Pesquisa da empresa de segurança de internet AVG mostra que as crianças estão aprendendo a operar um smartphone antes de saber amarrar os sapatos.
O levantamento foi feito com 2.200 mães com acesso à internet e com filhos de 2 a 5 anos de idade, em diversos países (EUA, Reino Unido, França, Itália, Alemanha, Espanha, Austrália, Nova Zelândia e Japão).
Segundo a pesquisa, 58% das crianças já aprenderam a usar um computador, mas só 43% conseguem andar de bicicleta. Além disso, 25% delas sabem abrir um browser, enquanto 20% nadam sem ajuda.
Para o presidente da AVG, J.R. Smith, a tecnologia mudou o modo de criar os filhos, porque o acesso deles aos equipamentos está muito mais fácil do que foi para os pais – razão pela qual a vigilância paterna na navegação na internet deve começar muito mais cedo.
A Real Academia Espanhola lançou um projeto com o qual pretende fazer uma “leitura universal” do maior herói da língua espanhola, Dom Quixote. A ideia é convidar internautas a gravar trechos da obra no YouTube. Serão 2.149 pedaços previamente determinados, e os interessados devem se inscrever no site do projeto. O total da obra deve consumir seis horas de vídeo.
Para a Real Academia, a iniciativa visa a “dar a Dom Quixote o espaço ideal para sua expressão”.
Grupos religiosos desenvolveram ferramentas de busca na internet cujos resultados são considerados moralmente seguros.
O mais novo mecanismo é o I’mHalal, que significa “eu sou halal”, isto é, de acordo com os preceitos islâmicos. Segundo a France Presse, ele foi criado na Holanda com o objetivo de oferecer ao usuário um “ambiente seguro” de busca – ao digitar a palavra “pornography” (pornografia, em inglês), por exemplo, o I’mHalal não retorna nenhum resultado.
Os cristãos, por sua vez, têm a sua disposição o SeekFind, que direciona a busca para sites com finalidade teológica e moral. Nele, ao se digitar a palavra “pornography”, aparecem resultados como “Livrar-se do vício em pornografia” e “Por dentro da mente de um viciado em pornografia”.
Já os judeus podem usar o Jewogle, um site que imita o Google e, modestamente, se dedica a “celebrar a contribuição judaica à civilização”. Fiel ao espírito judaico de responder a uma pergunta com outra pergunta, a ferramenta, na busca da palavra “pornography”, retorna resultados como “O que há de errado com pornografia?” e “A pornografia é um pecado?”.
A internet é um lugar em que cada texto, cada foto, cada comentário publicado jamais será destruído. Ao mesmo tempo em que realiza o sonho da manutenção eterna da memória, a rede mundial representa, por essa mesma razão, a terrível perspectiva de que o indivíduo está para sempre exposto pública e permanentemente. Para Jeffrey Rosen, em artigo no New York Times, essa característica impede o indivíduo de se reinventar, de recomeçar, de “enterrar o passado”.
“Sabíamos há anos que a Web permite um voyerismo sem precedentes, um exibicionismo e uma indiscrição inadvertida, mas só agora começamos a entender os custos de uma era em que tantas coisas que dizemos e que os outros dizem sobre nós se tornam arquivos digitais – e públicos. O fato de que a internet parece nunca esquecer é ameaçador, num nível quase existencial, para nossa capacidade de controlar nossa identidade, para preservar a opção de nos reinventar e começar de novo, para superar nosso passado”, escreveu Rosen.
Para ele, a internet criou uma espécie de “crise de identidade coletiva”, global. “Conhecemos” boa parte das pessoas com quem nos relacionamos graças ao que está gravado nessa memória virtual permanente. Do mesmo modo, pessoas que não nos conhecem são capazes de emitir julgamentos definitivos a nosso respeito a partir de referências encontradas após uma pesquisa no Google.
Por fim, Rosen lembra o personagem “Funes, o Memorioso”, de Borges, que perde a capacidade de esquecer. Sua memória prodigiosa, no entanto, é um fardo, porque a quantidade de dados armazenados é tão grande que ele não é mais capaz de converter informação em conhecimento. Com a imensidão da internet, diz Rosen, corremos o risco de perder a capacidade de aprender com nossos erros.
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