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Marcos Guterman

O papa Bento XVI fez um duro ataque ao que chamou de “extremismo ateísta”, durante visita ao Reino Unido. Ele alertou os britânicos sobre o secularismo no país, ao dizer que a “exclusão de Deus, da religião e da virtude da vida pública” foi responsável pelas grandes tragédias políticas do século passado.

A esse propósito, o pontífice declarou: “Podemos lembrar como o Reino Unido e seus líderes resistiram à tirania nazista que desejava erradicar Deus da sociedade e negar a humanidade comum a muitos, especialmente aos judeus, que eles consideravam indignos de viver”.

A sugestão de que os nazistas foram movidos por seu suposto ateísmo foi rebatida por britânicos de todos os credos, além, naturalmente, dos ateus e secularistas, relata o Guardian. Para a maioria deles, Bento XVI exagerou.

Além disso, do ponto de vista histórico, a referência a um “ateísmo nazista” é um tanto complicada. Hitler não só não era ateu como se julgava um instrumento de Deus, da Providência. Agiu, segundo suas próprias palavras, “de acordo com o sentido do Criador Todo-Poderoso”, e a perseguição aos judeus nada mais era do que a “luta para preservar o trabalho do Senhor”.

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Primeiro, o Vaticano mandou dizer que as palavras do frei Raniero Cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia, que teve o desplante de comparar o noticiário sobre a pedofilia na Igreja Católica ao antissemitismo, não traduziam o ponto de vista da Santa Sé.

Agora, o Vaticano tenta se distanciar das palavras do cardeal Tarcisio Bertone, seu secretário de Estado, que ligou o escândalo de pedofilia na Igreja à “patologia” do homossexualismo. Um porta-voz informou que “autoridades da Igreja não têm competência para fazer declarações sobre questões médicas ou psicológicas”.

São tantos os tiros no pé que é o caso de perguntar se há no Vaticano algo como o “bando de aloprados”, como foram chamados os petistas que queriam “ajudar”  a candidatura de Lula em 2006. Os seguidos desmentidos de declarações de gente importante na hierarquia da Igreja mostram um descontrole que não combina com a noção de rigidez monárquica que emana dos corredores da Santa Sé sob Bento XVI.

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02.abril.2010 18:30:38

O silêncio do papa

Não há palavras para qualificar o que houve nesta sexta-feira no Vaticano.

Na presença do papa Bento XVI, um frade franciscano, por meio de um tortuoso raciocínio, sugeriu que a “perseguição” à Igreja Católica – isto é, o noticiário sobre o escândalo de pedofilia cometida por padres – assemelha-se à perseguição aos judeus. Disse ele que a Igreja está sofrendo “violência coletiva”, algo como o antissemitismo.

Primeiro, o frade tentou usurpar das crianças abusadas por padres criminosos o papel de vítimas que é delas, e somente delas. Como se isso não bastasse, comparou padres criminosos a inocentes massacrados ao longo da história, numa trajetória que culminou no Holocausto. Por último, fala em “violência coletiva” quando, na verdade, o centro do escândalo não é nem a Igreja Católica nem seus milhões de fiéis, mas somente os padres criminosos e aqueles que os acobertam, em horrenda cumplicidade.

O papa ouviu essa pregação lamentável e nada falou. Talvez porque lhe faltassem palavras.

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Um artigo corajoso, o que Maureen Dowd publicou no New York Times a respeito do interminável escândalo de pedofilia na Igreja Católica. Como solução para a epidemia de padres pedófilos, ela sugere que a Igreja passe a permitir a ordenação de mulheres. Mais: ela diz que a inacreditável omissão de Joseph Ratzinger, o papa Bento XVI, ao ser informado sobre casos escabrosos – como o do padre que abusou de 200 meninos surdos –, não aconteceria se o papa fosse uma mulher.

“As freiras, historicamente, têm limpado a bagunça dos padres”, escreveu Dowd. “E essa é uma bagunça histórica. Bento XVI deveria ir para sua casa na Baviera. E os cardeais deveriam enviar fumaça branca pela chaminé, proclamando ‘Habemus Mama’.”

Dowd não é a primeira voz com peso na imprensa a pedir a, digamos, “demissão” do papa diante do escândalo. A revista alemã Der Spiegel publicou recentemente um texto que dizia o mesmo a respeito de seu compatriota no Vaticano. “Por que o papa ainda está no cargo?”, perguntou Peter Wensierski no artigo. Para ele, assim como para Dowd, o “Rottweiler de Deus” está perdendo a autoridade moral para dizer o que os católicos devem ou não devem fazer.

Enquanto isso, Bento 16 disse neste domingo que não se intimidará diante de “fofocas sem importância”.

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Depois dos religiosos muçulmanos e judeus, agora é a Igreja Católica quem se insurge contra os scanners de aeroporto, cuja função é tentar flagrar terroristas com bombas atadas ao corpo.

Conforme registro do Telegraph, o papa Bento 16, sem mencionar diretamente o equipamento, disse que, mesmo diante da ameaça de atentados terroristas contra aviões, “não se deve esquecer que o respeito ao primado da pessoa humana”. Para ele, a “dignidade humana deve ser preservada”.

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