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Moda

Preppy decadente. Assim é o homem Reserva 2011. Entendeu? Não? Então pense em um típico estudante da classe alta norte-americana, daqueles que freqüentam os cursos preparatórios (daí o preppy) para as grandes universidades do noroeste dos EUA, tipo Harvard. E vai às aulas de pullover Lacoste, pólo Polo Ralph Lauren, calça de alfaiataria e sapatos sempre envernizados. Estão sempre prontos para um coquetel no clube de campo ou um fim de samana ao ar livre. Sempre sorridentes, são educados, sofisticados e impecáveis.

Não confunda com mauricinhos. Está mais para um almofadinha. Um autêntico preppy não ostenta, prefere a discrição a usar a pólo com a gola levantada (tão mauricinho…), jamais usa grifes com logos imensos que o fariam parecer um outdoor ambulante. Um preppy não perde a pose jamais. Ou a ‘chinfra’, como bem diria Lobão.

Mas, como diz Decadance Avec Elegance, a canção tema do desfile da grife carioca e que Lobão tocou na passarela, os preppys podem sim decair, mas sem perder a elegância. E foi esta decadência (do tempo e do poder) que a coleção Reserva propõe em seu inverno. Quer dizer, decadência em partes. Para os estilistas, enquanto os EUA (país símbolo do preppy) passa por uma decadência, mas não perde a pose, o Brasil (e a moda nacional) está em franca ascendência. Então, porque não criar o nosso ‘preppy brasuca’? Com muita irreverência, claro?

Pois bem. Isso tudo traduzido em informação de moda resultou em uma coleção que literalmente desconstruiu os padrões da alfaiataria ‘à lord inglês’ e brincou com proporções, materiais e estampas. O passeio começa com maxitricôs verde musgo e malhas em ‘ferrugem stamp’. A ação do tempo corrói os tricôs, que ganham estampas de mofo, conseguida por meio de técnica de estamparia. A ‘mofo stamp’ pode ser impressa ou trabalhada diretamente em ponto de crochê.

Antes de prosseguir, vale lembrar que o tempo também fez mal (ou bem) aos modelos, que foram ‘envelhecidos’ por Celso Kamura e equipe.

A desconstrução da alfaiataria ganha destaque nos looks em que os ombros são descolados, os coletes surgem apenas em ‘versão forro’, o cós das calças dá a volta pelo corpo, e as pregas ganham novas aplicações. Nas cores e estampas, a decadência chega na ótima ‘estampa de mosquinhas’, boa sacada que dá humor a peças como paletós, smokings, e calças sociais. As mosquinhas ora ‘sobrevoam’ looks bege, ora pousam sobre rebuscados paletós e calças de cetim vermelho. O xadrez é literalmente ‘empilhado’ no colete de tricô. Quando a ‘grana para a lã acaba’, o efeito xadrez é pintado sobre o jeans. No fim, chegam shorts combinados com paletós no tecido mais ‘decadance avec elegance’ que há, o veludo cotelê.

Ponto para a Reserva, que propõe um sopro de irreverência na moda ‘para mocinhos abastados’. Afinal, como disse Lobão, a música sempre foi comercial. A moda também. Mas produz design, estética e comportamento. ” E quem sabe envelhecer com estilo fica sempre mais bonito com o tempo.”

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Lobão faz graça no meio da equipe da Reserva

Para Lobão, o rock dita a moda. O cantor, que recebeu os jornalistas no camarim da Reserva, estava simpático como sempre. “Venham, vamos falar em um lugar mais tranquilo”, dizia aos repórteres, depois de cumprimentar os amigos que invadiam o backstage para lhe parabenizar. Uma pessoa da equipe o levou para dentro. “Calma, gente, ele precisa se trocar, ainda está com o look do desfile!” Mas, logo em seguida, ele receberia a todos com uma ótima energia. Que só vem das pessoas felizes.

“Elegância é da nossa natureza, é o que Deus seria se existisse. E a decadência explícita e ousada também é divina”, comentou a respeito do tema da apresentação da Reserva, Decadence Avec Elegance. Diz que não é muito ligado em moda, embora seja um grande admirador do estilista da Christian Dior, John Galliano. “Porque a maioria das pessoas não ousa”, explica. Acredita que o rock’n'roll é, de todos, o movimento musical mais preocupado com o espetáculo e que tem uma relação intrínseca com a moda. “Basta a gente pensar em David Bowie na década de 70 e Amy Winehouse no séxulo 21″, afirma.

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O convite para desfilar pela Reserva veio do próprio diretor criativo da grife, Rony Meisler. Afinal de contas, uma das músicas mais conhecidas de Lobão (que o cantor teria escrito em homenagem a Monique Evans, sua namorada nos idos da década de 80) tem exatamente o mesmo título do tema da coleção. “Começamos a nos reunir, fazer brainstormings, desmembrando o conceito de decadência. Porque fazer a trilha do desfile não é o mesmo que tocar a música no rádio, foi preciso tirar alguns breaks, refazer o ritmo para os modelos não tropeçarem”, brincou.

Há três anos, Lobão passou por uma fase difícil. Afastado da cena cultural carioca, ele chegou a declarar que estava morto. Como sua vida e profissão sempre foram feitas de idas e vindas, ele se recuperou novamente e decidiu passar por um processo de catarse: escreveu 600 páginas de sua biografia no livro Cinquenta Anos a Mil, lançado em 2010 pela editora Nova Fronteira. “Escrevo desde pequeno e sempre soube que deveria colocar aquela tragédia no papel (a crise que passou em 1987, quando foi preso por porte de drogas) mas precisava me distanciar do fato para falar com mais elegância”, sorriu, pelo trocadilho. Uma forma bem descontraída de encerrar este quarto dia de SPFW.

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Na passarela, o apresentador Cássio Reis e fotógrafos que viraram modelos por uma noite. Confira os cliques.

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Hoje foi dia de Athos Bulcão na SPFW. A obra do artista, que ganhou destaque em alguns looks da Maria Bonita (inspirada e dedicada aos ‘trabalhadores de Brasília’), foi a inspiração primeira e única de Ronaldo Fraga.
Famoso pelo primor de suas pesquisas, Ronaldo desta vez emprestou do artista o traço elegante do modernismo e a profusão de cores e texturas. O resultado foi uma coleção fluida, feminina e lúdica ao mesmo tempo. Fraga surgiu mais sexy, urbano neste inverno. Entrou de salto alto na passarela. Literalmente. Contrariando o costume de criar sapatos flat, desta vez trouxe uma versão pós-moderna de ankles boots super coloridas em ‘grama sintética’. As cores? Muito royal, preto, amarelo…
Não fugindo à tendência do próximo inverno, os vestidos surgem muitas vezes longos, mas ganham a elegância da arquitetura em suas formas bem marcadas. Aliás, as formas continuaram amplas, mas ganharam cintura marcada nos longos em jacard. Destaque para os bolsos laterais, as grandes pregas e o rico trabalho de estamparia, que reproduziam as gravuras de Athos, as cenas de Brasília e até mesmo a fase em que o artista sofria de Alzheimer. “Ele teve a doença já no final da vida e isso influiu em seu trabalho. Mas foi um momento importante de sua vida. Por isso quis representá-lo em um dos looks”, contou Fraga ao Moda.
O momento se tornou um vestido longo em seda, em que as gravuras do artista se diluiam, em alusão à sua memória que também se esvaía, até se perderem no branco.
Por falar em gravuras e estampas, como não pode faltar em uma coleção de Fraga, as cores, texturas e bordados foram um show à parte. Desde o ‘vestido fita-métrica’, cujas camadas criavam movimento e humor, até a saia bordada em tule, passando pelos mega paetês e pelos azulejos de Athos, tudo é tátil, colorido e sensorial no inverno 2011 da grife.

Por falar em mega paetê, a técnica deu movimento e um quê cosmopolita aos ‘vestidos de mosaicos do teto da Rodoviária de Brasília’. Difícil de visualizar? Cheque na galeria acima. Vale a pena. Outro look imperdível é o ‘vestido Dina Sfat’. “Ela era a atriz preferida do Athos. E ele também tinha o hábito de fazer recortes de jornal. Uni as duas coisas
e criei este vestido com recotes do rosto da Dina.”

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31.janeiro.2011 20:21:41

Um olhar do cerrado

Eu sou de Brasília, mas às vezes, confesso que esqueço que sou um bicho do cerrado. Quando há tantos prédios que dificultam a vista do horizonte, este ar pesado e úmido e as tempestades que duram horas e alagam vários pontos da cidade, a gente precisa se tocar de que mora em um local diferente. E é por isso que o desfile de hoje da grife Maria Bonita fez meus olhos encherem d’água. Recolhida no banco, eu esperei as pessoas saírem antes de me levantar. Elas comentavam como a apresentação tinha sido bonita, ou faziam críticas comparativas com shows de temporadas anteriores. Eu, ali sentada, só conseguia pensar em como Daniele Jensen e sua equipe conseguiram retratar a construção de minha cidade de forma magnífica.

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Foram inúmeras as vezes em que, na infância, escutei a história de como pessoas que vieram de longe conseguiram levantar uma cidade no meio do nada. Visitei a Candangolândia, a primeira das cidades-satélites, em várias oportunidades. Para tornar toda aquela história mais real, os brasilienses são acostumados a ver imagens de 1960 e ir a exposições fotográficas. Faz parte da tradição. Foi por isso que, quando soube que a Maria Bonita falaria sobre os candangos, pensei algo como “ah, que chato, mais uma vez.” Mas já nos primeiros segundos de desfile, eu entendi que a recatada Daniele (que sempre coloca seus assistentes para falarem com a imprensa, por pura timidez) havia preparado uma solução original para a temática.

Duas a duas, três a três, as modelos chegavam com chapéus e olhares nostálgicos. Como as abas eram baixas, dava impressão de que elas representavam operários que, na verdade, nunca tiveram muitos rostos. A única música da trilha foi Construção, de Chico Buarque, que acabou um pouco antes da última modelo concluir sua passagem. O clima tristonho era simbólico, acredito, de uma construção que na verdade foi sofrida. A evolução de cores na passarela passava pelo azul do céu, marrom da terra e cinza do concreto, tudo isso na frente de uma cenário de tapume. Como foi – e ainda é – em Brasília.

Os dois últimos looks do desfile foram pretos. As modelos, que entraram juntas e saíram à medida que a luz diminuía, foram as únicas a usarem a cor em toda a apresentação. Fiquei pensando na forma como o preto representava o luto para mim, intenção que não acredito ser a mesma da estilista, que usou tantas estampas e cores alegres e brilhantes de Athos Bulcão. Talvez o luto tenha sido pessoal. Eu, que nasci na cidade que forasteiros construíram e saí de lá por espontânea vontade, me solidarizo com aqueles que puderam realizar o irrealizável: a capital de um país no meio do mato. E me emociono, sim, com a forma como isso pode virar a mais legítima forma de arte.

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31.janeiro.2011 18:45:10

Os esquenta-cadeiras

Uma marca tem um cliente que sempre vai à sua loja. Faz compras, confere os catálogos, até cumprimenta os vendedores quando chega na porta. Na época do lançamento de coleções, o freguês fica todo feliz ao receber seu convite para o São Paulo Fashion Week em casa. Animado, prepara-se para assistir aos lançamentos de sua grife favorita, escolhe um modelito adequado e chega à sala de desfile. Qual não é sua surpresa ao reparar que a fila E, onde está marcado o seu lugar, fica longe demais da passarela. Ele não vai conseguir ver os detalhes dos sapatos, que são os itens preferidos em seu guarda-roupa.

Quando vai subir as escadas, desanimado, vê que há uma área vazia na primeira linha. Disfarçadamente e certo de que ninguém percebeu, ele senta ávido pela sacolinha de brinde quando uma outra pessoa, munida de radinho e fones de ouvido, que estava sentada um pouco mais adiante, levanta e faz a pergunta que ele temia: “Posso ver o seu convite?” Ele está na fila E. Levanta-se, frustrado, e segue para o lugar correto.

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Distribuição das filas na sala de desfile de Ronaldo Fraga

Mas afinal, quem é aquele que conferiu o seu convite? Provavelmente, um esquenta-cadeiras. Toda sala limitada e potencialmente capaz de lotar precisa de alguns deles para garantir que não falte assento para quem precisa assistir ao show de qualquer forma. A profissão existe há muito tempo e já garantiu que vários colunistas e pessoas importantes no mundo da moda pudessem assistir às apresentações de um lugar privilegiado mesmo chegando quando a porta estava prestes a se fechar.

“No desfile de hoje, a Huis Clos, deixamos três estagiários responsáveis por guardar lugares importantes”, disse a assessora de comunicação Helena Augusta. Ela explica que sempre traz alguém da equipe para ajudar a sentar pessoas que já confirmaram o comparecimento ao show, mas ainda não chegaram. Acrescenta, porém, que nem sempre isso funciona: “Hoje, por exemplo, a Lilian Pacce chegou muito atrasada e quase teve de assistir ao desfile de pé, mas no fim, demos um jeito” comenta.

Aqui, cabe uma explicação. Até a edição de verão 2011, as assessorias de imprensa de cada marca ficavam na porta da sala, remanejando os lugares e deixando entrar jornalistas e convidados importantes que estavam sem convite – por não haverem recebido ou por terem esquecido de levar. Agora, tudo mudou. Ninguém mais entra sem convite. Na porta das salas não há ninguém além de seguranças altos e fortes que rasgam seu convite para assegurar que o importante papel não será repassado a outro entusiasta.

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“Trazemos 14 pessoas da nossa equipe”, conta Thiara Matos, da Namídia, assessoria responsável por cuidar de cinco dos 31 desfiles desta edição: “A depender da marca, deixamos três ou quatro encarregados de cuidar para que os lugares reservados sejam garantidos.” O perrengue é que gente importante também tem seus caprichos – e muitos. É comum que Costanza ou Gloria peçam para sentar juntas e, daí, a equipe tem que se virar para fazer o desejo se tornar realidade. “A Regina Guerreiro já nos pediu para sentar em outro lugar porque o ar condicionado de onde estava era forte demais”, lamenta.

Mas a equipe da Luminosidade também tem seus próprios contratados para guardar os lugares. Priscila Campos, gerente de comunicação da empresa organizadora do SPFW, explica que essas pessoas são muito importantes para o bom funcionamento dos desfiles e que, hoje em dia, não são se resumem mais a meros esquenta-cadeiras. “Nós contratamos estudantes de Moda e Jornalismo para participarem dos desfiles e eles nos ajudam a organizar as filas e os assentos. A função ganhou importância ao longo dos anos”, conta.

Esses funcionários recebem uma ajuda de custo. Em apresentações mais concorridas, retiram-se das salas logo antes de o desfile começar porque não há espaço para eles. Tudo na mais santa paz, garante Priscila. Mas nem com a exigência de convites, a carreira dos guardadores de lugares está ameaçada, já que muita gente tenta sentar em áreas o mais próximas possível das passarelas. O jeito é aceitar que eles existem e estão sempre por perto, aproveitando os minutos de fama e o poder que lhes é conferido. Afinal de contas, sem eles, as pessoas mais importantes das plateias teriam uma séria dor de cabeça.

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31.janeiro.2011 18:44:52

Aos candangos

Maria Bonita se inspirou em Brasília para fazer seu desfile. Os cortes são retos, os tecidos lisos e simples, em cores que remetem à terra e ao concreto. Bolsas que imitam malas, chapéus pregueados, tudo lembra primeiros habitantes da capital brasileira.

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Cores escuras e um verdadeiro baile de máscaras na passarela da Huis Clos Máscaras deixaram claro que pode-se esperar uma coleção sóbria por aí. Em clima de mistério, a grife abriu o quarto dia de desfiles nesta edição da SPFW.

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Alice Braga, na Cori.

Rodeada de jornalistas, Alice Braga foi surprendida por uma pergunta inesperada. “Você gostou de desfilar?”. A atriz parou e disse que não havia entrado na passarela. Então,  a jovem repórter insistiu. “Ah, mas você já deu umas voltinhas na passarela , né?”. Alice, educadamente, disse: ” Não”.  A jornalista: “Tem certeza?”

Vergonha na Colcci

No empurra-empurra para entrar na Colcci, digo: “Dá vergonha ver tanta gente gritando por um ator num evento assim especializado. Alguém completa: “Vergonha mesmo é gritar por uma celebridade do Big Brother”. Outro: “Tenho vergonha é do Big Brother.”

Backstage da Ghetz

Jornalistas, na porta da Ghetz, tentavam falar com o estilista e ver as roupas de perto. O estilista não quis dar entrevistas. Só quis tirar fotos. Era a oportunidade para ele explicar a marca nova que acaba de aterrissar na SPFW. Vai entender?

Beijo grátis

Na porta da Bienal, hoje à tarde, entre tantos curiosos que aguardavam para ver as tops e as celebridades, um jovem de mais ou menos 20 anos segurava uma plaquinha na mão: “Aqui, beijos grátis”.

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Muito barulho por (quase) nada. O show que a passagem de Ashton Kutcher e sua senhora Demi Moore causaram na Bienal há pouco valeu o show do domingo. Sem contar que Gisele Bündchen sempre faz um bem imenso à plateia que assiste aos desfiles da marca. Para completar, neste ano a angel Alessandra Ambrósio garantiu um ‘plus a mais’ ao ‘show da Colcci.’ Mas há que se admitir que a ‘não entrada’ de Kutcher foi frustrante.

Não se falava em outra coisa desde que a vinda do astro ao SPFW foi confirmada. A priori, Gisele (após dez anos como estrela da Colcci) passaria o bastão para Alessandra, que passará a ser a ‘garota Colcci’ ao lado de Kutcher, que também desfilaria, para sua mulher e sua enteada verem da primeira fila da sala 2 da Bienal. Certo? Errado. Demi Moore, acompanhada da filha Tallulah, fez bonito na primeira fila. Gisele e Alessandra fizeram seu papel. Já Ashton não apareceu. Entrou só no final, um tanto tímido, ao lado dos estilistas da grife Adriana Zucco e Jeziel Moraes. E foi tudo. Talvez as vaias na sua chegada à Bienal, por conta do imenso atraso, tenham desanimado o astro, que, aliás, já havia feito as fotos da campanha de inverno da grife, ao lado de Alessandra, no início do mês, em Los Angeles.

Coleção mais elaborada | Valeu pelo marketing. Como disse Adriana Zucco ao Moda diretamente do backstage da marca, pouco antes do desfile começar, “a estratégia de marketing da Colcci sempre foi muito agressiva. Contratar um nome como o Ashton para estrelar nossa campanha só agrega valor à marca.”

Que o barulho causado pela vinda do casal reverbera até as camadas menos fashionistas dos consumidores, isso é fato. Que a roupa é o ‘detalhe’ que muita gente esquece quando se fala da Colcci também já é senso comum. Pudera.

Pois bem. Além de barulho, a Colcci também faz moda. Enquanto a imprensa e os fãs se estapeavam para conseguir ver, fotografar ou arrancar uma foto das celebridades, o Moda foi conferir item por item da coleção. E comprovou o que se viu logo depois na passarela.

A grife investiu na mistura de referências e formas. Alternou looks trabalhados em alfaiataria e no tricô, ora em propostas independentes, ora misturados de fato (como no blazer masculino cuja manga começava em lã e terminava em couro). Em tons de nítida evolução em relação a coleções passadas, surgiu um amadurecimento do corte, acabamento.

Isso ficou nítido já no look de abertura, desfilado por Gisele, que entrou de hot pants e corselete pretos e casaco preto. Em seguida, Alessandra surgiu também de hot pants e corselete, só que na versão pied de poule (para o top) e tweed (para os shorts). Em seguida, eles desfilaram de maxi cardigans de tricô (destaque para o azul royal), elas de pullover também de tricô (em versão royal e coral). Por falar em coral, a cor também foi destaque nos mini-vestidos de couro, que ganharam o acessório da temporada: cintinho amarrado (em vez de afivelado).

Ainda entre os vestidos, o ‘sessentinha’ creme em tweed fez suspirar as garotas que, como bem disse Zucco, “não abrem mãos da sensualidade’ que a Colcci sempre propõe. Destaque para as peças na cor camelo (outro hit deste inverno). A legging (outra peça que não pode faltar nas coleções da marca) ganhou apliques de caveirinhas (que também chegaram nos colares). Ah, e o jeans também não pode ficar de fora. Surgiu em várias lavagens. Ora mais claros, ora mais escuros, mas sempre em ‘looks total jeans’. “Nosso público adora jeans e espera isso da gente.”

Agora é só esperar a coleção chegar às lojas, devidamente ‘bombada’ pelas fotos da dupla “Ashton – Ambrósio’. A ver!

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  • Quem Faz

    Quem Faz

    Mariana Belley

    Mariana Belley, 25 anos, é jornalista, taurina e vegetariana. Ama os clássicos da música brasileira e dança rock. Prefere meia-calça à calça jeans e o batom rosa chock ao vermelho. E adora moda, muito!

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