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Marcos Guterman

Os “Bleus”, como é conhecida a seleção da França, estão protagonizando um episódio que tem tudo para ser histórico. A coisa é, aparentemente, simples: o esquentadinho atacante Anelka despejou um caminhão de insultos sobre o técnico Raymond Domenech ao ser substituído na derrota para o México; como resultado, foi desligado da delegação. O problema é que a decisão de afastar Anelka gerou uma onda rebelde na seleção francesa que ainda não é possível mensurar. É um caso inédito em Copas e que nos leva a uma reflexão sobre a tensão entre o que querem os jogadores de futebol e o que se espera deles, em meio a pressões multibilionárias e nacionalistas.

As seleções de futebol são, em tese, a reunião dos mais capazes para representar o país em torneios internacionais que muito se assemelham a “guerras”. A maioria dos jogadores das seleções mais competitivas, porém, não atua em seu país, ou então ganha dinheiro demais para se incomodar de verdade com questões como “amor à pátria”. Quando muito, eles se adaptam à estratégia de marketing que envolve as seleções e as obriga a incorporar o ufanismo como algo natural, mesmo que os atletas nem remotamente sejam os soldados que esse discurso procura criar. O patriotismo vira produto, como prova o “guerreiro” Dunga no comercial de cerveja.

Quando um jogador revolve dizer “não”, quando decide romper a estrutura e questionar as decisões do comandante dos “guerreiros”, como fizeram Anelka e alguns de seus companheiros, a suposta “unidade nacional” se prova uma fraude. Para os jogadores de futebol, há questões tão ou mais importantes que “pátria”. Solidariedade é uma delas.

Mas até o governo francês apelou ao sentimentalismo barato e à crucificação dos rebeldes, ao dizer que o caso Anelka ameaçava se transformar num “desastre moral”. “É a imagem da França que está sendo manchada”, disse a ministra dos Esportes, Roselyne Bachelot, como se o caráter de todo um país pudesse ser medido pelos atos de um punhado de jogadores de futebol.

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Dominique Sopo, presidente da ONG francesa SOS Racismo, defendeu nesta terça-feira que haja censura contra o que qualificou de “discurso racista”. Segundo Sopo, esse discurso está disseminado no mundo político, no meio artístico e na internet, reduzindo as defesas dos movimentos anti-racismo.

“Há uma redução dos anticorpos contra o racismo na sociedade francesa”, disse Sopo. Nos cartazes da campanha de sua ONG, os slogans são “Cuidado com as ideias que fedem” e “Não se torne porta-voz da intolerância”.

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O slogan da nova campanha do McDonald’s na França, voltada para os gays, é “Venha como você é”.

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O governo francês enviou nesta quarta-feira à Assembleia Nacional o projeto de lei que proíbe cobrir o rosto em locais públicos – a chamada “lei antiburca”. Embora não mencione a vestimenta muçulmana, o projeto é claríssimo a respeito: prevê multa de 150 euros e até um ano de prisão para aquele que obrigar alguém, “em razão de seu sexo”, a cobrir o rosto na rua.

“É uma lei exigente, mas justa”, disse o presidente Nicolas Sarkozy, segundo o El País. E acrescentou: “Este é um velho país que tem uma ideia clara e concreta sobre a dignidade da mulher”.

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24.abril.2010 00:13:00

O bom muçulmano

O imã Hassen Chalghoumi faz sua pregação - Foto: Michel Euler/AP

O imã Chalghoumi – Foto: Michel Euler/AP

 

Hassen Chalghoumi é hoje o mais polêmico imã da França, mostra a Der Spiegel. E não é por causa de uma pregação radical contra o Ocidente, ou outras imbecilidades do gênero, mas, pelo contrário, em razão de sua militância em favor da paz e da boa convivência religiosa no país.

Chalghoumi, por exemplo, ousou concordar com a lei que baniu a burca na França. Além disso, aproximou-se dos judeus e condenou publicamente os horrores do Holocausto, uma raridade entre líderes muçulmanos.

Como resultado dessas opiniões, Chalghoumi ganhou o apelido de “imã da paz”, mas passou a ser perseguido pelos muçulmanos de sua própria congregação. Sua casa foi invadida, seu carro foi atacado, sua família é ameaçada e ele precisa andar com seguranças. Durante um sermão, foi interrompido por agressores que o chamaram de “imã dos judeus” e “traidor”.

Abdelhakim Sefrioui, um dos líderes dos muçulmanos que fazem campanha contra Chalghoumi, diz que “o islã está sendo atacado na terra do secularismo” e que o governo francês “estabeleceu secretamente mesquitas para destruir o islã por dentro”. Para Sefrioui, o “imã da paz” não passa de um “idiota útil”.

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Parece que embalagens em geral entraram de vez na ampla lista de inimigos do ambiente. Na França, uma campanha sugere aos consumidores que deixem de comprar produtos com embalagens desnecessárias. Está no vídeo abaixo.


 

A resposta da indústria de embalagens não tardou – e é agressiva:

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A primeira-dama da França, a espetacular Carla Bruni, disse numa entrevista que seu casamento com o presidente Nicolas Sarkozy é um “conto de fadas”. Mas, questionada se Sarkozy é “para sempre”, La Bruni pensou muito para responder: “Acho que casamentos deveriam ser para sempre, mas quem sabe o que pode acontecer? Eu queria que fosse para sempre, essa é minha esperança… Mas podemos estar mortos amanhã”.

Como disse o Telegraph, a declaração só alimentou as especulações segundo as quais o casal presidencial francês está se separando – Bruni estaria nos braços de Benjamin Biolay, músico francês seis anos mais novo que ela; e Sarkozy teria buscado o aconchego do colo de Chantal Jouanno, sua ministra do Meio Ambiente e campeã de caratê.

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Le Pen e seu cartaz anti-islâmico: sem meias palavras. Foto: Le Parisien

Le Pen e seu cartaz anti-islâmico: sem meias palavras. Foto: Le Parisien

A Justiça francesa rejeitou uma ação contra uma campanha da Frente Nacional, partido do extremista Jean-Marie Le Pen, cujo slogan é “Não ao islamismo”, relata o Le Parisien. A Liga Internacional contra o Racismo e o Antissemitismo, que impetrou a ação, disse que a mensagem “incita ao ódio racial”.

Para um advogado da FN, a campanha não é contra os muçulmanos nem contra o islã em si, mas contra “o islamismo”. Já Le Pen deixou claras as intenções em discurso a simpatizantes, quando denunciou “a presença islâmica na França” e disse que mesquitas estão surgindo “como cogumelos” no país.

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cigarro

Uma campanha antitabagista francesa retrata fumantes como se estivessem sendo forçados a fazer sexo oral, como dá para ver acima. O slogan é: “Fumar é ser escravo do tabaco”.

Os criadores da campanha disseram que a intenção era mostrar aos jovens que fumar é “um ato de submissão”. Para muita gente, porém , o resultado do anúncio banaliza o abuso sexual e, pior, sugere que o abusado é o culpado.

 

(Dica do Kxorraum. Valeu!)

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Os chanceleres da França, Bernard Kouchner, e da Espanha, Miguel Angel Moratinos, publicaram um artigo no Le Monde em que defendem a aceleração da criação do Estado palestino.

Segundo o texto, houve um avanço significativo da infraestrutura palestina, graças à ajuda internacional e ao amadurecimento do governo da Autoridade Nacional Palestina na Cisjordânia. Por outro lado, Israel reduziu as barreiras à livre circulação de pessoas e mercadorias e acenou com a possibilidade de congelar seus assentamentos ilegais no território palestino.

Por esses motivos, argumentam os chanceleres, é chegada a hora de negociar os temas mais espinhosos, como o direito de retorno dos palestinos e o status de Jerusalém, além da garantia de segurança a Israel.

“A construção de um Estado palestino é agora um objetivo partilhado por todos”, diz o artigo. Que assim seja.

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