
Se o leitor já veio a algum São Paulo Fashion Week, vai entender do que estou falando: à medida que o tempo passa, a gente vai ficando mais e mais cansado. A cobertura é muito legal, mas o ritmo é pesado: costumamos começar ao meio-dia e só paramos perto da meia-noite, durante seis dias. Daí, obviamente, dá aquela preguiça de acordar mais cedo para pensar em um visual incrível. Ok, estou tentando me justificar para a falta de criatividade do look básico acima. É tudo simples, mas acredito que funcione. Calça color azul, jaqueta de couro com detalhes dourados, bota de montaria. Por baixo tem uma camisa pink que quis ficar escondida mesmo. Sabe como é, tem dia que a gente acorda com cara de poucos amigos.

Quem acompanha o Moda sabe que esta humilde repórter é fã número 1 do seriado Gossip Girl. Com a onda do frio aterrorizante em São Paulo (hoje chegou a fazer 9 graus em algum momento da tarde), resolvi tirar meu casaco vermelho da Mônica e da Chapeuzinho de dentro do armário para compor meu look do dia. E não é que ficou parecido com o que a Blair, vilã da série, usaria? A meia calça offwhite rendada e o sapatinho de boneca combinavam com a blusa branca de babado, que está por baixo do casaco – e assim ficou na maior parte deste dia gélido. A saia de andagem e zíper para a frente modernizavam um pouquinho a história toda para não ficar bonequinha demais. Essa foi a intenção, ao menos. Acho que consegui atingi-la.

Quando eu estou com pressa (e eu sempre estou com pressa), vou de vestido + legging (às vezes, quando dá, + tênis)

E como eu gosto muito de padronagens, adoro fazer uma mistura
Eu jurava que havia um soprinho de inspiração da SPFW no meu look de hoje (veja o de ontem) até um amigo da redação olhar para mim e dizer: “A Evelin se vestiu hoje em homenagem à nossa mãe África”. E não é que eu acredito em inconsciente coletivo?
Mande também uma foto de como você tem saído de casa nestes dias de São Paulo Fashion Week e faça sua autocrítica. Se o visual (e a autocrítica) for interessante e passar no nosso modesto crivo, a gente publica. O email é moda.estadao@gmail.com.

Fazia tempo que eu queria uma camisa quadriculada – bem, xadrez. Daí, outro dia, durante um passeio, resolvi comprar uma que duas pessoas desconhecidas elogiaram dentro da loja, ainda antes de eu experimentar. Levei também a ankle boot, que eu adoro. No meu primeiro dia de Fashion Week, lembrei que as duas peças iam bem juntas e acrescentei uma legging de lurex. Acho que deu certo. Pessoas de dois blogs de estilo tiraram fotos do meu look. Só faltou o casaco, porque o sol do meio-dia enganou o meu cérebro. Ainda bem que a repórter Valéria França me emprestou seu trench-coat para sair Bienal abaixo, senão eu já não estaria mais aqui para contar a história.

Tudo no meu look de hoje, dia 1 da SPFW, é antigo. Menos a Melissinha
Não tem um dia que alguém não dê um palpite na minha roupa (para o bem e para o mal, é verdade). E, hoje, não teve uma pessoa que não fitasse os olhos na minha legging da Mulher Elástica, que eu tenho faz dois anos. Para o dia 1 da SPFW, que levou o tema ‘Anima’, acho que acertei no clima. Será?
Mande também uma foto de como você tem saído de casa nestes dias de São Paulo Fashion Week e faça sua autocrítica. Se o visual (e a autocrítica) for interessante e passar no nosso modesto crivo, a gente publica. O email é moda.estadao@gmail.com.
Adivinha o que ela transformou em peruca?
Se você já leu o guia Divirta-se de hoje, sabe que Heloisa Lupinacci, subeditora do Link e blogueira do Caracteres com Espaço, dominou como ninguém o editorial dos looks Diane von Furstenberg. A primeira loja DVF, aliás, será inaugurada dia 29 no Shopping Iguatemi. A dama da moda de Nova York, louca pelo Rio de Janeiro, escolheu São Paulo para sediar a primeira flagship store da grife de luxo da América Latina. Questão de tino para os negócios?
Só para você ter uma ideia, o espaço está sendo desenvolvido a partir da ideia de uma caixinha de joias. Muito luxo, muita riqueza. Mas a pergunta que nos moveu foi: se você não é um tipo mulherão – por definição e por conta corrente - como você se sentiria em um DVF? Helô, formada em moda também, fez o test-drive e reclamou: “O que me incomoda nessas roupas é que elas são previsíveis”. Confira, a seguir, a entrevista (e as fotos) durante o making of.
P. | O que você estava pensando quando fez este casaco de chiffon de peruca?
R. | Há alguns anos eu comprei um chapéu de lã de lhama e, quando vi esse casaco, me lembrei desse chapéu. Quando vi os retalhos de tecido, pensei naquelas perucas gigantes do maracatu. Junte a isso o fato de que eu achei o casaco frufru demais. Pronto. Achei que ele só ficaria bem mais divertido se transformado em um chapéu meio peruca de Maria Antonietta, meio maracatu rural.

O casaco de chiffon custa R$ 1.400. Mas solta muitos, muitos pelinhos
P. | Eu ouvi você resmungando ‘ai, Diane, ai, Diane’. O que foi?
R. | Eu acho estranho que uma grife coloque à venda por um preço de grife um produto que se desfaz em fiapos, como o casaco-peruca. Gastar pouco em uma peça que desfaz, é ok, pela brincadeira. Gastar muito eu acho estranho. O vestido de bolinhas, aquele em que círculos de tecido e de plástico são costurados ao corpo da peça, perdeu três bolinhas de uma vez só, porque os pontos se soltaram. Também acho isso lamentável. Eu diria que o resmungo quer dizer “ai, Diane, vai fazer caro, então faz resistente”.
P. | Você reclamou dos pelinhos do casaco. Quem comprar vai ter problemas com ele, é?
R. | Qualquer pessoa que não colecione gatos persas vai estranhar a quantidade de pelinhos que o casaco solta. O fotógrafo que registrou essa boutade reclamou que quer uma bolsa nova porque eu apoiei o casaco sobre a bolsa dele e ela ficou tomada de pelos. Meus braços ficaram tomados de pelinhos. Tá bom, é pelinho de chiffon de seda francesa. Mas é pelinho.

Este vestido ficou incrível. Pena que as costuras são tão frágeis

Helô ficou fatal. Mas ela não se enxerga (assim)
P. | Não entendi: você ficou superfatal no vestido-camisa estampado, mas disse que parecia um vestido da sua vó. Você não se enxerga?
R. | Eu sou míope (risos). Eu não me vejo superfatal não. Aliás, sou zero esse estilo. Não sei fazer a linha sexy, acho ela sem graça, meio óbvia, pouco bem-humorada. Mas, por outro lado, essas fotos são uma grande brincadeira, uma das mais divertidas e nonsense que eu já brinquei, tão divertida quanto era usar as roupas da minha mãe. Eu me senti um pouco assim mesmo, usando as roupas de um armário de uma mulher “adulta”. E, de fato, eu tenho um vestido que era da minha vó que se parece com ele. É verdade que esse é de seda e o da minha avó é de poliéster. Também é verdade que a modelagem do vestido da minha vó é super problemática, e a desse vestido é perfeita. Mas os dois se parecem. De qualquer forma, o que me incomoda nessas roupas é que elas são previsíveis. É o vestido-camisa com estampa animal, o vestido de couro todo franzido, o vestido com o decote nas costas e cheio de balagandãs, tudo muito feito em cima da imagem feminina mais óbvia possível, que combina com essa ideia de mexer no cabelo, fazer charminho e cruzar a perna. E é uma ideia que definitivamente não faz sentido para mim.

A Helô sabe se divertir, mesmo em um minivestido frágil (R$ 2 mil).
A jaqueta de couro (R$ 2,6 mil) deliciosa ela amou
P. | Quem deve mesmo usar um DVF?
R. | Qualquer pessoa que gostar dessas roupas e tiver dinheiro para comprá-las. Eu acho que o que importa é que a pessoa goste da peça. Que ache aquele vestido lindo e que se sinta confortável nele. De certa forma, eu admiro as mulheres que seguram a onda de desfilar por aí super-sexies. Essas peças são feitas para elas.

O momento mais divertido da sessão de fotos foi este aqui
O repórter Dado Carvalho é do tipo que, se pudesse, iria com a mesma roupa tanto para um churrasco como para um casamento. “Pena que não rola, não é? Mesmo assim, é bom explicar: isto que eu estou usando não é uma camisa do Flamengo”, disse ele, no dia em que tiramos a foto no estúdio.
Mas, depois de cobrir, pela primeira vez, a SPFW, será que ele mudou de ideia?
Ela se define assim, sushinesa japonegra. A repórter Susan Eiko baseia seu estilo em duas marcas: a franja curta e a tatuagem grande. Hoje ela veio trabalhar assim, coberta de folhas de bananeira.

Susan, essas palmeiras são uma homenagem ao calor?
Como digo, sou uma japonesa com o pé na senzala, cheia de referências japonegras e tropicais.
E as cores? São um voto de que esfrie um pouco?
Gosto muito de roupa branca, principalmente no calor, minha estação preferida. Tenho várias roupas de verão brancas, que além de serem fáceis de combinar, dão chance para investir nos acessórios, como esses brincos cor de laranja.
Defina sua franja.
Em mutação. Cortei no fim do ano retrasado para fazer umas fotos, bem na época em que risquei a tatuagem. Foi um choque! De lá para cá fiz o estilo curtíssima, mas agora estou deixando crescer para… cortar curtíssima de novo!
Você combina a roupa e os assessórios com a tatuagem?
Hoje combinei. Mas nada me segura quando quero vestir alguma coisa. A tattoo é pra sempre. O look sempre tem que mudar.
Mini, longo, balonê, bufante ou hot pant?
Mini! Ai, Jesus!
E essa rasteirinha, hein? A Garance Doré, it-blogueira francesa, disse no blog dela que as mulheres mais estilosas que ela viu por aqui usam rasteirinhas.
Pois é, sou estilosíssima então. Salto… só para os eventos especiais.
Você é mestiça?
De nome e sobrenome. Sushinesa Japonegra, como costumo dizer. Minha mãe é branquinha, loira dos olhos verdes. Meu pai é o japonegro da história.
Você vai usar esmalte nude? Ou acha que ele deixa a mão igual à da Turma da Mônica?
Uso sim, mas estou aproveitando o verão para usar as cores cítricas. Ah! Queria falar que a trilha sonora pra esse look é Vendedor de Banana, do Jorge Ben Jor, que vim ao jornal ouvindo no meu mp3.
Helô Lupinacci é subeditora do caderno de cultura digital Link, do Estadão, é formada em Moda, é editora-assistente deste blog e é do tipo de nora que adora a sogra que tem.

Gostei da sua saia. Onde você a comprou?
É da Maria Bonita, da ponta de estoque. Foi presente da minha sogra.
Sua sogra mandou bem. Ela entende de boas pontas de estoque ou você que deu a dica?
Ela manda bem e entende de pontas de estoque, se veste bem pra chuchu e dá presentes incríveis. (Alô, alguém manda esse link pra ela?)
Mas e você? É rata de ponta de estoque ou é do tipo que investe pesado sem dó em uma peça?
Eu tenho uma regra: não gasto mais de 100 unidades monetárias numa peça de roupa. Tem uma ou outra exceção. Um tricô, um vestido comprado de última hora e do qual me arrependo… E não lembro de nenhuma outra.
Você gosta muito de rabo-de-cavalo, né? Tem preguiça de arrumar o cabelo?
Eu adoro rabo-de-cavalo. E não é preguiça de arrumar o cabelo. Eu até arrumo, daí dá faniquito e eu prendo.
É impressão minha ou você estava sem meias na foto?
Eu não consigo usar tênis sem meia não. Apesar de esse modelo se dizer chulé-free… Uso aquelas meias bem curtas.
Quando você estudava na Santa Marcelina, você tinha de pensar mais no que vestir para as aulas?
Eu estudava de manhã. Não tinha condições de pensar em nada. Criei um modelão fixo. Calça jeans, tênis e regata. No frio, casaco.
Você chegou a pensar em largar o jornalismo e viver da moda?
Pensei sim. Principalmente no curso de tecnologia têxtil. O mundo dos tecidos é tão legal quanto fazer jornal.
Hoje de manhã, me conta como você escolheu seu look.
Tudo começou pela saia. E eu queria colocar a blusa por dentro, porque estou gostando dessa coisa de blusa por dentro. Eu ganhei essa regatinha do meu marido e não tinha usado ainda. Achei que com esse calorão, era um bom dia para fazer a estreia. A escolha do tênis foi porque eu achei que uma sapatilha ia deixar tudo muito normal. E eu não tenho nenhuma sandália. Então foi tênis.
Você estava mascando chiclete na hora da foto. Estava nervosa?
Sempre fico nervosa na hora da foto. Aliás, se pudesse, eu estaria fumando na hora da foto.
Há dois anos, um chefe me disse: “A Aryane não está mais vestida de Aryane”. O comentário, imagino, encaixava-se em uma das muitas facetas possíveis de elogio. Eu não sei bem como me vestia. Continuo não sabendo hoje. Não me perguntem qual é meu estilo. Nem vou perguntar a vocês qual é. Já fiz essa pergunta a pessoas próximas e ouvi disparates como “estilosa” e “moderna”. Dá para ver pelo look da foto que aquelas pessoas não entendem nada de moda ou estavam tentando me agradar.

A verdade é que sou adepta do “vi, gostei, o preço está bom, então vou levar”. Não gosto de pagar caro pelas roupas, adoro reaproveitar peças dos armários de conhecidos e descobri que estilo é mais do que roupa, é postura (e acessórios, muitos acessórios). Ah, o cabelo ajuda. Está comprido agora e quase sem corte. Mas volta e meia pergunto ao meu cabeleireiro: ‘O que estão usando no Japão’? Costuma dar certo.
Tenho investido há pouco tempo em vestidos e descoberto a vantagem de tê-los por perto. Este que estou usando é aquisição da metade do ano passado. Vi na vitrine, adorei a cor, o laço e a cinturinha amarrada. Sei lá, parecem aqueles vestidos dos anos 50, meio românticos. Não sou romântica, muito pelo contrário. Sou prática. Mas acho que eles ajudam a diminuir a aspereza da minha praticidade. E os sapatos verdes vieram do armário da minha sogra. Ela achou que eram a minha cara. Eu também. Só não sei definir bem que cara é essa. Ai, dúvida.
A Aryane não é mais a Aryane. Pois bem. Mas esta de agora me agrada mais e vai aparecer por aqui com frequência, já que sou editora-assistente deste blog.
2012
2011
2010