Uma coisa não me sai da cabeça desde que vi este vídeo em que um gato dá uma patada no outro, que usa um chapeuzinho, vá lá, meio ridículo.
Por que, às vezes, quando vemos uma pessoa malvestida dá vontade de dar um tapão? Para mim, isso pode ter duas origens.
1. A pessoa errou mesmo e não há o que refletir neste caso;
2. A pessoa teve uma coragem que você gostaria de ter tido.
Hoje mesmo, a caminho da redação do Estado, pensando sobre esse vídeo, vi duas malvestidas no ônibus. O que no visual delas me incomodava? O fato de ambas serem barrigudas e estarem de miniblusa. Lá estavam as fartas panças diante de meus olhos, diante dos olhos de todos. Por que a barriga daquelas passageiras do 978L – Terminal Vila Nova Cachoeirinha incomodavam tanto?
Arrisco um palpite: inveja. Elas estavam ali à vontade com suas carnes a mais, enquanto eu gasto tempo e energia entre eliminar e disfarçar as minhas.
A mesma coisa acontece quando vejo alguém de saruel, o modelo de calça mais polêmico da história do vestuário. Qualquer menina, por mais gata e gostosa que seja, fica meio maria-mijona quando veste uma saruel. Mas sabendo que essa é a calça mais confortável do mundo (sim, eu tenho uma, mas só uso dentro de casa, entre quatro paredes e protegida de eventuais registros), eu sinto inveja de quem manda tudo às favas e sai por aí com o cavalo na altura dos joelhos.
Outro caso: e quando alguém adota uma moda que você até achou legal mas está evitando por não ter lá tanta certeza se aquilo é legal ou não? Por exemplo? Meia-calça colorida e desenhada. Eu fico na dúvida. Não consigo usar. Temo o look Emília, a do Sítio do Picapau Amarelo. Daí, vem uma menina e, tchans, aparece no trabalho com uma meia-calça com todas as cores do arco-íris. Você acha lindo ou tem vontade de dar um tapão? Sejamos honestos.
Todos esses exemplos apontam uma direção, ao menos segundo as minhas reflexões a bordo do coletivo: se todo mundo evitasse o erro, se ninguém arriscasse, estaríamos todos vestidos de calça jeans e camiseta branca ou de tubinho preto. Para a moda andar para frente, é preciso dar espaço para o erro, à calça de maria-mijona, à meia-calça da Emília e, por que não, às pelanquinhas à mostra. É preciso arriscar. Eu, você, as mulheres do Terminal Vila Nova Cachoeirinha e os estilistas, claro.
Um viva ao chapeuzinho ridículo do gatinho que tomou um tapão.
2012
2011
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