Que Israel deve interromper sua colonização da Cisjordânia para que haja paz com os palestinos, disso poucos discordam. Mas há um peso excessivo nessa questão quando se trata de avaliar o processo de negociação ora em curso no Oriente Médio – não sem óbvios interesses dos países que pretendem constranger Israel, colocando-o como vilão da história perante a opinião pública internacional.
O fato é que há muito mais em jogo na mesa de diálogo. Supondo que Israel resolva aceitar todas as exigências palestinas, que garantias os israelenses terão de que sua segurança estará assegurada? Afinal, Mahmmoud Abbas, com quem Israel negocia, é inimigo do Hamas; logo, um acordo com Abbas não significa que os palestinos farão realmente a paz com os israelenses.
A questão de fundo, portanto, é: quem fala efetivamente em nome dos palestinos?
O governo do Irã chamou de “traidores” os países árabes que estimularam e estão participando da retomada das negociações de paz entre Israel e palestinos. Ao mesmo tempo, o Hamas, associado de Teerã, anunciou que vai intensificar os ataques contra Israel, com ajuda de outros grupos terroristas, com a deliberada intenção de sabotar o diálogo. O Hizbollah, outro associado do governo iraniano, aplaudiu o atentado do Hamas que matou quatro colonos israelenses, entre eles uma mulher grávida, dizendo que “essa é a maneira de liberar a Palestina”.
A reação do Irã e de seus associados mostra que, embora cercada de profundo ceticismo, a iniciativa de Israel e dos palestinos, mediada pelos EUA, foi suficiente para incomodar os terroristas e seus patrocinadores. Ao governo iraniano, não interessa a resolução dos impasses entre israelenses e palestinos, que resultaria no amplo reconhecimento de Israel. Pelo contrário: nesta sexta-feira, Ahmadinejad, o “querido companheiro” do presidente Lula, voltou a “prever” o “colapso” de Israel.
Todos os dias, várias vezes ao dia, líderes religiosos muçulmanos, palestinos inclusive, pregam abertamente a destruição de Israel e a morte dos judeus. Basta dar uma olhada nos jornais do mundo árabe e na imprensa iraniana para constatar esse fato, que, no entanto, não é objeto de repúdio dos “humanistas” palestinos e de seus simpatizantes.
Bastou, porém, que um rabino israelense tolo, Ovadia Yosef, dissesse que os palestinos “deveriam desaparecer da Terra” para que os “humanistas” despejassem todo o seu ódio a Israel, qualificando o rabino de “nazista” e usando sua frase infeliz como prova de que os judeus israelenses preparam o “genocídio” dos palestinos.
Referindo-se a Yosef como “membro do governo israelense” – um exagero retórico típico, já que o rabino é apenas o “líder espiritual” de um dos partidos da coalizão que sustenta o governo de Israel –, o dirigente palestino Saeb Erekat cobrou do premiê Binyamin Netanyahu uma “firme condenação” da diatribe. Disse que Yosef reproduz a “incitação ao racismo contra os palestinos que está em curso em Israel”.
As lideranças palestinas, porém, jamais cobraram moderação daqueles que incitam o racismo contra os judeus. Pelo contrário: o próprio establishment palestino e islâmico no Oriente Médio prega a eliminação dos judeus ou permite a pregação. Há uma extensa lista de exemplos, mas fiquemos apenas em três:
“Todas as armas têm de estar voltadas contra os judeus, inimigos de Allah, aqueles que o Corão descreve como macacos e porcos, adoradores de ídolos. Allah determinará a governança muçulmana sobre os judeus. Vamos explodi-los em Hadera, vamos explodi-los em Tel Aviv e em Netanya… Abençoamos todos aqueles que educam seus filhos para a jihad e para o martírio. Abençoados aqueles que dão um tiro na cabeça de um judeu”.
Sermão transmitido pela TV da Autoridade Nacional Palestina em 3 de agosto de 2001.
“Os judeus são um câncer que está se espalhando pelo corpo da nação árabe e da nação islâmica, um câncer que vai atingir as instituições árabes, os vilarejos e os campos de refugiados.”
Sermão do xeque Ibrahim Mudeiris, transmitido pela TV da Autoridade Nacional Palestina em 7 de janeiro de 2005
“Ó, Deus, fortaleça o islã e os muçulmanos, humilhe os infiéis e a infidelidade. Ó, Deus, destrua nossos inimigos, os judeus e os cruzados inimigos do islã.”
Sermão do xeque Jamal Shakir na mesquita Rei Abdallah, em Amã, transmitido pela TV da Jordânia Canal 1, em 5 de março de 2004.

Israel ocupa territórios palestinos há mais de quatro décadas. À parte a ofensa às leis internacionais e ao bom senso, a atitude israelense gerou um tipo de dano colateral dificilmente reversível: a indiferença em relação aos palestinos. Foi isso o que se viu no episódio de Eden Abergil, a militar de Israel que se deixou fotografar diante de palestinos vendados e amarrados e publicou as imagens no Facebook. Suas poses deram margem a comentários sexistas e, claro, geraram indignação, levando-a a retirar as imagens.
O Exército de Israel condenou duramente a exposição vexatória dos prisioneiros e a atitude de Eden – que, no entanto, disse não saber o que fez de errado. Segundo ela, as fotos foram tiradas “de boa-fé” e não tinham nenhum significado especial.
Isso mostra que, para Eden, não há nada demais em constranger palestinos. Aos 20 e poucos anos, ela é de uma geração que não enxerga mais os palestinos como inimigos – ela é de uma geração que simplesmente já não enxerga os palestinos de jeito nenhum. A longa ocupação transformou os subjugados em parte da paisagem, como as árvores, os prédios, os carros, os animais. As fotos de Eden, de fato, não têm maldade; elas apenas retratam como uma fração da sociedade israelense parece desconsiderar a existência dos palestinos como indivíduos, com seus desejos, suas dores e sua vergonha.
O presidente dos EUA, Barack Obama, ligou pessoalmente para o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, para lhe dizer que vai suspender a venda de armas americanas à Turquia se Ancara não se reaproximar de Israel e não se afastar do Irã, informou o Financial Times.
Funcionários americanos ouvidos pelo jornal dizem que será difícil, no momento, aprovar no Congresso qualquer venda de armamentos à Turquia para combater os curdos do PKK. O governo turco, como se sabe, ameaça romper relações com Israel desde o episódio da Flotilha da Liberdade; ao mesmo tempo, aproximou-se do Irã a ponto de votar contra as sanções da ONU ao regime iraniano, o que irritou Obama.
A pressão sobre a Turquia deve aumentar também por conta da informação segundo a qual o Exército turco usou armas químicas contra rebeldes curdos. Fotos tiradas em 2009 e agora consideradas autênticas, segundo a revista Der Spiegel, provam o que o regime turco sempre negou. Diante disso, será difícil levar a Turquia a sério quando vocifera sua indignação humanista contra Israel.
Já circula no Congresso dos EUA uma resolução, patrocinada pela bancada republicana, que dá apoio a um eventual ataque de Israel contra o Irã.
O cineasta israelense Yaron Kaftori criou um filme, em forma de documentário fictício, que tem como tema central o fim de Israel. “Refugiados” israelenses, no ano de 2048, contam como era seu país e as razões pelas quais, em sua opinião, ele deixou de existir. O tema, obviamente, é tabu em Israel, mas o filme teve boa receptividade no Festival de Cinema de Jerusalém.
“Sinto, como muita gente, que caminhamos na direção errada e corremos o risco de demolir nosso Estado”, disse Kaftori ao Jerusalem Post. “E isso não virá de uma ameaça externa.”
Para o diretor, a sociedade israelense é dividida demais, “e nenhum grupo liga para o outro”. Kaftori disse que não pretende disseminar nenhuma mensagem política com o filme, mas declarou que o principal problema de Israel é a fragilidade do debate público. “Ninguém quer saber para onde Israel está indo. Estamos cercados pelo escapismo.”

A rainha Rania, da Jordânia, escreveu um livro infantil que conta a história de Lily e Salma, duas amigas que brigam por causa de preconceitos. A discussão ocorre em torno do lanche que cada uma levou para a escola – o de Lily era um sanduíche com pasta de amendoim, e o de Salma, pita com homus. A disputa envolve a escola toda, mas, no fim, elas não só fazem as pazes como promovem uma festa em que todos os alunos trocam seus lanches, para aprender sobre as diferenças culturais.
A mensagem do livro é clara: é preciso conhecer o outro, ter a mente aberta e promover o multiculturalismo. A própria rainha Rania, porém, parece que não acredita nessa mensagem. Segundo o jornal israelense Haaretz, inexplicavelmente ela recusou várias ofertas para publicar seu livro em hebraico.
Soldados israelenses que patrulhavam uma rua de Hebron, na Cisjordânia, podem ser punidos. Motivo: ao perceber que não corriam risco, executaram uma coreografia da música “Tik Tok”, da cantora pop americana Ke$ha. O vídeo, claro, se tornou hit, e já apareceu gente para dizer que é fácil dançar quando se é o opressor. Ou seja: mais um desastre de relações públicas de Israel.
O episódio lembra o caso do vídeo de soldados americanos no Afeganistão em uma doce interpretação da música “Telephone”, de Lady Gaga.
O Exército de Israel vai processar formalmente um soldado sob acusação de ter assassinado duas mulheres civis palestinas na ofensiva militar israelense contra Gaza no ano passado, informa a Al Jazeera. Se condenado, pode pegar 30 anos de prisão. Outros militares estão sendo investigados e devem ser indiciados em casos diversos na mesma guerra.
Enquanto isso, o Hamas trata os assassinos de mulheres civis israelenses como heróis.
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