O Fashion Rio chega ao seu penúltimo dia. Entre os destaques do dia esteve Carolina Dieckmann desfilando pela TNG, além de Juliana Jabour e British Colony. Enquanto isso, ocorre desde sábado a Rio-à-Porter, feira de negócios paralela ao Fashion Rio – um sucesso tão grande quanto a semana de moda. É proveitosa tanto para as marcas estabelecidas, presentes nas passarelas, que veem seus estandes lotar depois dos desfiles, quanto para as iniciantes, que têm a chance de expor sua coleção para compradores do Brasil e do mundo (a maior parte vem de São Paulo). A feira cresceu bastante – o número de expositores é de 250, quando na última edição, em janeiro, eles somaram 169. A expectativa é de render R$ 800 milhões.

Carolina Dieckmann desfilou para a TNG
A estilista Alessandra Migani, da grife Alessa, que desfilou sábado, comprova que a presença no Rio-à-Porter complementa a exposição de suas peças na passarela. “Os compradores ficam esperando o desfile acontecer e depois vêm ao estande”, disse Alessa há pouco, enquanto fechava negócios com uma cliente inglesa. Na Maria Bonita Extra, em toda edição se dá o mesmo: no dia do desfile, o espaço fica cheio como em nenhum outro.

A British Colony fez uma espécie de estampa negativa
Novidade no Rio-à-Porter, a estreante Wasabi está tendo excelente resultado, em especial com as peças que trazem estampas de artistas, como Célia Euvaldo, Filipe Jardim e Maria Lynch. “Por não ter uma loja, eu não tenho como escoar a mercadoria. Aqui vêm pessoas com quem eu não teria contato”, conta Daniela Sabbag, uma das sócias. No quadro que decora o ambiente, estão listadas as cidades onde a Wasabi chegará a partir da entrega das roupas, prevista para o fim de julho: São Paulo, Brasília, Uberlândia, Ribeirão Preto, Recife, Niterói e até Melbourne, na Austrália.

A British Colony também apostou nos penduricalhos
As marcas têm de investir para estar ali: um estande de doze metros quadrados sai por volta de R$ 5 mil. Vale a pena, garantem. Não só pelas vendas, mas pelos contatos feitos (com lojistas, jornalistas, produtores de moda), em especial para quem ainda não conta com pontos de venda. (Roberta Pennafort)
“Este item tem lobos, e isso é suficiente para que ele seja legal e mereça 5 estrelas. Mas foi quando eu o provei que a mágica aconteceu. Depois de conferir se a camiseta cobriria a minha pança, no caminho do meu trailer até o Walmart, fui imediatamente abordado por mulheres. Elas sabiam, pelos lobos de minha blusa, que eu, como um lobo, sou um solitário misterioso que sabe ‘uivar para a lua’ de tempos em tempos.”
“Prós: Veste a minha silhueta redonda, tem lobos e atrai mulheres
Contras: Apenas 3 lobos, não dá para ver os lobos se você cruzar os braços, os lobos seriam mais legais se brilhassem no escuro“
Foi assim, fazendo essa piada politicamente incorreta e regional, que Brian Govern, estudante de direito nos EUA, deu origem a um fenômeno. Ele estava procurando um livro na Amazon.com quando se deparou com a Three Wolf Moon T-Shirt, camiseta com três lobos uivando para a lua. Era maio de 2009.
Brian Govern parou diante daquela peça evidentemente brega e escreveu um comentário cheio de ironia, como se fosse um redneck (redneck, que quer dizer pescoço vermelho, são os brancos de classe média baixa ou baixa norte-americana, são os caipiras, que moram em trailers, meio família buscapé. Estão entre os alvos favoritos do humor da internet, em blogs como o People of Walmart).
De um dia para o outro, a camiseta, que estava à venda desde 2007, virou o item de vestuário mais vendido da Amazon.com por três meses seguidos. Foi de 2 vendas por dia para 10 vendas por hora. E ostenta, orgulhamente, 1.752 comentários, quase todos reproduzindo o tom da piada de Govern (veja seleção dos melhores aqui). Quase todos atribuindo a ela poderes mágicos. Um comentário chegou a afirmar que a camiseta era a cura da Aids. O moderador interveio para dizer que – pelo menos este – não era verdade.
Estava criada uma mania de internet. Andar por aí com a Three Wolf Moon T-Shirt não era mais algo terrivelmente brega, mas sim um sinal de que você estava antenado no mundo online. Da mesma forma que saber o que é Dramatic Chipmunk, LOLCats, RickRoll e outros. Tudo coisa de nerd, certo? Errado.
E é aí que está o pulo do lobo dessa história.
Minha aposta (e ponho todas as minhas fichas nisso): a Three Wolf Moon T-Shirt é um marco da história da moda tão importante como foi o punk.
Alguns segundos de silêncio retórico.
Explico a minha teoria. A moda sempre caminhou da passarela para a rua. Até que no fim dos anos 1970 o movimento punk inverteu essa via, e a rua passou a ditar o que seria moda na passarela. Esse é um marco da história da moda. Sim, sim, eu sei, Malcolm McLaren, Vivienne Westwood, punk de butique. Todo mundo sabe que não foi totalmente espontâneo, que a versão “os operários desempregados e desiludidos saíram rasgando jeans e espetando cabelo e mudaram o mundo e a moda” não é exatamente verdade. Mas o ponto é que, mentirinha ou não, esse é, sim, um marco para a história da moda.
E foi a última grande mudança nessa estrutura. Até a Three Wolf Moon T-Shirt reinvindicar para a internet o papel que era da rua. Como assim? Assim: a partir de agora, a internet dita a moda da rua que dita a moda da passarela. Duvida? Então veja só:
Internet: maio de 2009

Imagem em comentário da Amazon.com mostra um homem vestindo a camiseta e diz: “depois que eu vesti a camiseta o carro voltou a funcionar”. Daqui.
Rua: Agosto de 2009

Essa veio de um dos principais blogs de moda de rua da internet, o Lookbook.nu.
Hollywood: data desconhecida

Até a Scarlett Johansson aderiu. Essa quem descobriu foi o Blog do Bracin (vale conferir a batalha de fotos de mulheres famosas vestindo camisetas com estampas de ícones pop que ele e o Trabalho Sujo estão travando). A origem e a data da imagem são desconhecidas.
Passarela: fevereiro de 2010

E voilá, no desfile de Outono/Inverno 2010, o lobo aparece na passarela de Helmut Lang, em Nova York. A foto é reprodução do Style.com.
E hoje a camiseta tosca que custa US$ 19,99 na Amazon.com pode ser comprada em versão cool por 107 libras, algo como R$ 280.

Na Polyvore.
PS: A história dessa camiseta é boa também para lembrar o quanto ironia e moda são inseparáveis. Um mundo que troca totalmente de ideia de seis em seis meses precisa de ironia para funcionar. Auto-ironia também vai bem, mas essa é mais rara.
PS2: Se você perdeu a última Crítica de Segunda, sobre a moda dos esmaltes, clique aqui.
O Moda aproveita o assunto do Estadinho desta semana, sobre contos de fada, para também falar a respeito do tema. Afinal, é fácil fazer a relação moda x fantasia, não é? Repare na atriz Anne Hathaway (foto), que foi princesa em O Diário da Princesa e desabrochou sua veia fashion em O Diabo Veste Prada.
Nesta intersecção de temas, dois artistas resolveram recriar histórias antigas sob uma ótica bem hype. Os britânicos Lynn e David Roberts pegaram as princesas, mandaram suas roupas antigas para o brechó e as deram um banho de loja nos livros Rapunzel: Um Conto de Fadas Fabuloso e Cinderela: Uma História de Amor Art Déco.
Confira o antes e depois destas pequenas divas:
Rapunzel | Quem tem o cabelo na altura dos ombros já tem o maior trabalho para lavá-lo, tratá-lo, secá-lo e (não bastasse) mantê-lo bonito. Agora imagine uma moça cujas madeixas são tão grandes a ponto da tia malvada usá-las para escalar uma torre. Pois é.
As ilustrações do livro mostram o transtorno da pobre Rapunzel. Para secar toda aquela cabeleira, por exemplo, ela usa dois secadores. Ou então ela costura várias toalhas para fazer uma enorme touca.
Os autores comentam que a ideia era fazer uma Rapunzel meio anos 70 (o que combina perfeitamente com cabelo comprido). Em vez de uma alta torre, ela vive em um prédio bem velho (onde o elevador não funciona). No lugar da bruxa, uma tia ranzinza e invejosa (e quase sem cabelo) que trabalha como merendeira no colégio (e é o terror das crianças).
Mas Rapunzel também é glam: ela passa a tarde ouvindo David Bowie em uma vitrola. Muito hype.
Cinderela | Pra começar, Cinderela já é rica. Tem muita gente que acha que gente rica não tem do que reclamar na vida, mas não é bem assim. O pai da Cinderela, que além de viúvo é meio míope, arruma uma namorada (“dessas que só quem é meio míope acha bonita”) e casa com ela. A madrasta leva as filhas para a mansão do pai de Cinderela e a coitada acaba virando a criada, tendo que fazer todo o serviço pesado da casa.
Como esta história se passa nos anos 20, em vez de receber uma carta com o convite para a festa do rei, Cinderela ouve o anúncio pelo rádio. Quando a fada madrinha aparece, não transforma ratos em cavalos e abóbora em carruagem. Ela pega um alho poró para ser uma linda Limusine (o rato vira o motorista).
A historinha é tão fashion que o príncipe faz blasé o tempo inteiro. O carão só termina quando ele vê o luxo da Cinderela. Acabam se casando (sim, tem toda a novela do sapatinho no meio tempo).
Uma coisa, porém, não mudou de uma versão para a outra: quando a fada dá aquela produzida na Cinderela, tanto nas versões antigas quanto nesta, a moça fica toda trabalhada nos diamantes. A diferença, aqui, é o art déco.

Assim como a família dos Humphreys, Vanessa Abrams vem de uma casta menos privilegiada no seriado Gossip Girl. De classe média, Vanessa saiu do Estado de Vermont, onde vivem seus pais, para morar em Nova York. A menina tem vocação para o cinema e os dois pés bem firmes no chão. Sua mãe é feminista e tem ideias comunistas, mentalidade que, mesmo sem querer, a garota acaba herdando. Vanessa, então, tem um estilo completamente diferente de todas as outras meninas do seriado. Assim que ela chega a NY City, parece que saiu diretamente da década de 80: usa rabos de cavalo altíssimos, jaquetas douradas e tênis de cano alto. Com o passar do tempo e das (boas) influências da cidade grande, ela aprimora seu jeito de se vestir – que se torna, enfim, muito interessante.

Boho: influências hippies da década de 70, ar boêmio e valorização do étnico. A personagem de Jessica Szohr em Gossip Girl sabe usar estampas como ninguém. Ela gosta bastante de tye-die, peças com cara de raridades de brechó e sempre abusando de cores fortes e contrastantes. Apesar de os mais atentos conseguirem perceber que Vanessa carrega modelitos de designers nada acessíveis como Diane Von Furstenberg e Nanette Lepore, a intenção do figurinista Eric Daman é fazer da garota uma especialista em garimpagens. Ou seja: precisa parecer que Vanessa encontra sempre o mais legal e exclusivo pelos menores preços.

Outra coisa em que a aspirante a Michael Moore capricha é nos acessórios: maxibolsas, anéis gigantescos, pulseiras de várias voltas, colares com pedrarias coloridas e bijuterias que ficam até por cima de mangas de camisas. Dá a impressão que ela se veste no escuro, mistura tudo o que tem direito e depois sai de casa confiante em que deu certo – já que, se olhasse no espelho, provavelmente consideraria a possibilidade de tirar alguns dos apetrechos. Ela não tem problema de misturar, por exemplo, uma bata tribal com um casaco de oncinha. Ou sobrepor 10 colares de diferentes estilos, formatos e texturas. Ousadia é sua única regra: até patchwork é tecido fashion para o guarda-roupa da moça. Lindíssima.

Viajamos um pouquinho com a ideia do This & That da Oh Joy! (que postamos toda a semana em Isto&Aquilo aqui) e resolvemos aplicá-la à seleção dos figurinos de Sex and the City 2, que estreia hoje. São objetos fofos que combinam com o visual de cada personagem – ou melhor, do clique feito no minuto em que cada uma delas estava em poses inspiradoras. Se gostar da brincadeira, visite o Cinema e confira a nossa experiência pessoal ao assistir um dos filmes mais esperados de 2010. É para fã da série, sim – mas não deixa de ser para os aficionados por moda. Confira!
As quatro amigas – Miranda, Carrie, Samantha e Charlotte – já estão quarentonas e cada vez mais apaixonadas por marcas. Mas o designer Herbert Loureiro, autor da imagem ao lado, usa a moda para fazer arte. Não fica incrível?
Carrie exagera, é verdade. Salto alto mais saia bufante para ir ao mercadinho de temperos é um pouco over. Mas já que a escolha é por este visual, acrescentar um brochinho fofo da Octavia Cook não vai atrapalhar.
Falando em exagero, Samantha é o melhor exemplo: veja o tamanho desses brincos! Como parte do filme se passa em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, esse bule azul de Silas Sahabi bem que poderia ser a louça que serve o chá das 5 da veterana, não? Parece porcelana, mas é papel!
Este é o famoso vestido Dior com estampa de jornal que Carrie já usou na série. Para bancar a jornalista completa, é só acrescentar um porta-durex em formato de câmera fotográfica, certamente uma maneira vintage de pregar recados.
Não falta um sapato para esta foto? A sandália Ld Tuttle deixaria o vestido de gala superadequado para passeios diurnos ou em eventos menos formais – mas não na areia do deserto, como no filme, claro.
Comer nunca sai da moda. Se você é do tipo que acha que não leva muito jeito para a cozinha, veja o exemplo de Meryl Streep, que transitou com maestria do mundo fashion (em O Diabo Veste Prada) para o fogão (em Julie & Julia, na foto). Bem, Julia Child era meio desastrada, é verdade, mas mostrou que é possível chegar lá, mesmo que seja preciso picar uma montanha de cebolas.
Para esta edição do Bom Fim de Semana, fazemos um singelo convite para você se aproximar do fogão com gosto (quem sabe na semana que vem a gente dê dicas de academias para reparar o estrago). E mão na massa:
1. | “Coma-me diariamente.” Este é o pedido do Eat Me Daily. O site não dá receitas. O que há ali são matérias sobre o universo culinário – desde uma dica de uma máquina de fazer gelo em formato de bola de futebol (em miniatura, bom frisar) até um cookie estampado com uma figura que interage com a webcam (foto).
2. | O site Chucrute com Salsicha vale a visita só pelo título. Mas para a dica ficar completa, veja alguns bons motivos para visitá-lo: bolo de vin santo e uvas, clafoutis de cereja, salada de batata e cenoura com molho de limão e pudim de earl grey & lavanda.
3. | No (ótimo) livro Como Água para Chocolate, Laura Esquivel abre cada capítulo com uma tradicional receita mexicana. No modo de preparo, ela narra o que aconteceu em alguma ocasião em que aquela receita foi feita. Água na boca. O blog Brincando de Casinha é mais ou menos assim. Tem dicas tanto domésticas como culinárias, e uma série de posts merecedora de prêmio: frutas e legumes que estão na época certa, mês a mês.
4. | Explicar piada não é muito legal. Ainda mais quando a piada é dos outros. Mas como nem todo mundo é aficionado pelo seriado Seinfeld, é bom explicar que, em um dos episódios, havia um restaurantezinho que começou a ficar famoso por causa da deliciosa sopa. Mas o cozinheiro (apelidado de “O Nazista da Sopa”) era tão temperamental que, se não fosse com a cara do cliente, disparava: “Sem sopa para você”. É daí que vem o nome do site No Soup For You. Motivo para visitá-lo? Olhe bem para esta foto de flognarde de morangos e pergunte de novo. Beijos.
5. | O trocadilho no nome do site Prato a Porter faz sentido: sabe aquela receita que parece que foi feita sob medida? Então. Pãezinhos de inhame, biscoitos de aveia e passas, salada de trigo, cuscuz de legumes e até o fim do seriado Lost estão no cardápio. Bon appetit!
A artista plástica Ana Zanetti estava em sua casa, falando ao telefone, quando uma tragédia se anunciou: a empregada doméstica Lúcia, durante uma faxina, deixou cair água sanitária em um pufe preto de brim. Sim, manchou.
Em vez de entrar em desespero, porém, Ana teve um insight. “Eu olhei para aquilo e me perguntei: o que será que posso fazer com isso?” Foi então que começou a pesquisar uma forma de se fazer arte ao contrário, que mais tarde passou a chamar de ‘despintura’.
É assim: em vez de pegar uma tela em branco e começar a pintar, Ana quis ver como seria pegar uma tela já pintada e tirar as cores. “Comecei pegando um pedaço de jeans”, conta. “Eu fiz o desenho de uma árvore. Tenho até hoje em uma moldura.”
Isso foi há cinco anos. Nesse tempo, Ana foi se aperfeiçoando, e hoje o resultado da pesquisa pode ser visto na exposição Transeuntes, na loja Alcaçuz. Todas as obras dali são ‘despinturas’, e é preciso saber exatamente qual o resultado desejado quando se trabalha com esta forma reversa de pintar: “Na pintura, se você não gostou, pode pintar por cima. Na ‘despintura’, não”, explica Ana.
Nas telas, pessoas desconhecidas caminham por cenários indefinidos. “É porque são pessoas que andam na rua. Pessoas que não se conhecem, fechadas em suas próprias armaduras, sem saber o que se passa com os outros”, define. A proximidade com a moda veio porque a artista se inspirou em catálogos de marcas para fazer as silhuetas dos personagens – e entre os catálogos usados, estava o da Alcaçuz.
Você pode conferir a exposição na loja Alcaçuz da R. Dr. Mário Ferraz, 515, Jd. Paulistano, até o dia 7/6. É grátis, mas você pode aproveitar e dar uma voltinha pela loja, experimentar umas roupas…
{Com reportagem de Dado Carvalho}
A dica é do Did You See What I Saw?
Um pequeno gadget de uma empresa japonesa conseguiu facilitar a vida das mulheres que vivem em cidades chuvosas: agora, elas não precisam parar de andar, buscar abrigo e reposicionar o guarda-chuva para atender ao celular quando o telefone toca em meio a uma tempestade. Basta encaixar a peça para deixar a sombrinha presa debaixo do braço durante todo o percuso. Adeus, contratempos!
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