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Marcos Guterman

Os EUA já não têm 170 mil soldados no Iraque. Agora, são “apenas” 50 mil, que não estarão envolvidos em combates e que deixarão o país até janeiro de 2012. Na prática, a aventura iraquiana dos americanos acabou – cedo demais, segundo alguns comentaristas, que consideram o Iraque ainda muito vulnerável aos extremistas.

Os custos dessa empreitada são descomunais, como mostra o Christian Science Monitor. “Levando-se em conta o sangue e o dinheiro gastos de todos os lados, foram resultados muito pobres”, disse ao site o especialista em Iraque Toby Dodge, do International Institute for Strategic Studies.

O CSM fez um balanço dos números da Guerra do Iraque.

 

Custos financeiros

 

* US$ 751 bilhões terão sido despejados no Iraque pelos EUA até o fim do ano fiscal de 2010.

* US$ 53 bilhões desse montante deverão ser usados para tudo o que faça o Iraque funcionar, de educação a compra de móveis.

* US$ 142 bilhões foi o custo anual mais alto, em 2008, durante o aumento de tropas.

* US$ 23,2 bilhões foram gastos no treinamento das forças de segurança iraquianas desde 2004. Mais US$ 2 bilhões serão gastos até 2011.

* US$ 51 bilhões é o custo estimado para a Guerra do Iraque em 2011.

 

Custo humano

 

* 4.415 soldados americanos mortos, segundo o iCasualties.org

* 9.537 soldados iraquianos mortos, segundo o Brookings Institution Iraq Index

* Entre 97 mil e 106 mil civis iraquianos mortos, segundo o IraqBodyCount.org

 

A vida no Iraque

 

* 20% da população têm saneamento básico em casa

* 45% têm acesso a água potável em casa

* 50% têm mais de 12 horas de eletricidade por dia

* 30% têm acesso a serviço publico de saúde

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Já circula no Congresso dos EUA uma resolução, patrocinada pela bancada republicana, que dá apoio a um eventual ataque de Israel contra o Irã.

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Sete anos depois do início da guerra e com o fim dos 35 anos de ditadura de Saddam Hussein, os iraquianos estão às voltas com a difícil tarefa de definir sua história recente para ser ensinada às crianças.

Khazi Mutlaq, o funcionário do governo responsável por adequar o currículo escolar à luz da democracia, resumiu o problema ao New York Times: “Estamos tentando resolver os temas sensíveis. Por exemplo, os eventos de 2003 e a invasão. Alguns iraquianos a chamam de Operação Liberdade. Outros a chamam de ocupação. Desse modo, não abordaremos o assunto”.

Há ainda diferenças sectárias que dificultam a unificação curricular. Xiitas e sunitas divergem até no modo como os alunos devem rezar, como observou Mohammed al-Jawahri, do Ministério da Educação, que acrescentou: “Nossa sociedade até agora não teve uma educação que aceitasse esse tipo de diversidade de opinião”.

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Saddam e seu amante, o Diabo

Saddam e seu amante, no South Park

 

 

O grupo de agentes da CIA que atuaram no planejamento da invasão do Iraque, em 2003, teve várias ideias para uma campanha psicológica cujo objetivo era desacreditar o ditador Saddam Hussein aos olhos dos iraquianos – a meta era ganhar os “corações e mentes” dos nativos para a causa de sua “libertação”. Uma das possibilidades aventadas pelos espiões foi produzir um vídeo fake no qual Saddam apareceria fazendo sexo com um adolescente. A intenção era “inundar o Iraque com esses vídeos” do “Saddam gay”, conta o blog de Jeff Stein no Washington Post.

Um vídeo chegou a ser feito: mostrava um Osama bin Laden bêbado divertindo-se com garotões em volta de uma fogueira. Segundo os agentes ouvidos pelo blog, os atores escolhidos tinham “a pele escura”.

O projeto não foi adiante porque enfrentou oposição da chefia da CIA. Segundo um ex-agente, as ideias eram de arapongas que haviam feito carreira na América Latina e no leste da Ásia e que não conheciam nada da realidade do Oriente Médio.

“Mostrar Saddam brincando com meninos não teria nenhum efeito no Oriente Médio. Simplesmente ninguém lá dá a mínima para isso”, disse outro ex-agente. “Pensar numa campanha como essa mostra total desconhecimento do alvo. Nós (americanos) sempre achamos que os nossos tabus são tabus universais, quando, na verdade, eles são apenas os nossos tabus.”

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Os muros de Carcassonne, na França

Os muros de Carcassonne, na França

 

Há um muro na fronteira entre EUA e México; também há um na fronteira entre Israel e Cisjordânia; o Egito construiu o seu na fronteira com Gaza. Agora, as autoridades de Bagdá planejam erguer um muro para dificultar a vida dos terroristas suicidas que infernizam a capital iraquiana.

Nas cidades medievais, os muros serviam para dar à vida urbana a sensação de segurança, contra os salteadores e ignorantes do mundo rural. Mas aqueles eram outros tempos.

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Eleições não fazem uma democracia, ao contrário do que dizem os bolivarianos. É necessário que as instituições funcionem de modo independente, é preciso que a lei prevaleça sobre a força, e essa realidade ainda está distante no Iraque. Mas está menos distante do que quando Saddam Hussein detinha o poder. Hoje, é possível dizer, a despeito de todas as agruras iraquianas, causadas em grande medida por uma guerra sectária que antecede – e muito – a presença ocidental ali, que o Iraque caminha para se tornar um país livre.

Ainda há quem torça contra isso – e não é só a Al Qaeda. Muitos “humanistas” esperam que o Iraque se banhe de sangue para comprovar suas teorias sobre o mal intrínseco que representa o Ocidente. Mas a torcida será em vão, como comprovou a enorme afluência de eleitores iraquianos às urnas, mesmo sob o risco de se verem despedaçados pelos terroristas que dispõem do apoio moral dos antiocidentais – gente que, por outro lado, defende a “democracia” do Irã, de Cuba e da Venezuela.

Tudo ainda é muito frágil no Iraque, e o risco maior é o de sempre: que as elites iraquianas prefiram locupletar-se a governar com espírito democrático. E haverá sempre quem responsabilize os EUA também por isso. Mas o fato é que o atual estágio iraquiano já é significativo o bastante para servir como pressão contra as ditaduras recalcitrantes do Oriente Médio e, sobretudo, para mostrar que a democracia pode vingar no mundo árabe, ainda que ao custo de uma guerra.

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  • Quem Faz

    Quem Faz

    Marcos Guterman

    Marcos Guterman é jornalista profissional desde 1989. Trabalhou por 15 anos na Folha e desde 2006 está no Estadão, onde edita a Primeira Página. É historiador, com graduação e mestrado pela PUC-SP. Atualmente faz doutorado em História na USP, tendo o nazismo como tema de pesquisa. É autor do livro "O Futebol Explica o Brasil". Sua pátria é o Santos Futebol Clube.
    Contato: marcos.guterman@grupoestado.com.br

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