Moda

Para terminarmos o assunto Fashion Rio, já que o próximo trending topic será o São Paulo Fashion Week, vamos falar um pouco dos sapatos que vimos por lá. O inverno, como já era de se esperar, vai trazer pés fechados. Vimos poucas sandalinhas de dedo nos pés que protagonizaram detalhes de fotos nas passarelas. Alguns pontos merecem ser destacados:

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British Colony

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Coca Cola Company

1 | as ankle boots, que vieram com adornos reforçados, foram parte essencial de muitos dos looks. Excessos de acessórios nos sapatos também reforça uma tendência já esperada para incrementar os visual na estação.

2 | sapatos sem salto, uma saída esperada pelas mais altas, também terão seu lugar neste inverno. New Order, Maria Bonita Extra e British Colony investiram nos calçados planos, sem destaque para a altura.

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Maria Bonita Extra

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Totem

3 | Os tamancos, especialmente de saltos altos, também fazer um belo retorno. Andrea Marques investiu em um modelo incrível coberto de pelos, com solado antiderrapante. Ficou um charme.

4 | Peeptoes de saltos altíssimos também desfilaram pelas passarelas cariocas inúmeras vezes. Alguns mais fechados, de cano mais alto, outros com cadarço, e alguns ainda de camurça.

A alegria do inverno 2011 chega até os pés.

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Andrea Marques

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Äuslander

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Lucas Nascimento

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Têca

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 | Transparências

É um dos pontos altos do Fashion Rio e segue como uma tendência que permanece, inclusive, para a próxima estação de verão 2012, como vimos na Conferência de Moda durante a Prémière Brasil na quinta-feira (20). Mas a novidade é que os tecidos com aparência de vidro e papel vegetal não servem para dar sensualidade às roupas. Eles aparecem em sobreposições, composições de looks e mistura com peças mais opacas. Marcas como Lucas Nascimento, Melk Z-Da e Têca souberam apropriar-se muito bem desse novo conceito de leveza e elegância, utilizando a transparência para incrementar as peças e criar relevo e textura onde não existia. Confira!

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Lucas Nascimento

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Filhas de Gaia

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Maria Bonita Extra

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Melk Z-Da

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Patachou

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Redley

| Lurex

O tecido composto de lã e alumínio vaporizado que esteve em alta neste verão nas praias brasileiras também pode ser destacado como uma das tendências do próximo inverno – mas será por pouco tempo. No verão, ele vai desaparecer das coleções em nome de uma linha opaca e simples que a moda começará a adotar. O símbolo de luxo e brilho já apareceu em menos desfiles, mas a boa aplicação das poucas peças faz com que continue em voga como opção para os trajes noturnos especialmente. Aproveite para brilhar agora!

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Totem

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Printing

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1 | Saias longas

Quando chega o inverno, a gente já tira logo as meias calças grossas e saias curtas do armário. O que se vê nas ruas, principalmente de São Paulo, são meninas com casacos um look todo escuro e, vira e mexe, um blusão ou meia colorida para quebrar a seriedade do visual. Mas nesta estação, as coisas mudaram um pouco. As pernas nos desfiles do Fashion Rio estavam cobertas, sim, mas na maioria das vezes, por saias longas.

O oversize chegou à parte de baixo dos looks em peças estampadas, tecidos leves e muitos modelos clochard. As peças seguem uma inspiração setentista, com miniblusas e jaquetas para fazer a composição, um tanto inesperada para quem não é acostumado. Mas fica bem bonito e dá para ser muito bem explorado aqui no nosso clima tropical.

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Alessa

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British Colony

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Cantão

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Totem

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Filhas de Gaia

2 | Pelos

O assunto é polêmico. Ambientalistas e integrantes de associações de proteção aos animais protestam contra o uso de peles de animais em um inverno tão ameno quanto é o brasileiro. No Fashion Business, evento paralelo ao Fashion Rio, pelo menos três estilistas usaram peles e pelos verdadeiros em seus desfiles – Carlos Miele, Patrícia Vieira e Victor Dzenk. Os estilistas se justificam: dizem que usam sobras de materiais e não peles provenientes de animais que foram abatidos especialmente para este fim. A dúvida permanece.

No Fashion Rio, a semana de moda do calendário oficial, o pelo esteve entre as tendências que vieram para ficar. A maioria dos designers utilizou materiais sintéticos, que produzem um efeito semelhante na passarela, e aproveitaram para abafar a polêmica. Melk Zeda usou cabelo de boneca para reproduzir os humanos em casacos, saias e acessórios. Giulia Borges e Maria Bonita Extra exploraram a pelúcia para barras e coletes, consolidando a tendência de uma estação que, embora amena, é a mais fria do ano.

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Äuslander

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Giulia Borges

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Maria Bonita Extra

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Melk Z-Da

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A edição de inverno do Fashion Rio, que terminou no sábado (15), confirmou a presença impactante de algumas tendências que já vinham aparecendo nas semanas de moda de todo o mundo em 2010. Ao inverno, deu uma cara brasileira, com cores fortes e quentes tomando o lugar dos esperados tons frios que, teoricamente, combinam mais com as quedas de temperatura. Essa alegria do verão contagiou o clima úmido do Pier Mauá, e fez quem estava lá se sentir mais confortável no trânsito entre as salas de desfiles, que em nada lembrava o frio do ar condicionado.

Depois de voltar para cá e pensar um pouco sobre tudo o que vimos, à espera da chegada do São Paulo Fashion Week, dia 28, o Moda separa algumas das tendências apresentadas nas passarelas em uma série de posts que começa hoje. Como os desfiles do Rio são mais comerciais, é fácil fazer a transposição para o que estará nas lojas na estação que se inicia oficialmente no dia 21 de junho. Confira!

1 | Conjuntinhos

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British Colony

 As estampas combinadas – parte de baixo da roupa exatamente igual à de cima – são algo de que muita gente não gosta. Mas, para o inverno 2011, elas vêm para ficar. Várias marcas, inclusive masculinas, apresentaram opções dos conjuntos. A British Colony ousou em uma estampa de espaço sideral e fez calça cigarrete, camisa e blazer com a mesma gravura. A Totem também buscou a mesma padronagem nas duas peças, em tons mais pastéis. Nica Kessler, Andrea Marques e Têca combinaram calças, kaftans e saias com cara de uma coisa só. É chegado o momento de pensar que aquela roupa que a sua mãe adorava fazê-lo vestir quando era pequeno não é mais coisa de criança!

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Nica Kessler

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Totem

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Têca

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R. Groove

2 | Animal print

A semana carioca também vem confirmar, para o inverno, uma tendência que já está em alta há pelo menos quatro estações: as estampas de bichos, destacadas também nas coleções de verão prêt-à-porter de marcas como Louis Vuitton e Yves Saint Laurent. Desta vez, elas apareceram revisitadas, como no desfile de Giulia Borges, em que imitavam pied-de-poule. Nas criações de Andrea Marques, um inseto aparece como protagonista das estampas que, geralmente, retratam animais da savana: o besouro, trabalhado de forma artística e bastante original. Portanto, nada de esconder a sua regata de oncinha e o cachecol de zebra no armário. A animal print permanece para o inverno.

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Andrea Marques

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British Colony

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Coven

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Giulia Borges

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A Ausländer fechou a semana de moda carioca no melhor estilo ‘inverno pesado’. Para isso, buscou inspiração nas andanças de Chris McCandless (o jovem que largou tudo para caminhar pelo Alasca e inspirou o livro Into the Wilde, de John Krakauer e o filme homônimo dirigido por Sean Penn). Para dar mais, digamos, realismo à proposta, neve fake caía sobre o cenário ao fundo da passarela, quase cobrindo uma BMW Mini, de onde McCandless tinha saído em direção à natureza selvagem… Em uma semana de desfiles ‘cenograficamente mornos’ (com exceção de Walter Rodrigues e Cantão, que mostraram suas coleções fora do Píer Mauá), a ação de marketing e cenográfica da Ausländer caiu bem. A grife também aproveitou o sábado para anunciar sua fusão ao grupo Animale/FARM.

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Já quanto aos looks, o resultado desta excursão da Ausländer pelo ‘wild side’ foi um mix de sofisticação e despojamento. Nesta caminhada, os modelos masculinos ganharam a barba característica de McCandless e contaram com pesadas peças em pelo, muito pelo (sintético, claro), couro (fake e ecológico, aliás), lã tricô e flanela. Em um mix de referências, o couro é aplicado em ombros e cotovelos, dando resistência a tecidos mais delicados como o moleton e o tricô, que, além de segurar o frio, tornam a aventura mais confortável.

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Para elas, ankle boots peep toe com um ‘toque de pelo’ no tornozelo, gorro de tricô na cabeça, capuz forrado de pele (a propósito, o capuz esteve presente em várias coleções e deve ser um hit deste inverno 2011), polainas,  mini-saias, coletes e capas peludas. Nesta aventura, as cores mimetizam a natureza selvagem e chegam em tons de camel (forte aposta deste inverno),  ’amarelo outono’, nude, vermelho, cinza e preto.

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A semana de moda do Rio de Janeiro tem características próprias. Apesar de ser a segunda maior do País, é bastante diferente de sua parente paulistana. Aqui no Pier Mauá, o lado comercial das marcas fala mais forte. O que vemos na maioria das passarelas são projetos comerciais, voltados ao público, que não se concentram em apresentar conceitos, mas sim tendências. Funciona muito bem para uma audiência específica, principalmente os clientes de cada grife, que vêm aos desfiles interessados em ver o que estará nas araras na próxima coleção. Mas nós apaixonados, que temos sede de assistir a shows de moda, onde o estilista tenha liberdade para criar uma ideia temática mais abstrata para suas criações, gostamos de ver a apresentação de Lucas Nascimento.

Pela primeira vez na semana de moda carioca, assistimos a um desfile conceitual. Os casacos e saias de tricô e feltro encobriam as modelos de forma completa. Volumes nas costas, mangas e ombros (na vertical, e não horizontal como ombreiras) conferiam um ar andrógino às mulheres que, apesar disso, apareceriam em seguida com tecidos transparentes que lhes conferiam feminilidade. As estampas geométricas, em diversos tamanhos e formatos de retângulos, utilizavam cores complementares como verde, roxo e amarelo. A maquiagem clareou olhos e pele e destacou somente as bocas, uma mais colorida do que a outra, em tons vibrantes realçados com gloss e cabelos presos em coques altos.

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Por fim, o look com uma só cor. Com o auxílio de uma base de neoprene envolta por tricô, tecido em que Lucas Nascimento é especialista, ele criou leggings encobertas por maxicasacos que realçavam a ideia de integração e todo que a coleção evocava. As peças foram confeccionadas com igual atenção do lado interno e externo para passar a ideia de que interior e exterior podem ser confundidos à primeira vista – tanto na prática quanto metaforicamente. Um desfile criativo, que superou expectativas e fez a gente sair da sala com gostinho de “até que enfim”.  

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Preto é cor. Negro é raça. Na coleção que o coletivo OESTUDIO apresentou hoje no Fashion Rio, cor, raça e história se misturaram para formar uma coleção engajada e literalmente coletiva, nascida de uma oficina que o coletivo criativo realizou para a Oi Kabum, que oferece formação nas áreas de arte e tecnologia para jovens de baixa renda.

Concebida pela equipe OESTUDIO em parceria com 56 jovens da Oi Kabum, escolheu como tema a Com Ciência Negra.

Como já é tradição da grife, esta nova coleção vai além da moda pensada ‘para a roupa’ e joga seu foco em tema que expande a percepção de mundo de seus criadores. Traduzindo em ‘informação de moda’, quem dá as cartas no inverno de OESTUDIO é um tom, um engajamento.

 

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O desfile começa em tons vermelho ‘sangue negro’, em peças que revelam o ‘lado avesso’ dos pré-conceitos. Segue em uma mistura de cores, ‘a miscigenação das raças’, passa por uma ‘contaminação’ do preto pelo branco, e vice versa,  e tem até um ‘floral negro’, criado pelos estilistas para representar uma natureza negra genuína.

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Sabe aquele dito popular que a gente sempre escutou da nossa avó, Sofrer para formosa ser? O desfile da marca Andrea Marques neste último dia de Fashion Rio levou o conselho ao pé da letra. As modelos estavam visivelmente  desconfortáveis nos belos tamancos de salto alto que a estilista levou à passarela; embora tivessem solados de borracha, fizeram algumas tropeçarem ou entortarem os pés enquanto desfilavam. A inspiração setentista que trouxe ombreiras às blusas e vestidos também alongou o comprimento das saias, que ficavam logo abaixo dos joelhos. Algumas peças eram muito justas e faziam com que as meninas precisassem dar passos bem curtinhos, dando a impressão de que elas poderiam se atrapalhar com as próprias pernas a qualquer momento.

O movimento, palavra bastante exaltada como influência em temas de vários desfiles desta edição do Fashion Rio, esteve bastante comprometido. Mas minha avó aprovaria.

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O Moda já tinha ficado de olho nela desde a edição passada das semanas de moda do calendário oficial brasileiro, quando a gaúcha Luana Teifke foi recordista de desfiles no Fashion Rio e São Paulo Fashion Week. Também já havia reparado que ela foi capa da revista Elle, participou de vários editoriais das revistas Vogue e Marie Claire, além de aparecer nas fashion weeks de Londres e Paris.

Depois de sentar nas plateias dos primeiros desfiles desta edição da semana de moda carioca e ver, novamente, Luana figurar na maioria das apresentações, decidimos marcar um bate-papo para saber um pouco mais sobre a menina. Com rosto de boneca e um olhar sério, quase triste, nas passarelas, ela revela-se muito alegre e simpática pessoalmente. “Claro que podemos marcar uma conversa, quando você prefere?”, perguntou, enquanto esperava as outras garotas para passar de um desfile a outro.

Eu pedi seu telefone, já que deveríamos cruzar duas agendas em algum momento que não fosse tão corrido para ela. Já sabia que seria complicado, afinal de contas, as modelos acordam cedo, chegam três horas antes do primeiro desfile, fazem prova de roupas às pressas, podem ser confirmadas em um casting em cima da hora e aproveitam qualquer minuto que tenham livre para descansar durante uma semana de moda concorrida como esta. Depois de trocarmos várias mensagens de celular, conseguimos marcar o encontro para as 12h de hoje, dia em que Luana conseguiu dormir um pouco mais. O papo foi no restaurante do Hotel em que estava hospedada, no centro do Rio.

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Luana diz que seu estilo é básico, e eu acho engraçado. Todas as modelos falam isso, afinal, quando na verdade elas adquirem um senso de estética que vai muito além do feijão com arroz. Luana estava sem maquiagem, mas usava calça skinny preta, camiseta cinza e um colete de couro preto que mudava completamente a cara do look. “Tenho algumas peças diferentes que uso sempre e garantem um visual moderno”, explicou.

Luana, 19 anos, já tem uma carreira consolidada, mas ainda está na demorada fase em que não pode escolher seus trabalhos – esta regalia só é reservada às top models. “Eu já sonhei muito em ser uma delas, mas hoje em dia, encaro tudo isso como uma profissão. Quero aproveitar o momento bom e passar mais tempo em Nova York este ano”, diz várias vezes durante a entrevista. É sua agência, a Way Models, que coordena tudo o que ela faz e que decide, inclusive, onde vai morar nos próximos meses. As modelos não sabem ainda nem se vão desfilar na SPFW, que começa no dia 28.

Ela olha para a esquerda toda vez que faço uma pergunta. Responde de forma ponderada, bem tranquila e disciplinada. Está sempre sorrindo e não parece ter grandes crises em relação à carreira que a vida escolheu para ela, há quatro anos, quando saiu de Sertão Santana, no interior do Rio Grande do Sul, para um teste em Porto Alegre. No dia seguinte, foi para São Paulo com a tia (a primeira vez que andou de avião) e, em seguida, já embarcou para o Japão, onde passou dois meses a trabalho.

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Luana e eu batemos papo no lounge do Hotel Guanabara, no centro do Rio de Janeiro

E é assim a vida das modelos, tudo imprevisível, de repente. De um dia para o outro elas começam e, também de um dia para o outro, a carreira focada na beleza idealizada termina. “Tenho consciência de que tenho poucos anos como modelo, não vou poder fazer isto por muito tempo, mas passa muito rápido. Vejo fotos do primeiro ano hoje e parecem imagens superantigas”, reflete, nostálgica, acrescentando que o tempo ensina a se adaptar.

Ela gosta de acordar cedo e não é uma típica baladeira. Tem uma alimentação equilibrada, fala todos os dias com a mãe e sonha em ter uma família e morar em uma “cidade legal”. Quando não tem nada na agenda, prefere ficar em casa, fazer o próprio almoço e esquecer que é modelo – algo que também faz quando visita a cidade natal, duas vezes por ano, e sai com as amigas de infância. “Elas querem saber como é a minha vida, morar em outro país, e tudo que eu quero é ouvir suas histórias normais, do dia-a-dia da faculdade etc”, conta.

Também deseja voltar a estudar, já que abandonou a escola no 1º ano do Ensino Médio para focar na carreira. Mas reafirma, muito calmamente, que isso pode ficar para depois e que agora não é o momento de se preocupar com os estudos. “Se fosse para terminar o Colegial de qualquer jeito, eu já teria concluído, mas quero aprender de verdade, então adio”, justifica. Ela já conseguiu comprar um apartamento em São Paulo, mas quando está em NY ou Paris, fica na casa fornecida pela agência, onde tem que dividir o espaço com mais três meninas. “É aí que ponho em prática tudo sobre organização que meu pai sempre me cobrou”, sorri.

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Luana desfila para a marca Têca no Fashion Rio

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Luana desfila para a marca Filhas de Gaia no Fashion Rio

Luana tenta despistar quando pergunto se dá para namorar. Fica na cara que ela não quer falar sobre o assunto. Pergunto se não é difícil arrumar companhia quando se vive em um meio em que a maioria dos homens ao redor são homossexuais  e, fora dele, bem mais baixos do que ela. “Eu até tenho conseguido. Nada sério, mas é bom ter alguém para cuidar da gente”, confessa.

No final, peço para fazermos uma foto e, como eu esperava, ela acha que está muito desarrumada. Mas Luana tem uma fotogenia clássica, é impossível dar errado. Nos despedimos e eu espero vê-la de novo, daqui a pouco, na sala de algum outro desfile. Ou dentro de alguns dias, folheando mais uma revista e tentando identificá-la no meio de tantos outros rostos parecidos, perfeitos e com olhares vazios. Espero que seja só pose para foto.

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Enquanto os desfiles do último dia de Fashio Rio não começavam, os fashionistas aproveitavam o sábado chuvoso para conferir os lounges mais hypados do Píer Mauá. Na lista dos lounges mais concorridos, o da Coca-Cola, que exibia mensagens positivas do tipo ‘Para cada corrupto, há oito doadores de sangue’ e distribuía jóias eco-friendly confeccionadas em ouro e PET, criadas pela designer Junia Machado, em parceria com cooperativas do Aterro Metropolitano do Jardim Gramacho.

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João Modé, Bernardo Ramalho, Botner &Pedro e Carlos Contente criaram novos modelos e as instalações do lounge da Ipanema

O lounge-exposição da  Ipanema também era um dos favoritos dos que passavam pelo armazém 3 e se deparavam com um espaço ultra-colorido. Idealizado em parceria com a galeria de arte A Gentil Carioca, de de Ernesto Neto, Laura Lima e Marcio Botner, o espaço exibia modelos da sandália criados pelos artistas plásticos  João Modé, Bernardo Ramalho, Botner &Pedro e Carlos Contente. 

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Exposição dos artistas da galeria Gentil Carioca aporta na SPFW, na Bienal, a partir do dia 28

Representados, a propósito, pela galeria A Gentil Carioca, criaram as instalações do lounge e também as Ipanemas exclusivas. O mote? A Alma Carioca. O resultado, claro, não podia ser mais colorido e alto astral. A edição limitada já está, claro, virando objeto do desejo dos fãs das rasteirinhas.  Quem não pôde vir ao Rio, mas vai estar na São Paulo Fashion Week a partir do dia 28, também poderá conferir o resultado desta parceria, que deu tão certo que agora vai ocupar o espaço da Ipanema na Bienal de São Paulo.

 

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  • Quem Faz

    Quem Faz

    Mariana Belley

    Mariana Belley é jornalista e taurina. Ama os clássicos da música brasileira e dança rock. Prefere meia-calça à calça jeans e não sai de casa sem o batom vermelho na bolsa. E adora moda, muito!

    Contato: mariana.barbosa@estadao.com

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