
“Prefiro surpreender do que criar expectativa”, diz Marcelo Sommer sobre seu desfile, que acontece hoje, às 18h30. A inspiração vem do anarcoprimitivismo. Não sabe o que é? Trata-se de um movimento que prega que a modernidade (da agricultura à Revolução Industrial) é a culpada pela hierarquização das classes sociais – e sua consequente desigualdade. Entram em questão assuntos como reaproveitamento de materiais, questionamento sobre consumismo, preocupação com natureza, desperdício e desapego, por exemplo. “É algo completamente diferente de tudo o que eu já fiz”, conta o estilista. A ideia é customizar: transformar uma saia longa em uma curta, uma calça em uma bermuda, fazer tingimentos artesanais. A aposta é o “feito em casa”, o remodelado. A cartela de cores não poderia ser mais orgânica – a começar pelos nomes: carvão, carne, pântano e lama. Marcelo Sommer continua Marcelo Sommer? “O mercado está menos preocupado com a marca, com o estilista, e mais com o produto que vai comprar.” Enfim, aguardemos.
O estilista
Entrou no mundo da moda aos dezoito anos, em 1985. Passou pela Zoomp, M2000 e Calvin Klein. Entrou na Forum, depois de estudar moda na Central Saint Martins Schools of Arts & Design, em Londres, e três anos mais tarde passou a coordenar a equipe de estilo da Zapping, de Renato Kherlakian. Criou a marca Sommer em 1995, no Mercado Mundo Mix. Em 1997, tornou-se editor de moda da revista Trip e participou do programa Moda Esporte Clube, da MTV. Sua marca, em 2004, foi incorporada pela AMC Têxtil, mas continuou como diretor criativo. Pouco antes de entrar na C&A, resolve sair da incorporadora. Hoje, Marcelo assina as coleções da marca Do Estilista, criada depois de perder os direitos sobre o nome de sua marca, e dá nome a um modelo das sandálias Melissa.
Como foi o Inverno 2009
Marcelo Sommer costuma se inspirar no que vê nas ruas, ou mesmo em viagens que faz. Foi assim nesta coleção. Depois de passar por Amsterdã, trouxe de lá referências peculiares. Tudo muito azul e branco – ou preto, como na segunda parte do desfile. Estampas lembravam azulejos com moinhos pintados. Havia sobreposição de estampas, mas sem excessos. Não faltou xadrez. Modelagens priorizavam as formas arredondadas e tecidos fluidos, como seda e georgette. A marca foi na onda do maxitricô. Calças justas e acinturadas foram harmonizadas com camisas e moletom – com estampa em uma e a outra sendo branca, ou vice-versa. Teve até tamanco Melissa feita com exclusividade.
2012
2011
2010