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Marcos Guterman

O atentado num aeroporto de Moscou, nesta segunda-feira, parece ter sido calculado para causar constrangimentos ao presidente Dmitry Medvedev – justamente no momento em que ele embarcava para o Fórum Econômico Mundial, em Davos, para vender a Rússia como um lugar seguro para investimentos.

Como resposta, Medvedev deve mandar caçar os suspeitos de praxe: os separatistas da Tchetchênia. Por essa razão, os mercados não demoraram muito para se recuperar do choque e, afinal, parecem não ter se impressionado com a carnificina em Moscou, confiando na capacidade de Medvedev e de Vladimir Putin de “manter a ordem”.

Por outro lado, um dos efeitos importantes do ataque é a sensação de vulnerabilidade dos aeroportos. Não parece estar longe o dia em que os sistemas de segurança antiterror incluam a inspeção de bagagens antes mesmo de o passageiro chegar ao aeroporto.

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10.dezembro.2010 08:00:12

Putin é mesmo um fanfarrão

O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, é admirador confesso de Stálin. Mesmo assim, embalado pelo antiamericanismo alimentado pelo caso WikiLeaks, sentiu-se à vontade para questionar a prisão de Julian Assange, o organizador do site.

“A democracia é isso?”, provocou Putin, sob cuja administração jornalistas críticos do regime morrem misteriosamente. Nos documentos de diplomatas americanos vazados por Assange, diz-se que a democracia na Rússia “desapareceu”.

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O blogueiro Alexei Navalny, bastante popular na Rússia, criou um site para a publicação de documentos sobre corrupção no país. A iniciativa ainda está em fase experimental, mas já permite a divulgação de informações e a discussão online.

A Rússia foi classificada de “Estado mafioso” por diplomatas americanos citados em documentos vazados pelo WikiLeaks. A essa informação o primeiro-ministro Vladimir Putin reagiu com indignação. Com o trabalho de Navalny, se o blogueiro sobreviver a ele, será possível saber quem tem razão.

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O governo da Rússia manifestou nesta segunda-feira seu desconforto com o comportamento do Irã a respeito da pressão internacional sobre seu programa nuclear. Moscou acusou Teerã de “retórica infrutífera e irresponsável”, pediu “passos concretos” para resolver a questão e manifestou apoio às sanções dos EUA contra o Irã.

A Rússia tem interesses econômicos de grande envergadura no Irã, infinitas vezes maiores do que os do Brasil. Nem por isso, contudo, o país parece disposto a contemporizar com os iranianos, como faz o governo Lula. Esse paradoxo foi levantado com precisão pelo ex-embaixador do Brasil nos EUA Roberto Abdenur, em artigo na Folha.

“Esses passos em falso – a indevida, quase entusiástica identificação com o Irã, e o voto negativo (a respeito das sanções contra o Irã) – lesionam seriamente a imagem de equilíbrio, objetividade e imparcialidade que tradicionalmente fundamenta nosso pleito por lugar permanente no Conselho de Segurança, a instância decisória suprema em questões de ameaças à paz e à segurança internacionais”, escreveu o diplomata.

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O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, comeu hambúrguer com Obama numa lanchonete de Washington e ganhou um iPod novinho de Steve Jobs quando visitou a Apple. Medvedev estava animadíssimo com a receptividade americana – traduzida na promessa de investimentos de US$ 1 bilhão da Cisco Systems na Rússia. Ele admitiu que “o capitalismo de risco não está indo bem” em seu país, porque “ninguém quer correr riscos”. Steve Jobs então lhe disse que isso é “cultural” e que é preciso “mudar a mentalidade”.

O que Jobs quis dizer com isso é um tanto enigmático, mas, para os políticos americanos, a coisa é muito clara: os “capitalistas” russos não correm riscos porque estão garantidos por uma eficiente rede de corrupção no governo. “Os investidores americanos deveriam ter sérias preocupações sobre a corrupção na Rússia”, disse Anna Eshoo, deputada democrata. Para William Browder, empresário que já investiu na Rússia, “não basta apenas pronunciar a palavra ‘modernização’ e esperar que todos os problemas simplesmente desapareçam”.

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Acaba de ficar claro, se é que alguém era suficientemente ingênuo para crer no contrário, que o Brasil não tem a menor condição de exercer alguma influência sobre o Irã. Ficou-se sabendo nesta quarta que Rússia e China pediram que Teerã aceitasse o acordo com a ONU sobre seu projeto nuclear – que, na prática, o impediria de ter um arsenal atômico. Mas o regime iraniano ignorou solenemente a pressão.

Ora, se China e Rússia não conseguem convencer o Irã a colaborar, o que faz o presidente Lula pensar que o Brasil conseguirá? Em uma palavra: megalomania.

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