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Moda

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As formas criadas pela arquiteta Lina Bo Bardi foram o ponto de partida das formas desconstruídas apresentadas pela grife Maria Bonita em seu desfile do Sesc Pompéia, uma das obras mais célebres da arquiteta.

Traduzindo o espírito da mulher que é moderna, mas sem frufrus, a estilista Danielle Jensen no trabalho da arquiteta, buscou inspiração em obras como o Masp e o Sesc Pompéia, as linhas para looks rígidos e geométricos.

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Sob o sol quente desta manhã desegunda, a grife apresentou um interessante paralelo entre as curvas e grafismos das peças e as formas originais que Lina criou para o Sesc.

As tops desfilaram vestidos ‘de concreto armado’ e paletós e calças ‘de treliça’ que conversavam com as estruturas do Sesc.

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As emendas entre quadradinhos de lã e de linho são tão aparentes quando as fiações e estruturas nos prédios da arquiteta e em todas as obras da arquitetura modernista brasileira.

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Se parecem leve ao olhar, nas mãos, as tramas geométricas deixam claro que seguram bem o frio. Lã e linho são usados com tecidos naturais e outros tecnológicos em uma boa aproximação entre robusto e o delicado.

As cores têm tons de cimento, como o cinza-asfalto, e uma gama mais orgânica, com nomes como ‘janelinha vermelha’, ‘verde-grama’ e tons de azul e furta-cor.

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O inverno da Maria Bonita é como a identidade da própria grife, sofisticado, mas sem perder a ternura.

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Se tem uma pessoa cujo guarda-roupa deve causar curiosidade, esta pessoa é o DJ Zé Pedro – afinal, quem não se lembra dos tempos em que o moço aparecia cada dia com o visual mais exótico no programa É Show, de Adriane Galisteu?

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Pois ele estava nos corredores da Bienal. E o que estava vestindo? “Camisa do Alê [Alexandre Herchcovitch], boné da New Wear e sapato Pony”, lista Zé.

E o que é curinga no guarda-roupa? “Camisa preta.”

E se fosse para dar uma roupa de presente para uma amiga, o que seria? “Um vestido de André Lima.”

Só para lembrar, o desfile de André Lima é o último do último dia.

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Não deve ter sido muito fácil. A pergunta que Alessandra Ambrósio mais ouvia era: “Como é estar substituindo a Gisele”. A resposta vem, meiga, na ponta da língua: “Não estou aqui para substituir ninguém”, começa. “Cada modelo é uma modelo. Eu só a substituiria se fossemos gêmeas.”

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Seja o que for, a moça arrancou aplausos da plateia, em um desfile bastante estrelado: o galã Cauã Reymond também desfilou para a marca. Como foi dividir a passarela com ele? “Nós dois nos damos super bem. Nos conhecemos há bastante tempo e já trabalhamos muito juntos”, conta.

Alessandra adora o Brasil, mas estará de partida em breve. Dentro de dois dias, para ser exato. “Mas eu volto logo. Odeio o frio de Nova York.” O retorno precoce tem motivo: a filhinha recém-nascida da modelo. Um mimo só. “Ela já fala mamãe, papai, bola…”

Antes de terminar o assunto (e mais alguém perguntar sobre a Gisele), ainda dá tempo de saber qual é o estilo da modelo: “Tudo depende da ocasião”, começa. “Às vezes estou mais rock’n'roll, mas às vezes eu quero uma coisa mais confortável… se eu vou para a praia, eu quero uma canga… e assim vai.”

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18.janeiro.2010 10:08:11

Gangues em Milão

A temporada inverno 2010-11 de desfiles de moda masculina teve um certo quê de briga de gangues.

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A passarela da Bottega Venetta foi invadida por Teddy Boys, tribo urbana da década de 1950 que reunia tipos invocados com topetes elaborados. Entre as marcas da tribo está essa gravata fininha em forma de laço.

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A Dolce&Gabbana voltou às origens com força total e foi buscar no guarda-roupa do homem siciliano alguns clássicos para a sua coleção de inverno.

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Regatas, ceroulas, camisas brancas e chapéu de lã vestiram bandos de modelos que entraram na passarela ao mesmo tempo. O clima é de briga de gangue mesmo.

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E o que aconteceria se eles escontrassem essa turma de Ermenegildo Zegna que fica entre os mafiosos de Chicago e os financistas de Wall Street pós-crise de 1929.

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Vivienne Westwood colocou homens saindo de caixas de papelão na passarela de Milão. Ela apresentou no domingo a sua coleção masculina de inverno para 2010-2011.

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Carrinho de compras, barbas congeladas e coroa de papel apareceram no divertido desfile da estilista inglesa, que não deixa de dar um ar punk a cada um dos looks apresentados.

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No final, ela entrou assim para agradecer os aplausos: sobre uma maca.

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Suéteres muito justos, curtos, como se fossem de um tamanho menor mesmo, combinados a elegantes casacos e ternos, são a aposta da Prada para o inverno 2010-11.

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A marca apresentou sua coleção masculina no domingo em Milão. Além dos tricôzinhos, peças pretas e cor-de-camelo dominaram a apresentação.

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Encerrando o primeiro dia de SPFW, a Colcci surgiu amadurecida, ainda que mantendo sua proposta altamente comercial. A grife chegou em clima de folhas secas e tons desgastados pelo tempo. Jeans envelhecidos casaram com chapéus cowboy, ankle boots e polainas.

Para desfilar esta moda ‘Os Pioneiros’, o trio Alessandra Ambrósio, Isabel Goulart e Cauã Reymond abriam, rechearam e enfeitaram um desfile em tons rosa antigo e verde floresta.

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O caráter urbano ficou por conta dos cinzas, ‘cinza concreto’ e das tachinhas aplicadas sobre o jeans. Para completar, muito tricô.
Nantôs, cachecóis e coletes garantem o conforto no inverno chuvoso. Não faltaram looks com capas de chuva.

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O esperado desfile da Rosa Chá, que marcou a estreia do Alexandre Herchcovitch na moda praia, mostrou estampas cítricas, rendas e detalhes que mais lembram a lingerie do que o maiô.

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A coleção apresentada foi bastante conceitual. E muita gente na plateia ficou sem saber o que o estilista pretende colocar na prateleira das lojas.

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As tops surgiram na passarela praticamente cobertas com o antigo duas peças, tão usado pelas nossas avós. Na parte de cima, tops estruturados, com bojo, e na parte de baixo, leggings e às vezes uma calcinha quase shorts.

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As modelos ficaram um tanto apagadas. Nem mesmo a americana Chanel Iman conseguiu mostrar seu corpão e brilhar.

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17.janeiro.2010 22:22:05

Ele é imprevisível

Desfile da coleção verão 2010 de Reinaldo Lourenço

Desfile da coleção verão 2010 de Reinaldo Lourenço

Nenhum detalhe sobre o desfile de Reinaldo Lourenço (2ª, 12h30) foi divulgado – como sempre. A consultora de moda Flávia Pommianosky acredita que “só dá para esperar coisa boa”. Isto porque o nome do estilista sempre aparece entre os melhores desfiles das edições da SPFW. Mas o que Lourenço emplacou nas últimas edições? A ráfia, em ternos e até em shorts (!). Além disso, há um certo toque masculino em suas peças de alfaiataria. E as tendências? Melhor não esperar que ele siga outros fashionistas – o estilista possui seus próprios métodos de criação. Zero é a chance de previsibilidade, a julgar pela distância entre os temas das duas últimas coleções.

O estilista
“A mulher que veste minhas roupas é contemporânea, gosta de moda, gosta de design, tem prazer em se vestir”, define o próprio estilista. Nascido em Presidente Prudente, Reinaldo Lourenço começou a fazer moda aos 15 anos. Participou do curso de estilismo do Studio Berçot de Paris e foi assistente de Costanza Pascolato. Começou a fazer suas próprias criações em 1977: com a ajuda de uma costureira, preparou looks completos para amigos e virou sensação em festas colegiais. No começo dos anos 80, tornou-se assistente de Glória Coelho, com quem viria a se casar mais tarde. Ao longo do tempo, foi ganhando projeção, até atingir o nível de estilista internacional com a publicação de uma matéria na edição de fevereiro de 2000 na revista Vogue inglesa, descrevendo-o como “o designer brasileiro hi-glam”. Sua marca está presente na Europa, Ásia e América do Norte. No Brasil, além de suas três lojas próprias, vende em mais de 70 multimarcas espalhadas pelo país.

Como foi o Inverno 2009
O art déco foi levado para a passarela. Os traços angulosos, que marcaram o período, estavam todos lá. Em diversos momentos, as modelos se assemelhavam a edifícios, com recortes de espelhos lembrando o mosaico formado por janelas de um prédio. A metrópole do estilista foi além, com ‘maxipences’ nas laterais dos pesados casacos, carregados nos tons de preto e bordô. Vinil cortado a laser foi usado para dar brilho aos detalhes. O aspecto ‘sobre-humano’ da coleção veio em peças em que as mangas, na altura do pulso, se estendiam como asas, além dos tecidos abrilhantados que davam aspecto de lâminas metálicas a vestidos curtos ou casacos, que pareciam ter estrutura própria.

E também o Verão 2010
Silhuetas mais do que femininas marcaram esta coleção. A modelagem das roupas, que davam a impressão de vestir pin-ups modernas, teve inspiração no período cafeeiro de São Paulo e na Belle Époque. Os tons do grão foram bastante usados: café, vermelho, rosê e pele. Os cortes eram de alfaiataria, como blazers, mais compridos na parte de trás. O acabamento incorporou bem o tema: ráfia e linho encerado, sem deixar passar a referência do café nem nos detalhes, que lembravam o grão. Outras peças apresentadas foram as calças retas, os ternos de linho e os microshorts. Em momentos (sutilmente) mais despojadas, minissaia sobreposta à calça, algumas com pragueados diversos, viseiras, sandálias com frutos pendurados e vestidos mesclando cetim, seda e ráfia, com camadas picotadas sobrepostas.

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A bandeira do Reino Unido estava em todos os lugares no desfile de Mario Queiroz, ora em referências mais do que diretas, como no chão, ora apenas em uma vaga lembrança.

A passarela foi coberta por um tapete com as listras vermelhas sobre fundo azul. As listras horizontais se estendiam em um emaranhado de sobreposições juntando algumas outras cores ao conjunto.

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No local de onde saíam os modelos, as faixas da bandeira eram grandes lâmpadas, que foram variando suas cores e piscando de acordo com a música – que lembrava o som feito por bandas como Vive la Fête.

As peças continham o mesmo grafismo: listras horizontais, verticais e diagonais – às vezes só uma ou só outra. A bandeira esteve até mesmo nas tachas, retangulares, com cabeça piramidal, que foram aplicadas aos tênis Puma, inteiramente vermelhos, de cano alto.

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Contudo, engana-se quem pensou que o desfile ia ficar inteiro nas listras. Teve xadrez também, mas de forma bem minguante. A grande novidade, pelo visto, é o quadriculado. Danilo Centemero, assitente de Mário, explica de onde vieram: “Era um tecido que estava sobrando no ateliê, e resolvemos reaproveitar”, conta. “Daí estampamos e usamos.”

OK, mas… por que a Inglaterra? “Foi uma homenagem à diversidade de Londres”, conta Mario. A coleção foi bem sucedida? “Os modelos queriam levar as roupas para casa”, brinca. “E quando eles querem a roupa, é porque é boa.”

Para quem imagina que os homens não são lá muito de moda, o estilista defende: “Eu faço roupa para o homem que gosta de moda. Para quem não gostar, não tenho nada contra”, ri. “Não tem um monte de mulher que também não gosta de moda?”

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  • Quem Faz

    Quem Faz

    Mariana Belley

    Mariana Belley, 25 anos, é jornalista, taurina e vegetariana. Ama os clássicos da música brasileira e dança rock. Prefere meia-calça à calça jeans e o batom rosa chock ao vermelho. E adora moda, muito!

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