Que Israel deve interromper sua colonização da Cisjordânia para que haja paz com os palestinos, disso poucos discordam. Mas há um peso excessivo nessa questão quando se trata de avaliar o processo de negociação ora em curso no Oriente Médio – não sem óbvios interesses dos países que pretendem constranger Israel, colocando-o como vilão da história perante a opinião pública internacional.
O fato é que há muito mais em jogo na mesa de diálogo. Supondo que Israel resolva aceitar todas as exigências palestinas, que garantias os israelenses terão de que sua segurança estará assegurada? Afinal, Mahmmoud Abbas, com quem Israel negocia, é inimigo do Hamas; logo, um acordo com Abbas não significa que os palestinos farão realmente a paz com os israelenses.
A questão de fundo, portanto, é: quem fala efetivamente em nome dos palestinos?
O Exército de Israel vai processar formalmente um soldado sob acusação de ter assassinado duas mulheres civis palestinas na ofensiva militar israelense contra Gaza no ano passado, informa a Al Jazeera. Se condenado, pode pegar 30 anos de prisão. Outros militares estão sendo investigados e devem ser indiciados em casos diversos na mesma guerra.
Enquanto isso, o Hamas trata os assassinos de mulheres civis israelenses como heróis.
A cineasta Iara Lee, única brasileira a bordo da “Flotilha da Liberdade”, descreveu sua experiência durante a abordagem da Marinha israelense, em texto publicado pela Folha. Sem ter visto o confronto, ela fez suas deduções como se a tudo tivesse testemunhado. “Ouvi tiros e temi pela vida dos meus companheiros de viagem. Mais tarde vi os corpos sendo carregados para dentro. Podia esperar que os soldados atirassem para o ar, ou nas pernas das pessoas, mas em vez disso vi que tinham atirado para matar.”
A frase mostra que ela não viu os soldados atirando, apenas ouviu. Em seguida, viu os corpos de seus “companheiros” sendo carregados. Isso foi o suficiente para que ela denunciasse, com a firmeza de quem assistiu a tudo: “Vi que (os soldados) tinham atirado para matar”. O problema é que Iara Lee não viu nada, como ela mesma admite. Não viu, por exemplo, soldados israelenses sendo espancados e esfaqueados. Ela apenas ouviu tiros e tirou suas conclusões, contaminadas por sua militância. A equação, para ela, era simples: soldados israelenses + tiros + corpos de pacifistas desarmados = massacre premeditado.
Como cineasta, ofício em que a imagem é tudo, Iara Lee deveria saber bem a diferença entre ver e não ver alguma coisa. Para ela, porém, parece que basta acreditar em algo para que isso se torne verdade. Resta só o trabalho de recolher “evidências” para fundamentar a crença.
De todo modo, pelo menos Iara Lee sobreviveu para contar o que acha que viu. Deu mais sorte que outro brasileiro, Giora Balash, assassinado pelo Hamas num atentado a bomba numa pizzaria em Jerusalém, em 2001. Balash não sobreviveu para contar o que efetivamente viu: a cara do terror.
Começa a ganhar força, em Gaza, um movimento que defende a resistência pacífica a Israel, mostra a Economist. Considerando que lançar foguetes contra o território israelense causa danos somente do lado palestino, esse movimento prefere o esforço de enfrentar, desarmado, os atiradores israelenses bem perto da fronteira, em vez de apoiar a violência do Hamas. Alguns militantes saem feridos da aventura, mas o efeito midiático positivo é considerável, bem maior do que os desfiles militares dos fanáticos fundamentalistas islâmicos.
Para Walid Awad, o líder comunista que está à frente da iniciativa, o Hamas, que até agora tem ditado a estratégia de Gaza contra Israel, “não tem coragem de aceitar sua responsabilidade” pelos estragos que provoca e “trata os palestinos de Gaza como carneiros no matadouro”. Seu discurso contrasta com o habitual silêncio aterrorizado dos moradores de Gaza, que não ousam contrariar os “heróis” do Hamas.
Israel reinaugurou nesta segunda-feira um dos seus marcos mais importantes em Jerusalém: a sinagoga Hurva. O templo, do século 18, fica no quarteirão judaico da cidade e havia sido destruído pelas tropas da Legião Árabe em 1948, em sua campanha para tornar Jerusalém “livre de judeus”. Por causa da reconstrução da sinagoga, o grupo fundamentalista islâmico Hamas anunciou que promoveria um “dia de fúria”. Na opinião dessa organização palestina, que defende a aniquilação de Israel, a obra é a face visível do plano israelense para destruir a mesquita de Al Aqsa, velha mentira contada no mundo árabe-islâmico para reforçar a ideia segundo a qual os judeus conspiram contra os lugares sagrados muçulmanos.
A campanha do Hamas, que certamente terá apoio de muitos “humanistas” que se intitulam “antissionistas”, enquadra-se na tentativa crescente de demonizar Israel. Desta vez, porém, os judeus não estão construindo assentamentos ilegais. Desta vez, os judeus estão atuando dentro no minúsculo quarteirão de Jerusalém sob sua jurisdição, e não em algum “território palestino”. Desta vez, os judeus estão tentando somente preservar sua memória histórica, no coração do território mais sagrado do judaísmo.
Nada disso, porém, parece importar na retórica palestina construída pelo Hamas para justificar a barbárie contra os judeus – retórica, aliás, idêntica à de Yasser Arafat, que ousou questionar os laços dos judeus com Jerusalém.
A reação do Hamas prova que, para esses palestinos, os judeus não têm direito nem mesmo a seu quarteirão em sua cidade mais sagrada. Afinal, em sua opinião, os judeus não passam de bactérias que precisam ser eliminadas, como disse um ministro do Hamas na entrevista que pode ser vista abaixo:
O governo de Dubai informou nesta segunda-feira que não permitirá mais a entrada de israelenses no emirado, depois do assassinato de um líder do Hamas, atribuído ao Mossad.
Segundo as autoridades locais, os israelenses não poderão entrar nem mesmo se estiverem portando passaportes de outras nacionalidades. Questionado sobre como eles seriam identificados, o general Dahi Khalfan Tamim explicou que a polícia de Dubai “desenvolveu habilidades” para reconhecer israelenses “pelas características físicas e pelo modo como falam”.
(Via Roberto Simon)

O livro de Mosab Yousef: o Hamas por dentro
Mosab Hassan Yousef, de 32 anos, é filho do xeque Hassan Yousef, um dos fundadores do grupo islâmico Hamas. Convertido ao cristianismo há dez anos e vivendo na Califórnia, para onde fugiu em 2007, Mosab escreveu um livro no qual conta como colaborou com o Shin Bet, o serviço de inteligência israelense; graças às suas informações, vários atentados suicidas e tentativas de assassinato de líderes de Israel foram evitados, conta o jornal Haaretz.
O codinome de Mosab no Shin Bet é “Príncipe Verde”, alusão à cor do Hamas e ao fato de ele ser o filho de um dos mais importantes militantes do grupo. “Eu queria estar em Gaza agora”, contou ele ao Haaretz. “Eu vestiria um uniforme do Exército e me juntaria às forças especiais de Israel para ajudar a libertar Gilad Shalit (soldado seqüestrado pelo Hamas).”
O Hamas, obviamente, qualificou a informação publicada pelo Haaretz de “propaganda sionista”.
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