Em artigo no site do Partido Comunista Brasileiro, um membro de seu comitê central esculacha o Partido Comunista do Brasil, por causa de seu posicionamento na recente votação do Código Florestal. Já se sabia que, embora todos vermelhos, PCB e PCdoB não se bicavam, mas o artigo chama a atenção pela virulência.
Depois de qualificar a história do PCdoB de “errática e oportunista”, o artigo diz que esse partido fez “alianças eleitorais espúrias” (com o PT, o PP e o PSDB), transformou a UNE “numa pálida sombra de seu passado” e “corre de ministério em ministério atrás de verbas e futuras boquinhas para a pelegada de calças curtas”.
Mas o pecado maior do PCdoB, diz o texto, é ter ignorado o “centralismo democrático” ao votar o Código Florestal, com base no relatório de Aldo Rebelo, “serviçal da grande burguesia”. Em vez da requerida “unidade de ação política por meio da disciplina consciente, livremente aceita, igual e obrigatória para todos os seus membros”, como reza o Estatuto do PCdoB, os parlamentares do partido votaram cada um como quis, sempre de olho em interesses eleitorais pessoais.
Para o velho Partidão, isso não é comunismo nem aqui nem na China.
Do livro Reagan: A Life in Letters, que se dedica a biografar o presidente americano (1981-1989) por meio da correspondência da Casa Branca, salta uma carta que ele recebeu de um menino, Andy Smith, que reclamava da mãe:
“Hoje minha mãe declarou meu quarto uma área de desastre. Gostaria de requisitar verba federal para contratar uma equipe para limpar meu quarto”.
Reagan respondeu – e aproveitou para reafirmar sua fé no setor privado e no governo enxuto. Após dizer que a verba estava curta, ele escreveu: “Esta administração, acreditando que o governo tem feito muitas coisas que seriam mais bem-feitas por voluntários locais, patrocina o programa Iniciativa do Setor Privado, convocando as pessoas a praticar o voluntarismo a fim de resolver problemas locais. (…) Tenho certeza de que sua mãe estava totalmente correta ao qualificar seu quarto de desastre. Assim, você está em ótima posição para lançar um programa voluntário e se juntar a outros 3.000 já em andamento em nosso país. Parabéns”.
Na Meine Kleine Farm (minha pequena fazenda), o alemão Dennis Buchman oferece ao consumidor a possibilidade de escolher qual porco será sacrificado para que se produza a salsicha que ele comerá. No site, cada um dos porcos tem sua “história” contada.
Segundo Buchman, é uma maneira de aproximar as pessoas daquilo que elas comem. “O homem perdeu o contato com sua comida”, filosofou. A ideia é que, familiarizados com os bichos que estão comendo, os alemães reduzam o consumo de carne.
(Dica do Kxorraum!)
Os republicanos estão preparando um dos mais duros ataques ao presidente Barack Obama na atual campanha eleitoral americana, informa o New York Times. O material, orçado em US$ 10 milhões e intitulado “A derrota de Barack Hussein Obama”, inclui propaganda que mostra a influência do reverendo Jeremiah Wright Jr. sobre o presidente. Wright Jr., de cuja congregação Obama fez parte, ficou conhecido por suas violentas declarações contra os brancos, contra Israel e contra a política externa dos EUA, à qual ele atribuiu a motivação para o 11 de Setembro. Seus oponentes conservadores qualificaram sua pregação de “versão negra da Teologia da Libertação”.
Os estrategistas dessa campanha, que ainda está em fase de planejamento e não foi apresentada aos pré-candidatos republicanos, acham que Obama tem de ser desmascarado e que está enganando o país ao se apresentar como um “Abraham Lincoln negro e metrossexual”.
Por trás desse esforço está o bilionário Joe Ricketts. Para ele, o senador John McCain perdeu a eleição para Obama, em 2008, por ser um fraco e se negar a mostrar quem seu adversário realmente é. O projeto mostra também como os ricos, como Ricketts, estão tomando iniciativas particulares para tentar influenciar diretamente a eleição nos EUA, muitas vezes à margem dos partidos.
A Fiat da Argentina está tentando vender seu Palio por lá usando um anúncio em que uma moça diz ao namorado que vai fazer um daqueles implantes para aumentar os seios. Ato contínuo, o rapaz sonha que está mergulhando no aconchego dos peitos siliconados de sua amada. Slogan: “O melhor momento da sua vida”. Talvez isso signifique que, para a Fiat argentina, seus clientes ainda não saíram da fase oral.
Está sendo lançado nesta semana o Occupy This Album, uma caixa de quatro CDs com as músicas que embalam o Occupy Wall Street, movimento que protesta contra o “1%”, isto é, os banqueiros malvados. A propósito, são 99 músicas, para representar os demais “99%”, que são aqueles que se dizem vítimas do sistema.
Tem Joan Baez, como não poderia deixar de ser. Mas um dos destaques notáveis é o cineasta Michael Moore cantando The Times They Are A-Changin’, de Bob Dylan. Essa pérola pode ser ouvida aqui.
Alguns integrantes da Comissão da Verdade – que investigará violações de direitos humanos cometidas no Brasil entre 1946 e 1988 – acharam por bem esclarecer que seu objeto serão somente os crimes do regime militar, desconsiderando os cometidos pela luta armada. “Acho que essa questão de ‘dois lados’ não é a maneira correta de ver o tema”, disse o diplomata Paulo Sérgio Pinheiro. “A comissão está centrada nas vítimas e é o lado delas que interessa.” Esse tipo de declaração afronta um script habitual desde a Abertura – afim de não melindrar os generais, sempre pareceu necessário acentuar que os grupos guerrilheiros também cometeram crimes. Esse constrangimento tornou o debate acerca da ditadura refém do medo institucional que os brasileiros temos dos quartéis. Não à toa: nos cento e poucos anos de república, o Brasil experimentou uma série de golpes e de tentativas de golpe originados na caserna, a começar pela própria Proclamação da República – que o povo achou tratar-se de um desfile militar e que inaugurou a nossa prática política como pantomima de liberdade cidadã, tutelada pelo paternalismo atávico da elite, civil ou fardada.
No caso específico de 1964, os militares rasgaram a Constituição a título de defendê-la, o que é uma óbvia afronta. Contra esse estado de coisas, levantaram-se organizações de esquerda. Alguns desses grupos pegaram em armas – e, de fato, assaltaram bancos, explodiram bombas e mataram inocentes. Numa comissão que se dedica a extrair a “verdade” desse momento histórico, porém, não é possível atribuir pesos semelhantes entre a violência cometida pela guerrilha e a violência dos militares, por uma razão simples: os militares representavam o Estado, controlavam as forças de segurança, a Justiça e o Legislativo, de modo que as leis da ditadura e o aparelho montado para que elas fossem cumpridas jamais respeitaram os ritos do chamado “Estado de Direito”, e sim os do estado de exceção. Eis um crime de fato, sob qualquer ponto de vista. Considerar que são criminosos do mesmo jeito os guerrilheiros que se insurgiram contra essa óbvia barbaridade é embaralhar conceitos morais de modo a transformar a vítima em culpada, coisa típica dos regimes totalitários.
Mas os militares não fazem essa leitura e muitos deles ainda insistem, como nos anos 60, que estavam a cumprir a tarefa histórica de salvar o Brasil do comunismo. A certeza dessa missão era tão cristalina que muitos generais consideravam perda de tempo e dinheiro manter um departamento de propaganda – a Assessoria Especial de Relações Públicas da Presidência da República, chefiada pelo coronel Octávio Costa – para reforçar as virtudes do governo militar; afinal, para eles, a necessidade da tarefa de desenvolver o Brasil e evitar que ele caísse na órbita de Moscou, mesmo ao custo de suprimir direitos básicos, era evidente por si mesma. Nem os religiosos têm tamanha certeza moral.
Do lado dos que lutaram pela guerrilha, também há tabus. Muitos fingem que não é com eles quando se prova que seu programa revolucionário incluía o estabelecimento de uma ditadura do proletariado, algo muito distante da democracia que hoje invocam para justificar sua ação. A própria presidente Dilma Rousseff afirmou em seu programa eleitoral e, depois, em seu belo discurso de posse que como guerrilheira lutou “contra o arbítrio e a censura” e é, portanto, “naturalmente amante da mais plena democracia e da defesa dos direitos humanos”. Não é possível duvidar dos compromissos democráticos atuais de Dilma, aliás muito mais firmes que os de seu antecessor, mas também não é possível ignorar que, em um momento importante de seu passado, a presidente não queria a democracia. Ponto.
Nada disso, porém, autoriza enxergar simetria moral entre o que faziam os militares e os guerrilheiros. Em nome da salvação do Brasil, a ditadura permitiu e, em muitos casos, incentivou a formação de um poderoso Estado paralelo, em que “inimigos” reais e imaginários eram sumariamente julgados e condenados, não sem antes sofrerem inomináveis torturas. É isso que a Comissão da Verdade precisa resgatar, e nada mais. Ao compreender como o Brasil engendrou o período mais cinzento de sua história, será possível purgar esse passado para que, enfim, tornemo-nos definitivamente uma democracia madura, impermeável à retórica segundo a qual a suspensão das liberdades pode ser considerado algo legítimo.
A americana Emmelyn Roettger é uma menina esperta. Seu QI é de 135 – pouco menos que os 160 de Einstein e Stephen Hawking. Aos três anos de idade, ela é a mais jovem integrante da Mensa, entidade que agrega gênios.
A garota escreve, lê, faz contas e, apaixonada por astronomia, sabe bastante coisa sobre estrelas, planetas e buracos negros. Ah, sim, e sabe que a divisão celular se chama mitose. Embora seja um orgulho para os pais, eles sabem que Emmelyn corre o risco de não encontrar um lugar no mundo. “Há um estigma social para aqueles que são muito inteligentes”, disse Frank Lawlis, psicólogo da Mensa.
Um fenômeno como esse, porém, não ficaria muito tempo longe da vida de celebridade. Convidada a participar de um programa de entrevistas na TV, a menina não parou quieta, como dá para ver abaixo. E mostrou que, apesar de ser muito mais inteligente do que a maioria das pessoas, segue sendo uma criança como qualquer outra – ela interrompeu a entrevista ao pedir insistentemente para fazer cocô.
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A Time faz uma provocação para o Dia das Mães. Junto com a pergunta “Você é mãe o suficiente?”, a revista mostra em sua capa uma mãe, Jamie Lynne Grumet, de 26 anos, dando de mamar a seu filho de quatro anos.
A reportagem diz respeito a uma corrente de especialistas que defende a maternidade total, isto é, amamentar filhos por anos e deixá-los dormir na cama junto com os pais quando quiserem, entre outras demonstrações de proximidade extrema.
Ibrahim al-Asiri é hoje “a face do terrorismo mais temida pelas autoridades americanas”, na definição da rede de TV ABC. Ele é o sujeito que desenvolveu a “cueca-bomba”, protagonista da última tentativa de atentado da Al Qaeda contra os EUA. Também inventou uma bomba que foi escondida no ânus de um terrorista suicida em missão na Arábia Saudita. Segundo a ABC, Al-Asiri criou artefatos que podem ser escondidos em câmeras, computadores e até mesmo cachorros, de modo a escapar dos equipamentos de detecção.
“Ele é muito inovador e inteligente”, diz Seth Jones, ex-conselheiro do Comando de Operações Especiais dos EUA. Some-se a isso, segundo Jones, o fato de que Al-Asiri nutre “ódio absoluto” pelos americanos e pelos “valores ocidentais” e temos uma combinação, digamos, explosiva.
Os EUA têm tentado matar Al-Asiri no Iêmen com seus drones, os letais aviões não-tripulados. Para Jones, será inútil matá-lo, porque a Al Qaeda já mostrou que pode encontrar alguém para substituí-lo – talvez não tão brilhante, mas certamente com a mesma disposição para trucidar civis americanos inocentes.
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