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Marcos Guterman

O atentado num aeroporto de Moscou, nesta segunda-feira, parece ter sido calculado para causar constrangimentos ao presidente Dmitry Medvedev – justamente no momento em que ele embarcava para o Fórum Econômico Mundial, em Davos, para vender a Rússia como um lugar seguro para investimentos.

Como resposta, Medvedev deve mandar caçar os suspeitos de praxe: os separatistas da Tchetchênia. Por essa razão, os mercados não demoraram muito para se recuperar do choque e, afinal, parecem não ter se impressionado com a carnificina em Moscou, confiando na capacidade de Medvedev e de Vladimir Putin de “manter a ordem”.

Por outro lado, um dos efeitos importantes do ataque é a sensação de vulnerabilidade dos aeroportos. Não parece estar longe o dia em que os sistemas de segurança antiterror incluam a inspeção de bagagens antes mesmo de o passageiro chegar ao aeroporto.

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As novas técnicas de verificação de passageiros nos aeroportos americanos criaram tantos constrangimentos que se tornaram motivo de piada nacional. Muita gente anda filmando os procedimentos de segurança e postando na internet, expondo, assim, os exageros. Em um dos casos registrados, um menino de 3 anos de idade é submetido a uma vergonhosa revista – que incluiu sua mochilinha. A cena, que pode ser vista aqui, mostra a que ponto chegaram os danos às relações sociais nos EUA causados pelo terrorismo. A primeira vítima desse fenômeno é o bom senso.

A situação, porém, não é nova. Muito antes do 11 de Setembro, os aeroportos americanos já apresentavam rigorosas medidas de segurança, como mostra uma formidável memória das charges da revista New Yorker. Abaixo, alguns exemplos:

Charge de 1938

Charge de 1972

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Enquanto Nova York autorizava a comunidade islâmica a erguer uma mesquita a dois quarteirões do Ground Zero, as autoridades alemãs ordenavam o fechamento de uma mesquita em Hamburgo – o local foi freqüentado por Mohammad Atta, justamente um dos seqüestradores do 11 de Setembro.

Para os alemães, a mesquita segue sendo local de atração de jihadistas em potencial.

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A reunião de cúpula da União dos Estados Africanos tinha como meta discutir o flagelo da mortalidade infantil. Mas as seguidas ações de grupos terroristas muçulmanos na África mudaram o foco. “Vamos agir em conjunto para caçá-los”, disse o presidente de Uganda, Yoweri Museveni, segundo o jornal Le Monde. A principal decisão foi a de reforçar, com apoio ocidental, o contingente que luta contra o grupo terrorista Shabab na Somália.

O temor dos dirigentes africanos é o da “contaminação” do continente pela ideologia do fundamentalismo islâmico, trazida por terroristas estrangeiros – a maioria vinda do Afeganistão e do Paquistão. “Esses grupos não compartilham os valores de solidariedade da África”, afirmou o somali Boubacar Diarra.

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Um estudo conduzido na faixa de Gaza mostra que o maior apoio ao terrorismo vem de jovens que tiveram pelo menos um parente morto pelo Exército de Israel. A pesquisa, do especialista em agressividade humana Jeff Victoroff (University of Southern California), indica que essa simpatia se deve à percepção da injustiça.

“É tentador pensar em extremistas como pessoas agressivas, e é claro que há extremistas agressivos neste mundo perigoso”, disse Victoroff, que trabalhou com pesquisadores palestinos, israelenses e americanos. “Mas nossas descobertas sugerem duas causas diferentes para o apoio à violência política: experiências de vida traumáticas e percepção de injustiça.”

Para os especialistas, a pesquisa indica que talvez fosse mais interessante para os EUA e seus parceiros, em sua “guerra ao terror”, concentrar menos energias nos extremistas e mais nas pessoas que sofrem os efeitos da guerra.

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A cineasta Iara Lee, única brasileira a bordo da “Flotilha da Liberdade”, descreveu sua experiência durante a abordagem da Marinha israelense, em texto publicado pela Folha. Sem ter visto o confronto, ela fez suas deduções como se a tudo tivesse testemunhado. “Ouvi tiros e temi pela vida dos meus companheiros de viagem. Mais tarde vi os corpos sendo carregados para dentro. Podia esperar que os soldados atirassem para o ar, ou nas pernas das pessoas, mas em vez disso vi que tinham atirado para matar.”

A frase mostra que ela não viu os soldados atirando, apenas ouviu. Em seguida, viu os corpos de seus “companheiros” sendo carregados. Isso foi o suficiente para que ela denunciasse, com a firmeza de quem assistiu a tudo: “Vi que (os soldados) tinham atirado para matar”. O problema é que Iara Lee não viu nada, como ela mesma admite. Não viu, por exemplo, soldados israelenses sendo espancados e esfaqueados. Ela apenas ouviu tiros e tirou suas conclusões, contaminadas por sua militância. A equação, para ela, era simples: soldados israelenses + tiros + corpos de pacifistas desarmados = massacre premeditado.

Como cineasta, ofício em que a imagem é tudo, Iara Lee deveria saber bem a diferença entre ver e não ver alguma coisa. Para ela, porém, parece que basta acreditar em algo para que isso se torne verdade. Resta só o trabalho de recolher “evidências” para fundamentar a crença.

De todo modo, pelo menos Iara Lee sobreviveu para contar o que acha que viu. Deu mais sorte que outro brasileiro, Giora Balash, assassinado pelo Hamas num atentado a bomba numa pizzaria em Jerusalém, em 2001. Balash não sobreviveu para contar o que efetivamente viu: a cara do terror.

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Os muros de Carcassonne, na França

Os muros de Carcassonne, na França

 

Há um muro na fronteira entre EUA e México; também há um na fronteira entre Israel e Cisjordânia; o Egito construiu o seu na fronteira com Gaza. Agora, as autoridades de Bagdá planejam erguer um muro para dificultar a vida dos terroristas suicidas que infernizam a capital iraquiana.

Nas cidades medievais, os muros serviam para dar à vida urbana a sensação de segurança, contra os salteadores e ignorantes do mundo rural. Mas aqueles eram outros tempos.

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A diretora Kathryn Bigelow, premiada com o Oscar pelo filme Guerra ao Terror, vai rodar sua nova produção na Tríplice Fronteira, entre Brasil, Argentina e Paraguai. As autoridades paraguaias e argentinas expressaram sua fúria – e, segundo Assunção, o governo brasileiro também não gostou.

Segundo eles, é injusto pintar a região – notória pelo crime organizado e por abrigar financiadores do terrorismo – como o “lixo do mundo”.

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A vulnerabilidade das grandes metrópoles ao terrorismo ficou evidente no último sábado, quando a polícia de Nova York frustrou, por um triz, um atentado em plena Times Square. Mesmo depois do 11 de Setembro, a cidade americana ainda carece de segurança específica contra o terror, como bem lembrou o blog de Gustavo Chacra. Trata-se de um dilema urbano característico de nosso tempo: como lidar com a ameaça de ruptura brutal do cotidiano sem alterá-lo de antemão, ou seja, como as autoridades podem prevenir o terrorismo sem acabar com aquilo que dá vida às cidades, que é precisamente sua organização caótica.

Entre as reações ao atentado frustrado na Times Square, um leitor do New York Times sugeriu que se introduzisse naquela região da cidade o “Anel de Aço”, experiência da City londrina contra os ataques do IRA, nos anos 90. Trata-se de uma série de bloqueios (de concreto, e não de aço), com policiais montando guarda dia e noite e câmeras de vigilância às pencas, para evitar os atentados.

É a opção pela descaracterização da cidade como o lugar das trocas e da livre circulação de pessoas, elementos que estão no centro do próprio espírito da civilização.

É justamente isso o que desejam os terroristas.

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Muhammad Tahir-ul-Qadri, um dos mais importantes clérigos muçulmanos do Paquistão, emitiu nesta terça-feira no Reino Unido uma “fatwa” (pronunciamento legal islâmico) segundo a qual “os atentados suicidas e os ataques contra civis não são apenas condenados pelo islã, mas deixam os perpetradores totalmente fora do rebanho do islã; em outras palavras, tornam-se infiéis”.

O jornal Telegraph considera que a palavra de Tahir-ul-Qadri pode ter grande peso no Reino Unido, levando extremistas a repensar seu comportamento no país. Em entrevista, o clérigo disse que não há “se e mas” quando se trata de terrorismo, e pediu que outras lideranças islâmicas ajudem a disseminar a mensagem segundo a qual o terrorismo não é digno de um verdadeiro muçulmano.

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