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Marcos Guterman

Um estudo conduzido na faixa de Gaza mostra que o maior apoio ao terrorismo vem de jovens que tiveram pelo menos um parente morto pelo Exército de Israel. A pesquisa, do especialista em agressividade humana Jeff Victoroff (University of Southern California), indica que essa simpatia se deve à percepção da injustiça.

“É tentador pensar em extremistas como pessoas agressivas, e é claro que há extremistas agressivos neste mundo perigoso”, disse Victoroff, que trabalhou com pesquisadores palestinos, israelenses e americanos. “Mas nossas descobertas sugerem duas causas diferentes para o apoio à violência política: experiências de vida traumáticas e percepção de injustiça.”

Para os especialistas, a pesquisa indica que talvez fosse mais interessante para os EUA e seus parceiros, em sua “guerra ao terror”, concentrar menos energias nos extremistas e mais nas pessoas que sofrem os efeitos da guerra.

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O bloqueio a Gaza imposto por Israel é simplesmente inútil. É o que mostra um interessante texto de Nicholas Kristof, que defende o fim imediato do cerco.

O repórter do New York Times conheceu alguns dos túneis que servem para abastecer o território palestino. Ele constatou que o tudo de que Gaza precisa passa tranquilamente por lá, alimentando inclusive um próspero negócio da administração de túneis. Com isso, as prateleiras dos mercados de Gaza estão cheias – isto é, a realidade é um pouco diferente do “desastre humanitário” que a histeria anti-Israel propaga.

Ou seja: se Israel estava querendo estrangular Gaza para derrubar o Hamas do poder, está conseguindo justamente o contrário. Gaza não só não está sendo estrangulada, como o Hamas usa o bloqueio israelense como peça de sua eficiente propaganda para se consolidar como força palestina.

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A desastrada abordagem israelense da agora famosa “Flotilha da Liberdade”, carregada de ativistas pró-palestinos, foi um bálsamo para um punhado de oportunistas.

Os mais óbvios são os militantes do Hamas, grupo fundamentalista islâmico que defende, em seus estatutos, a destruição de Israel. Enquanto a comunidade internacional exige agora de Israel que levante o bloqueio a Gaza, ninguém cobrou do Hamas que interrompesse o lançamento de foguetes contra civis israelenses e ninguém cobrou do Egito que fosse mais eficiente para conter o contrabando de armas para o Hamas em Gaza, que é precisamente a razão pela qual Israel impôs o bloqueio ao território. Dá até para imaginar a felicidade de Ismail Haniyeh, o líder do Hamas, com os nove mortos na ação israelense.

Outro oportunista óbvio é a Turquia. Esse país, que qualificou Israel de “Estado terrorista”, é o mesmo que massacra sistematicamente a minoria curda em seu território. A Turquia financiou e deu apoio logístico à tal “Flotilha da Liberdade”, com a clara intenção de colaborar para que houvesse um incidente constrangedor para Israel. Seu interesse era desviar o foco da comunidade internacional, empenhada em impor sanções contra o Irã, um dos principais parceiros comerciais dos turcos. Nada melhor do que usar Israel e seu governo trapalhão para isso.

Por fim, o episódio da “Flotilha da Liberdade” alimentou os nossos próprios oportunistas. O presidente Lula e o chanceler Celso Amorim expressaram duríssimas críticas a Israel, antes mesmo que houvesse investigações sobre o que realmente aconteceu. Tomaram partido num contexto em que, como se sabe, há muito poucos inocentes. Ademais, é lamentável que Lula e Amorim não tenham usado a mesma energia para criticar a repressão iraniana aos opositores do regime dos aiatolás – pelo contrário, o presidente brasileiro tratou de desqualificar a oposição do Irã, cujos militantes foram barbaramente torturados e mortos. A intenção do governo brasileiro parece ser usar o episódio de Gaza para revidar o vexame a que foi submetido por causa da farsa do acordo nuclear com o Irã. E Lula, como se sabe, está em plena campanha para ganhar o Nobel da Paz, razão pela qual ele não titubeou em espinafrar o vilão habitual.

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Começa a ganhar força, em Gaza, um movimento que defende a resistência pacífica a Israel, mostra a Economist. Considerando que lançar foguetes contra o território israelense causa danos somente do lado palestino, esse movimento prefere o esforço de enfrentar, desarmado, os atiradores israelenses bem perto da fronteira, em vez de apoiar a violência do Hamas. Alguns militantes saem feridos da aventura, mas o efeito midiático positivo é considerável, bem maior do que os desfiles militares dos fanáticos fundamentalistas islâmicos.

Para Walid Awad, o líder comunista que está à frente da iniciativa, o Hamas, que até agora tem ditado a estratégia de Gaza contra Israel, “não tem coragem de aceitar sua responsabilidade” pelos estragos que provoca e “trata os palestinos de Gaza como carneiros no matadouro”. Seu discurso contrasta com o habitual silêncio aterrorizado dos moradores de Gaza, que não ousam contrariar os “heróis” do Hamas.

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O livro de Mosab Yousef: o Hamas por dentro

O livro de Mosab Yousef: o Hamas por dentro

 

Mosab Hassan Yousef, de 32 anos, é filho do xeque Hassan Yousef, um dos fundadores do grupo islâmico Hamas. Convertido ao cristianismo há dez anos e vivendo na Califórnia, para onde fugiu em 2007, Mosab escreveu um livro no qual conta como colaborou com o Shin Bet, o serviço de inteligência israelense; graças às suas informações, vários atentados suicidas e tentativas de assassinato de líderes de Israel foram evitados, conta o jornal Haaretz.

O codinome de Mosab no Shin Bet é “Príncipe Verde”, alusão à cor do Hamas e ao fato de ele ser o filho de um dos mais importantes militantes do grupo. “Eu queria estar em Gaza agora”, contou ele ao Haaretz. “Eu vestiria um uniforme do Exército e me juntaria às forças especiais de Israel para ajudar a libertar Gilad Shalit (soldado seqüestrado pelo Hamas).”

O Hamas, obviamente, qualificou a informação publicada pelo Haaretz de “propaganda sionista”.

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  • Quem Faz

    Quem Faz

    Marcos Guterman

    Marcos Guterman é jornalista profissional desde 1989. Trabalhou por 15 anos na Folha e desde 2006 está no Estadão, onde edita a Primeira Página. É historiador, com graduação e mestrado pela PUC-SP. Atualmente faz doutorado em História na USP, tendo o nazismo como tema de pesquisa. É autor do livro "O Futebol Explica o Brasil". Sua pátria é o Santos Futebol Clube.
    Contato: marcos.guterman@grupoestado.com.br

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