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E3 2012: Nintendo mantém conceito de ‘console família’ e aposta em integração

  • 5 de junho de 2012|
  • 15h23|
  • Por João Coscelli

A Nintendo confirmou a tendência da E3 deste ano – a integração com outros dispositivos e a ampliação do leque de funções dos consoles é o futuro dos videogames. Última das três grandes fabricantes a se apresentar, a companhia japonesa revelou mais detalhes sobre sua nova plataforma – o Wii U, que será lançado ainda este ano – e sobre sua própria rede social – o Miiverse, que promete conectar os jogadores. Sobre os novos jogos, pouca euforia, uma vez que quase todos os conhecidos mascotes ficaram de fora.

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Com o Wii U, a Nintendo larga na frente na corrida da nova geração de consoles. A proposta do videogame é agradar tanto o público mais ávido quando os jogadores casuais. A plataforma tem um controle – o gamepad – com uma tela própria que tem funções diversas, dependendo do jogo. O mais importante, porém, é que os games funcionam com as duas telas simultaneamente – da televisão e do controle, conceito apresentado como o “jogar assimétrico” – ou apenas com o gamepad.

O gamepad, aliás, é uma atração à parte. Cada Wii U suportará dois deles, que parecem um portátil de proporções exageradas com sensores de equilíbrio, sensor geomagnético e giroscópio, tudo para não perder a mania de controle de movimento lançada desde o Wii. Câmera e microfone também compõem o gamepad. Ah, também tem botões.

O console, apresentado como “o aparelho que vai revolucionar sua sala”, terá funções de televisão, suportando Youtube, Netflix, Amazon Video e outros sistemas de vídeo. Mas tudo isso ficou para mais tarde. O foco, além dos jogos, foi o próprio funcionamento do Wii U e o Miiverse.

Nas palavras de Reggie Fils-Aime, CEO da Nintendo americana e a figura comum que comanda a apresentação da empresa na E3, o objetivo do Wii U é fazer com que os jogos sejam sociabilizados, que eles sejam compartilhados e experimentados em conjunto entre jogadores. A ideia, disse, é simples – se é junto, é melhor.

Por isso a Nintendo insistiu em uma plataforma acessível a todos os membros da família – da priminha com menos de 10 anos até a vovó – e cheia de jogos nos quais é possível compartilhar resultados, trocar informações, enviar mensagens e interagir de diversas formas com outros jogadores.

A proposta da empresa ficou clara: investir novamente no conceito de “console família”, a fórmula que lhe rendeu rios de dinheiro há alguns anos. Mas a introdução de mais um hardware, já que, aparentemente, os antigos controles do Wii serão usados para jogar, pode afastar o público hardcore. Esta fator, aliado à carência de bons títulos, foi o responsável pela decadência do Wii nos últimos anos, o que acelerou o desenvolvimento da nova plataforma.

Os conceitos apresentados abrem muitas possibilidades para atrair todos os tipos de público, mas com o lançamento do Wii U marcado para no máximo daqui seis meses a Nintendo tem pouco tempo para preparar grandes jogos e colocar o console no mercado abocanhando a parcela de consumidores que perdeu para a concorrência. As ideias são interessantes, mas é o modo como ela será aplicada que vai ditar o futuro do Wii U.

Assistiu à apresentação da Nintendo? Do que mais gostou? Veja a apresentação abaixo.

Nintendo em queda livre

  • 26 de abril de 2012|
  • 11h25|
  • Por João Coscelli


O iminente finalmente aconteceu: a Nintendo anunciou ter registrado prejuízo financeiro em um período anual pela primeira vez em sua história. A companhia informou ter perdido US$ 533 milhões no ano fiscal de 2011 (abril de 2011 a março de 2012). No ano fiscal anterior, o lucro foi de US$ 954 milhões.

O golpe ainda foi menor do que se previa. A própria Nintendo esperava perder US$ 800 milhões no período, devido às baixas vendas de seus consoles, ao crescimento dos concorrentes e à valorização do iene.

Vamos a alguns números: para o ano fiscal de 2011, a Nintendo pretendia vender 13 milhões de Wiis. Vendeu 9,8 milhões. A meta para o novo 3DS era de 16 milhões de unidades vendidas, mas despachou somente 13,5 milhões. Com o DS, o cenário é ainda pior, pois dos 11 milhões de unidades que queria vender, a companhia só conseguiu metade.

Os números só evidenciam o que todos já haviam percebido – a Nintendo está em queda livre. Embora o Wii seja o console da atual geração com o maior número de unidades vendidas (até março eram 95 milhões, contra 67 milhões do Xbox360 e 62 milhões do PlayStation 3), perdeu sua mágica e já agoniza seus últimos momentos, uma vez que seu sucessor, o Wii U, foi anunciado e deve ser lançado ainda neste ano. A falta de jogos bons e de peso também o faz ser preterido em relação aos concorrentes.

E no mercado dos portáteis, onde a companhia sempre reinou absoluta com Gameboys e DSs, o cenário mudou. O crescimento dos jogos mobile e a chegada do PlayStation Vita, um senhor concorrente, sacudiram a tranquilidade de Mario e cia e obrigaram a Nintendo a baixar os preços do 3DS, reduzindo os lucros.

Mas será esse o começo do fim da Nintendo? Não. Assim como a mesma pergunta foi feita quando Xbox e PlayStation 2 massacraram o Gamecube na década passada, a mesma resposta é dada. A empresa tem nome e franquias de peso e isso sempre a garantirá como uma das gigantes do mercado. O diretores se mostram otimistas e acreditam que 2012 possa ser um ano de lucros, ainda mais com a chegada de um novo jogo 2D do Mario. Mas depois de ir às alturas e vender o Wii e DS como se fosse pão quente, a companhia se depara com um panorama um pouco diferente e pode atravessar um período de vacas mais magras.

O Wii U deve ser apresentado em junho, durante a E3, enquanto o 3DS ainda tem tempo para se consolidar. O primeiro, embora diferente de tudo o que se viu até agora, não empolgou muito (e tem um dos piores nomes de console da história dos games, convenhamos). O segundo vai brigar com o Vita, e a briga vai ser boa. E a aposta da Nintendo para sair dessa será a mesma que a tirou do buraco na geração passada – a inovação.

Bem, estamos esperando. Já fomos surpreendidos, e queremos ser novamente. Só esperemos que o próximo console não deixe os chamados jogadores hardcore tão carentes como ocorreu com o Wii, pois esse é um dos principais fatores que contribuiu com a queda nas vendas da plataforma. Os celulares passaram a ocupar o mercado os jogos casuais e essa é a oportunidade de a Nintendo recuperar seus fãs perdidos nos últimos anos.


Quem Faz
João Coscelli é jornalista por profissão e gamer por paixão. Marca golaços, acaba com hordas inteiras de zumbis, salva princesas e o mundo desde criança. É daqueles que vê nos videogames uma fonte de entretenimento, mas também os considera coisa séria.
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