POR MARCELA RODRIGUES SILVA
Cortar o cabelo com ele: R$ 550. Aprender seus truques, usados nas madeixas mais sensuais do País: R$ 29,90, na banca mais próxima. Aos 47 anos, Marco Antônio de Biaggi acaba de completar 800 capas de revista (ele assina a beleza das musas que estampam as publicações brasileiras poderosas) e, para comemorar, lançou o livro Segredo de Estrela, com 72 looks e 177 páginas, pela Editora Abril.
Que ele é puro glamour todo mundo já sabe. Mas antes de transitar no jet set e montar seu MG Hair Design, nos Jardins, esse paulistano criado na Freguesia do Ó cursou Engenharia Química e teve até uma loja de doces. Filho de uma dona de casa e um engenheiro, ele também é fã de livros de autoajuda, de onde pinça suas filosofias de vida.
Você completou 800 capas. Lembra-se das primeiras?
Claro! Em 1994, na revista Nova, para a qual faço todas as capas desde então. No mesmo fim de semana, fiz a Luma de Oliveira e a Luiza Brunet. Aliás, Luiza e a Ana Paula Arósio são minhas recordistas de capa, mais de 100 cada uma.
Qual é a mais importante?
Várias. Mas a Adriane Galisteu na Playboy de 1995 foi um divisor de águas, quando despontei mesmo.
E o seu livro ensina mesmo a ter um cabelo de estrela?
Claro. Eu assino o look das principais famosas e sou parado tanto pelas pessoas do jet set quanto pela vendedora de loja. Todas querem ter os cabelos que faço, mas poucas podem pagar por ele. Então, fiz questão de que o livro custasse até R$ 30 e fosse vendido na banca de jornal. Agora todas terão acesso aos “macetes” que uso no salão e isso me faz feliz.
Você tem 170 mil seguidores no Twitter. As pessoas te pedem dicas?
Fui pioneiro no Twitter. Me perguntam sobre tudo e eu mesmo respondo. Poucos cabeleireiros têm esta repercussão.
É verdade que você cursou Engenharia Química? Como se tornou cabeleireiro?
Bem jovem, eu visitei o Instituto Oswaldo Cruz e fiquei apaixonado pelos processos químicos. Fiz, mas não trabalhei com isso. E sempre fui apaixonadíssimo por revistas e pelo universo da beleza. Eu tinha uma loja de doce e, com o plano Collor, ela estava indo mal. Resolvi que era hora de apostar no meu sonho.
Como foi essa transição?
Fiz um curso no Senac, ótimo até hoje, e lá mesmo comecei a me destacar. Em 1987, comecei em uma agência fazendo cabelos para editoriais de moda, e logo vieram as capas de revista e passei a conquistar meu espaço com muita dedicação. Meu salão já tem 12 anos e foi considerado pela revista Elle alemã como um dos dez templos de beleza no mundo.
Cabalereiro e confidente de Adriane Galisteu
Qual o segredo do seu sucesso?
Trabalho, força de vontade e muita fé. Passo mais de 12 horas no salão, de terça a sábado, e conheço a história de cada um dos meus funcionários (quase 150). Sempre li muito livro de autoajuda, e aprendi que temos de mentalizar e ter ações para os sonhos acontecerem. Todo dia 31 de dezembro escrevo tudo em um papel de seda, como se tivesse acontecido, dobro e coloco dentro do salmo 37. Sou bem católico, mas já fiz até curso de Cabala.
Quais livros influenciaram?
Os Quatro Compromissos, de Don Miguel Ruiz, Criando Prosperidade, de Deepak Chopra, e A Ciência de Ficar Rico, de Wallace D. Wattles.
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Você se sente satisfeito com tudo o que tem?
Eu tenho muita coisa, fruto de dedicação. Um apartamento enorme, um salão, viagens. O melhor de tudo é ser reconhecido. Não tenho filhos e quero colaborar com o mundo. Este livro me deixou muito feliz, pois tornou meu serviço acessível ao sonho de toda mulher.
Quais dicas atemporais e incríveis para um cabelo de estrela?
Fujam dos tons monotemáticos, apostem nos repicados, pois o reto envelhece. Ondulação sempre fica lindo. E a franja adia em alguns meses o botox. Dá para todas, o que muda é o formato delas.
*Originalmente publicado no Variedades, caderno de cultura do Jornal da Tarde.
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