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Marcos Guterman

A Argentina seguiu o Brasil e anunciou nesta segunda-feira seu reconhecimento a um Estado palestino “nas fronteiras de 1967”.

A curiosidade é que o anúncio coube a Héctor Timerman, o chanceler argentino, que é judeu.

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O ativista Luis D’Elia propôs que os argentinos passem a celebrar, a cada 2 de agosto, o “Dia do Filho da Puta”, por ser o aniversário do ex-ditador Jorge Rafael Videla.

“Na Argentina já houve um monte de filhos da puta. Menem, Duhalde, De La Rúa, o ex-ministro Domingo Cavallo… Eu poderia citar 150, 200 filhos da puta”, disse D’Elia, para mostrar a dificuldade de definir uma dia para a “celebração”.

Segundo a revista colombiana Semana, o ativista, que é aliado dos Kirchners, reconheceu que o ex-presidente Néstor Kirchner também é um “filho da puta”, ainda que seja “no bom sentido”.

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As autoridades de Buenos Aires anunciaram que as escolas serão “flexíveis” com os alunos em dias de jogo da seleção da Argentina na Copa do Mundo. Com a habitual simplicidade argentina, o ministro da Educação, Alberto Sileoni, justificou:

“É um fato cultural, desportivo, patriótico, nacional e de senso comum”.

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Onze condenados por crimes sexuais em Mendoza, na Argentina, se ofereceram para participar de programa experimental de castração química, para evitar que reincidam no crime. Em troca, eles ganharão liberdade condicional, mostra o Clarín.

O processo, inédito na Argentina, supostamente reduz a libido por meio de medicamentos. Por enquanto, só voluntários podem se submeter a ele, mas as autoridades de Mendoza querem transformar o programa em algo obrigatório.

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A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, pediu à secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, que Washington sirva de mediador na questão das Falklands, ilhas britânicas que os argentinos chamam de “Malvinas”. Diplomaticamente, Hillary se dispôs a estimular o diálogo, mas afirmou que não pode “obrigar” ninguém a negociar.

Sem os mesmos compromissos diplomáticos, a Economist foi mais enfática, dizendo que, ”mais uma vez, um governo argentino impopular está fazendo barulho agressivo sobre as Falklands”.

Para a revista britânica, a situação é cristalina: “Quase todos os argentinos e muitos latino-americanos acreditam que em geografia, história e direito internacional as ilhas que eles chamam de Malvinas pertencem à Argentina. O Reino Unido expulsou um pequeno grupo de colonos argentinos em 1833. A soberania britânica é de fato uma anomalia, mas o mundo está cheio delas. Se voltarmos o relógio para 1833, o sul da Argentina deveria ser um país independente, governado por índios, e o Estado brasileiro do Acre deveria voltar à Bolívia. Para os britânicos, garantir o direito dos moradores das Falklands à autodeterminação é a prioridade. E é um argumento forte”.

Se o governo argentino fosse mais maduro, argumenta a revista, veria a exploração de petróleo nas Falklands como uma oportunidade econômica, e não política. “Uma Argentina amistosa poderia lucrar muito com a cooperação com seus vizinhos do Atlântico Sul. E o petróleo poderia dar as bases econômicas para que os moradores das Falklands declarem independência, algo que o Reino Unido certamente não se oporia.”

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O presidente Lula usou a renascida questão das Falklands (“Malvinas” para os argentinos) para reiterar sua defesa da reforma da ONU no sentido de, segundo sua visão, ampliar a representatividade do Conselho de Segurança. A título de pleitear a soberania argentina sobre as ilhas, Lula questionou: “Qual é a explicação geográfica, política e econômica de a Inglaterra estar nas Malvinas? Não é possível que a Argentina não seja dona (das Malvinas), mas que seja a Inglaterra, a 14 mil quilômetros de distância”.

O questionamento de Lula não faz nenhum sentido. A soberania sobre um território não se dá por proximidade, mas por direito, que se aplica segundo uma conjunção de fatores geopolíticos e históricos. No caso das Falklands, o Reino Unido controla as ilhas desde 1833 e confirmou essa condição em 1982, ao vencer a guerra contra a Argentina. Desse modo, soa esdrúxulo um chefe de Estado do peso de Lula usar um argumento tão pueril como a distância geográfica para atacar os direitos britânicos.

Em vez disso, Lula poderia ter questionado se o Reino Unido está violando acordos com a Argentina ao explorar petróleo nas Falklands. Esse é o argumento básico das reclamações de Buenos Aires, embora os próprios moradores das ilhas sejam favoráveis à exploração. Mas Lula preferiu o caminho da retórica pedestre, que apela ao imaginário antiimperialista da América Latina “bolivariana”. De quebra, tenta dar uma força à combalida Cristina Kirchner, que não por acaso quer fazer das “Malvinas” sua histérica bandeira eleitoral, assim como as “Malvinas” foram o arrimo desesperado de uma ditadura argentina moribunda.

Mas Lula prosseguiu seu discurso indignado, e enfim chegou ao ponto central de sua salada retórica: “Qual é a explicação de as Nações Unidas nunca terem tomado essa decisão?”, sendo que “essa decisão” é dar a soberania das Falklands à Argentina. Para Lula, o problema todo é que o Reino Unido tem direito de veto no Conselho de Segurança da ONU: “Será por que a Inglaterra é membro permanente (do CS da ONU) que a eles pode tudo e aos outros nada? É preciso que a gente comece a instigar para que o secretário-geral das Nações Unidas reabra este debate”.

De novo, como em outras oportunidades, Lula resumiu tudo a um “Fla-Flu”: de um lado, estão os poderosos integrantes do Conselho de Segurança; do outro, aparecem os “sem-veto”, isto é, países injustiçados como o Brasil e a Argentina. O raciocínio mal esconde a crescente militância do governo Lula contra os EUA e seus aliados mais próximos, que parece se acentuar agora no final de seu mandato.

A reivindicação brasileira por maior representatividade no Conselho de Segurança é bastante aceitável, mas o argumento tende a perder força quando se mistura com fatores ideológicos que insultam a inteligência.

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