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Próximo chega para fortalecer mercado brasileiro

  • 15 de março de 2013|
  • 11h14|
  • Por João Coscelli

 Caio Junqueira e Yves van Hemelryck

O mercado de games no Brasil ganhou um reforço na área do varejo em dezembro com a chegada da Próximo. Absorvida pelo fundo de investimentos norte-americano Brickell Global LLC em 2012, a rede deu início a um plano de expansão que visa também o fortalecimento da indústria no Brasil.

“Vamos manter um relacionamento bom com nossos concorrentes para termos uma força maior e melhorar as práticas que são exercidas no mercado, oferecendo uma condição favorável ao consumidor final”, afirmam Caio Junqueira, diretor de negócios para varejo físico, e Yves van Hemelryck, diretor de negócios para e-commerce, ao Modo Arcade. Abaixo, a entrevista completa na qual os executivos revelam o que a Próximo traz de novo para o Brasil e quais as avaliações que fazem do mercado nacional.

Por que o fundo de investimentos escolheu injetar dinheiro no Brasil?

O que se observou no mercado brasileiro e na América Latina foi esse crescimento na casa dos dois dígitos, um nível superior ao americano e ao europeu. O fundo acredita que os diferenciais que oferecemos agregam mais coisas para o cliente. Mas a principal motivação é que aqui tudo é muito pulverizado, não há um agente que consolidou e “blindou” o mercado, como a Gamestop, nos Estados Unidos. O mercado brasileiro é formado por pequenos agentes independentes.

Vocês chegam com a proposta de aproximar todos os agentes do mercado. Como planejam fazer isso?

Nossa atuação vai muito mais além das parcerias. Temos uma excelente relação com publishers, distribuidoras e associações, procuramos patrocinar eventos como o fórum de discussão da ACIGames e vamos participar de feiras como a Brasil Game Show. Buscamos parcerias também com formadores de opinião, como blogueiros, que são conhecidos nesse meio, tudo em prol da formalização do mercado.

O que falta para que os agentes do mercado passem a agir juntos?

De uma forma geral, as lojas especializadas são muito independentes, não atuam próximas umas das outras. O que se verifica no Brasil é um mercado muito solto, onde cada um corre para o seu lado e faz sua parte. Vamos manter um relacionamento bom com nossos concorrentes para termos uma força maior e melhorarmos as práticas que são exercidas no mercado, oferecendo uma condição favorável ao consumidor final. Falta essa parceria para o mercado se fortalecer.

Em que a Próximo inova?

Nossos diferenciais fazem parte uma série de fatores que são praticados internacionalmente. Do ponto de vista da loja, instituímos uma fachada aberta, limpa e convidativa, um atendimento consultivo, com vendedores que são jogadores e sabem captar o perfil do cliente. Mas o principal são as áreas de experimentação, onde o consumidor pode testar o jogo antes de levar para casa. São aspectos que não existiam no mercado antes.

O que os jogadores podem esperar Próximo?

O mercado inteiro está em busca da conquista de redução de preço, e nós estamos nessa briga pela redução de encargos para tornar esses produtos mais acessíveis, o que tende provocar um aumento significativo no consumo. Seremos também grandes aliados das entidades de classe como as associações, para que consigam ter uma postura mais incisiva e mais resultados nos esforços de redução da carga tributária.

Os resultados obtidos nos três primeiros meses de atuação têm sido os esperados?

Tivemos números bem satisfatórios. A meta que tínhamos para o Natal havia sido calculada com base no faturamento a partir do dia 1º de dezembro, que marcaria a abertura das lojas em São Paulo. Acabamos inaugurando-as só no dia 15 daquele mês e mesmo assim alcançamos esse objetivo. Foi surpreendente. Também nesse tempo de operação, o público tem se mostrado satisfeito com o perfil das nossas lojas e elogiado nosso trabalho.

Qual avaliação fazem do mercado com base nesses resultados?

Estamos confiantes. Estamos no caminho certo e acreditamos em um crescimento ainda maior no segundo semestre.

Qual a principal dificuldade de estabelecer um negócio no mercado de games aqui no Brasil?

São os obstáculos que qualquer empresário que quiser estabelecer uma empresa aqui vai enfrentar, comuns a todos os setores. Em relação ao ramo dos games propriamente dito, tudo tem fluído bem, como nosso diálogo com as distribuidoras. São menos de dez empresas que atuam nesse segmento, o que facilita a relação e a negociação.

A Próximo planeja abrir franquias. Quais são os atrativos desse investimento?

Nosso modelo diferenciado de negócio, diferente do que existe no Brasil. Forneceremos ao franqueado todo o know-how de uma rede que sabe como funciona o mercado, que tem um bom relacionamento com os fornecedores e toda essa bagagem de conhecimento de negociação. Quem investir com certeza vai fazer um bom negócio, pois é uma das nossas prioridades manter um sistema sustentável, no qual tanto a Próximo quanto o franqueado têm que ganhar para a relação dar certo.

Quando começa essa fase de expansão da Próximo?

A partir de 2014 começaremos a divulgar nosso modelo de franquia. Mas ainda estamos definindo dados como investimento inicial e tempo estimado de retorno e valores de taxas e royalties com base no desempenho das nossas lojas próprias.

Haverá distribuição digital?

Está nos nossos planos. Ainda estamos estruturando essa parte e devemos iniciar as operações ainda neste primeiro semestre de 2013. Mas o consumo de digital ainda é muito pequeno no Brasil e é focado nos jogadores de PC, embora exista uma tendência de aumento nas outras plataformas.

Falem sobre os planos futuros da empresa.

Em 2013, teremos como foco a expansão das lojas próprias, além das três já existentes. Há duas lojas em construção em Curitiba com previsão de inauguração em abril. Abriremos outras cinco até o final deste ano, com foco em Grande São Paulo e no interior do Estado, passando futuramente para Rio de Janeiro, Minas Gerais e outros Estados. Para 2017, nossa meta são atingir R$ 1 bilhão em faturamento, ters cem lojas entre franquias e estabelecimentos próprios, atender 10 mil pedidos por dia no e-commerce e estar presente em mais países sul-americanos, como Colômbia, Chile e Argentina.

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Quem Faz
João Coscelli é jornalista por profissão e gamer por paixão. Marca golaços, acaba com hordas inteiras de zumbis, salva princesas e o mundo desde criança. É daqueles que vê nos videogames uma fonte de entretenimento, mas também os considera coisa séria.
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