ir para o conteúdo
 • 

Moda

14.setembro.2010 17:15:03

Ah, Herchcovitch…

FASHION/

Não é que a gente não tenha gostado do seu desfile na SPFW verão 2011, Herchcovitch. As manchas de cores com vestidos retos, monocromáticos e altas sandálias meia-pata da mesma cor – combinando, ainda por cima, com a maquiagem das modelos – causaram uma impressão artística e minimalista muito positiva, que deve ter sido mesmo a sua intenção. Eu lembro que saí da sala com a sensação de ter visto um arco-íris desfilar na minha frente.

{Clique aqui e leia tudo sobre a Semana de Moda de Nova York}

Mas você não acha que valia a pena ter criado algum extra, feito algum acréscimo para o desfile na Semana de Moda de Nova York? Porque a gente sabe que o desfile de NY é sempre o mesmo da SPFW, mas pelo que vimos, o show de ontem não repercutiu largamente na imprensa internacional. Será que faltou uma pitada de sal e de criatividade no repeteco? Ou, talvez, tenha ficado um cheiro de mesmice em um desfile de peças tão semelhantes entre si, apenas com o destaque na mudança das cores? Fica a suspeita.

herch 2

herch 4

herch 3
Looks bem parecidos, não?

Comentários (9)| Comente!

A coleção de verão de Reinaldo Lourenço chegou às três lojas do estilista na semana passada. O tema de seu desfile na última edição da São Paulo Fashion Week foi Sport Couture: ele quis trabalhar conceitos do automobilismo na linguagem da alta-costura dos anos 60. O que isso quer dizer? vestidos e camisas com recortes laterais, capas de mangas curtas e golas de camisaria, cores fortes de verão em formatos geométricos e muita transparência.

Mas a transposição dos looks desfilados para o que o consumidor pode encontrar nas araras é sempre muito delicada. Isso porque desfiles apresentam o conceito da coleção, e não as peças que estarão à venda – muitas vezes, mais da metade das roupas que a gente vê nas passarelas nunca chegam às lojas e foram feitas apenas para passarem durante alguns segundos na frente do público. Assim, com as fotos que recebemos dos looks à disposição nas lojas da Rua Bela Cintra e do Shopping Cidade Jardim, ficamos interessados em saber mais sobre essa adaptação. Confira o que Reinaldo nos explicou.

reinaldo1

P | Qual é a principal diferença entre as peças que vão para a loja e as apresentadas no desfile da Faap? Qual é a essência da coleção, ou seja, o que não pôde ficar de fora?
R | A diferença é que a roupa da passarela traduz melhor o conceito da coleção, consigo expressar melhor as minhas inspirações. Eu posso ousar mais. As roupas do comercial são focadas mais nas minhas clientes, crio as peças direcionando para as vendas. As peças do desfile formam a imagem da minha coleção.

P | As transparências do desfile vão estar à venda?
R |
Quase tudo que faço pros desfiles está à venda, a maioria sob pedido especial. São peças mais exclusivas. Tive um desejo por transparências neste verão, e acho que as minhas clientes também (risos).

P | Entre as peças, vi vestidos bem fechados e com mangas, casacos e trench-coats também em cores frias. A coleção de verão de Reinaldo Lourenço quer se diferenciar da concorrência também por trazer um verão mais sóbrio?
R|
Eu não crio pensando em me diferenciar da concorrência, pois ela ocorre naturalmente quando você tem um estilo definido. Eu tenho clientes muito fiéis, não me preocupo com isso, cada marca tem uma identidade. Eu sempre crio peças-chave, clássicas, algumas sóbrias, em todas coleções. Isso tem que existir sempre. Em contrapartida fiz um verão muito colorido também, de cores fortes, alegre. Uma coleção fresh.

reinaldo2
Um dos looks da loja

imagem_bonitinha
Um dos looks do desfile na SPFW Verão 2011

Comente!

sapato yama

Fernanda Yamamoto fez um desfile para moças delicadas, com formas orgânicas e cores suaves. O melhor dos looks é o sapato, com essa pala grandona que deixa o sapato com cara de ankleboot.

Comentários (2)| Comente!

ronaldo

A principal diferença entre as roupas comuns e as peças que fazem moda está no substrato: a pesquisa de tecidos que um bom estilista faz é a base da coleção. Tecidos quaiquer dão em roupas quaisquer. Tecidos incríveis podem, sozinhos, garantir a peça inteira, mesmo que a modelagem, a cor e tudo o mais for normalzinho. Por isso, dá gosto ver desfile que tem boa pesquisa de tecido, como esse do Ronaldo Fraga. Elimine os excessos de passarela, como essa espécie de confete na pele. O que sobra é um look delicado e divertido, a cara da consumidora da marca.

Comente!

herchcomasc2

O clássico filme de Stanley Kubrick volta e meia é citado em coleções de moda. Mas quando é Herchcovitch que faz a citação, é sempre bom prestar atenção. A coleção masculina do estilista teve direito até a taco de baseball. Entre as boas peças e o bom styling, atenção para o comprimento da calça, um pouco mais curta.

calça herchco

1 Comentário | Comente! !

gloria

Glória Coelho tem essa fixação por construir roupas a partir de faixas horizontais de tecido. Isso faz, por um lado, que seus desfiles sejam todos parecidos um ao outro, temporada após temporada. Por outro lado, com isso, ela aprofunda uma pesquisa construtiva que chega  ao extremo de modelar uma calça por meio de faixas horizontais, tarefa nada fácil.

*

Bambolêzinho | As faixas horizontais foram parar nos sapatos também.

gloria sapato

sapato gloria 2

Comente!

joao

O que acontece quando um estilista talentoso faz uma boa pesquisa de história, cria um conjunto de referências rico e o aplica a uma ideia de moda clara e sofisticada? Um excelente desfile. Foi isso que João Pimenta apresentou em sua primeira coleção na SPFW, com surfistas da corte de D. João 6º usando bermudões de hoje e jaquetas do século 19.

joao2

LAÇAROTE | A moda masculina agradece quando alguém decide apostar na ousadia. É verdade que não esperamos ver homens nas ruas usando esse modelo de saltinho e laçarote. Mas não dá uma injeção de ânimo grande quando um desfile de roupa para homens sai do básico trivial monótono? Para mim, dá.

joao3

Comente!

neon2

A Neon foi remexer no guarda-roupa dos surfistas para fazer sua coleção, quase toda com alguma peça de neoprene. O tecido, usado nas roupas térmicas que os meninos usam para entrar no mar, deram o tom do desfile da marca.

*

DEPILAÇÃO | Mas o que deu o que falar mesmo foi a modelo que entrou envolta em plástico transparente e supostamente nua. Não estava peladona não. Vestia um tapa-sexo de pelos. E aí é que está: a Neon propõe a volta ao visual Claudia Ohana ou o tapa-sexo só é grande porque tem que tapar o sexo? Depilação na virilha segue a moda? Só o tempo dirá.

neon3

1 Comentário | Comente! !

12.junho.2010 22:00:29

Tiara de chapéu

Estava sentada no banco à espera do início do desfile de Adriana Degreas (que aliás, foi lindo e maravilhoso para quem curte beachwear com cara de lingerie, mas que jamais pegaria nas praias cariocas) e, de repente, quando já não cabia mais ninguém, sentaram três moços. Resultado: fiquei completamente espremida entre uma menina e outras duas. Àquela proximidade, consegui reparar em um detalhe que não era tão detalhe assim quando voltei meu olhar para a esquerda:

chapeus_pronta

Conheça a modelo Bárbara Alfar, 19 anos, e sua amiga, a atriz Alice Souza, 27. As duas são frequentadoras de carteirinha de todas as edições do SPFW desde muito tempo atrás – tanto que elas nem se lembram quando começaram a vir. Dois ou três dias antes do início dos desfiles, elas começam a preparar seus looks. Quem costura é Alice, e às vezes ela deixa para fazer isso na véspera do evento. “Aprendi a fazer sozinha mesmo e por enquanto é só hobby, mas talvez um dia isso vire uma profissão”, contou a moça.

Na edição de inverno do SPFW, elas capricharam: Alice usou um vestido feito de jornal e Bárbara apostou no look saco de lixo preto bordado com fuxicos. De vez em quando, elas resolvem se montar para a balada e saem desse jeito. “Mas evitamos, causa muito alvoroço. Nas semanas de moda temos mais liberdade de usar esse tipo de coisa”, explica a estilista autodidata. Dá para ver um pouco mais das criações no blog pessoal de Alice. Vale uma boa olhadinha!

1 Comentário | Comente! !

ana_salazar_pronta

A única marca internacional a pisar nas passarelas desta edição da São Paulo Fashion Week, Ana Salazar trouxe o tema Work in Progress. É verão, mas não tem essa de muita cor, não. Uma das mais importantes designers de Portugal traz na aparência gótica exatamente o que propõe em suas criações.

Muito preto, colares e tatuagens de cruzes (símbolo da marca) e desconstruções em tecidos mesclados, como cetins e sedas. Blazers e saias com grandes fendas nos lados e nas costas eram combinadas a blusas, em sua maioria, lisas. As estampas ficaram para alguns modelos em seda, no final do desfile, que se assemelhavam ao tie-dyes. Nos vestidos longos, crepes plissados e sempre sobreposições que faziam parecer que ela quis fazer arte jogando uma peça em cima da outra para ver o que dava. Tudo muito moderno e com um visual meio tecnológico, futurista.

[*gira, em potuguês de Portugal, é tipo cool, legal] 

No backstage, logo após o desfile, a portuguesa de cabelos lisos e cor de fogo falou ao Moda.

P | Quais as principais semelhanças entre a moda do Brasil e de Portugal?

R | Eu penso que a moda é uma coisa muito particular de cada estilista, independente de onde ele estiver. Mas é claro que existem sincronias, por exemplo, entre a minha marca e a Maria Bonita ou mesmo o Reinaldo Lourenço, pessoas que acredito que produzem uma moda internacional.

P | Por que o interesse de vir ao Brasil?

R | São interesses econômicos, na verdade. Eu quero fazer uma parceria com um designer brasileiro, cujo nome ainda não posso revelar, mas eu e meus sócios queremos inclusive abrir uma loja em São Paulo no futuro. Acho que a mulher que usa Ana Salazar é aquela que gosta de tonalidades escuras e formatos sensuais, mas também é acostumada a ousar, e, no Brasil, isso é uma grande característica feminina. Além do mais, a economia europeia, em geral, vai mal. É preciso escoar nossa produção para algum lugar, e o Brasil parece o melhor para esse objetivo neste momento.

P | A moda do Brasil faz sucesso em Portugal?

R | Sim, e isso já faz muito tempo. De forma geral, temos um trânsito muito bom com o País, as modelos que desfilaram aqui hoje também já passaram por temporadas em Portugal para a minha marca. O único problema que ainda enfrentamos são as taxas alfandegárias, que fazem alguns produtos brasileiros custarem tanto quanto peças de marcas como Padra e Gucci, por exemplo. Precisamos romper essa barreira ou, talvez, mandar fábricas para lá e fazer produção local.

P | Mas é preciso existir luxo na moda, não?

R | Sim, tem de haver um pouco de luxo mesmo para conseguirmos gerar produtos de qualidade, com tecidos bons e costura eficiente. Mas, na Europa, ainda valorizam muito o status da marca, se ela é uma grife supertradicional e conhecida é que vale, e, de preferência, francesa ou italiana. Acredito, porém, que isso esteja mudando e o mercado esteja dando mais abertura a novos estilistas, que não param de surgir em qualquer parte do mundo.

1 Comentário | Comente! !

  • Quem Faz

    Quem Faz

    Mariana Belley

    Mariana Belley, 25 anos, é jornalista, taurina e vegetariana. Ama os clássicos da música brasileira e dança rock. Prefere meia-calça à calça jeans e o batom rosa chock ao vermelho. E adora moda, muito!

Enquete

Qual a decoração de natal mais bonita dos comércios de SP?

View Results

Loading ... Loading ...

Arquivo

Blogs do Estadão