Isabela Capeto filtrou todas as referências que buscou em viagens pelo mundo para produzir sua coleção inverno 2010. O resultado foram vestidos leves e ricos em detalhes. Bordados, apliques em canutilhos, paetês, penas, argolas, fitas e muitas miçangas deram sofisticação a looks aparentemente simples.
Como base, tecidos em veludo, cetins, mousseline, renda, tule e até mesmo flanela e pelo criaram este mosaico contemporâneo de Isabela, que carrega nas referências, mas sem perder o senso crítico.
Da paleta de cores e estampas, que sugeriram até mesmo o marrom das manchas de café, passava por uma delicada variação de tomate, cereja, pêssego até chegar ao dijon (mostarda), ametista, preto e branco. Detalhe: o brinde dado aos convidados foi um suporte de coador estilizado, verde, super fashion.

A foto da esquerda é do desfile verão-2010 de Gloria Coelho. A da direita, do inverno-2010.
Curiosamente os dois aconteceram no dia 20. O da esquerda, em 20 de junho de 2009. O da direita, em 20 de janeiro de 2010.
Eles são bem parecidos, certo? Certo. Isso pode ser visto de várias formas. É possível ver como preguiça, como repetição, como esgotamento. Mas também dá para ver como uma escolha, a estilista pode ter decidido focar certos aspectos formais e desenvolve-los por um tempo maior do que os 6 meses que separam uma temporada da outra. O que você acha? É evolução ou esgotamento?


Ninguém, ninguém mesmo, a não ser a própria equipe, sabe o que vai aparecer no desfile de Isabela Capeto, no último dia do evento. O motivo é bastante simples: “É para não estragar a surpresa”, diz a estilista, sem mais nenhum A. Até insistimos bastante, mas não teve jeito. Mas uma dica, uma bem pequenininha, até que conseguimos: não teremos mudanças bruscas no trabalho que já vem sendo feito. “Esta é a minha identidade, não tem jeito”, diz Isabela. O que isso significa? Muita coisa: talvez haja os vestidinhos românticos, os bordados – que andaram meio de lado nos últimos desfiles – e todos aqueles elementos super femininos que marcaram a carreira da criadora. É ver para crer.
O estilista
Formada pela Accademia di Moda, em Florença. Passou pela área de criação das grifes Maria Bonita, Maria Bonita Extra e Lenny. Seu ateliê próprio foi inaugurado em 2003, na Gávea, Rio de Janeiro. Prima pelo romantismo em suas roupas, usando sempre rendas e plissados antigos.
A grife
Está presente em lojas de mais de 20 países. Sua primeira loja foi inaugurada no Rio em 2005, na Rua Dias Ferreira – além desta, hoje Isabela também está no bairro dos Jardins, em São Paulo. E desfile na SPFW desde a edição de inverno de 2004.
Como foi o Inverno 2009
O mundo dos vikings foi a inspiração para a coleção marcada pelo branco e pelo gelo em peças de tricô com pontos grandes e muita flanela. Sapato baixo de couro, meia-calça opaca e vestidinhos curtos deram ares camponeses ao desfile.
E também o Verão 2010
O tema da coleção foi o artista Robert Rauschenberg, precursor da pop art, e guiou o modo de criar. Materiais que sobraram de coleções anteriores foram sendo recortados, o que levou a uma cartela de cores forte. As roupas tinham linhas masculinas, retonas, mas com um clima bem pop.

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Wilson Ranieri uniu a maleabilidade da moulage, técnica que domina como poucos, à elegância da alfaiataria para criar um inverno delicado e estiloso. Em um trabalho meticuloso, que une diferentes formas e materiais, o estilista torceu cetins, malhas metalizadas, malhas mescladas e cottons com uma criatividade de bom gosto. O resultado: formas espontâneas que parecem sobreposições - mas não são. Para dar forma às ideias livres de Ranieri (o estilista não gosta de seguir uma tendência ou tema específico), cores como vermelho terroso, marron, bois de rose (um rosa desbotado), grafite, rosa e muito cinza. “O cinza foi uma base da qual tirei outras cores híbridas. Ao misturar rosa e cinza, por exemplo, saímos com uma terceira, e nova, cor”, explicou.
Destaque para a calça-saia em cetim (calça na frente, saia atrás). A mesma ideia, que garante efeito lúdico e movimento, ‘vira do avesso’ em outro look, já na versão saia-calça. O modelo, que fecha o desfile, chega em tom rosa cetim. Desta vez, saia na frente e calça atrás.
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Se na coleção feminina Herchcovitch escolheu o leste europeu e a obra do cineasta russo Sergei Parajanov como temas; na masculina, ele buscou inspiração no filme O Sétimo Selo (1957), do sueco Ingmar Bergman.
No inverno 2010, o homem da grife joga xadrez com a morte. A atmosfera é medieval, com direito a capuz e mantô. A alfaiataria bem-cuidada tem a formalidade quebrada pelo jogo de sobreposições e também pela presença bem-humorada da Melissa aranha nos pés (só que, para eles, o modelo clássico é de couro). Para completar, o homem imaginado por Herchcovitch ousa usar meia arrastão, legging e calça saruel. E, no pescoço, colares com pendentes enormes, criados por Regina Dabdab.
Detalhe: todos os modelos, numa sugestão ao xadrez com a morte, entraram ‘de caveira’ na passarela. “A beleza desse desfile é bem simples, todos tiveram que raspar a cabeça e ganhar um make-up de caveira”, ironizou o estilista nos bastidores, após a apresentação.
Se o inverno é um tabuleiro, as cores só poderiam ser preto e branco. As estampas variaram do quadriculado ao xadrez, passando por tons de chumbo, vermelho e azul. Nas formas, destaque para os casacos meio trench code, meio mantô. “Quis fazer um jogo entre o clima de inverno medieval e a atualidade do trench code. O homem que veste Herchcovitch tem o perfil muito variado. Mas é certo que ele quer marcar posição com sua forma de vestir”, concluiu o estilista.
As sobrancelhas sumiram em grande parte dos desfiles da SPFW. Está na moda ter pestanas da cor da pele, assim como as unhas e o batom estão ‘nude’.

Mas essa moda pega? O blog de Moda do Estadão conversou com maquiadores dos desfiles e eles dizem que sim, que muitas mulheres pedem para abaixar o tom da sobrancelha. “Perde o ar de brava e deixa a expressão mais leve”, conta Nathalia Alves, integrante da equipe de Celso Kamura.

Quer adotar a tendência nude total, tome um cuidado: não pode deixar a sobrancelha avermelhar. Todos os fios têm pigmentação vermelha. É preciso neutralizar a pestana no momento certo durante o processo de clareamento.

Para quem não quer adotar a moda totalmente mas gostou da ideia, uma dica é fazer como no desfile da Priscilla Darolt, em que o maquiador Max Weber aplicou pó na sobrancelha das modelos.



Atualização: A Tábata Alves perguntou como funciona essa coisa das sobrancelhas no caso das negras. Achamos essa foto de modelo negra com a sobrancelha bem clarinha. Nosso palpite: ela apenas afinou as pestanas e provavelmente tirou um pouco do volume da parte mais cheia. Uma boa dica, porém, é usar uma sombra da cor da pele sobre os pelos. Assim no dia seguinte você ainda está com a sobrancelha no lugar.
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Erika Ikezili foi buscar nas artes plásticas, especialmente na relação entre luz e sombra, a inspiração para seus 17 looks. Os vestidos eram trapézios invertidos, com volume na parte de cima e um um corte mais estreito nos quadris. As mangas bufantes, uma das tendências nesta edição SPFW, reinaram. Drapeados, recortes e dobras, marcas registradas da estilista, deram a tônica do desfile.
Vestidos e blusas tinham recortes e grandes decotes em V. O preto teve vez, mesclado com cores singelas, como verde-água, lilás, cinza, cru e pêssego. Apesar de ser uma coleção de inverno, tecidos leves, como algodão, seda e malha de linho, foram as apostas da estilista. A gaze artesanal feita com aplicações em vinho chamou a atenção. Nos pés, ankle boots, outro hit da estação, adornadas com tachas. (Maiara Camargo)
As letrinhas que Erika Ikezili prometeu para as estampas estavam todas lá no desfile da grife. A estilista usou fontes que remetem aos anos 50.
“Eu quis trabalhar a coisa da sombra, que fica com silhueta alongada”, explica. “Daí a roupa ficou com uma modelagem meio anos 20, um pouco anos 40 também.” As letras também apareciam em metal dourado, aplicadas sobre o tecido.
Uma das estampas era de letras sobre folhagens. No backstage, sobraram plantas de verdade que tinham um letreiro com o nome da estilista. Será que vai para a fachada da loja?
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