Num dos capítulos do último ensaio que escreveu antes de morrer, “O Mal Ronda a Terra”, o historiador britânico Tony Judt conta que, até 1925, boa parte das famílias inglesas de classe média tinha empregado doméstico (mais de um, em certos casos). Entre os anos 50 e os 80, porém, graças ao desenvolvimento econômico acelerado da Europa e dos EUA no pós-guerra, que gerou empregos e renda, somente os aristocratas podiam pagar salários bons o bastante para conseguir contratar empregados que, de outro modo, preferiam trabalhar em alguma empresa. Ademais, a consolidação do Estado de Bem-Estar Social na Europa e iniciativas equivalentes nos EUA (a “Grande Sociedade” de Lyndon Johnson) criaram uma malha de proteção que encorajou as pessoas a parar de aceitar trabalhos humilhantes e a tentar algo mais digno para pagar as contas.
O Brasil parece estar experimentando esse processo agora, com meio século de atraso. O resultado disso é que empregadas domésticas são cada vez mais um luxo aristocrático – ou, para usar as palavras de Delfim Netto num programa de TV:
“Há uma ascensão social incrível. A empregada doméstica, infelizmente, não existe mais. Quem teve este animal, teve. Quem não teve, nunca mais vai ter”.
hoje e em tendencia crescente, o preco dos equipamentos cai em oposicao aos custos dos humanos, principalmente em termos de servicos prestados.
“iRobot Roomba Pet Series 562 Vacuum Cleaning Robot” na amazon, custa aproximandamente 1 salario minimo e nao tem qq despesa ou encargo extra. nao reclama e faz o servico direitinho. nao tem ferias e quase nao ocupa espaco e quase nao gasta energia.
maquina de lavar roupa, secadora, ar condicionado de vacum positivo, maquina de lavar loucas, e mais alguns gadgets.
comida fresca semipronta conforme nutricionista personalizada.
eu, robo!
Se nâo tiver todas as máquinas, nem entram na casa. Ah , a de lavar louça é a melhor invençâo de todos os tempos.
responder este comentário denunciar abusoGuterman,
Muito mais importante e longe desse país experimentar, é erradicar a mentalidade de pessoas como Delfim Netto que chamava empregadas de ´animal´ e sentia nostalgia desse tipo de sub-emprego, que aliás tem suas raízes remetentes a o coronelismo.
Ainda hoje, um empregado pode estar trabalhando em corporações com sedes de prédios envidraçados ao invéz de fazendas de latifundiários, mexendo num computador numa sala com ar-condicionado, ao invés de empurrar rodas dentro de um engenho escaldante, mas a relação chefe-empregado continua igual a o “sinhô-animal”. Com uma única diferença de não existir mais a violência corporal apenas, hoje ela foi substituída por demissão sem justa causa.
Essa mentalidade não está apenas encrustada nos chefes de empresas, mas também na gerência que hoje faz o papel de jagunço empurrando as responsabilidades a os seus subordinados enquanto puxa o saco de CEOs, e até mesmo dentro desses subordinados que esquecem oque é trabalhar com profissionalismo e preferem agradar os seus chefes diretos sem pensar, assim como era a função dos escravos. Tirando conversas de futebol, novela, e pequenos boatos, não há diálogo aberto e coerente entre essas classes os que estão abaixo nunca devem saber oque os seus chefes pensam. Predomina-se o senhor mandou, o jagunço executou de qualquer maneira, e o escravo sempre leva a culpa se der errado e por isso esse faz de tudo também pra esconder as suas falhas, do contrário é rua.
Até mesmo o modo como empresas brasileiras são administradas pecam em sofisticação, sendo a maioria delas estruturadas de maneira familiar (assim como no restante da América Latina), servindo a os interesses imediatos da família ou grupo que detêm o controle da companhia, a o invés de ter uma missão de longo prazo estratégico incluindo a contribuição para a sociedade e elas mesmas se beneficiarem como um todo e trazer um ciclo virtuoso.
Assim como a 500 anos atrás, os coronéis de hoje ainda gostam de comprar tudo importado e possuem pretensões de se equiparar mesmo que somente em objetos de luxo e aparências com americanos e europeus, embora haja um abismo de qualidade intelectual aí. E apesar de toda bravata dos empregados/ escravos atuais, a maioria a o invés de ter auto-estima própria, sentem inveja daqueles que tem, e colocam as suas chances numa mega-sena ou se inspiram naqueles que chegaram lá sem esforço pra eles também poderem se tornar coronéis revanchistas e não líderes de verdade.
Ainda chamamos universitários de ´doutor´, enquanto os menos estudados ainda tentam utilizar vocabulários que nem eles mesmo conhecem a semântica, na frente desses ´doutores´. Ainda temos que pagar caixa pro porteiro pois ele não recebe salário decente da empresa de segurança. A classe média ainda tem de levar os filhos a escola de carro por causa da violência, mas também porque é preciso mostrar que a sua família tem condições de comprar um carro ou contratar uma perua também. Ainda olhamos com desdém ou desprezo profissões como atendentes de caixa, e faxineiros. Ainda olhamos pra médicos e advogados como entidades semi-divinas e esquecemos de cobrar pelos nossos direitos quando um deles pisa na nossa honra ou comete algum erro. Ainda temos policiais que tem muita coragem de multar um motorista comum, mas tem medo de sequer dar uma advertência pra um Silvio Santos da vida. Ainda temos elevadores de ´serviço´ e ´social´ separados.
O fato da empregada doméstica estar se extinguindo oficialmente não se traduzirá em avanço social concreto se não dedicarmos pra mudar o conteúdo, e não apenas a forma.
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Papo em família
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- Você escutou as palavras de Delfim Netto na TV?
- Ouvi sim.
- E em qual programa foi apresentado?
- Sabe que não sei. Eu só ouvi porque por acaso estava passando pelo quarto da empregada…
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É isso aí Gluon, o quarto da empregada é o melhor exemplo do neo escravismo da sociedade moderna brasileira, mas que já está felizmente se extinguindo, acho que as casas e apartamentos não são mais construidos com essa escrescência, mas que fazia sentido na realidade de décadas atrás quando as empregadas eram geralmente imigrantes que não tinham lugar para morar. Lembro-me quando criança que nós tínhamos empregadas que moravam em casa.
responder este comentário denunciar abusoAnimal ? Nao sou da associação das empregadas domésticas ou similar, porém acho que o Delfim Neto deve ser processado porque criou um novo tipo de racismo ou discriminaçao igualando-as aos animais.
Por falar em Delfim Neto, gostaria de cobra-lo de um crédito que não é só meu, é de muita gente.
Quando esse senhor, ancestral dos neo-liberais tupiniquins foi ministro, justificou
o rebaixamento de nosso aumento salarial ( eu trabalhava em uma empresa química), de 23%( apurados pela FGV – parametro para os reajustes salariais ), para 12%, alegando que o bolo ( PIB ), não estava totalmente pronto para ser repartido. Estou esperando meu dinheiro até hoje sr. Delfim. O que aconteceu, o bolo não cresceu?
Não é bem assim:
Essa “ascensão” social tem um preço muito alto. É a classe média que paga altos impostos para que os funcionários domésticos em muitos casos, vivam das benesses governamentais e não mais trabalhem em suas casas. Logo logo por esse raciocínio, vamos começar a “importar” mão de obra.
Até porque a “maravilha” da carteira assinada não aumentou tanto assim.
Guterman, peço perdão em invadir um post sem nenhuma relação com o assunto (talvez alguém no tópico em questão já fez essa observação, mas são mais de 200 comentários…), mas gostaria que você comentasse a respeito da notícia em que os outros três membros do painel que deu origem ao ‘Relatório Goldstone” rejeitam as declarações de Richard Goldstone.
A título de informação para quem não viu, segue o link da notícia – http://www.nytimes.com/2011/04/15/world/middleeast/15goldstone.html?_r=1
Interessante esse ano de 1925 porque nos Estados Unidos estava ocorrendo a Revolução das Eletro-Domésticas (usando corrente alternada, não pilhas).
Hoje pode-se seguramente dizer que graças a influencia Brasileira, a classe média Americana adotou empregados domésticos com os quais nem sonhavam nas décadas de 50,60,e 70.
A única conclusão viável é que o mundo de Delfim Netto jamais existiu e continua inexistindo.
- eu acho que ter animais em casa é um novo modo de se relacionar sem que haja com isso prejuizos e processos trabalhistas; então pessoas passaram a optar por cães e gatos, na verdade as casas passaram a ter vantagens com lavadoras de louças e outros tantos eletrodomésticos, que pouca gente quer ter que contratar prestadores de serviço; que, diga-se de passagem custa caro.
Gente, peloamorde, é claro que o Gordo estava fazendo uma parábola irônica com “animais em extinção”. O problema pra mim não é a comparação em si, mas o fato de ele usar o termo “infelizmente”. Isso, aliado ao fato de ele ter liderado o Milagre (que fez o bolo crescer, mas não ser distribuído) me deixa margem pra acreditar que ele sente grande nostalgia de um Brasil muito mais desigual do que o que temos hoje.
Guterman, só um adendo: acho que vale mencionar que o fato de, em meados dos anos 90, as empregadas domésticas terem conquistado alguns direitos trabalhistas que não tinham contribuiu muito para que elas se tornassem uma “raça” em franco processo de extinção. Ou seja, não se trata apenas de ascensão social pura e simples, mas do fato de que é cada vez mais custoso ter uma empregada em casa dentro da legalidade. Daí as famílias de classe média optarem, cada vez mais, pelo esquema da diarista.
Falta demanda agregada onde Delfim Netto enxerga falta de oferta agregada. Vai saber os motivos de força psicológica, né…
responder este comentário denunciar abusoCarolina,
Acredito que, até agora, foi a única que Interpretou o post de maneira correta.
Gostei das suas colocações.
responder este comentário denunciar abusoGostei Carol de seu ponto de vista, bem como a colocação apropriada sobre o que Delfim utilizou ao se referir como um “animal em extinção” como forma figurativa e não como discriminatória.
responder este comentário denunciar abusoInterpretou o post corretamente mas falou bobagem tambem. As pessoas não contratam empregadas domésticas porque elas preferem um carro do ano do que um comodo a mais na casa, e não porque seja particularmente custoso de um ponto de vista trabalhista, tampouco por causa da lorota da ascenção social. O carro do ano tambem é 70% imposto.
responder este comentário denunciar abusoFabio Unique, é vero que hoje mais pessoas têm acesso a carros caros, por exemplo, mas eu poderia dizer que o seu argumento não deixa de ser um pouco circular, perguntando o porquê da redução na demanda. Por que reduziu? Será que não foi justamente porque está cada vez mais caro manter uma empregada? Sim, porque há muitas famílias que não têm carros caros (às vezes sequer têm carro, como a minha) e que ainda assim preferem ter uma diarista que vá duas vezes por semana a uma empregada full-time. “Na hora de demitir é uma fortuna…”.
Então eu lhe pergunto: quais são as razões para esse declínio da demanda? O que você acha?
Bj
Cara Caroline,
Para sair do movimento circular, teríamos que analizar os novos empreendimentos (quarto de empregada? sem quarto de empregada?) Ai estamos falando literalmente de demanda estrutural. Capiche. Os arquitetos tambem precisam ser consultados.
responder este comentário denunciar abusoSim, mas você não respondeu a minha pergunta. Gostaria de saber a sua opinião. Seu palpite pessoal.
responder este comentário denunciar abusoE, veja, Fabio, estou falando isso numa boa, tá? Sem provocação ou ironia subliminar. Realmente fiquei curiosa em saber sua opinião.
responder este comentário denunciar abusoCara Caroline,
Minha opinião é que uma mansão que realmente precise da atenção de uma doméstica, já tem custos bem maiores, só somando iptu e conta de luz, e podem pagar salários bem maiores, mas não precisam pagar para contratar! Escacez aonde, então?
Mas existem prédios antigos que vieram antes do micro-ondas e da máquina de lavar louças, a jaula de empregada, de 2 metros quadrados, é apegada a área de serviço, onde antigamente poderia-se lavar meias sujas na base do esfrega-esfrega em Tanque. Já um Palacio modesto de antigamente, talvez com 700 ou 800 metros quadrados de area construída, poderia admitir aposentos para uns 4 empregados domésticos ou mais, quando na verdade 1 empregado doméstico acompanhado de 1 diarista hoje dá conta do mesmo recado, graças aos eletro-domésticos disponíveis nas lojas de departamento.
100 anos atras não havia nem geladeira, algumas pessoas tinham que cuidar de 1 galinheiro só para comer um prato de frango em casa, naquela época existia trabalho doméstico a ser feito, hoje só existem frescuras. Bjos.
responder este comentário denunciar abusoPS
E a doméstica pode ser o comodo que sai incomodo. Falta demanda, não falta oferta.
Engano seu. A oferta está escassa. Por tudo que se colocou.
Mais: preferem empregos de vendedoras em lojas, ou manicure, pedicure , muitas vezes com salário inferior ao de doméstica, do que se submeter ao jugo de muitos chefes- patroa, patrâo, filhos dos- pra uma índia.
Se a demanda for por um robozinho em casa, realmente, a oferta está escaça, e muito. Aqueles aspiradorzinhos de pó da I-Robot não estão vendendo aqui. Se a demanda for para ter um outro ser humano dormindo dentro da sua própria casa, aí a equação já muda. Existe mesmo essa demanda? Tem certeza?
responder este comentário denunciar abuso1- As familias hoje tem um número menor de filhos, inclusive no Nordeste; é muito mais fácil o pobre criar dois filhos, do que foi para seus pais criarem 5, 6 ou mais ainda; o êxodo rural mudou quantativo e qualitativamente; agora a coisa é bem diferente do tempo do Delfim;
2- Existem 4 milhões de brasileiros praticando serviços simples no primeiro mundo; muitos deles são domésticas;
3- Mulheres hoje são frentistas, motoristas, magarefes, etc.; é claro que a oferta para o serviço em questão diminuiu; o Gordo Delfim disse isso?
4- O serviço é considerado vil na pirâmide social;
5- O aumento real do salário mínimo desde o advento do REAL é o maior nominalmente considerando dólar, ouro, salários de outras categorias, etc., e aperta o orçamento da classe média;
6- Famílias optaram por diaristas 2 vezes por semana; como a classe média tem menos filhos, também o serviço doméstico diminui;
7- Apesar do ensino público ser uma piada, hoje ele é muito melhor do que nas décadas de 50 ou 60, quando inexistia em muitos lugares Brasil afora;
8- Assalariados no setor de serviços, e outros, em várias regiões, ganham o equivalente ao mínimo da doméstica; um servente de pedreiro fixado é um exemplo;
9- Quando o gordo Delfim saiu do poder em 1984, o salário mínimo comprava 12 quilogramas de carne bovina de 1ª, tipo contra-filé, por exemplo. Em 2002 comprava 55 quilogramas (R$ 3,60 em média); hoje compra em torno de 46; isso na minha cidade…
O Gordo esta é perdendo o charme, coitado. Se ele fosse mais jovem, quem sabe teria um fã clube inteiro de domésticas pedindo emprego até hoje, as mães e irmãs dos “Delfim Boys”.
responder este comentário denunciar abusoCooregedor,
Algumas perguntinhas:
1)2- Existem 4 milhões de brasileiros praticando serviços simples no primeiro mundo; muitos deles são domésticas”
Fonte? Com a diferenca, como disse o senhor Guterman, um “servico simples” nos EUA paga entre $15 e $20 US dollar a hora. O que leva estas pessoas a se tornarem consumidores de peso.
No Brasil, o problema nao eram os “servicos simples” e sim os empregadores exploradores da mao d eobra “simples”. Nao tinham vergoha na cara d epaga ro que merecima e ainda por cima os humilhavam como se isso fosse vergonha.
Ninguem nos EUA que trabalha meso que seja “servico simples” e’ humilhado por trabalhar. Pelo contrario a humilhacao existe para quem nao quer trabalhar.
responder este comentário denunciar abusoCorregedor,
Porque voce falou sobre o “gordo Delfim”?
Porque voce gosta d eenfatizar a caractwerisitca fisica do individuo?
Voce chama o Pele de “o preto Pele”?
Ou o tetraplegido de “o aleijado”?
Respeite as pessoas!
responder este comentário denunciar abusoGuterman, aí vai o link para um videozinho de cinco minutos do Human Rights Watch sobre como muitas vezes empregadas domésticas ficam vulneráveis a abusos por parte de seus empregadores.
Felizmente o que as situações que as personagens do filme enfrentaram são cada vez menos comuns nos grandes centros urbanos daqui. Mas ainda acontecem.
Finalmente!
Existe esperanca para o Brasil!
Você gostaria de ser considerado um “animal em extinção” porque o seu serviço está desaparecendo ? Eu nao. Embora seja amiga dos animais, aprecio-os muito e até acho melhor a companhia de um deles que a do homem, jamais cometeria essa gafe de comparar empregada doméstica a animal em extinçao. Elas ainda existem e na maioria dos países sao muito desrespeitadas, as patroas sao super exigentes e essa palavra ‘diarista’ ou melhor, ‘acompanhante’ é mal interpretada.Em muitos lugares as domésticas sao exploradas por estarem à mercê da vontade de quem as emprega,nao têm sindicatos nem associaçao de defesa, é mais ou menos como a prostituta que sofre discriminaçao e nao tem direito de se manifestar. E você ainda acha normal que as comparem aos bichos em extinçao, metaforicamente, com medo de nao ter mais quem lave seu vaso sanitário todo dia ? Um pouco de decência nao faz mal a ninguém.
Anna H, eu sou advogada. Acredite, nenhuma categoria é alvo de piadas mais grosseiras do que a minha.
O Delfim Netto sempre teve esse humor cáustico, ácido. Ele não está dizendo que as empregadas sejam animais de extinção. Ele, ironicamente, comparou a situação que se está vivendo à finitude de um ciclo, de uma forma de vida. Se deparar com o encerramento de um traço cultural forte é sempre um espanto. Culturas mudam muito lentamente e a gente está acostumado a pensar “Isso só vai acontecer daqui a duas gerações. Será uma mudança que os meus filhos verão, não eu.”. Então, quando a gente se depara com o momento exato em que um costume está se extinguindo a reação normal é de espanto mesmo.
Quem viu aquele animal viu, quem não viu, não verá mais.
Longe de mim querer defender o Gordo, que na maior parte de sua vida foi um gênio do mal, mas vamos dar a César o que é de César. Ele mandou um recado à empedernida classe média brasileira. Como quem diz “Ok, vocês que admiram tanto a Europa Ocidental e os EUA agora engulam uma outra face do estilo de vida deles. No domestic workers for you.”
Foi só isso.
Carolina, me desculpe.
Vocês fazem por merecer tais piadinhas. O ruim é que os bons, e dá prá se contar nos dedos, levam a fama. Eu mesmo fui vitima de um ótimo “adevogado” de Guarulhos. Perdi R$ 6.000,00.
Gostaria que a OAB se reunisse e me devolvesse sem correção monetária. ( já faz 7 anos )
responder este comentário denunciar abusoUé, Ezequiel, entre com uma ação contra o cara, uma representação na OAB. Se você não se movimentar nada vai acontecer.
Bjs e boa sorte.
A falta de dinheiro da classe média B para gastar em casa tem a ver com o arrocho salarial de várias categorias no serviço público, e o aumento de preços de serviços essenciais, bens e taxas, como combustíveis, IPTU, seguros, energia elétrica, etc.. Automóveis sobem 10% ao ano; é só conferir. Muitos servidores ganhavam o equivalente a 10 salários mínimos em 2002; hoje ganham 7. Na iniciativa privada também existem casos iguais.
Marcos:
A empregada doméstica custa caro para quem paga,e para ela que recebe é sempre pouco.No final é cara de bunda na sua própria casa de uma estranha.
Ainda tem o gasto de comida com ela,decimo terceiro,férias etc….
Eu só tenho um filho.
Sai mais barato comer num restaurante a kilo com preços moderados,e pegar o faxineiro do meu prédio{mora no edificio}que eu dou 50,00 e ele me faz uma ótima faxina quinzenalmente que nenhuma doméstica nunca fez.
E não tem este papo de passagem, filho doente,pois o cara mora no edificio.
Compro uma pizza gigante,a familha divide com ele e todo mundo fica mais feliz.
Sai muito mais barato a minha vida assim, que pagar doméstica e comida que ainda acaba sendo desperdiçada ou faltando.Sem falar de férias e decimo terceiro.
É a mesma conta de ter um carro:
Moro no R.J e vendi meu carro.
Moro perto do metrô, portanto tenho transporte facil.
Ainda aluguei minha garagem.
Tou livre de ipva,mecanico safado,flanelinha,industria de multa,assalto no engarrafamento,e dinheiro parado num bem que não valoriza{só deprecia} e não dá renda e tá mobilizado.
De vez em quanto pego um taxi,não me encho com estacionamento e se o taxi atropelar alguem ou bater num outro carro,não sou eu que vou brigar ou parar na delegacia.
Paz não tem preço.
A pessoa tem que saber fazer conta,ver se realmente nescecita o carro e a empregada,se o dinheiro pago reverte em melhoras que não se encaixam ao meu caso,e a condição financeira dela,pois se não é dá elite do funcionalismo publico ou das estatais milionarias da vida que gozam de estabilidade para poder gastar despreocupado,é melhor ter atenção com os gastos.
Deixem a bicha gorda falar o que quiser ! Bichas gordas também são animais em extinção. “Elas” hoje preferem ser “saradas” (de preferência, com dois erres).
Olga, pegou pesado hein!
responder este comentário denunciar abusoAo ler o comentário ao meu comentário feito pelo Mario, Delfim perguntaria : “Mario ? Que Mario ?” . Ah, aquele …
responder este comentário denunciar abuso“2- Existem 4 milhões de brasileiros praticando serviços simples no primeiro mundo; muitos deles são domésticas;”
a – Esse número é uma estimativa que pode ser encontrada na WEB; em 2002 seriam 2,5 milhões. Mas você pode apresentar melhor dados.
b – Esse número de oferta de mão de obra simples no exterior, faz diminuir a oferta aqui dentro. É um verdadeiro êxodo.
c – Delfim Neto era conhecido como Gordo; quase um apelido. Os mais velhos sabem isso. Tive um amigo, hoje falecido, que conviveu com ele e o chamava de Gordo.
Acho que minha análise tem novidades úteis para quem se interessa pelo tema.
Aqui onde moro uma diarista é paga por hora e tem vários direitos trabalhistas.Em compensaçao fazem da mulher um robô, exigem que ela faça as compras para a patroa,que passeie com o cachorrinho (e retire o cocô dele na rua), humilham-na deixando um cao de guarda tomando conta da sala enquanto ela trabalha,coisas assim.Quando fazem diárias em casa de idosos, sao obrigadas a substituir até enfermeira,porque os filhos nao querem cuidar de seus velhinhos e deixam essa responsabilidade para as instituiçoes especializadas ou, no mais das vezes, nas costas da diarista (ou empregada doméstica,como ainda dizem no Brasil).Já soube de horrores que fazem com brasileiras e portuguesas que trabalham nisso no exterior.
Um humano, ser humano, pessoa, gente ou homem é um animal membro da espécie de primata bípede Homo sapiens, pertencente ao género Homo, família Hominidae (taxonomicamente Homo sapiens – latim: “homem sábio”).
http://pt.wikipedia.org/wiki/Homo_sapiens
A verdade as vezes dói.
Quem nao sabe que o homem é um animal, racional e bla bla bla ? Acontece que é justamente por isso que nao se deve tratar uma pessoa de animal,coloquialmente, você gostaria que lhe chamassem na rua ‘ei, animal’ ? Claro que ia achar um insulto,e nao o termo antropológico que conhecemos. Suspeito que o Delfim nao deu à palavra o sentido científico.
responder este comentário denunciar abusoNão sei o que fica pior…… “animal em extinção” ou “o Gordo”…… sendo figura de linguarem, mesmo assim dá no mínimo margem a interpretações pejorativas. FHC recentemente teve problemas tb em sua análise sobre as camadas sociais em que os partidos deveriam atingir. O importante é o conteúdo, ou ao menos deveria ser.
Mario, vc sabe porque eu o chamo de o Gordo, né? Era assim que ele era chamado por vários dos militares. Vai no Carlos Castello Branco ou no Elio Gaspari.
Eu respeito o Gordo. Ele é brilhante, muito inteligente, mas fato é que se aliou a gente muito cretina por muito tempo. E com toda a suspeita que existe em torno da homossexualidade dele, se ele realmente é gay, não sei como conseguiu aturar transitar entre figuras tão, digamos, indigestamente machistas como Garrastazzu. Blergh…
Carolina, eu tb tenho muito respeito pelo Delfim, mesmo com tantas polemicas a seu respeito, ele foi muito importante e é respeitado mesmo pelos seus opositores. Concordo com vc que ele é brilhante e se aliou a muitos cretinos, que alías tem muitos ainda na política infelizmente, mas ainda bem que ele estava lá pois seu trabalho foi benefico para a economia do país na época. Citei “o gordo” e “animal em extinção” apenas para ilustrar que as vezes a figura de linguagem coloca o conteúdo (que é o mais valioso) em segundo plano diante da caças a bruxas por discriminação por isto ou por aquilo. Eu mesmo ando me policiando para não cair nisto.
responder este comentário denunciar abusoÉ, Mario, canalhas continuam existindo (na política e fora dela) e, em verdade, sempre haverá. O problema é que aqueles aos quais o Gordo se associou mandavam torturar e matar. Os de hoje não fazem isso, ao menos não como política de Estado.
Bjs
“a – Esse número é uma estimativa que pode ser encontrada na WEB; em 2002 seriam 2,5 milhões. Mas você pode apresentar melhor dados.”
uma “pequena diferenca de 1.5 milhoes e 9 anos!
Que chute!
Nao vou procurar dados nenhum, a prova cabe ao acusador!
Nao fale se nao sabe!
Não considero um trabalho humilhante, é um trabalho como outro qualquer e de grande responsabilidade. E tenho empregada e ela é ótima. E vive bem, tem tudo que alguém pode precisar para viver bem, casa própria, televisão, geladeira e etc , e o mais importante, dignidade. Ela é feliz, trata meus filhos com carinho e não reclama da vida, é uma profissional qualificada e nós reconhecemos. Na verdade ela tem uma qualidade de vida superior a de qualquer executivo que trabalha na avenida Paulista, sem tempo nem de conviver com os filhos.É tudo relativo, mas o bem estar psicológico é absoluto.
Quanto ao Delfim, Tinha nome de um animal e a aparência de outro heheheeh, mas no final das contas apesar da infelicidade proposital ou da uma arrogância descuidada de suas palavras, somos todos animais. Eu, por exemplo, de tão raro, deveria estar sendo utilizado como reprodutor de algum rebanho hehehehe.
Rapaz, largue de encher. Se você tivesse o mínimo de paciência e procurasse no site do Ministério do Exterior você veria conforme abaixo:
“Segundo o Ministério das Relações Exteriores, cerca de 4 milhões de brasileiros estão morando em outros países e a mudança de endereço se deve às oportunidades de trabalho. Esse contingente ultrapassa a população da Paraíba, estimada em 3,6 milhões pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). ”
Serve pra você?
A questão do Gordo, foi resolvida satisfatóriamente?
A questao do gordo foi resolvida satisfatoriamente e eu gostaria d eme desculpar pela minha ignorancia sobre este caso.
Porem o ministerio do exterior nao especifica que sao “servicos simples”.
Tem um monte de gente la’ que nao fazem servicos simples!
Enquanto a informacao for errada eu vou encher. O publico tem direito a informacao correta.
Corregedor,
Eu nao sou censor do blog, voce falou uma besteira muito grande.
Enfia nessa sua cabeca ,que parece ser formada por dois neuronios conectados por um mata burros, o numero de 4 milhoes de brasileiros no exterior fazendo “trabalhos simples” e’ falso, e’ errado.
Entendeu.
Basta voce falar que errou para recuperar sua credibilidade.
E brasileiro no exterior nao e’ de baixo da piramide somente. Tem muito, muito brasileiro no exterior qualficado. Se voce quiser te dou uma lista.
Brasileiro tem essa mania de “ser entendido” em tudo mas so’ repete o que ouviu falar sem antes confirmar as fontes.
responder este comentário denunciar abusoTu é insistente, hein meu irmão?
Brasileiro no exterior é o extrato do espírito de baixo da pirâmide. Entendeu? Se a mulherzada que está lá, estivesse por aqui, haveria mais oferta de domésticas no mercado, e a classe seria maior do que é.
Tá parecendo que você é censor do blog.
Guterman, por acaso esse rapaz é algum delegado?
Horrendo chamar ‘mulherzada’,tenha mais educaçao.
responder este comentário denunciar abusoMárcio, o Delfim era gordo igual a um Duroc, capado e erado; gordo mesmo, adiposo. Banha.
Ele entregou o Brasil pro Sarney (o primeiro ministro da fazenda do Sarney foi o Dorneles, tio desse playboy, Aécio) com inflação de 200% ao ano.
Quem consertou sua lambança foi o Plano Real.
Depois da 1 Guerra, 15% da força de trabalho britânica consistia de serventes domésticos. O brasil tem hj acho que 10-14% da força de trabalho em empregados domésticos. O sumiço dessa profissão não tem nada a ver com governo, cultura, leis de salário mínimo ou consciência de classe. Isso é um processo em todas as regiões do mundo que começam a se desenvolver.
Marcos,
Acredito que, nesse vídeo, Delfim falou “felizmente” e não “infelizmente” quando se referiu à extinção das empregadas domésticas. Isso altera significativamente o sentido global de sua colocação sobre o assunto
Caro Thiago, obrigado por sua colaboração. No entanto, discordo de sua conclusão. Pouco importa se Delfim acha bom ou ruim o fim das empregadas; o que importa é a constatação que ele faz. E, claro, o uso do termo “animal” para se referir a elas.
responder este comentário denunciar abusoMarcos,
Platão e Fiorin, autores do livro Para entender o texto (SP: Ática, 2000), afirmam que todo texto contém um determinado posicionamento de seu autor em relação a um fato, um acontecimento, uma ideia etc, o qual revela as intenções do autor – explícitas ou não – ao elaborar o texto. Se o ex-ministro não tinha a intenção, conforme ele afirma, de soar preconceituoso ou pejorativo, bastava ele ter usado o termo ‘profissional’ para se referir à empregada doméstica. Vejamos: “Quem teve este profissional, teve. Quem não teve, nunca mais vai ter”. A escolha do ministro é fruto de suas crenças sociopolitico-econômicas e culturais. Freud a chamaria de lapso intencional – o inconsciente se manifestou mediante a escolha da palavra, prova linguística de que Delfim Netto não considera o trabalho doméstico uma profissão, nem a empregada, um ser humano. Além disso, o termo ‘infelizmente’ – que ele realmente utilizou, eu ouvi a entrevista -, exige uma pergunta: infelizmente para quem? Para a categoria? Para os patrões? Para aqueles que se beneficiam das condições indignas a que esta profissional está sujeita em muitos casos, como salário abaixo do mínimo, horas extras sem remuneração, impossibilidade de desfrutar os benefícios sociais e trabalhistas que a carteira assinada oferece? Em vista do exposto, creio poder afirmar com razoável certeza que o infelizmente abarcava a todos que, como ele, consideram a empregada doméstica apenas uma versão melhorada da escrava negra, melhorada porque esta não possuía nenhum direito civil, considerada como era por lei um animal apenas um pouco melhor que um cavalo e apenas mais valioso. É essa noção socio-histórica e cultura herdada – garantida por lei, lembremos – a responsável pela escolha do ex-ministro. Recusar o status de pessoas a seres por alguns de nós considerados inferiores por quaisquer critérios é estratégia antiga, duradoura e bem-sucedida de exercer poder e garantir privilégios. Se um ser é por mim considerado uma coisa, então ele está à minha mercê, posso fazer o que quiser com ele.
ola boa tarde,
estou concluindo meu curso e o tema para monografia será o empregado dompestico e o princípios da igualdade. OS senhores teriam alguma sugestão de pesquisa para mim/ algum livro? sites? dados?estatísticas?
enormemente agradecido
alex barreto
2012
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2010
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