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Marcos Guterman

David Broder, articulista do Washington Post, publicou um texto em que avalia as condições de Barack Obama para se reeleger em 2012, mesmo com a provável derrota democrata nas eleições parlamentares desta terça-feira. Para Broder, as chances de Obama são boas, considerando-se que ele é “mais esperto” que seus oponentes e mais capaz de “ler as evidências e chegar às conclusões corretas”. O problema, diz o jornalista, é a possível persistência da crise econômica. Broder lembra que Franklin Roosevelt “resolveu” a crise dos anos 30 com a Segunda Guerra Mundial. Para ele, Obama vai ganhar aí: com maioria republicana no Congresso, disposta a desafiar as ambições nucleares iranianas, o presidente poderá mobilizar o país em torno de uma guerra contra o Irã – “e, no momento em que as tensões se acentuem, e aceleremos as preparações para os combates, a economia irá melhorar”.

Apesar das aparências, Broder diz que não está “sugerindo que Obama comece uma guerra para se reeleger”.

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28.outubro.2010 00:15:47

Os gays de Obama

Barack Obama já é o presidente que mais nomeou funcionários gays na história americana, informa a Associated Press. São mais de 150, superando os 140 de Bill Clinton. “Eles querem fazer disso parte de seus esforços pela diversidade”, comemorou Denis Dison, do Gay & Lesbian Leadership Institute.

Para Michael Cole, da Human Rights Campaign, Obama não merece tanto louvor assim. Ele diz que contratar gays para a administração pública “é uma simples afirmação do ideal americano de que o que importa é como você desempenha seu trabalho, e não quem você é”.

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28.setembro.2010 21:00:27

Obama, o cristão

O presidente dos EUA, Barack Obama, é frequentemente confundido com um muçulmano, segundo pesquisas (e por causa do “Hussein” como nome do meio). Parece que isso tem causado desconforto na Casa Branca, razão pela qual Obama decidiu assumir em público que é “cristão por opção”, informou o Huffington Post.

Ele disse que foi levado ao cristianismo já na idade adulta, porque os preceitos de Jesus lhe pareceram adequados para a vida que ele projetava para si mesmo – isto é, ver Deus nos outros e fazer o melhor para ajudá-los. Por isso mesmo, para Obama, estar no serviço público é uma expressão de sua fé cristã.

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Há duas maneiras de ler a agora famosa carta do presidente dos EUA, Barack Obama, a Lula a respeito do programa nuclear iraniano. Uma maneira é a oficial, que o Itamaraty tratou de espalhar: de acordo com essa versão, a mensagem mostra que Obama defendia o mesmíssimo acordo que subsequentemente foi alcançado por Lula em Teerã. Ao apostar nessa interpretação, o governo brasileiro tem um objetivo muito claro: pintar os EUA como intransigentes, dispostos unicamente a punir o Irã. Daqui, parte-se para a conclusão de que os americanos, no fundo, ficaram irritados porque as tais “potências emergentes” (Brasil e Turquia) se intrometeram onde não foram chamadas. Ou seja: o episódio da carta de Obama tem uma importância transcendental, ao revelar os últimos suspiros do decadente “império ianque”.

A outra maneira de ler a carta é menos militante. Em seu texto, Obama se dedica a mostrar a Lula que confiar no presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, não é prudente. Como forma de provar isso, o americano relembra que a oferta anterior sobre a troca de combustível nuclear foi aceita e, depois, rejeitada por Teerã. Obama deixa claro que se refere a algo do passado, que não existe mais. A embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, disse que a carta não pode ser tomada isoladamente, fora de seu contexto – o que é uma coisa óbvia, a não ser para os antiamericanos.

Diferentemente do que sustenta a versão ingênua, a carta não defende aquele acordo tal como havia sido formulado – afinal, as circunstâncias haviam mudado. Na verdade, Obama defendeu apenas o espírito daquele acordo, que visava a comprometer o Irã a respeitar as exigências da comunidade internacional no que concerne ao enriquecimento de seu material nuclear. Como o Irã, depois de assinar o acordo com Brasil e Turquia, garantiu que continuaria a enriquecer seu urânio, contrariando o que exige a ONU, ficou claro que Lula foi usado numa encenação caprichada, apenas para ganhar tempo. Nada disso escapou aos diplomatas de quase todo o Conselho de Segurança da ONU, que mantiveram viva a perspectiva de impor novas sanções ao Irã, a despeito do tal “acordo”.

Não foi apenas o governo americano que farejou trapaça no teatrinho de Ahmadinejad. As gestões contra os iranianos ganharam apoio de China e Rússia, tradicionais aliados de Teerã – Moscou chegou a acusar o iraniano de fazer “demagogia”, uma definição bastante precisa. Logo, é antiamericanismo tosco singularizar a posição dos EUA a respeito do tema, já que outros países, de diferentes matizes ideológicos, compartilham da opinião de Washington.

O vazamento da carta de Obama, que em si é uma indelicadeza diplomática, está claramente voltado para demonizar os EUA, com óbvios objetivos políticos – trata-se de mais uma tentativa do atual governo brasileiro de se afirmar por meio da oposição à Casa Branca. Mostra ainda que o Itamaraty está mais empenhado na construção do prestígio de Lula, à custa dos americanos, do que em engajar-se seriamente na resolução do impasse com o Irã. A diplomacia brasileira, que sempre se notabilizou pela inteligência, está se prestando a uma agenda que lhe é estranha e que ameaça comprometer sua boa imagem no mundo.

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  • Quem Faz

    Quem Faz

    Marcos Guterman

    Marcos Guterman é jornalista profissional desde 1989. Trabalhou por 15 anos na Folha e desde 2006 está no Estadão, onde edita a Primeira Página. É historiador, com graduação e mestrado pela PUC-SP. Atualmente faz doutorado em História na USP, tendo o nazismo como tema de pesquisa. É autor do livro "O Futebol Explica o Brasil". Sua pátria é o Santos Futebol Clube.
    Contato: marcos.guterman@grupoestado.com.br

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