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‘Não há oposição entre games e aprendizado’

  • 1 de julho de 2012|
  • 23h59|
  • Por João Coscelli


Educação e entretenimento podem sim caminhar juntos, segundo Simon Egenfeldt-Nielsen, pesquisador da Universidade de Tecnologia da Informação de Copenhague (Dinamarca) e autor do livro Educational Potential of Computer Games (O Potencial Educacional dos Jogos de Computador, em tradução livre).

Ele defende o uso dos videogames como uma ferramenta para melhorar o aprendizado, mas alerta que “deve-se ter o cuidado de mostrar que não se trata apenas de diversão” e que os professores que planejam utilizar jogos em suas aulas não podem se deixar seduzir porque determinado game pode ser útil – tudo tem que ser analisado para verificar se está de acordo com a proposta escolar.

Veja a entrevista com o pesquisador, que discute ideias sobre o futuro dos jogos na educação.

MODO ARCADE: Como os videogames podem contribuir com a educação?

SIMON EGENFELDT-NIELSEN: O papel da tecnologia é fazer as coisas de forma mais rápida, inteligente e melhor, ou seja, tornar os processo mais eficientes. Os games têm duas características interessantes para a educação. A primeira é que são basicamente um espaço de exploração e resolução de problemas, que envolve recompensas, desafios e evolução, o que leva a um engajamento maior, até com pessoas que antes não era possível alcançar por apresentarem desinteresse ou dificuldade. A segunda é a propriedade multimídia – jogos têm texto, áudio, imagem, até movimentação, tudo combinado de forma interativa. As limitações das mídias tradicionais são rompidas e reunidas de um jeito novo e interessante.

MODO ARCADE: E quais são as ressalvas?

SIMON EGENFELDT-NIELSEN: Não se pode dar muito espaço aos videogames como instrumento educacional. Eles facilitam o processo, asseguram um bom comportamento dos alunos e são uma experiência alternativa, mas os professores não podem se vislumbrar com o que podem parecer oportunidades óbvias, embora não sejam. Um game de ação que se passa durante a Segunda Guerra, por exemplo, pode ser uma ótima forma para ensinar História, mas o foco do jogo não necessariamente serão o enredo e os fatos históricos, o que não é interessante para o currículo escolar.

MODO ARCADE: Quais os obstáculos para introduzi-los na sala de aula?

SIMON EGENFELDT-NIELSEN: Os principais são o alto preço dos jogos e a falta de compreensão de qual é o melhor modo de usá-los como ferramenta de aprendizado. A maioria dessas barreiras deve cair aos poucos, conforme os computadores ganhem espaço no sistema de educação, mas isso pode levar mais tempo que esperamos.

MODO ARCADE: O que deve ser levado em conta para que haja mais apoio aos games?

SIMON EGENFELDT-NIELSEN: Três razões principais: possibilidade de aprendizado mais eficaz, capacidade de alcançar um público maior que pelos meios tradicionais e as propriedades multimídia e interativas. Fora isso, os videogames são plataformas que colocam o jogador/aluno no controle – ele explora, resolve, descobre e recebe um feedback constante, sabendo quais são as consequências das suas ações. Podem ser muito bons para conteúdos pontuais, como matemática e química, já que são um sistema de recompensa conforme há progressões.

MODO ARCADE: A popularização dos games ajuda no seu reconhecimento como ferramenta educativa?

SIMON EGENFELDT-NIELSEN: Acho que faz sentido trabalhar em cima da familiaridade das crianças com os videogames. É um modo de aprendizado e interação reconhecido como parte do seu universo, mas é preciso cuidado para que o aluno criança não pense que se trata somente de diversão.

MODO ARCADE: Qual a melhor forma de aprimorar o uso de tecnologia na educação?

SIMON EGENFELDT-NIELSEN: Tudo começa com a relação de um computador por estudante. Se quisermos o progresso dessa geração por meios digitais, não podemos aceitar nada menos que isso. Mas também é preciso lembrar que um computador só é uma ferramenta poderosa quando tem bom conteúdo e pessoas capacitadas trabalhando com ele. É necessário combinar isso com investimentos em softwares e jogos de educação e o treinamento dos professores para usá-los. E isso é responsabilidade das autoridades.

MODO ARCADE: Educação e entretenimento podem caminhar lado a lado?

SIMON EGENFELDT-NIELSEN: É importante entender que não há uma oposição natural entre jogos e o aprendizado. Um jogo é uma atividade de resolução de problemas, o que te faz evoluir de acordo com o que recebe de volta após executar determinadas ações. É perfeitamente possível fazer com que esse retorno constante seja educativo e se dê de forma divertida.

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Quem Faz
João Coscelli é jornalista por profissão e gamer por paixão. Marca golaços, acaba com hordas inteiras de zumbis, salva princesas e o mundo desde criança. É daqueles que vê nos videogames uma fonte de entretenimento, mas também os considera coisa séria.
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