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Marcos Guterman

Todos os dias, várias vezes ao dia, líderes religiosos muçulmanos, palestinos inclusive, pregam abertamente a destruição de Israel e a morte dos judeus. Basta dar uma olhada nos jornais do mundo árabe e na imprensa iraniana para constatar esse fato, que, no entanto, não é objeto de repúdio dos “humanistas” palestinos e de seus simpatizantes.

Bastou, porém, que um rabino israelense tolo, Ovadia Yosef, dissesse que os palestinos “deveriam desaparecer da Terra” para que os “humanistas” despejassem todo o seu ódio a Israel, qualificando o rabino de “nazista” e usando sua frase infeliz como prova de que os judeus israelenses preparam o “genocídio” dos palestinos.

Referindo-se a Yosef como “membro do governo israelense” – um exagero retórico típico, já que o rabino é apenas o “líder espiritual” de um dos partidos da coalizão que sustenta o governo de Israel –, o dirigente palestino Saeb Erekat cobrou do premiê Binyamin Netanyahu uma “firme condenação” da diatribe. Disse que Yosef reproduz a “incitação ao racismo contra os palestinos que está em curso em Israel”.

As lideranças palestinas, porém, jamais cobraram moderação daqueles que incitam o racismo contra os judeus. Pelo contrário: o próprio establishment palestino e islâmico no Oriente Médio prega a eliminação dos judeus ou permite a pregação. Há uma extensa lista de exemplos, mas fiquemos apenas em três:

“Todas as armas têm de estar voltadas contra os judeus, inimigos de Allah, aqueles que o Corão descreve como macacos e porcos, adoradores de ídolos. Allah determinará a governança muçulmana sobre os judeus. Vamos explodi-los em Hadera, vamos explodi-los em Tel Aviv e em Netanya… Abençoamos todos aqueles que educam seus filhos para a jihad e para o martírio. Abençoados aqueles que dão um tiro na cabeça de um judeu”.

Sermão transmitido pela TV da Autoridade Nacional Palestina em 3 de agosto de 2001.

“Os judeus são um câncer que está se espalhando pelo corpo da nação árabe e da nação islâmica, um câncer que vai atingir as instituições árabes, os vilarejos e os campos de refugiados.”

Sermão do xeque Ibrahim Mudeiris, transmitido pela TV da Autoridade Nacional Palestina em 7 de janeiro de 2005

“Ó, Deus, fortaleça o islã e os muçulmanos, humilhe os infiéis e a infidelidade. Ó, Deus, destrua nossos inimigos, os judeus e os cruzados inimigos do islã.”

Sermão do xeque Jamal Shakir na mesquita Rei Abdallah, em Amã, transmitido pela TV da Jordânia Canal 1, em 5 de março de 2004.

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Klose, polonês, e Boateng, de pai ganês

 

A Alemanha não se cabe em si. O time que tentará nesta quarta-feira classificar-se para sua oitava final de Copa é o queridinho da competição, com seu ataque avassalador e seu “futebol arte”. O traço mais marcante, porém, é a grande presença de jogadores de origem estrangeira – alguns negros, outros poloneses e turcos, um brasileiro. “Essa seleção alemã está dando a todo o país o sentimento especial de força, porque essa equipe multicultural realmente joga junto, algo que não se imaginava possível antes”, festejou o jornal Die Welt.

Nem sempre foi assim na Alemanha, claro. Em “Olympia”, Leni Riefensthal, a cineasta de Hitler, apresentou uma imagem muito diferente do potencial esportivo e patriótico alemão. Há apenas 70 anos, o ideal retratado no filme – e disseminado em cada célula do corpo social do país – indicava o sonho da sociedade branca pura.

Não se muda uma mentalidade assim em apenas sete décadas. Mas a seleção de futebol da Alemanha indica que alguma coisa está diferente naquele complexo país.

 

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O filme ariano de Riefensthal

 

Fotos: Carls de Souza/France Presse e Reprodução

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Dominique Sopo, presidente da ONG francesa SOS Racismo, defendeu nesta terça-feira que haja censura contra o que qualificou de “discurso racista”. Segundo Sopo, esse discurso está disseminado no mundo político, no meio artístico e na internet, reduzindo as defesas dos movimentos anti-racismo.

“Há uma redução dos anticorpos contra o racismo na sociedade francesa”, disse Sopo. Nos cartazes da campanha de sua ONG, os slogans são “Cuidado com as ideias que fedem” e “Não se torne porta-voz da intolerância”.

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Le Pen e seu cartaz anti-islâmico: sem meias palavras. Foto: Le Parisien

Le Pen e seu cartaz anti-islâmico: sem meias palavras. Foto: Le Parisien

A Justiça francesa rejeitou uma ação contra uma campanha da Frente Nacional, partido do extremista Jean-Marie Le Pen, cujo slogan é “Não ao islamismo”, relata o Le Parisien. A Liga Internacional contra o Racismo e o Antissemitismo, que impetrou a ação, disse que a mensagem “incita ao ódio racial”.

Para um advogado da FN, a campanha não é contra os muçulmanos nem contra o islã em si, mas contra “o islamismo”. Já Le Pen deixou claras as intenções em discurso a simpatizantes, quando denunciou “a presença islâmica na França” e disse que mesquitas estão surgindo “como cogumelos” no país.

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  • Quem Faz

    Quem Faz

    Marcos Guterman

    Marcos Guterman é jornalista profissional desde 1989. Trabalhou por 15 anos na Folha e desde 2006 está no Estadão, onde edita a Primeira Página. É historiador, com graduação e mestrado pela PUC-SP. Atualmente faz doutorado em História na USP, tendo o nazismo como tema de pesquisa. É autor do livro "O Futebol Explica o Brasil". Sua pátria é o Santos Futebol Clube.
    Contato: marcos.guterman@grupoestado.com.br

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