
Olha a Grace Kelly de alpargatas (FOTO: REPRODUÇÃO)
Eu estava de férias. Depois de um ano intenso – tchau, 2010! – merecia uns dias de descanso. Por isso, a Crítica de Segunda ficou algumas semanas fora do ar. E algo mágico aconteceu nessas férias, algo que batizei de efeito alpargatas (se você preferir, chame de efeito espadrilles, mais afrancesado, ou efeito esparteñas, bem argentino).
Eu fui para Colônia do Sacramento, no Uruguai, uma cidade colonial, meio Trancoso meio Parati, só que no lugar do mar fica o Rio da Prata. Caminhando pelas ruas de paralelepípedo, de repente me deu uma vontade enorme de ter alpargatas, de tecido e sola de corda, bem hippie. Subi duas ruas, virei uma, andei cinco quadras e eis que surge uma lojinha dessas que tem tudo, de Gatorade a alfajor, passando por… alpargatas!
Azuis, listradas, floridas. Custava R$ 30, o par. Não tive dúvidas e comprei um. Alpargatas de sola de palha me lembra uma vida meio Provence, meio província, com sol na cara e cheio de lavanda no ar.
Mas eu estava no Uruguai e, embora o sol estivesse forte, não havia nenhum pé de lavanda pra contar história. Mas, mesmo assim, as alpargatas funcionaram como aqueles sapatos mágicos que dançam sozinhos: foi só colocar as sapatilhas de sola de corda para começar a andar mais devagar, olhar mais para as coisas, dar um sorrisão e ver mais graça em tudo. Tá bom, tudo isso também pode ser atribuído ao fato de eu estar de férias. Mas há, sim – e isso é até tema de estudo – peças de roupa mágicas.
Elas funcionam como uma espécie de amuleto e todo mundo tem o seu. É aquele cinto para arrasar na balada ou aquele vestido que aumenta a confiança. Pode ser um lance passageiro, como a calcinha nova do Réveillon. Ou um longo relacionamento, como aquele pijama que vale por um abraço.
Essas peças mágicas passam longe de tendências. Não respeitam as cores da moda nem a silhueta do momento. E eu é que não vou defender que todo mundo tenha alpargatas mágicas. Até porque andar por aí pisando em uma sola de corda que, ao menor sinal de umidade, empena em um sapato que, um, dois e já, começa a soltar do pé porque o tecido dele esgarça, não é algo defensável. O meu ponto é outro e é um voto de ano novo: que todo mundo encontre, ao longo de 2011, peças mágicas com efeitos tão alto astral quanto o das minhas alpargatas.
E para não dizer que eu não falei de moda: excelente esse desfile de Lucas Nascimento na Fashion Rio! Ele é o que de melhor surgiu no cenário brasileiro recente e já está entre os melhores estilistas em atuação.

Esse texto (em inglês) da escritora e editora Dominique Browning para o New York Times está rodando a internet há alguns dias. Nele, a autora defende o direito de ter cabelo comprido aos 55 anos. Cabelo comprido e grisalho.
Ela lista uma série de críticas que são feitas a ela por manter as madeixas longas. De “você está querendo se esconder” a “isso atrapalha a sua credibilidade profissional”. De fato espera-se das mulheres de “meia-idade” que elas cortem o cabelo. No máximo na altura dos ombros. Velha mesmo, de 70 para cima, melhor que corte curto.
Para “piorar”, Dominique não tinge o cabelo.
Ela está fazendo tudo ao contrário do esperado e é justamente por isso que seu texto está circulando tanto. No domingo, o correspondente do Estado Gustavo Chacra, do blog De Beirute a Nova York, postou esse link no Facebook. Em seguida, uma amiga dele comentou: “Já as mulheres brasileiras continuam com fobia de cabelo curto”. É fato que é muito mais fácil achar mulheres de cabelos compridos do que mulheres de cabelos curtos, basta olhar a seu redor.
Eu acho bem mais difícil ter cabelo comprido do que curto. E não é pelo trabalho que dá nem nada disso. Mas porque o cabelo comprido tem uma sensualidade constante, parcialmente domada quando preso. Mas há um constante sinal de sensualidade. E você tem de lidar com isso, mesmo que não perceba.
Meu palpite é que é por isso que espera-se das mulheres mais velhas que elas cortem o cabelo. Para esse mundo careta, mulheres mais velhas, mães, avós, não rimam com sensualidade. No final de seu texto, Dominique lista a última das acusações feitas a ela por manter a cabeleira:
“Homens gostam de cabelo comprido”. Espera. Você diz isso como uma acusação? Cabelo comprido é arquetípico. E todo mundo sabe que arquétipos são emaranhados de desejo. É por isso que sereias e bruxas têm cabelo comprido. Bailarinas também. Todo mundo conhece a Rapunzel e como ela fica lá sentada na sua torre solitária, com a trança comprida pendurada pela janela, até que o príncipe escale seus cabelos para resgatá-la. Ou engravidá-la, de acordo com a versão que você leu. De um jeito ou de outro, funcionou.
É comum mulheres serem criticadas por outras mulheres por usarem ou adotarem coisas de que os homens gostam. Saia curta, decotão, cabelo comprido… junte tudo isso e mostre para um grupo de mulheres, a resposta vem em um segundo: piriguete. Não é que eu defenda que as mulheres se vistam exclusivamente para agradar aos homens. Mas também não acho que é preciso ir ao extremo oposto. E, muito menos, julgar quem escolhe se enfeitar com esse objetivo.
Oskar Metsavaht, da Osklen, assina uma pequena coleção para a Riachuelo. Renato Kherlakian, ex-Zoomp, cria uma coleção de jeans para a C&A. A Renner abre uma loja virtual e vem ganhando destaque por ser cobiçada por investidores internacionais, que detêm 90% de suas ações. Isto sem falar nas lojas novas da Renner e da Marisa na Avenida Paulista. O grande varejo de moda só faz crescer.
Enquanto isso, os olhos de todas as consumidoras brasileiras brilham a cada vez que renasce o rumor da vinda da H&M e da TopShop ao País. Euforia semelhante à de quando foi anunciada a chegada da Zara, primeira parada de 10 entre 10 mulheres que precisam comprar uma peça esperta mas não querem gastar uma fortuna.
A Rua José Paulino é ainda uma boa saída para compras populares em São Paulo
É indiscutível que há diferença de qualidade entre a peça à venda em uma grande rede de varejo e aquela vendida na loja da grife renomada. Mas será que a diferença de qualidade é tão grande quanto a de preço? Eu custo a acreditar que seja.
Ainda, é claro que há momentos em que o filtro de uma grife é fundamental. Além dos atributos da própria peça (tecido melhor, acabamento mais refinado, etc.), há uma garantia de bom gosto em outra comprada numa loja reconhecida. Se você precisa de um vestido de festa e decide comprá-lo na Rua José Paulino, o sucesso da compra depende quase exclusivamente do seu olhar. Em uma loja de grife, há a chancela do bom gosto. A margem de erro é, de fato, menor.
Mas de tanto passear por araras e araras de C&A, Renner, Riachuelo, Marisa, Zara e todas as lojas do Bom Retiro ou outras ruas de comércio semelhantes, a consumidora vai desenvolvendo um olhar. Ainda que seja um olhar pautado por um gosto de que você discorde, o fato é que a consumidora aprende a escolher. E uma vez que identifica seu estilo num amontoado de outras peças, cada vez depende menos dessa chancela das grifes.

A expectativa para a abertura da loja Top Shop no Brasil é gigantesca; rumores são para 2011
Claro que quem pode entrar na Osklen, escolher o que quiser e passar no cartão sem preocupações não vai despencar na Riachuelo para ver o que Oskar Metsavaht propôs em sua minicoleção popular. Mas, para a maior parte das mortais, os investimentos das redes de varejo em coleções assinadas é sempre uma boa.
E mais: o ritual de garimpar roupas em lugares baratos pode resultar naquele que eu acho o maior reconhecimento de estilo que se pode ter. É quando alguém elogia uma roupa que você comprou e você diz: “Ah, sim, é linda, né? Paguei uma merreca”.

No desfile da Lanvin, gel e rabo de cavalo
Uma espiada rápida pelas fotos e pela cobertura dos desfiles internacionais aponta duas tendências controversas para o cabelo: a volta do gel molhado e a adoção de duas trancinhas, tipo festa junina.
Lanvin e Prada mostraram cabelos com aspecto molhado, com aquela cara de gel dos anos 1980. Haja coragem para resgatar essa. Só de lembrar do cheiro daquele gel azul que vinha num potão de plástico eu tenho calafrios. Mas esses looks molhados apontam para uma outra direção que é sempre bem-vinda: a cara de acabei de sair do banho. Sabe quando você deixa o cabelo secar de qualquer jeito e ele fica todo meio bagunçado e com uns gomos? Então, Paris aprova. Pode aposentar secador, chapinha e escovas.

No da Prada, o gel grudou o cabelo na cabeça
A tendência das trancinhas é complicada porém simpática. Preciso confessar, sou adepta delas há algum tempo. Na verdade, desde as minhas últimas férias, em julho do ano passado (o que me faz achar, por um breve instante, que eu antecipei essa. Ok, já passou o breve instante).
Férias, aliás, são um ótimo momento para testar novos penteados. Longe das pessoas que você vê todos os dias, dá para experimentar o new look e ganhar confiança, para, na volta, apresentá-lo ao público.
Mas é é preciso tomar cuidado com a adoção das duas trancinhas. É muito fácil ficar com cara de quem está prestes a dançar uma quadrilha (ainda mais se você estiver bem na moda, de camisa xadrez).
A trança, no desfile da Givenchy, começa já quase na ponta do cabelo
Em primeiro lugar, nem pense em fazer as tranças apertadas desde o couro cabeludo. Deixe tudo meio frouxo, como no desfile da Givenchy. E a ideia que o desfile do Galliano apresenta também vai bem: tem uma fita toda bagunçada na trança. A ideia é fugir daquele trançado perfeito, regular, com um gominho para lá e outro, do mesmo tamanho, para cá.

Olha a fita fazendo a bagunça na trança do desfile do Galliano
A minha técnica é a seguinte: eu faço as duas tranças bem frouxas e bem atrás da cabeça – aliás, é bom evitar fazer as tranças muito aqui na frente, para afastar o clima junino. Daí, quando elas estão prontas, eu pego a ponta do cabelo e puxo o elástico para cima, para ficar tudo bem embolado.

Fica assim, ó
De lenhador, de caubói, de grunge: a camisa xadrez sempre teve dono. Uma breve definição antes de tudo. Camisa xadrez de verdade é de flanela, quase sempre com botões de pressão (leia a maravilhosa história da inserção dos botões de pressão na camisa de caubói aqui, em inglês), com aquele recorte que faz um bico no meio das costas e dois bicos na frente. Isso é uma camisa xadrez.
E ela sempre teve dono. Seu complemento ideal sempre foi o jeans. Às vezes, mais justo, como no caso dos caubóis (nada como uma boa calça caubói cut, aquela que é bem certa em cima e dá uma alargadinha embaixo para o encaixe das botas), às vezes, largão e rasgado, caso dos grunges.
De uns anos para cá, a camisa xadrez, agora vale qualquer uma, também ganhou espaço entre os indies. E o jeans continuava lá, quase sempre skinny. Era só colocar o óculos de aro grosso e pronto, visual feito.
Pois neste sábado, observando a fila da Royal, danceteria frequentada por patricinhas no centro de São Paulo, tomei um susto. Até elas abraçaram a camisa xadrez. Eu sabia que a peça estava na moda. Basta ir ao Bom Retiro, meu termômetro favorito para saber o que as pessoas estão de fato usando, para perceber que a camisa xadrez é a bola da vez. Mas nunca havia imaginado que a popularidade era tanta. Patricinhas, na balada, de camisa xadrez.
Dobrando a esquina do Royal tem o Alberta #3, frequentado por moderninhos e indies em geral. Daí que a adoção geral da peça em questão fez que, naquela esquina, fosse difícil adivinhar para qual balada a menina estava indo. É verdade que basta olhar para o cabelo para desfazer o mistério. Chapinha? Royal. Franjão? Alberta #3.
De cabelo alisado ou franja na cara, eu acho que todo mundo fica ótimo fantasiado de caubói. E quanto mais desengonçada for a camisa, mais acho bonito.

Eu sei, eu sei, só se fala em Semana de Moda de NY, Semana de Moda de Londres e tudo o que está rolando nessas semanas no mundo da moda. E eu vi fotos e achei uns desfiles legais, outros menos, mas tudo mais ou menos como sempre.
Daí, no domingo, em plena tardinha chuvosa, lá fui eu ao cinema para ver o documentário Dzi Croquettes. E que me perdoem todos os estilistas em atividade nas duas principais capitais da moda no mundo, mas não há porque falar deles depois de ver esse filme. Desde as 15h de ontem, pode mostrar pra mim o melhor look da semana de moda de NY: eu só consigo pensar em Dzi Croquettes.
O grupo, formado por 13 homens lindos e talentosos, atores, bailarinos e que tais, surge em meados da década de 1970 e causa geral se apresentando travestidos de mulheres, em shows que levavam a sexualidade ao limite do ambíguo.
O documentário, do ano passado, é cheio de imagens de arquivo. E é aí que está o pulo do gato: aquelas imagens, de meados dos anos 1970 e dos anos 1980 são tão mais emocionantes do que todas as imagens que se pode ver hoje juntas. Havia ali um vigor, um vanguardismo, um escracho…
Sem nostalgia com o passado, não é isso não. Passadismo é tão démodé quanto o termo démodé. Mas havia, ali em cena, quando esse grupo se apresentava, uma completa despreocupação com o que é de bom gosto e o que é de mau gosto, chancela de que hoje não se escapa. Eles foram o pontapé do movimento gay no Brasil, embora não levantassem essa bandeira. A única bandeira que levantavam era a do amor, e essa nunca deveria sair de moda.
Quem eram, afinal, esses caras? Eles se descreviam, bilhantemente, assim: nem homem, nem mulher. Gente.
Não importa se você gosta de grafite ou se é ligado em documentários, tem um filme que você precisa ver. Exit through the Gift Shop (A saída é pela lojinha) acompanha alguns dos principais grafiteiros do mundo, como o Invader (que espalha Space Invaders por aí, especialmente por Paris) e o Obey (o que fez o poster do Obama), até chegar ao nome máximo do ramo, Banksy, sempre cercado de mistério. Para saber mais sobre o filme e sobre Banksy, leia a coluna Impressão Digital, de Alexandre Matias, que saiu no domingo, 12.
Dá uma olhada na abertura do filme:
É tanto mistério que só a silhueta dele aparece, com a voz dissimulada por um efeito daqueles de telejornal querendo esconder a identidade do entrevistado.
Da silhueta do mito só dá para sacar duas coisas: ele usa roupas largas e com um capuz muito muito grande. Sem grandes sobressaltos, afinal, esse é o traje padrão de grafiteiros, skatistas e outros adeptos da vida nas ruas das grandes cidades.
No caso de Banksy, o capuz é um pouco como máscara, afinal, ele é envolvido em mistério, ninguém sabe quem ele é ou qual é a cara dele. Mas e a calça? Por que todos esses caras usam calças gigantes? O próprio Banksy explica:
“Usar jeans dois tamanhos maior do que o seu, de maneira que eles fiquem pendurados abaixo de sua bunda, foi algo inventado em Los Angeles. Parece que os moleques da quebrada herdam as roupas de seus irmãos mais velhos, então, quanto maiores suas calças, maiores são seus irmãos. Isso faz todo o sentido, até o momento em que você vai pixar uma fonte. Se os seus jeans oversized molham e você não tem um cinto, eles tendem a cair até a metade das pernas. E não importa o tamanho dos seus irmãos quando os caras bêbados passam por você, esperando o ônibus, e parece que você está todo mijado.”
No fim do século 18, na França, as mulheres começaram a usar as saias, bem rodadas, puxadas para trás, amarradas. A origem do hábito? Veio das mulheres mais pobres, que trabalhavam nas casas das madames e eram, em grande parte, polonesas: elas prendiam o excesso de tecido para trás para poder trabalhar. O truque virou moda e ganhou o nome de à la polonaise.
Algumas das maiores modas surgem assim. Primeiro, os meninos herdam as calças de seus irmãos, depois, já compram calças maiores, daí, as grifes lançam calças enormes. E por aí a coisa vai.
Obra de Rachel Whiteread, artista inglesa, que integra a coleção do Museu de Arte Moderna de NY
Passei por uns meses de reforma recentemente. Nesses meses, 70% do meu guarda-roupa ficou fechado em malas em um quarto – também fechado – no meio da obra. Ou seja, inacessível. Durante esse período (quase quatro meses), eu vivi com umas três calças, dez blusas, entre camisetas e camisas, umas três malhas de frio, duas saias, quatro pares de sapato. Enfim, com praticamente uma muda de roupa, uma espécie de mala de viagem.
Em algum momento comecei a achar que não precisamos de muito mais do que isso: o básico, um vestido mais assim, uma blusa mais assado. E pronto. Uma vida minimalista, com um armário pequeno e desatulhado. Um exercício de desapego, uma destilação do estilo.
Daí, esses dias, finalmente, chegou a hora de reabrir as malas que ficaram fechadas e juntar a minha muda de roupa itinerante a elas. Todo mundo sabe o prazer que é redescobrir peças de roupa esquecidas. Reinaugurar uma calça que há muito estava guardada. Ressuscitar uma blusa que tinha caído no fundo do gaveteiro.
Mas, ali, enquanto rearrumava as minhas roupas, eu acho que entendi porque é preciso ter tanta roupa, tanto sapato, tanta bolsa.
Destilar seu estilo a ponto de reduzir o guarda-roupa a algo que cabe em uma mala pressupõe que você sempre vai querer aquelas mesmas peças, aquela cartela de cores reduzida. E, então, um dia você acorda amarela e rendada. E faz o que? É nessa hora que aquele vestido que você comprou na viagem de férias no Nordeste e que foi usado duas vezes sai do armário de novo para dar uma volta.
As roupas que habitam o armário são as várias possibilidades de suas donas. Suas várias manifestações, porque todo mundo um dia acorda mais veludo, algo jeans, meio vermelho, superpreto, mais godê, meio reta.
Este é o último look do desfile da coleção 111 (primavera/verão 2007) de Hussein Chalayan. As roupas todas se movimentavam, com pequenos mecanismos que alteravam suas formas em plenos desfile. No último look, o chapéu engole o vestido da modelo.
Para que rever o fim de um desfile de 2007? Para lembrar de algumas coisas:
1. Moda pode ser metáfora, e, quando isso acontece, ultrapassa a dimensão de veste e se esparrama por territórios mais poéticos, mais abstratos, menos materiais.
2. Moda pode estar na total eliminação da roupa. Pode frequentar o corpo, o lugar, o clima, a música, o ar.
3. Estilistas que procuram caminhos menos exatos para sua criação merecem ser revisitados, independentemente da tendência que já passou, das cores que esmaeceram, do negócio que não deu certo.
4. Há momentos em que a moda chega muito perto de parecer arte, embora, na minha modesta opinião, ela fica sempre melhor como moda mesmo, ainda que esgarce seus próprios domínios.
Está em cartaz, no museu Istanbul Modern, na Turquia, uma retrospectiva do trabalho de Hussein Chalayan. A mostra foi organizada pelo Design Museum de Londres. Tomara que ela venha para o Brasil em algum momento.
Está claro desde o começo do inverno: o look desta estação que está chegando ao fim foi o shortinho com meia-calça. Na balada, durante o dia, não importa. Lá estão eles combinados. A meia costuma ser opaca, o short, levemente bufante. Nos pés, tênis para as mais roqueiras, saltos para as mais patricinhas.
Toda vez que vejo uma menina com short e meia-calça, duas coisas me vêm à cabeça:
1. Detesto. Não entendo essa moda aí. Porque se está frio, eu ponho calça de uma vez. É como aquelas blusas de tricô que são regata e de gola alta. Ou bem você está com frio e quer um tricô de gola alta ou bem está de calor e sai de regata. As duas coisas juntas simplesmente não fazem o menor sentido.
2. Acho lindo. Principalmente, quando o short é bem bufante. Porque daí a menina fica parecendo um cavalheiro do século 16, de culote, gibão e meia bem esticada.
Em suma, eu não uso porque tendo a ser prática (na linha: está frio, calça), mas não acho feio não. Apenas faço uma sugestão: preste bastante atenção se você tiver pernas curtas ou coxas grossas. Esse look do momento dá uma bela achatada na silhueta.
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