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Moda

A Amapô entrou na passarela ao som de Crazy, de Seal, provando que uma certa dose de loucura pode fazer muito bem à moda. Evocando geometrias que constroem um estilo, a marca propôs formas incomuns de se construir uma roupa, como se estivesse em evidência o esqueleto das peças. Em nítido clima 90′s, trouxe calças cheinhas (qualquer semelhança com as famigeradas calças-bag não é mera coincidência), que ganharam diversos tingimentos, principalmente a versão ‘jeans pichado com cara new wave’.

Pensou em anos 90, pensou em estilo urbano. Portanto, as cores do streetwear e das pinturas gráficas e coloridas. A estampa-chave desta coleção, batizada de Transe, nasceu de um transe criativo do artista multimídia Fábio Gurjão que, ao falar ao telefone com as estilistas da grife, rabiscou, literalmente, uma ideia. Produzido com técnica digital, Transe tem uma textura multicolorida, com ares de anos 60, mas tons da modernidade dos anos 90.

Por falar em cores, a cartela da coleção traz o flúor como principal personagem. Ele surge em azul, rosa, laranja e contrasta com o preto, que desbotou ao tomar sol. É exatamente este ‘novo velho’ que dá ares ultra contemporâneos ao inverno Amapô 2012.

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Mais que luxo e estilo, honestidade e decência. Mais que o desejo de uma moda inatingível, um estilo real e prático. Mais que a hiper tecnologia, o desejo de se desconectar para aproveitar melhor o pouco tempo livre, e real, que sobra depois de uma semana de trabalho. Estas são de fato as grandes tendências de moda e consumo para o próximo ano. De fato não é preciso ser um fashionista para concordar com as conclusões acima. Como toda tendência, estes são sensações que já estão sendo sentidas pela população mundial e que profissionais da moda e do consumo detectam, formatam e transformam em valores de empresas e produtos. A diferença é que hoje há os caçadores de tendências que viajam o mundo de olho nas grandes tendências. Este é o caso da equipe do WHSN (o maior portal de tendências de moda e consumo do mundo), que apresentou ontem no Shoppping Iguatemi as principais correntes de consumo, comportamento e desejos para 2012 e 2013.

Já que esta foi uma semana em que a moda esteve em foco, não há como não falar da forma em que as novas prioridades dos consumidores irão se refletir e adaptar ao que se veste. Para citar um exemplo, uma das grandes tendências para este ano, o Idiomático, surge na forma da valorização da cultura local, provinciana mesmo. Isso se traduz no uso de estampas e artesanatos regionais para se criar uma coleção global, como fez Juliana Jabour, que se inspirou nas paisagens da India, da Neon, que ontem desfilou as cores e formas de Istambul, e a Maria Bonita, que por tradição valoriza a cultura brasileira e desta vez foi buscar no sertão as cores e formas de seu inverno.

Par ser mais específico, há peças que não vão faltar na próxima estação e que já foram vistas pela Bienal: a saia lápis, proposta pela Tufi Duek, por Reinaldo Lourenço e pela Colcci, é outra peça forte da revistarão aos anos 60.
Na outra linha de pensamento, Wonderlab, ou o laboratório das maravilhas, traz a valorização da ciência não só na criação de utensílio, mas também na arte e na vida. A pesquisa de tecidos como o leather denim, pela Ellus, o design futurista e os tecidos tecnológicos de Jefferson Kulig, e a inspiração em Einstein de Gloria Coelho são bons exemplos.
A terceira grande macro tendência, a da Story of Today, ou ‘o aqui e agora’ também deve pautar coleções e formas de se chegar ao público. A onda das roupas de inspiração esportiva em ano de Olimpíadas, que passaram na passarela por coleções que transformam o uso de bonés, tênis, roupas de ginastica, é bom exemplo de como ‘o hoje’ dará as cartas em 2012.

Focando mais na forma de se pensar uma moda prática para o dia de hoje, as coleções pret-a-porter, impecáveis e de olho no consumo final, de Pedro Lourenço, Alexandre Herchcovitch e UMA são ótimos exemplos de como as grifes brasileiras estão cada vez mais antenadas com as novas necessidades de mercado.

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Alexandre Herchcovitch cresceu em um colégio judeu. E levou para a passarela do último dia de SPFW muito da atmosfera que o acompanhou na infância no bairro paulistano do Bom Retiro. Levou também o modo peculiar de se vestir dos judeus ortodoxos para sua coleção masculina inverno 2012.
Para quem não sabe que as franjas que davam movimento aos looks eram referência aos tzitzit, as franjas dos tradicionais talits, espécie de chale religioso que é sempre usado debaixo da roupa escura, o recurso ainda assim tem ótimo efeito fashion. Ironicamente é o ‘acessório’ que tira a sisudez de looks clássicos e de corte impecável.

Também ironicamente é a meia branca aparente, bem à moda ortodoxa, que dá modernidade a looks em que a calça curta é destaque. As sobreposições que de nada têm de fashion para os religiosos judeus dá contemporaneirade aos visual. Ares mais modernos ainda surgem com o uso criativo dos tradicionais chapéus, de feltro, que ganham releitura e surgem em forma de bonés, de shtreimel (o clássico chapéu com aplique de pele e pelos).
Na modelagem, como bem explica Alexandre, tudo é clássico, também bem à moda da moda masculina que ainda se faz. Clássica e básica. Tecidos clássicos, como cashmere, algodão, seda acomodam as formas das calças curtas e folgadas, dos paletós, casacos mais longos, quase sempre pretos, com seis botões ou somente um, trespassados ou não. Mais modernidade ganham as camisas listradas e longas, em referências a releitura dos fios do talits. O ponto alto são as jaquetas e coletes de neve, que, sobrepostos aos looks clássicos, trazem o presente para uma tradição milenar. Quem foi que disse que homem (principalmente o não fashionista ou o religioso) não tem apreço ao se vestir? Alexandre mais uma vez surpreende com seu olhar sensível e atento e prova que uma nova moda masculina é sempre possível, sem deixar de olhar o passado, claro.

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A Tufi Duek surgiu sóbria e rebuscada ao mesmo tempo em seu desfile de inverno da SPFW. Se as formas, com nítido ar sessentista, pediam silhueta sequinha e ombros estruturados, os apliques surgiram em rebuscados paetês, brilhos e lantejoulas.

Equilíbrio interessante para um inverno também sóbrio nas cores. O desfile começou com a tendência do branco total e se seguiu em pretos e chumbos, cuja seriedade era quebrada tanto pelo brilho quanto pelos decotes, fendas e costuras.
A saia midi e as formas bem marcadas e a cintura alta comprovavam a onda anos 60 que deve vir por aí.

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Além de apostar na beleza da top Rosie Huntington-Whiteley, a Animale aposta na beleza da Rússia dos Czares para propor um inverno leve e, ao mesmo tempo, luxuoso.

Em tons sofisticados e invernais (com destaque para o vermelho, o verde musgo e o preto), a coleção inverno 2012 da grife surgiu em vestidos que esbanjavam transparências, aplicações de cristais e assimetrias. O inverno leve, com jeito de meia-estação sofisticada, foi garantido pela textura do chiffon de seda com lã, que recebeu os apliques de cristal e paetês.

Para compor o clima de inverno, texturas bem trabalhadas em tweed escovado (que caiu perfeito nos blazeres e paletós de ombros estruturados), couro de búfalo com algodão, avestruz e cobra.

No melhor estilo Museu Hermitage com tons czaristas, as estampas (ora em prints ora em bordados) de crucifixos ortodoxos, coroas e gravatas completou a atmosfera.

Destaque para o pijama de veludo de seda e ares militaristas. A peça está em voga e promete entrar de vez para os guarda-roupas fashion. E mais, ganhar as ruas.

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Andriana Degreas deixou o ‘nude’ de lado e decidiu homenagear a cultura indígena e sua exuberância. Ninguém melhor para personificar esta a ‘tigresa fashion’ que abusa do luxo tropicalista do que Sônia Braga. A atriz encerrou o desfile (aberto por Antonia Mayrink Veiga, filha de Carmen, seguido de looks glamurosos e, ao mesmo tempo, tropicais) vestindo um tubinho preto adornado por uma folha de costela-de-adão (estampa hit da coleção) dourada. “Bem que eu queria ter desfilado com um dos looks lindos e coloridos da coleção, mas acabei optando por este pretinho básico. Sabe caixinha de joia? Toda preta e com uma linda joia dentro? Assim estou me sentindo. A folha é a joia. E eu também”, disse a atriz no backstage após o desfile. A presença de Sônia foi de longe a mais ‘badalada’ da semana. Nem Ashton Kutcher causou tamanho tumulto da imprensa e teve tanto assédio. No meio do empurra-empurra para chegar até ela, Sônia começou a ‘dirigir’ a imprensa e foi aplaudida ao som de “conduz, Sônia, conduz”.

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Inspirada na Arte Moderna, a Água de Coco fez o primeiro desfile de moda praia da quinta-feira e surpreendeu com seu verão sofisticado e colorido. Quando se discute o que de novo ainda pode ser criado quando o assunto são biquínis e maiôs, a estilista Liana Thomaz chega para aumentar um ponto nesta história. Apostando em shapes modernos, sem cair na afetação, trouxe formas geométricas, cortes inusitados, mangas estruturadas nos maiôs. Combinou rosa e laranja, apostou em estampas geométricas, alças de fios de ouro (num equilíbrio sutil dos tops), ‘jogou’ a sensualidade dos decotes nas costas, abusou da mistura de texturas e trouxe o ‘tecido gelatina’ (em que estampas originais são sobrepostas sobre fotografias, criando uma nova composição de efeito transparente e molhado), na fluidez dos vestidos de praia e até mesmo no top de um ombro só (tendência para este verão). A Água de Coco provou que ainda há o que se inovar em modelagem de biquínis e que o verão pode ser minimalista, sofisticado e colorido ao mesmo tempo.

Confira o desfile da Água de Coco na TV Estadão:

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Flavia Guerra- O Estado de S.Paulo

Desfilar ele não desfilou, mas deu um passo à frente e percorreu a passarela da Colcci de mãos dadas com Alessandra Ambrósio, ‘conduziu’ a top até o final e saiu de cena. Sentou em um lugar reservado na fila A e assistiu de camarote ao That 70′s Show que se seguiu. A grife apostou nos anos 70 e investiu pesado na cintura alta, boca de sino, plataformas altíssimas, casacos e blazers amplos e estruturados. Ashton vestia camisa listrada, jeans, gorro e sapato oxford off-white, uma das apostas da grife para o verão 2012. Já a top gaúcha entrou de maiô laranja, já ‘avisando’ que o que vinha pela frente era um verão super ‘color blocking’.

Para um desfile com esta atmosfera Chalie’s Angels, não faltaram, claro, além do astro da série “Two and a half men”, ‘angels’ como a top sul-africana Candice Swanepoel, que é de fato angel da grife Vitctoria’s Secret como Alessandra, também foi um dos destaques do casting.

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Oskar ‘Osklen’ Metsavaht  bem que tentou compor um casting só modelos negros no desfile que faz já já, às 20h15, na SPFW, mas não conseguiu. “A coleção Royal Black  é uma homenagem à herança da cultura afro-brasileira. Queria só modelos negros por uma questão estética. Porque tinha a ver com o tema, porque natualmente ia ficar lindo na passarela. Não estava pensando na questão racial. Mas não conseguimos compor este casting. Dos 48 que desfilam, só 12 são negros”, contou o estilista ao Estado.

A declaração de que a Osklen estava tendo dificuldade para encontrar modelos negros  com o perfil da grife causou polêmica e levantou u ma questão que já é antiga mas não deixa de ser atual na moda brasileira. Deve ou não haver cotas para negros também nas passarelas? “Antes eu era contra. Porque  não acho que isso devia ser imposto. Mas mudei de ideia. Hoje, depois de acompanhar melhor a questão,  sou a favor das cotas. Inclusive na moda. Se para trabalhar pela inclusão e pelo fim da discriminação, é necessário que a cota seja imposta, então que haja cotas”, declarou Oskar há pouco, enquanto dá os últimos retoques na trilha sonora do desfile trará influências, claro, da música negra. “Mas tudo muito sutil. Começa com acordes mais África e vai ‘bahianizando’, tem Baden Powel, e termina com um quê de batida de funk. É uma mistura contemporânea que acompanha, até que didaticamente, o conceito do próprio desfile.”

Por falar em conceito do desfile, a influência da cultura negra africana no Brasil deu mais pano para a manga do que Oskar imaginava. Ao declarar que estava tendo dificuldade de encontrar modelos negros para seu desfile, Oskar  levantou, mesmo que involuntariamente, não só a questão das cotas na passarela, mas também a da participação do negro na moda brasileira. “Quero deixar claro que este não é um desfile panfletário e muito menos de protesto. E claro que há milhares de negros e negras lindos no Brasil. Quando digo que não consegui compor meu casting é porque não encontrei número suficiente de modelos negros que têm o perfil da Osklen. Estamos falando de moda, de passarela e do conceito da marca. Há um biotipo que sempre busco, sejam os modelos brancos, amarelos, negros. Tem de ter altura, porte e preparo de passarela. E isso não encontramos.”, esclareceu o estilista.

Para Oskar, mais que ser panfletário, vale  tratar do tema de forma natural, na moda, nos tecidos, nos  cortes, nas cores da coleção. Acima de tudo, faço moda”, declarou o diretor criativo da Osklen, que neste ano foi nomeado um dos embaixadores da Unesco. “Foi quando recebi, justamente, a Enciclopédia da História da África, que agora é disciplina nas escolas, é que soube que este é o Ano Internacional da Afro-Descendência no Mundo. Foi então que comecei a mergulhar fundo no estudo disso e perceber sua importância não só no Brasil como no mundo.”

Oskar e sua equipe não queriam levantar a bandeira da luta racial, mas levantaram. E a julgar pelo protesto que a ONG Educafro realizou  na frente da Bienal na segunda, pedindo que a cota de negros nas passarelas da SPFW seja de 20%, a discussão vai longe. “O que faço é moda. Não sou ativista. Mas se a moda é reflexo da sociedade e é um dos protagonistas das transformações de comportamento, estou aqui para cumprir o meu papel. E hoje meu papel é valorizar na minha nova coleção a beleza que é a nossa cultura afro-brasileira.”

Isso traduzido em informação de moda, resultou em uma coleção, como bem pede a Osklen, cool, elegante e minimalista, em que ares de afro-Brasil chegam nas cores do algodão cru, o preto, o laranja, na simplicidade de materiais trabalhados com sofisticação, na palha de seda. “Tem leveza, conforto e é, ao mesmo tempo, luxuoso e artesanal. Este é o novo luxo. O simples.”

Pequeno detalhe: Diante da escolha do tema, que foi pré-comunicado aos  revendedores e lojas multimarcas compradores de Osklen do País, o número de pedidos no Sul e Sudeste do Brasil diminui. “É incrível pensar no que isso significa, não? Mas, sinceramente, se há clientes que nem vêem a coleção e já não a recebem bem por conta do tema valorizar o negro brasileiro, eu é que não quero este tipo de cliente.

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  • Quem Faz

    Quem Faz

    Mariana Belley

    Mariana Belley, 25 anos, é jornalista, taurina e vegetariana. Ama os clássicos da música brasileira e dança rock. Prefere meia-calça à calça jeans e o batom rosa chock ao vermelho. E adora moda, muito!

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