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TV brasileira e o estereótipo feminino

Joel Renno

29 agosto 2014 | 04:52

As telenovelas, os programas de entretenimento e séries televisivas brasileiros têm dedicado grande parte de seu tempo à comédia.  Muitos desses programas acabam, voluntaria ou involuntariamente, reforçando certos estereótipos tradicionais femininos- em plena segunda onda do feminismo.

Há geralmente três tipos de papéis de gênero para as mulheres: a mulher tradicional, a mulher liberada e a mulher moderna.

A mulher tradicional é impulsionada por emoções e não pela razão e seu comportamento irracional sempre a leva a erros. Felizmente, há sempre o “homem hetero” do qual ela depende para corrigir os seus problemas e limpar a bagunça. As mulheres devem ser administradas por seus homens.

A mulher liberada avançou a partir da década de 1970 e os papéis femininos foram desafiados com a segunda onda do feminismo. Essas mulheres têm empregos, são independentes, engraçadas, e não primariamente um objeto sexual.

A mulher moderna surgiu na década de 1980 e viu, pela primeira vez, a posição do homem e da mulher mais ou menos igual, com trabalho e status familiares semelhantes. Alguns homens podem até ter um papel tolo e frágil- o que causa conflitos e frustrações em muitas mulheres que ainda idealizam o homem provedor e independente, apesar de suas conquistas na carreira e na vida pessoal e familiar. Algumas mulheres queixam-se constantemente dos homens “femininos” não os considerando bons cuidadores dos filhos e até os considerando desajeitados, engraçados e desestimulantes do ponto de vista sexual.

Apesar dos vários papéis, a mulher para ser engraçada tem que ser retratada geralmente pela TV brasileira como o objeto sexual ou exercer um papel masculino deixando totalmente de lado a sua feminilidade. É como se os outros vários papéis femininos não existissem ou fossem secundários ou irrelevantes.

Até quando as mulheres da televisão brasileira estarão submetidas ou escravizadas a seus papéis de gênero, mesmo com todas as conquistas?  Elas podem ser bem sucedidas e ambiciosas, podem ser cuidadoras do lar e emotivas, mas sempre precisam ter o status de objeto sexual.

Será que está havendo legitimidade no retrato da mulher pela televisão brasileira com uma ampla e honesta abordagem dos seus reais interesses e conflitos existenciais?