O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse nesta quinta-feira que o multiculturalismo é um “fracasso” na Europa. “A verdade é que nossas democracias têm se preocupado demais com a identidade daqueles que chegam e não o bastante com a identidade do país que os recebe”, disse Sarkozy, em referência aos imigrantes.
O protesto de Sarkozy – que coincide com sua baixa popularidade – não foi o único recente entre os principais líderes europeus. Em outubro passado, a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, havia qualificado o multiculturalismo da mesma maneira: “Total fracasso”. No último sábado, o primeiro-ministro britânico, o conservador David Cameron, foi ainda mais incisivo, ao dizer que a política de “tolerância” nos países europeus encorajou imigrantes (especialmente os muçulmanos) a “viver uma vida separada” e não conseguiu fazer com que esses grupos compartilhassem valores como direitos humanos, democracia e igualdade social e jurídica.
Não é fácil falar desse assunto na Europa, que se orgulha de seu multiculturalismo – política oficial no Reino Unido desde os anos 60. Como disse Sarkozy, basta pronunciar a palavra “imigração” para logo “ser chamado de racista”.
O presidente Lula declarou nesta sexta-feira, na cúpula do Mercosul, que o bloco “não criminaliza a imigração”. “Aqui construímos um espaço aberto”, declarou o quase ex-presidente, em mais uma canelada nos EUA e na Europa, que têm ampliado as barreiras aos imigrantes.
Um exame apenas superficial do tema, porém, revela que o presidente, mais uma vez, deixou-se enamorar pelo som de sua própria voz, ignorando as condições sub-humanas em que vivem os imigrantes bolivianos e paraguaios no Brasil e na Argentina.
Recentemente, os argentinos testemunharam o ataque xenófobo a um assentamento desses imigrantes, sob o olhar indiferente do governo de Cristina Kirchner. No Brasil de Lula, por sua vez, os trabalhadores bolivianos são tratados como escravos.
Com o crescimento da economia brasileira, é muito provável que, num futuro próximo, a imigração seja uma questão cada vez mais aguda no país, porque será essa mão de obra barata que será recrutada para fazer o serviço desprezado pela classe média em expansão. A despeito da utopia demagógica lulista, esses indivíduos já são tratados como cidadãos de segunda classe, algo muito próximo do racismo “cordial” tipicamente brasileiro.
Uma pesquisa do Pew Hispanic Center, feita com base em dados do Censo de março de 2009, mostra que 1 em cada 12 crianças nascidas nos EUA em 2008 eram filhas de imigrantes ilegais, relata o Wall Street Journal. Esses imigrantes são apenas 4% do total da população, mas seus filhos nascidos em 2008 nos EUA – e, portanto, cidadãos americanos – somaram 8% do total de nascimentos naquele ano.
Segundo o Pew, a tendência é que esse crescimento seja acelerado nos próximos tempos, porque os imigrantes ilegais são mais jovens e com taxa de fertilidade maior do que a dos americanos.
O Estado americano do Arizona aprovou recentemente uma lei que permite aos policiais exigir documentos de pessoas sobre quem recaiam “razoáveis suspeitas” de serem imigrantes ilegais – e sabemos quem são os suspeitos habituais. A gritaria foi geral, de Barack Obama ao presidente do México, Felipe Calderón. Houve quem comparasse a legislação ao apartheid.
Os EUA são um país de imigrantes, e é inacreditável que ainda haja defensores de políticas que visem a excluí-los da vida nacional. Mas o vírus da intolerância é resistente. No Alabama, o candidato republicano ao governo, Tim James, faz campanha criticando abertamente o fato de que a prova para obter carteira de habilitação seja feita em “uma dúzia de idiomas”. E afirma: “Aqui é o Alabama. Nós falamos inglês. Se quiser viver aqui, aprenda inglês”.
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