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Moda

Um desfile feito na sua forma mais antiga. Foi assim a apresentação da nova coleção da Pedro Lourenço hoje de manhã, no Hotel Fasano, nos Jardins para a imprensa. Sob uma luz clara, a modelo entrava, se dirigia até o meio da sala, parava, e esperava ali de pé até o estilista explicar detalhadamente cada visual. Parecia mesmo os antigos desfiles organizados pelas maisons na década de 1950.

Foi didático e ilustrativo. Intintulada de Resort, a coleção tem foco no mercado nacional e internacional. O mesmo vestido tubo, por exemplo, surgiu mais ou menos decotado, para agradar a americanos e ingleses, respectivamente. “Na minha coleção o comprimento das saias varia do mini ao midi para atender a mercados diferentes”, explicou Pedro.

Outro recurso foi usar tecidos diferentes, seda doblada e jersei de seda, para o mesmo modelo de camiseta. Isso resulta em peças com custos diferentes. “O cliente vai encontrar roupas de 200 reais a 10 mil reais na loja” diz Pedro.

Aqui ficou clara a preocupação do estilista com a qualidade do acabamento. Todas as roupas têm forro de seda. As estampas de aves, que dão a volta na peça (começam na frente e chegam até as costas), quando passam em cima de um zíper, não são interrompidas pelo acessório. “A estampa é colada a mão sobre o zíper. Isso requer quase meio dia de trabalho.”

Pedro usou couro francês em calças cigarretes e em detalhes, como barrado de vestidos. O off white foi a cor predominante. E o grafismo marcou toda a coleção, dando a impressão de um corpo ainda mais longilíneo.
A coleção chega às lojas no fim do ano. Será vendida em São Paulo na Daslu e em 14 multimarcas parceiras da grife.

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A primeira cheirada no novo perfume Hermès: Un Jardin Sur le Toit foi uma decepção: doce!!!??? Como assim?

Jean-Claude Ellena, perfumista da Hermès, teria se entregado ao gosto da época, à patopolização de tudo, fazendo mais uma água-cheirosa-descartável-para-adultos-infantilizados, que gostam de perfumes que tem aroma de chicletes?

Eu tinha movido engrenagens (*) para que o Moda fosse o primeiro a provar, no Brasil, o novo perfume da série dos Jardins, lançado dia 2 de abril em Paris e tudo fora só para isto, testemunhar a derrota de um artista para os odores enjoativos do comercialismo…

Então o impacto da borrifada passou. O adocicado foi ficando como subtom, as flores tomaram a frente, the revenge of the flowers . Não são flores comuns, é um buquê em que se nota um fenecimento, uma murchada, coisa meio mórbida de pétalas caídas, um início de fermentação vegetal. Ellena conseguiu outra vez. Produziu mais uma paisagem olfativa. Desta vez é uma natureza-morta.

Ele volta para Paris, depois de rodar com nossos narizes pelos trópicos e pelo oriente; sul da Europa e Norte da África. De muralista com largas pinceladas coloridas, vira um aquarelista no teto da sede da Hermès, no Faubourg Saint-Honoré, onde está o jardim. Aquarelista impressionista. O jardim no telhado é alegre na fachada, sorriso profissional, tem a felicidade de uma corbeille de flores variadas, toque de rosas e a tal doçura irritante.

Bem lá no fundo, quando assenta na pele, o que fica é uma melancólica tarde chuvosa parisiense. Entusiasmo e desânimo, a finitude que se insinua no vaso colorido, a água meio turva e de podridão vegetal em que os caules cortados mergulham, tudo está lá e tudo é um perfeito retrato da Vanitas, o lembrete da mortalidade que é a finalidade e recado das naturezas-mortas, tudo é vaidade, tudo vai acabar.

Antes que me acusem de macabro, lembro que o feromônio da putrefação não é presença incomum na perfumaria: Eternity, de Calvin Klein tem, entre muitos outros. É o leve cheiro faisandè, que nos afasta, mas faz que voltemos a cheirar; repulsão e atração, parte de queijos, aromas corporais, sexo e morte.

Monsieur Ellena, o senhor é fino.

| As paisagens olfativas de Ellena para Hermes

Os Jardins, quatro perfumes até agora, começaram no masculino, amadeirado e sutil Un Jardin en Méditeranèe. Que me faz lembrar mais uma adega, com mistura de cheiro de carvalho e vinho, que o Mediterrâneo. Não sei que lugar do grande mar ele tinha em mente, mas certamente não foi num dia de muita luz e calor. É um perfume de sombras, nada sombrio, apenas escuro, em tons menores.

Depois veio o mais famoso, o best-seller do autor, Un Jardin Sur le Nil, com o cheiro de manga verde, luminoso, fresco, agradável e ensolarado.

E o Un Jardin Après la Mousson, vibrante, frutado, com um melão verde que, na mão errada, teria virado o picolé Melona, mas que ele soube segurar, sem exuberância artificial, e fez ser refrescante e revigorante.

(*) Foi tudo rápido, soube do lançamento do perfume, vi no Twitter que meu amigo Carlos Bertolazzi estava em Nova York a trabalho, mas que naquele exato momento tinha saído uma horinha para compras. “Você traria 50 ml na bagagem para mim?” pedi. “Claro”. Loja da Hermès, 90 dólares, foto postada via instagram, “é este? Está comprado”, e no dia seguinte eu enfiava as narinas no extraordinário buquê. Não é nada, mas o Moda furou até o New York Times e a maior database de perfumes da internet, o Basenotes… Grazie, Carlos.

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O maior nome da moda masculina brasileira para trajes de festa completou 25 anos na noite de ontem. Meio quarto de século de carreira, é claro, já que Ricardo usa o tempo de experiência na alfaiataria para disfarçar, com elegância, seus mais de 50 anos de vida. Os ternos, paletós e jeans de excelência no corte e modelagem desfilaram em corpos famosos. A primeira leva de modelos a entrar na passarela trouxe profissionais, mas o fim da apresentação foi marcado por uma leva de estrelas: Edson Celulari, Fábio Assunção, Malvino Salvador, Paulinho Vilhena, Fiuk, Latino, Kaike Brito, isso só para citar alguns deles.

Ricardo quis marcar a data em grande estilo. Alugou uma das salas do MASP e conseguiu o patrocínio da marca de uísque Chivas, o que garantiu drinques à base do destilado ao longo de toda a noite. Que começou cedo, aliás: antes das 21h, um grande número de modelos, clientes, anunciantes e lojistas já lotavam os corredores do museu, decorado com móveis e iluminação vermelha. A indicação no convite era clara: traje – passeio. O que, para o mundo dos fashionistas, significa paetês, maquiagens pesadas e o item regra número 1 da estação, saias longas.

Veja também:

Os bastidores do desfile, por Paulo Sampaio

No desfile, clássico, algumas poucas inovações. Ternos de cor púrpura ou azul completamente monocromáticos surgiam lado a lado com golas de pelo – sim, o hit do inverno internacional também em versão masculina/brasileira/chique. No final, quando o estilista entrou para saudar o público, quem o acompanhava? Ninguém menos do que Hebe Camargo, a bendita fruta entre os homens, em um vestido preto brilhante, colar e brincos reluzentes.”Olha que tanto de roupa linda este homem faz, minha gente!”, dizia, já tomando para si o show que acabava de começar e logo se tornaria um programa de entrevistas.

Ricardo pareceu satisfeito com o pouco que viu de sua própria festa – ele passou ao menos 3/4 dela dentro do backstage, preparando os modelos, conversando com jornalistas e certificando-se de que tudo ia bem. Como um bom aniversariante de uma festa tradicional, que pouco consegue se divertir. Para os 30 anos da marca, entretanto, o conselho é tentar um lugar maior ou reduzir a lista de convidados, já que era quase impossível circular pelo local. Atestado de sucesso e reconhecimento? Talvez. O certo mesmo é que pouca gente quis perder o megaevento e as roupas acabaram ficando em segundo plano. Um risco que uma marca consolidada topa correr em nome do glamour.

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21.março.2011 16:00:56

O poder de Anna Wintour

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A revista WSJ, publicada pelo Wall Street Journal, publicou um grande perfil da editora da Vogue America Anna Wintour em sua última edição. A foto da capa, aliás, é uma inteligente metalinguagem do grande texto interno sobre um dos mais influentes nomes da moda mundiais. A inglesa de fama fria e temperamento duro foi a inspiração de Meryl Streeo para seu papel em O Diabo Veste Prada, além de lançar um documentário sobre seu trabalho intitulado The September Issue. Nas páginas da WSJ, a editora Deborah Needleman releva um pouco mais sobre o jeito de ser da jornalista, cujo círculo de amigos próximos inclui Karl Lagerfeld, Marc Jacobs, Oscar de la Renta e Nicole Kidman.

É bem provável que a opinião de Anna seja decisiva para alçar Riccardo Tisci a diretor-criativo da Dior – rumores dizem que o estilista já teria assinado um contrato com o grupo LVMH. Foi Anna quem sugeriu o nome de Marc Jacobs ao cargo de criador da marca quando a Louis Vuitton procurava alguém em 1997. Ela, também, teria aconselhado aos CEOs da equipe contratarem John Galliano como estilista da Dior, antes do escândalo deste ano. A editora da WSJ explica: “Ela é praticamente uma marca global, é preciso questionar como uma pessoa consegue exercer tanta influência sobre tanta gente.”

(Com informações da AP)

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21.março.2011 12:57:17

Isto & Aquilo

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Se o seu sonho de infância era tornar-se uma bailarina, mas a vida lhe trouxe caminhos muito diferentes, talvez seja a hora de mudar de desejos. Mas não é recalque fazer qualquer coisa parecida: na Capodarte, você pode encontrar sapatilhas ainda melhores: feitas de plástico reciclável a R$ 99,90 cada par.

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O estilo de uma pessoa é indissociável de sua personalidade. Que o diga a cantora colombiana Shakira, que está em turnê pelo Brasil de seu novo disco Sale el Sol. Tudo bem que o show previsto para ontem em Brasília não aconteceu por causa da chuva, mas o de Porto Alegre, no dia 15, foi um sucesso. Aqui em São Paulo, o Estádio do Morumbi espera que 70 mil pessoas assistam à apresentação de hoje. Shakira adotou para si o adjetivo sensual como bandeira. Sua dança, a forma como ela sorri, se mexe e se veste, tudo é incrivelmente sexy. E acaba que não dá para separar completamente a persona artística da real. Shakira usa o sex appeal ao se vestir também no dia a dia: não há outra forma de vê-la a não ser com roupas acinturadas e decotes generosos.

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Não dá para garantir que ela use espartilho ou, como a cantora mexicana Thalia, tenha feito cirugia para retirada de uma costela, mas o fáto é que a cintura finíssima de Shakira chama atenção. Suas escolhas de figurino quando o traje é noturno podem ser consideradas polêmicas, mas acho difícil que fosse diferente com o cabelo volumoso que ela escolheu pintar de loiro quando começou a cantar em inglês em 2001. De vez em quando, a artista alisa – como quando encontrou a presidente Dilma Roussef anteontem e lhe deu um violão – mas a verdade é que não combina muito com ela. Quando se veste para o dia ou ocasiões informais, Shakira é branda. Investe nas jaquetas, calças jeans e saltos altos ou paetês e animal print para quebrar a seriedade.

Portanto, para ser uma Shakira, você tem primeiro que passar muito tempo na academia. E segundo, ter um jeito de ser que sustente as opções de outfits: não adianta ser muito tímida ou se incomodar com eventuais cantadas que você recebrá na rua. E também não dá para olhar essas fotos que a gente escolheu e pensar: nossa, que cafona. Se você achou isso de algum dos looks, nunca deverá tentar ter a ousadia de Shakira. Mas se gostou, comece o investimento. Para ela, saias curtas, plataformas e fendas nos vestidos deram muito certo.

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18.março.2011 16:08:43

Lara Stone virou carioca

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Ninguém ficou sabendo, mas a top número 1 do mundo, Lara Stone, esteve em terras brasileiras por um dia. A holandesa veio ao Rio de Janeiro fotografar um editorial para a Vogue americana de abril em uma mansão na zona sul carioca. O autor do ensaio Um Lugar ao Sol foi o fotógrafo peruano Mario Testino e, ao lado da supermodelo, também posou o modelo brasileiro Diego Cristo. Ela parece bastante confortável no sol e no brilho das areias da Cidade Maravilhosa, vestindo modelitos de biquínis de grandes marcas como a Louis Vuitton. Extremamente parecida com a atriz Brigitte Bardot – que ficava hospedada em Búzios durante suas visitas ao País, o que lhe rendeu até uma estatueta na pequena cidade litorânea - Lara foi uma escolha perfeita para o frescor do editorial da Vogue.

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17.março.2011 20:04:29

Mistura de marcas

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A Misturinha, loja itinerante concebida pelas empresárias Gabriela Saldanha e Mônica Kornfeld (acima), lança hoje sua primeira edição no Shopping Iguatemi de São Paulo. Trata-se de uma bela evolução para a marca, já que é début da pop up store em um dos mais importantes shoppings da capital nacional da m0da. O projeto está também no Shopping Market Place desde abril e, em novembro, foi para o Iguatemi de Campinas. A cada edição, novos estilistas integram a loja, o que favorece a descoberta de outros talentos e dão aquela sensação de ‘novidade’ ao consumidor . Desta vez, os nomes são Renato Kherlakian, Erika Ikezili, Nica Kessler, Rafaella Cassolari, Lia Souza, Kosii, Mariana Veniss, Trinitá, Prints I Like – Luisa Aguiar, Vi and Co, e Cosmopolita. Vale a pena dar uma passadinha.

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Dá para fazer moda de qualquer coisa. É isso que provou o ator romeno Alin Teglas ao criar esses anéis de teclados de computadores que, obviamente, ele não usa mais. Além de atuar, ele é DJ de música eletrônica e disse que fez os acessórios como um tributo à sua segunda profissão. A foto foi tirada em um workshop que ele promoveu na cozinha de sua casa.

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17.março.2011 17:15:38

Mais boêmia do que nunca

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 A carioquíssima Farm fez a opção de não participar de qualquer semana de moda do calendário oficial brasileiro. Uma escolha polêmica, mas compreensiva, já que a marca faz mais de duas coleções ao ano e conta com um público incrivelmente fiel – principalmente nas cidades que têm clima e estilo de vida mais parecidos com o do Rio de Janeiro, as outras capitais também vêm aderindo ao estilo alegre da grife. É um sucesso no nordeste inteiro; em Brasília, há grandes filas na porta das lojas quando se anunciam novas coleções ou grandes liquidações; e a loja da Vila Madalena, em São Paulo, é a maior do Brasil.

Ao longo do ano, então, a marca lança minicoleções e uma delas chegou hoje às lojas: é a Bohemian, com grande destaque para as estampas floridas, animal prints e tudo que lembre o estilo boho-chic diretamente das ruas do Soho em Nova York. Portanto, acessórios como bandanas e colares múltiplos combinam-se a saias longas e uma versão muito fofa e prática do sapato hit so próximo inverno: as ankle boots planas, sem saltos. Sobreposições de peças e tecidos também são apostas da coleção, que leva, obviamente, a cartela de cores multicolorida tão característica da Farm.

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  • Quem Faz

    Quem Faz

    Mariana Belley

    Mariana Belley, 25 anos, é jornalista, taurina e vegetariana. Ama os clássicos da música brasileira e dança rock. Prefere meia-calça à calça jeans e o batom rosa chock ao vermelho. E adora moda, muito!

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