mas é a partir de hoje que a agenda de shows de artistas sertanejos na cidade começa a esquentar. Hoje, 16, Henrique e Diego se apresentam na Villa Mix, na zona sul de São Paulo. Na concorrente Wood’s, quem comanda o show, também hoje, é a dupla Fred e Gustavo. Tem ainda Tchê Garotos no Via Marquês, na zona oeste.
Amanhã, 17, Bruno e Marrone gravam DVD no Espaço das Américas, na Barra Funda. O show terá participação especial de Michel Teló, Jorge e Mateus e George Henrique e Rodrigo.
O Trio Bravana sobe no palco do Country Beer, que não fica em São Paulo, mas está bem pertinho. Para quem não sabe, a casa fica em São Caetano, na região metropolitana. Sábado e domingo é a vez de Fernando e Sorocaba se apresentarem no Credicard Hall, na zona sul.
Programação intensa para quem gosta de sertanejo, né?
‘Open bar’ de Roger e Rogério surgiu nos 47 minutos do segundo tempo
- 16 de maio de 2012|
- 1h10|
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Por Cristiane Bomfim
Open Bar, música que dá nome ao CD e DVD lançados em março por Roger e Rogério, não estava cotada para fazer parte do trabalho. A canção chegou aos ouvidos dupla duas semanas antes da gravação – como eles dizem, aos 47 minutos do segundo tempo. “E aí não teve jeito. Tudo mudou e tivemos que colocar ela no repertório”, conta Rogério. A versão original, eles contam, sofreu uma pequena mudança: o ritmo sertanejo se misturou com a música eletrônica, graças ao toque da DJ Barbara Sassi.
A música agora é o carro chefe da dupla e faz parte da programação das rádios e baladas de São Paulo. Está conhecida até no exterior, fato que surpreendeu Roger e Rogério, enquanto viajavam na primeira turnê pelos Estados Unidos, em abril deste ano.
“Não imaginávamos que todo mundo saberia cantar nossas músicas. Estávamos até um pouco apreensivos”, confessa Roger. “Uma coisa é quando artistas já consagrados fazer shows fora do País. Nós já somos conhecidos, mas ainda não estamos no mesmo patamar que Gusttavo Lima, por exemplo. E a surpresa foi ótima”, completa ele que já tem 11 anos de carreira ao lado de Rogério e cinco álbuns gravados.
Foram quatro shows. O primeiro foi na cidade de Newark, em Nova Jersey. Depois vieram as apresentações em Bridgeport, Philadelphia e Revere. Todos para brasileiros. No repertório, além de Open Bar, estavam as animadas Tô na boa, Pegada do bebê e Bora zuar.
Os clássicos do sertanejo como Ainda ontem chorei de saudade, Telefone mudo e Fio de cabelo também não ficaram de fora e, a partir do segundo show, tiveram que dividir espaço com a famosa No dia em que saí de casa, música tema do filme Dois Filhos de Francisco, que conta a história de Zezé di Camargo e Luciano.
“Alguns brasileiros estão nos Estados Unidos a pouco tempo. Outros, por mais de 10 ou 15 anos e muitos não podem voltar ao Brasil para rever a família ou amigos. Sabemos que bate aquela saudade e essas músicas fazem chorar mesmo”, conta Rogério.
Depois de uma semana no exterior, a dupla cumpre agenda média de 15 shows na cidade e a divulgação do novo trabalho. O CD e DVD Open Bar foi gravado em outubro do ano passado na Estância Alto da Serra, em São Bernardo, na região metropolitana de São Paulo. O diretor executivo do trabalho é Carlos Lorenceto e a produção musical de David Filho. Tanto CD quanto DVD têm 20 faixas.
Em show, Leonardo se mostra animado com recuperação do filho
- 12 de maio de 2012|
- 18h57|
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Por Cristiane Bomfim
O cantor Leonardo não atendeu a imprensa antes de pisar no palco do Credicard Hall, na zona sul de São Paulo, na noite de ontem. Nem depois da apresentação. O motivo, de acordo com a assessora de imprensa do artista era a pressa para ir ao Hospital Sírio Libanês, onde seu filho Pedro Leonardo está internado desde 26 de abril.
Com repertório cheio de sucessos acumulados em 28 anos de carreira, Leonardo iniciou a apresentação às 22h40 com a música Zuar e Beber (do álbum de 2010). Depois vieram as clássicas Entre tapas e beijos (gravada em 1990 com seu irmão Leandro), Temporal de amor (1992).
A casa de shows não estava lotada e o público – formado, principalmente, por mulheres - parecia desanimado. Ou tão chateado e preocupado com a saúde de Pedro Leonardo quanto o cantor. E talvez por isso, o sertanejo tenha escolhido um show diferente da sua turnê de estrada: músicas que todo mundo sabe cantar, intercalando as animadas e as mais românticas. Não faltaram canções de seu último álbum como Stand by me.
A situação só mudou depois que Leonardo disse que estava “conseguindo sorrir um pouco” porque seu filho “passou por maus momentos, mas está melhorando”. “Hoje, ele chutou com as duas pernas e mexeu as mãos. Agora está nas mãos de Deus”, disse falou antes de agradecer aos fãs pelas orações. A canção Um sonhador foi a escolhida como homenagem.
O show teve duas horas de duração e 35 músicas. Leonardo faz o segundo show na casa hoje, 12, a partir das 22h. Veja o repertório:
1. Zuar e beber
2. Entre tapas e beijos
3. Temporal de amor
4. Vou chorar
5. Esta noite foi maravilhosa
6. Fantasias
7. Cumade e cumpade
8. Ei Goiânia
9. Um sonhador
10. Não aprendi dizer adeus
11. Por favor, reza pra nós
12. Pega fogo, cabaré
13. Alucinação
14. Cerveja
15. Esse alguém sou eu
16. Cara errado
17. Talismã
18. Horizonte azul
19. Sonho por sonho
20. Latinha na mão
21. Água de côco
22. La barca
23. Na hora do adeus
24. Eu não sou cachorro não
25. Stand by me
26. Mano
27. Pensa em mim
28. A malvada
29. Bay fala pra mim
30. Não olhe assim
31. Cadê você
32. Festa de rodeio
33. Além do sol, além do mar
34. Beber, beber
35. Bebemorar
Eduardo Costa fala sobre música, gostos e manias. Entrevista exclusiva
- 3 de abril de 2012|
- 7h30|
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Por Cristiane Bomfim
Minutos antes de subir no palco, o cantor sertanejo Eduardo Costa se olha no espelho. Primeiro, de frente. Depois, de lado. Pede a opinião dos produtores e do seu estilista pessoal. Olha mais uma vez para o espelho e levanta a camiseta branca. Eduardo é um cara vaidoso, gosta de malhar (duas horas por dia, menos nos fins de semana), e vestir roupas coladas ao corpo. Anda sempre perfumado, tem dezenas de botas (mas diz que acaba usando sempre a mesma nos shows). Aprendeu a se maquiar para disfarçar as irregularidades da pele e prefere produtos da marca MAC.
“Eu não sou vaidoso. Dizem que quem se olha muito no espelho é inseguro. Acho que é o meu caso”, diz o cantor ao ser perguntado sobre o assunto. Uma marca de expressão entre os dois olhos o incomoda. “Fico com cara de bravo. Já fiz preenchimento, mas não resolve”, continua.
Embora negue, a vaidade fica explícita nas fotos que o cantor publica nas redes sociais: a maioria sem camisa. “É que eu sempre gostei de andar sem camisa, mas antes não fotografava porque tinha uma barriguinha”, explica. E a vaidade também ficou clara quando, em tom de brincadeira, o cantor disse que gostaria de ter uma estátua ou dar nome a um viaduto. Tudo isso porque ele foi perguntado se acha que será um artista famoso e lembrado depois da morte.
Eduardo também tem manias. Confessa que gosta de pensar na decoração da casa e que ela esteja sempre muito bem arrumada com cada coisa em seu lugar. As roupas devem estar alinhadas no guarda-roupa. E diz que se sente incomodado se, por exemplo, os interruptores de um cômodo estiverem virados para lados opostos.
Aos 33 anos, Eduardo Costa comemora o sucesso da carreira que insistiu em demorar para acontecer. No início de março, lotou o Credicard Hall, em São Paulo, nas duas apresentações da turnê De pele, Alma e Coração. Solteiro e com dinheiro, diz que “ainda se diverte com as mulheres erradas até encontrar a certa” para, só então, poder casar. Mas sua principal preocupação hoje é manter uma carreira sólida e longa como o seu maior ídolo, o também sertanejo Leonardo, fez. E quando o assunto é música, o cantor fica sério e fala com a autoridade de quem já ralou muito para fazer sucesso
O JT esteve com Eduardo Costa no dia 2 de março. O encontro foi no hotel Bourbon, no centro, onde ele costuma se hospedar quando está em São Paulo. A conversa começou no quarto quando ele ainda se maquiava e definia – com seu estilista – quais roupas levaria para usar na apresentação do Credicard Hall. E o papo, divertidíssimo, continuou na van a caminho da casa de show e no camarim.
Por ser muito longa, a entrevista será publicada em partes, com direito a fotos e alguns áudios dos melhores trechos.
JT – Qual foi a pergunta que você mais respondeu para jornalista?
Eduardo Costa – Não é bem pergunta. As pessoas sempre têm um pouco de medo de mim. Acho que eu tenho cara de bravo. Mas o que mais fizeram nesse tempo todo foi a comparação da minha voz com a do Zezé di Camargo. Foi uma coisa que me encheu o saco demais. Foi a coisa que mais falaram na minha cabeça. Virou um coro de gente falando disso.
JT – Isso ainda incomoda ou já passou?
Eduardo Costa – Incomoda ainda, mas eu não deixo transparecer. Respondo normalmente porque eu nunca quis imitar o Zezé. Nem outro artista. E se eu quisesse imitar alguém, imitaria o Leonardo, porque eu sou fã do Leonardo demais. E gosto do Zezé também e acho que todo mundo gosta. Mas o cara que eu mais gosto é o Leonardo, eu gosto dele como artista, como ser humano, como humorista. E eu não quero imitar ninguém. Mas, se um dia eu tivesse que imitar alguém seria o Leonardo. E eu até acho que eu tenho um pouquinho dele. Como nós somos muito amigos, acabamos tendo coisas em comum.
JT – Qual é o preço do sucesso?
Eduardo Costa –Não tem preço não. Sucesso é só coisa boa. Acho que o preço do meu sucesso é o mesmo que o de um engenheiro, de qualquer pessoa bem sucedida. Você trabalha mais, você tem que dar mais atenção, tem que se preocupar com o que você fala, com o que você faz. Você tem que ser um bom exemplo. Mas eu acho que é isso. Eu busquei isso. Eu procuro levar uma vida extremamente normal. Meus fãs me respeitam muito e eu acho que eu consegui uma coisa muito importante que é credibilidade. Quando eu gravo um CD, as pessoas não querem ouvir primeiro para depois comprar. Elas compram e depois ouvem. Poucos artistas tem esse privilégio hoje, principalmente na atual circunstância por qual passa nossa música.
JT – Você disse que tem que se preocupar mais com o que fala, com o que faz. Você se preocupa em ser exemplo mesmo?
Eduardo Costa –Eu tento. Tenho fãs crianças que gostam das minhas músicas e jovens que estão começando a vida agora e que gostam da minha história de vida, gostam do que eu faço, do que eu falo. Antigamente eu era um cara mais desleixado. Eu falava bobagens de cachaça, de bebida alcoólica. E continuo falando. Só que hoje, moderadamente. E o conselho que eu dou para as pessoas é que tem que ter um motivo para beber. E depois, quando for beber, se preocupar com a quantidade. Tem gente que acha que o mundo vai acabar em cachaça e tem que beber tudo no mesmo dia. As pessoas têm que se divertir, mas com moderação. Eu tenho uma filha pequena (com cinco anos) e me preocupo em ser um bom exemplo.
JT – O que é ser um bom exemplo?
Eduardo Costa – Existe uma diferença entre você ser um fake. Tentar ser um exemplo e não ser e realmente ser um bom exemplo. Eu acho que eu sou um bom exemplo. Eu não fico fazendo média com ninguém. Não quero agradar ninguém, quero ser um bom exemplo porque acho que Deus me cobra isso. Até pelo dom que ele me deu. Eu quero ser um bom exemplo porque Deus pode tomar o dom que me deu. Isso acontece com um monte de artistas. Um bom exemplo é um homem que paga as contas em dia, que se preocupa em ser um bom filho, ser um bom pai, em não mexer com drogas pesadas. (Um bom exemplo) é ser um cara se preocupa com os horários. Eu tenho compromisso com meus fãs.
JT – Antes do sucesso você passou muita necessidade. Qual foi a primeira coisa que você comprou quando ganhou dinheiro?
Eduardo Costa – Eu passei até fome. O primeiro dinheirinho que eu ganhei foi um empresário quem me deu. Eram R$ 30 mil na época. Nesse dia eu não tinha nem R$ 10 no bolso, nem expectativa de onde arrumar. Lembro que peguei R$ 20 mil e dei para minha mãe e pedi para ela usar só em extrema necessidade. Peguei os R$ 10 mil e guardei. E fui no supermercado e comprei R$ 2 mil de arroz, feijão, macarrão, massa de tomate e sardinha. Eu lembro que quase chegou um caminhão em casa. E eu comprei do arroz mais barato. Deu uns 150 pacotes de arroz. Aí eu pensei: “fome eu não passo tão cedo. Eu como esse trem até vencido”. Isso faz oito anos. Foi quando eu gravei meu primeiro CD.
JT – Quando você sentiu que já podia esbanjar um pouco mais, o que você comprou?
Eduardo Costa – Foi uma caminhonete Dakota preta linda. Modéstia parte eu sempre tive muito bom gosto para casa e carro. Sou muito enjoado e bem detalhista. Sou um cara que cuida de casa. Eu saio para comprar lençol, roupa de cama. Quando eu casar, minha mulher não vai precisar se preocupar com essas coisas, porque são coisas que eu tenho paixão. Eu gosto de decorar a casa, de desenhar os móveis. A primeira casa que eu comprei foi para minha mãe e depois para o meu pai, já que eles são separados. E depois comprei um sítio para eu morar. Aí depois eu tive Ferrari e essas coisas de velho. Tipo, Ferrari para mim é um carro de velho. Quando vejo uma parece que vai sair um velho de dentro dela. Por exemplo, eu tive uma Lamborghini, aí um dia eu desanimei porque fui em um restaurante perto de casa e parou uma Lamborghini igual a minha. Desceu um senhor do carro, ele tinha uma bermuda no joelho, um tênis, uma meia na canela e estava de boné. Aí eu desanimei. Hoje eu gosto de carro potente e mais barato. Descobri que esses carros esportivos caros são para velhos porque jovens não têm condições de comprar. E eu também gosto de moto, a minha favorita é uma chamada Aprilia, que é importada e muito bonita e gosto de moto esportiva da Yamaha também.
JT – Como você escolhe o repertório?
Eduardo Costa – Eu pego alguns CDs de compositores, de pessoas que me mandam, seleciono as que mais gosto. Só eu escolho e não passa pelo meu produtor que é o César Augusto, um dos melhores do Brasil. Normalmente eu ouço os CDS no carro. Aí nessa hora eu até gosto de trânsito. E a música tem que me arrepiar. Se eu eu for gravar 15 músicas, eu seleciono 10 e cinco eu tenho obrigação de fazer. Eu me cobro isso.
JT – E é difícil compor?
Eduardo Costa – É difícil. Porque eu não componho por compor. Eu só componho quando estou inspirado e não é sempre que eu estou. Eu tenho uma regrinha de compor de noite. E maioria sai de dia. Mas pela minha cabeça tem que ser de noite. Às vezes pinta um clima aqui e agora eu guardo a ideia e escrevo em casa. E eu faço dois tipos de música: ou muito melosa ou muito engraçada.
JT – Você gosta mais das músicas melosas ou das engraçadas?
Eduardo Costa – Existe momento pra tudo. Eu me preocupo com o momento. Quando gravo um CD, me preocupo com o momento em que as pessoas vão estar ouvindo ele. Se ela está feliz, ela vai acordar no domingo e lavar o carro – é uma coisa que eu gosto de fazer – aí você não vai colocar uma musica melosa. Tem que ser uma coisa mais agitada Você vai malhar ouvindo Julio Iglesias? Você começa a chorar.
JT – E a mulherada?
Eduardo Costa – A mulherada fala que eu sou galinha. Eu já falei que eu não sou galinha. Eu sou cachorro. É diferente. Eu não encontrei a pessoa certa e estou me divertindo com as erradas.
JT – Por ser famoso, você acha que pegam mais no pé e controlam mais a sua vida pessoal?
Eduardo Costa – Eu não ligo não. Até porque nunca fui de beijar na rua. Se eu beijar um beijo muito gostoso. Sabe aquele beijo? Se eu beijar esse beijo, eu tenho que transar. Eu não consigo dar aquele beijo em uma mulher e só ficar naquilo.
JT – Daqui 20, 30 anos como você imagina sua carreira?
Eduardo Costa – Eu tenho hoje 33 anos. Quero chegar aos 50 anos e não precisar mais me preocupar com quantos shows eu preciso fazer no mês. Eu quero ter uma carreira bonita. Por isso que eu não gravo qualquer coisa. Quando chegar nessa idade, quero fazer poucos shows para que as pessoas possam apreciar uma boa música, mas sem exageros. Até porque a gente tem que se preocupar com o futuro, porque as coisas passam, o mundo dá muita volta, a gente não sabe o que vai acontecer. Então eu quero fazer um pé-de-meia, montar uma vida estruturada. Eu vejo tantos artistas se preocupando em fazer shows. Eu não sei se eles estão precisando de dinheiro ou se de fato ele quer se autoafirmar como artista, apesar de não precisar mais. Mas a gente vê uns artistas correndo atrás do sucesso numa idade em que eles já não precisavam mais disso.
JT – Você se preocupa em não lotar casas de shows?
Eduardo Costa – Sim. Chegar num parque de exposições que cabe 20 mil pessoas e só ter 3 mil me preocupa. A gente tem que pedir a Deus para que não aconteça. Aí a gente vê vários artistas que tinham uma carreira bonita, bacana e que podiam ter segurado um pouquinho, feito menos shows, aparecido menos na TV e dado menos a cara. E as pessoas enjoam de ver artista: está toda hora na TV, na internet.
JT – É por isso que você não está sempre na mídia?
Eduardo Costa – Eu não gosto, porque eu acho que as pessoas tem que ter vontade de ir no meu show. E tem artista que está toda hora em todo lugar. Você liga a TV, o cara está lá. Liga o rádio, o cara está lá. Liga o computador, o cara está lá. Ninguém aguenta mais ver o cara. Tem gente que vai no show para ouvir uma música, depois vira fã, mas se voê está o tempo inteiro atazanando a vida do cara no rádio, na internet, na TV, ele cansa. Eu gosto de tocar no rádio, mas acho que tem um limite.
JT – Qual é o peso de programas de TV para a carreira
Eduardo Costa – Claro que o Faustão é importante e todo programa de TV é importante. Só que tem que ser natural. Se você ficar forçando a barra para ir, as pessoas não vão entender o que você está fazendo ali. O legal é ser convidado. Se o cara não te convida, é sinal que você não está fazendo falta lá, entendeu? Tem alguns programas que eu tinha vontade de ir, até porque eu gosto do apresentador.
JT – Quais programas são esses?
Eduardo Costa – Eu gosto da Marília Gabriela, por exemplo. E tenho vontade de ir num programa dela. Mas não porque eu queira aparecer, mas porque eu tenho vontade de conhecer a Marília Gabriela. Eu gosto do Jô Soares e gostaria de ir no programa dele. E para ir no programa dele tem até que ter um pouco de cautela para não passar do bonito para o feio.
JT – Você acha que é um cantor sertanejo ou romântico?
Eduardo Costa – Eu acho que eu sou um cantor de música sertaneja e um cantor romântico. Porque a verdade é que música sertaneja hoje não existe mais. Até as músicas que Leandro e Leonardo, Chitãozinho e Xororó cantavam nos anos 1990 já não eram sertanejas. Sertanejo é Tião Carreiro e Pardinho, Milionário e José Rico, Léo Canhoto e Robertinho. Essa música que nós cantamos é a música popular brasileira. MPB é essa que está no rádio o tempo inteiro, que se você vai numa festa de 12 anos, de 15 anos, de 17 anos, de 30 anos, de 50 anos, de 100 anos, a música está lá. Podem até achar que é outro estilo, mas a música popular brasileira é essa.
JT – Como você reage quando dizem que música de verdade é Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e por aí vai? Ainda existe o preconceito?
Eduardo Costa – Eu estudei instrumentos e estudo até hoje. Os meus músicos estudaram música. A nossa música é rica. A música sertaneja é cheia de mistura e gente competente. É claro que tem um monte de gente incompetente que faz também. Mas os que se prontificaram a fazer bem feito, fizeram com autoridade. Existe porcaria em todos os tipos de música. Existe porcaria no rock, no forró e no nosso estilo existe mais porcaria que em todos os outros porque é o que mais faz sucesso. Então, hoje pode-se dizer que 95% do que se faz é ruim.
JT – Como você reage quando é colocado dentro dessa cesta do ruim, do brega, do cafona, do comercial?
Eduardo Costa – Isso mexe com minha vaidade. Porque eu me preocupo de fato com isso. Eu tenho uma das melhores bandas do Brasil para me acompanhar. E me preocupo com a musicalidade. Então quando alguém fala que eu sou ruim, eu queria que ele provasse onde eu sou ruim. Porque aí eu vou colocar numa balança e ver onde estou errando. O cara tem direito de não gostar do estilo que eu faço. Mas dentro do que eu me propus a fazer, posso dizer que faço com autoridade. E eu tenho obrigação de ser bom porque vivo disso.
JT – Você acha que vai ser lembrado para sempre? Você gostaria de daqui 50, 60, 70 anos ser lembrado?
Eduardo Costa – Eu sou da seguinte opinião: morre o homem fica a fama. Eu queria ser lembrado. Queria até ter uma estátua, um viaduto, uma rua. Rua Eduardo Costa. Mas não põe Edson (o nome verdadeiro do cantor), tem que ser Eduardo Costa. Eu penso nisso. Eu queria ser bem lembrado. Mas Deus sabe o que faz e eu quero que Ele me dê inspiração para que eu possa ter censo crítico. Não quero me achar bom e não ser. Para que eu tenha noção do eu estou fazendo e não fique achando que sou o bom e todo mundo rindo da minha cara lá na rua.
JT – Você tem vontade de cantar no exterior?
Eduardo Costa – Não. Tenho nada. O dia que você ouvir que um artista nosso está fazendo sucesso no exterior, tem até que investigar porque a nossa língua é muito complicada de se entender e de se falar. Raramente as pessoas vão consumir a nossa música em outros lugares do mundo por causa da nossa língua. Não por causa da nossa musicalidade. Já tem seis anos que eu faço shows nos Estados Unidos e na Europa, só que é para brasileiro. Não vai gringo porque eles não entendem nada. Tirando o Tom Jobim, que foi um cara que de fato pegou o outro público por causa da bossa nova, eu não conheço outro artista brasileiro que foi para fora e fez sucesso.
JT – Você gosta de fazer shows em lugares populares?
Eduardo Costa – Eu gosto de fazer porque eu sou um artista que vive de rádio. O público que liga pra rádio para pedir a minha música é aquele público. Então eu não posso agora que sou um artista grande, deixar de atender eles, senão daqui a pouco eu volto a ser pequeno, entendeu? E não é porque estou precisando fazer show, é porque eu acho que essas pessoas precisam de mim, elas gostam de mim, elas que me mantém no lugar que eu estou. E é ótimo. Eu prefiro o povão, claro que fazer show nas casas bacanas é legal demais. Você precisa manter todos os públicos.
Compositor de sucessos forma dupla e já tem primeiro CD
- 2 de abril de 2012|
- 18h40|
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Por Cristiane Bomfim
Com mais de 350 músicas gravadas nas vozes de artistas como Edson e Hudson, Daniel e Zezé di Camargo e Luciano, mas ainda desconhecido do público que ouve música sertaneja, no meio de 2011 o compositor e produtor musical José Flavio Alencar Devesa, o Flavinho, decidiu investir de verdade na carreira de cantor e formou uma dupla com André Ferreira de Souza, o Chander, também músico.
“Eu conheço o Chander da época em que tocava em barzinhos, mas acabamos nos distanciando”, conta Flavinho. Na época, seu atual parceiro formava com o pai a dupla Chander e Chibante (que durou 20 anos). Encontros aqui e outros ali, e há três anos Chander pediu para Flavinho ser seu parceiro numa dupla pela primeira vez. “No fim de 2010 eu aceitei”, diz Flavinho.
Pouco tempo depois os dois foram para o estúdio e gravaram o primeiro CD, lançado no fim do ano passado. Escolheram, entre 12 faixas, Que Papo de Jacaré para ser a música de trabalho. A 13ª faixa é bônus. “É uma música bem humorada, que tem tudo a ver com a gente”, conta Chander. O álbum é praticamente autoral, sete músicas tem autoria de Flavinho, sendo duas junto com Chander.
Flavinho compõe há 12 anos e descobriu que era bom no assunto sem querer. Tudo porque em 1997 recebeu a missão de compor músicas sertanejas para a dupla Edson e Hudson. A ordem foi dada pelo empresário dos irmãos. “O Raulzinho, filho da Raul Gil chegou em casa com um monte de CDs de música country e disse que eu tinha 20 dias para escrever músicas novas”, lembra. Três entraram no álbum lançado naquele mesmo ano: Eu não sou como ele, Outra vez a paixão e Briga de Salão.
“Sabe que não foi difícil, não?”, brinca Flavinho que começou “com esses negócios de música” por necessidade. “Meu pai faleceu e meus três irmãos são mais novos que eu. Tinha que ajudar a levar o leite pra casa. “Pouco tempo depois, uma dupla amiga do meu pai ficou sabendo que eu estava tocando guitarra e me chamaram para tocar com eles. Passou um tempinho e eu já era o guitarrista mais requisitado na região da (Avenida) Robert Kennedy (avenida na zona sul da capital, com muito bares). Foi nessa época que Flavinho conheceu Chander. Sempre na noite paulistana, entre uma e outra apresentação.
Flavinho tocou na banda da dupla Tiãozinho e Alessandro, formada, respectivamente, pelos irmãos de Chitãozinho e Xororó e Leandro e Leonardo. A dupla não deu certo e assim que foi desfeita, Flavinho passou a ir mais para Limeira, no interior paulista, onde encontrava Edson e Hudson. “Eu andava mais com o Chander nessa época. Temos tantas histórias juntos”, diz.
Então, decidiu ser o principal artista e formou sua primeira dupla: Flávio e Alexandre. Não deu certo, porque segundo Flávinho, seu parceiro era “um pouco acomodado”. Foi só quando o pai de Chander deixou de cantar que Flavinho aceitou formar, finalmente, a parceria Chander e Flavinho.
Compositor
Para quem não sabe, Flavinho é o compositor de músicas como: Galera coração, Esqueça que eu te amo e Deixa eu te amar, todas de Edson e Hudson. E não para por aí. Zezé di Camargo e Luciano ganharam o Grammy Latino com a música Um amor pra vida inteira, que tem Flavinho como compositor, arranjador e músico.
Estão na lista também Vamos fazer festa (Edson e Hudson), Clube do batidão (Rionegro e Solimões), O carro dela quebrou (Rionegro e Solimões), Por amor vai sofrer (Daniel). “Como produtor e compositor eu já sou conceituado. Mas como dupla é novidade. Pouca gente conhece. Voltei ao zero, mas não tenho frio na barriga porque sou muito tranquilo. O Chander que quase desmaiou no nosso primeiro show”, denunciou Flavinho.

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