Kate Moss desfila para a Louis Vuitton
Depois de arrasar nas passarelas de Nova York, o estilista americano Marc Jacobs preparou um show temático para apresentar a coleção da Louis Vuitton na Semana de Moda de Paris. Na escadaria do Hotel Louis Vuitton, onde aconteceria o evento, os convidados foram recepcionados por arrumadeiras uniformizadas que espanavam as escadas. Todo mundo deve ter achado estranho, mas fez mais sentido quando as modelos começaram a aparecer em outfits de camareiras e empregadas domésticas chiques e moderninhas. Elas surgiam de dentro de um elevador antigo, ao lado do qual ficava um porteiro elegantíssimo abrindo a porta para cada uma.
Presenças triunfais marcaram o desfile, como a das top models Naomi Campbell e Kate Moss, que fechou a apresentação fumando um cigarro, no melhor estilo “Kate vestida de si mesma”: polêmica, contraventora, sempre dando o que falar. Nas roupas, transparências e tecidos plastificados combinavam com o estilo das bolsas, principal objeto de desejo da marca francesa e um dos produtos mais consumidos por quem se inicia no mercado de moda de luxo. A tradicional logo LV continua existindo nos sóbrios bege e marrom, mas Jacobs também apostou em cores mais alegres, como mostarda, verde, vermelho.
As boinas foram usadas como referências a mordomos, combinadas a clássicos sobretudos com grandes botões. Outra sensação foram as botas logo abaixo do joelho: feitas em material sintético acetinado verde ou vermelho, elas foram responsáveis por modernizar e dar um ar irreverente aos looks com cara de década de 40. Alguns dos bermudões com volume nos quadris também ficam chiquérrimos em pessoas muito magras. Mas a coleção não foi de todo comportada: alguns looks traziam bodies com meias-calças 7/8 e muitos tecidos tranlúcidos – só faltou a cinta liga. Kate Moss que o diga.
Séria, Naomi Campbell cruza a passarela
A escadaria de entrada para o desfile
É reconfortante saber que, após pouco mais de um ano da morte do estilista Alexander McQueen, sua sucessora continua fazendo um ótimo trabalho à frente da marca que ele deixou. A apresentação de Sarah Burton ontem, na Semana de Moda de Paris, fez McQueen reviver por alguns minutos. Como sempre, nada de ready to wear: a vertiginosa coleção passava por inspirações de rock, com zíperes aparentes e coturnos de saltos altos, até o mais leve toque de bailarinas, com saias longas brancas, armadas e volumosas. Não faltaram penas e plumas enfeitando as cores puras que variavam entre os tons de branco e preto, passando pelo cinza e, no máximo, lilases. Pela segunda vez, Sarah aguentou a pressão dos fãs e fez bonito ao comandar o desfile da aclamada marca inglesa. Ela mostra que, além de talento, tem muita garra para enfrentar o grande desafio que é suceder o gênio McQueen.
Karl Lagerfeld caminha pelos destroços do mundo que ele criou
É difícil escolher fotos para mostrar as coleções da Chanel. Mesmo que o Moda goste de selecionar os melhores momentos de cada desfile na hora de apresentá-lo ao leitor, é impossível não mostrar a trama que Karl Lagerfeld cria para contextualizar seus desfiles. “O mundo é um lugar sombrio”, disse o diretor-criativo da maison francesa após a apresentação de hoje. Para ambientar suas peças deste inverno, só restatam cinzas, fumaças e pedregulhos, como se um grande meteoro tivesse acabado com a vida humana na terra. Visões apocalípticas que também permearam as coleções de Alexandre Herchcovitch na São Paulo Fashion Week. Um clima de pesar e escuridão se abateu hoje sobre o Grand Palais, apesar de as modelos entrarem na passarela sob grandes focos de luz branca. Seria uma redenção?
A coleção era pesada. Não havia na apresentação sequer um tecido fino ou translúcido, como tem-se visto nos desfiles de inverno por aí. Muito tweed, lã e feltro para construir as jaquetas, calças e vestidos densos para aguentar não só a estação mais fria do ano, mas também a queda das temperaturas com a ausência de luz solar imaginada por Lagerfeld. É claro que cores quentes não combinariam com o cenário proposto, então a Chanel só trouxe tons de cinzas, pretos e, no máximo, detalhes em vinho e verde. A feminilidade exacerbada das saias foi substituída por calças largas, masculinizadas, ou jeans surrados, como se fossem uma preparação para a guerra.
Seguindo o contexto proposto, as roupas perderam o glamour clássico da Chanel. As peças pareciam ter vindo diretamente do que restou de uma catástrofe natural como a explosão de um meteoro ou ebulição de um vulcão: eram como manchadas de cinzas. Os clássicos estavam lá, é claro: casacos de tweed e estampas pied-de-poule e as tradicionais bolsas de correntes douradas que a grife tanto gosta. Só que, desta vez, pareciam ter sido guardado durante meses na caçamba de um caminhão. Despreocupados e despojados, com cabelos mal amarrados, os modelos posavam para fotos com as mãos nos bolsos e expressões de desdém. A quem estavam endereçados os olhares de desprezo, Lagerfeld não explicitou. Mas deve ser um alívio para a Semana de Moda de Paris saber que pode contar com a genialidade deste estilista. Afinal de contas, são tempos difíceis para a fashion week que se encerra amanhã.
Os rumores de que Stefano Pilati deixaria a tradicional maison francesa Yves Saint Laurent têm chateado o estilista, que está à frente da marca desde 2002. Já antes de 2010, as notícias de que ele sairia da grife não deixam o designer em paz; até mesmo Kenzo, seu colega de profissão, teria publicado no Twitter que a temporada passada (verão 2011) seria a sua última. “Isso tudo me afeta. Eu deveria estar aqui, pensando sobre como meu emprego é bonito, ir ao ateliê todos os dias e trabalhar com tecidos e cores. Mas não, você tem uma coisa que te desanima”, revelou ao The New York Times ontem, antes do desfile da Yves Saint Laurent, que encerrou as apresentações de segunda-feira.
Mas o italiano não permite que este abalo emocional com que ele tem de lidar atrapalhe as suas criações. Seu desfile de inverno 2011 foi um passeio pela história da famosa grife, desde repaginações de Le Smoking (o terninho de 1966) até revisitações do terno Prince of Wales com padronagens e estampas femininas. O desfile foi sóbrio, enquanto a maior parte das peças tinha corte reto e endurecido, com alguns elementos mais alegres para quebrar a seriedade dos looks: pied-de-poules transformados, botas de cano alto, bordados coloridos nos sapatos. Os tons pretos e brancos dominaram as passarelas, que vez ou outra eram coloridas com púrpuras e anis. Lacinhos e plumas também serviram como adornos.
Desfile da Chloé hoje, em Paris
Quando vão chegando os últimos dias da Semana de Moda de Paris, os olhos começam a ter problemas para identificar tendências e separar os modelos mais bonitos. Tudo por causa do cansaço causado pela maratona fashion de quase um mês, que começou lá em Nova York no dia 10 de fevereiro. Depois de tantos modelos de frio, o segredo para não perder os destaques de cada desfile é separar pontos chaves: na apresentação da marca francesa Chloé, por exemplo, não faltou a animal print que mais esteve presente nos shows de Paris: a estampa de cobra píton. Clássica em jaquetas e sobretudos, repaginada em vestidos, colorida em blusas, em tom mais claro da calça quando montada em um conjunto. Com certeza, trata-se do bicho da estação.
Um pouco antes, às 7h30 da manhã (sim, os fashionistas internacionais madrugam para dar conta do calendário pesado de desfiles) foi Stella McCartney quem abriu esta segunda-feira em Paris. O que ditou o tom da apresentação foram as formas exacerbadas, hipervolumosas, o famigerado shape oversized, tema que também esteve forte na coleção de Lucas Nascimento no Fashion Rio. Stella, sempre com uma plateia de famosos, correspondeu a expectativa de todos com um desfile equilibrado de glamour e uma streetwear despojada e elegante. Seu pai, Paul, e a atriz Liv Tyler acompanharam a apresentação atentamente, direto da fila A.
Looks do desfile de Stella McCartney
É difícil elencar os melhores momentos de um fim de semana de moda no nível de Paris, isto é, o mais glamouroso do mundo. A riqueza de qualidade e detalhes da ready-to-wear apresentada na capital francesa faz com que a média das criações seja muito superior a qualquer outra fashion week. Em quase todo desfile, há looks com cara de alta-costura, ou seja, feitos artesanalmente, com bordados finos e tecidos exclusivos. Mas para quem está com o fim de semana muito ocupado, curtindo a folia do nosso brasileiríssimo carnaval, o Moda separou os melhores momentos. Ou alguns dos bons momentos, marcantes, importantes para demarcar a parte mais elegante da temporada mundial. Confira!
Os holandeses Viktor Horsting e Rolf Snoeren, da Viktor & Rolf, pintaram os rostos das modelos de vermelho, mesma cor da iluminação do cenário do desfile
As pin-ups de Jean Paul Gaultier não poderiam ser mais clássicas: traziam coques altíssimos em seus cabelos acinzentados e usavam conjuntinhos que combinavam com suas malas de passeio…
… mas permaneciam impecáveis apenas na aparência, já que tornaram a passarela um caos, livrando-se de uma peça de roupa a cada vez que chegavam na frente do pit dos fotógrafos
A japonesa Junya Watanabe caprichou no penteado em estilo moicano para combinar com os tecidos sintéticos e looks futuristas de sua coleção de inverno
Quem não deixou de conferir ao desfile da marca Celine foi a editora da Vogue America, Anna Wintour, vestida com um sobretudo de pelos em animal print
Veja que delicado o laçarote de Alexis Mabille; o detalhe fica lindo se usado por quem tem cabelos curtos
A Hermès levou animais selvagens às mãos das modelos; cores em tom sobre tom, pelo e animal print aliaram a natureza ao espírito do desfile – que vai dar o que falar ao PETA
O vestido do designer italiano Ennio Capasa dava a impressão de uma escadaria infinita
Um desfile simples, minimalista e que investia em tons pastéis foi preparado pela estilista Phoebe Philo para a marca francesa Celine, que soube como adaptar todos esses elementos aparentemente sem graça para fazer um show de prêt-à-porter em grandioso estilo
Como a temática é frio europeu, o japonês Tsumori Chisato resolveu proteger o corpo, o pescoço, os olhos e toda a cabeça com seus modelitos de alto inverno
O desfile deste domingo foi, muito provavelmente, o último da marca pessoal de John Galliano. O grupo LVMH preferiu mostrar a coleção de prêt-à-porter hoje, na Semana de Moda de Paris, de forma mais informal. Acharam inapropriado fazer um desfile clássico e, em vez disso, organizaram um pequeno evento em um salão privado para pouquíssimos convidados. As modelos mostraram as peças do estilista inglês de forma graciosa: transparências, belos acessórios para cabeça e casacos de frio com pelos e peles marcavam esta despedida forçada da grife, que deve ser encerrada porque dá poucos lucros ao grupo.
Confira alguns dos looks.
A linha prêt-à-porter de John Galliano sempre teve cara de alta-costura
Nos vestidos leves, ricos detalhes acrescentavam informação às peças, como este decote nas costas arrematado por laços de cetim
As modelos encararam com seriedade a responsabilidade de vestir as últimas criações de Galliano; não faltaram expressões em seus rostos, algo que o estilista sempre exigia
Nas roupas de frio, seguindo as tendências mundiais, pelos foram materiais recorrentes
Os chapéus, casquetes e tiaras estavam presentes em quase todos os looks
Luto: alguns fashionistas compararam a demissão de Galliano à morte de Alexander McQueen
O diretor-criativo da Lanvin, Alber Elbaz, é um dos nomes mais citados quando o assunto é a substituição de Galliano na maison Christian Dior
Um desfile minimalista. Sem estampas, sem tecidos muito pesados, sem bordados ou saias volumosas. Em cada pulso, porém, em cada dorso, Alber Elbaz acrescentou um detalhe capaz de enriquecer a mais radical das simplicidades. Arranjos de flores de tecido adornavam as cabeças das modelos. Abotoaduras douradas prendiam lados assimétricos das capas de frio. Maxicolares de cobre revezavam-se com sobreposições de várias pulseiras, sempre em formatos de mandalas ou símbolos da natureza. Sem brincos. Luvas e chapéus de abas baixas arrematavam os retoques finais de cada composição, que surgia como notas musicais de uma partitura bem coordenada. Mérito de Elbaz, o maestro da Lanvin.
Foi a maneira mais triste de se começar um desfile de moda. Foi uma das poucas vezes na história contemporânea que uma grande marca apresentou sua coleção sem que o estilista criador agradecesse ao público no final. Ao contrário disso, quem surgiu antes de as roupas serem mostradas foi o presidente da Christian Dior Couture, Sidney Toledano. De terno preto e papel branco nas mãos, na frente do símbolo igualmente preto e branco da Dior, ele leu uma declaração com voz pezarosa: “O que aconteceu na última semana foi uma provação terrível para todos nós. Tem sido muito doloroso ver o nome da Dior associado às vergonhosas declarações atribuídas a seu designer, por mais brilhante que ele possa ser. Essas declarações são intoleráveis por causa de nosso dever coletivo de nunca esquecer o Holocausto e suas vítimas.”
Sem estar dentro da sala de desfile, é difícil entender como as modelos escaladas para apresentar a coleção puderam estar sorridentes e fazer caras e bocas durante suas entradas na passarela. A instrução clara do diretor de desfile não combinou com o clima de luto visível no semblante de todos os presentes. A editora de moda da Vogue Japão, Anna Dello Russo, saiu do show abatida. “Na moda, nos preparamos para ver um momento de glamour, mas na realidade não foi isso que vimos. Uma situação ruim, foi isso que vivemos”, declarou a fashionista ao site WWD. Quem agradeceu à salva de palmas do público pela coleção inteiramente concebida por John Galliano foi o time completo de estilistas da maison francesa, todos vestidos de branco, como se fossem profissionais da saúde.
Galliano foi afastado da marca após ter feito comentários antissemitas durante uma bebedeira na última semana, pelos quais se desculpou publicamente dias depois.
Algumas fontes ligadas à moda ovacionaram a decisão difícil que a Dior precisou tomar: manter o desfile que aconteceria dias depois da demissão de Galliano. “Foi muito apropriado, em face a todos os eventos”, disse Ken Downing, diretor de estilo da loja americana Neiman Marcus, logo após o show. Os convidados compareceram em massa ao desfile, contrariando previsões anteriores de que poderia haver um boicote – não havia um único assento vazio da sala de desfiles da Christian Dior na tarde de hoje, em Paris.
Com tantos acontecimentos, francamente, era bem difícil prestar atenção às roupas apresentadas. Um mix entre a novela de Victor Hugo Les Miserables e figurinos de mosqueteiros, com botas de cano alto e colares oversized. Muitas modelos deixaram a passarela chorando. “Foi tão triste”, disse a sudanesa Ataui Deng, com os olhos cheios de lágrimas: “Normalmente, o Sr. Galliano nos dava tapinhas nas costas e dizia ‘arrasa!’ antes de entrarmos, mas hoje ele simplesmente não estava lá.” No domingo, é a vez da marca pessoal de John Galliano desfilar, mas o estilista também não estará lá para ver. O grupo LVMH detem 92% dos direitos da grife e ainda não se sabe qual será o futuro dela. E nem quem será o próximo diretor criativo da própria Dior.
Com informações da Reuters.


O estilo futurista da grife espanhola Balenciaga não trouxe Gisele Bündchen às passarelas desta vez. Em seu lugar, de forma muito mais modesta, abria o desfile da Semana de Moda de Paris a modelo brasileira Aline Weber. E não foi a primeira vez: a top model catarinense protagonizou o mesmo feito dois anos atrás, abrindo a coleção de inverno 2008 da badalada marca espanhola. A apresentação de Nicolas Ghesquière uniu elegância e alegria, principalmente por meio das estampas de flores e lagartixas impressas sob sedas muito finas em saias e blusas.
Calças de corte reto e muiticoloridas também dividiam espaço com coletes e jaquetas de tecidos trançados. Vestidos na mesma ideia de rede e teia iam até a altura dos joelhos, mas mesmo assim, encobriam calças de couro e linho. Os botões dourados também enfeitavam casacos de cor vinho ou o clássico azul marinho, sempre combinados com sapatos ou blusas de cores alegres. Há, inclusive, uma atenção especial voltada aos calçados, impecavelmente complementando cada look com o requinte tradicional da Balenciaga.


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