‘2012 será o grande ano dos games no Brasil’
- 29 de março de 2012|
- 4h00|
- Por João Coscelli
Na semana passada a Gfk Consumer Choices divulgou uma pesquisa revelando que as vendas de videogames no Brasil cresceram 53% no ano passado em relação a 2010. Nada mal, considerando que estes são dados referentes somente ao mercado formal. Mas o verdadeiro boom do mercado brasileiro deve ocorrer agora em 2012, segundo André Martins, diretor-executivo da Tambor Digital, consultora do ramo e organizadora da GameWorld, conferência de videogames destinada também à parte business do ramo. “No Brasil, temos que separar o mercado em antes e depois de 2011. Foi um ano de bastante crescimento, e achamos que nem mesmo vai se comparar a 2012”, diz.
Em entrevista ao Modo Arcade, Martins falou sobre a atual situação do mercado nacional e sua competitividade, do promissor cenário para os próximos anos e sobre o interesse internacional nos consumidores brasileiros. Para ele, o mercado está aquecido e é hora das “oportunidades”. Veja a íntegra da conversa.
MODO ARCADE: O mercado brasileiro de videogames se desenvolveu na última década?
ANDRÉ MARTINS: Do final dos anos 90 para cá, passamos de um mercado predominantemente cinza (cujos produtos não passam pelas vias legais, não sendo taxados ou classificados, por exemplo), com poucos distribuidores e representantes oficiais para um mercado mais desenvolvido. As publishers começaram a chegar e montar centros de produção e distribuição, e houve a entrada das grandes redes varejistas no ramo. Isso deixa o cenário com uma composição maior, muda a lógica do negócio.
MODO ARCADE: Como esse enfraquecimento do chamado “mercado cinza” ajuda no desenvolvimento?
ANDRÉ MARTINS: O mercado cinza desvaloriza o mercado nacional. Quando o produto é feito, prensado ou entra legalmente no Brasil, entra nas contas e nos resultados do País. Se vem do Paraguai ou de Miami, mesmo que por vias legais, como fazem pequenos comerciantes, por exemplo, entram no resultado da América Latina ou dos Estados Unidos. Com as fabricantes e publishers no território nacional, os números se fortalecem e elas ganham mais força e poder de barganha para pleitear mais investimentos. É importante pelo recolhimento de impostos, mas também é do ponto de vista econômico.
MODO ARCADE: A pesquisa mostrou um bom resultado do crescimento em 2011. O cenário é promissor?
ANDRÉ MARTINS: Temos que pensar no mercado brasileiro em dois momentos – antes de 2011 e depois de 2011. As publishers chegaram e começaram a prensar blu-rays e DVDs aqui, o que antes não acontecia. O Brasil passou quase ileso pela crise e os investimentos têm sido direcionados para cá. Houve, por exemplo, a chegada da Microsoft, que passou a fabricar o Xbox 360 e reduziu o preço do console, obrigando a cadeia inteira a se reciclar. O cenário é bastante positivo.
MODO ARCADE: E porque acha que este ano vai superar 2011?
ANDRÉ MARTINS: No ano passado tivemos poucos jogos prensados oficialmente no Brasil. Em 2012 teremos uma gama muito maior, o que vai fazer com que o preço dos jogos caia entre R$ 30 e R$ 40, ou seja, o preço médio vai para R$ 139, R$129. Um jogo nos Estados Unidos custa entre US$ 50 e US$ 60, e se você somar taxas de importação, não fica muito mais barato que comprar por aqui. Assim, os jogos brasileiros passam a ter competitividade com os do exterior. Além disso, os jogos produzidos aqui têm dublagem e legendagem em português, o que atrai muito público. O consumo só tende a aumentar.
MODO ARCADE: E existe algum fator externo diretamente ligado a esse crescimento?
ANDRÉ MARTINS: O Brasil é sempre citado como um dos principais países emergentes e serve como apoio para absorver o que não tem sido vendido no exterior por causa da crise. Mesmo com um mercado de games pequeno em comparação à Europa, ao Japão e aos Estados Unidos (embora seja o segundo maior da América Latina, atrás apenas do México), atrai investimentos. Com pouco dinheiro, faz-se muita coisa por aqui, já que o custo de produção, por exemplo, é mais baixo e os produtos já vêm amortizados. Estamos em um estágio de passagem do investimento pequeno para o investimento médio, mas que ajuda toda a cadeia, da produção ao consumo final.
MODO ARCADE: Que tipo de discussão sobre o mercado haverá na GameWorld?
ANDRÉ MARTINS: Quem é do ramo do desenvolvimento terá a oportunidade para se “reciclar” com as palestras e workshops, além de poder fazer contatos, trocar experiências e fechar negócios, uma vez que os convidados serão desde professores universitários da área de desenvolvimento de games até produtores internacionais para jogos mobile. O mercado varejista, por sua vez, vai ter oportunidade de entender como é o público com o qual está lidando, que é um público passional. A convenção é importante porque reúne todos os fragmentos que compõem o ramo – conteúdo, desenvolvimento, público final.
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A GameWorld ocorre entre os dias 30 de março e 1º de abril no Centro de Convenções do Shopping Frei Caneca, em São Paulo. Os ingressos podem ser adquiridos pelo site do evento, que está em sua terceira edição.
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