Uma pesquisa publicada na revista científica PloS ONE mostra que é possível conhecer a orientação sexual de alguém observando apenas seu rosto.
Nos EUA, há até um termo coloquial para essa capacidade, “gaydar”, mas não havia prova científica de que, de fato, ela funciona. A experiência feita pelos psicólogos Joshua Tabak e Vivian Zayas, que mostraram fotos de homens e mulheres para os participantes, indica que eles conseguiram saber se alguém é gay ou heterossexual apenas com uma rápida olhada – rápida mesmo: menos de 1 segundo, tempo suficiente para que o observador soubesse simplesmente que se tratava do rosto de alguém.
Os pesquisadores retiraram das imagens quaisquer sinais que pudessem induzir conclusões: não havia brincos, piercings ou tatuagens.
A acurácia chegou a 60%. Os participantes erraram mais ao atribuir homossexualidade a homens heterossexuais, talvez porque, segundo os pesquisadores, qualquer leve traço feminino em homens leva à conclusão de que se trata de um gay. Ou seja: é mais difícil saber se um homem é homossexual do que uma mulher.
O site Ashley Madison, que possibilita casos extraconjugais, começou uma campanha publicitária no México em que o astro é Enrique Peña Nieto, candidato presidencial do tradicional PRI. Até os feijões mexicanos sabem que Peña Nieto traiu a mulher, que se separou dele. O político aparece em cartazes com batom no colarinho e o seguinte slogan: “Infiel com sua família, fiel e comprometido com seu país”.
Segundo disse à Associated Press o representante do site no México, Ricardo Castañeda, se o candidato tivesse usado o Ashley Madison não teria sido flagrado.
(Foto: Alexandre Meneghini/Associated Press)
A britânica Zina Saro-Wiwa produziu um documentário sobre mulheres negras americanas que, como ela, estão “transitando” do cabelo alisado quimicamente para penteados mais naturais. É uma mudança e tanto. Como Zina mostra em ótimo vídeo que pode ser visto aqui, o cabelo liso predomina entre as estrelas negras do mundo pop americano.
Em pequeno texto publicado pelo New York Times, Zina conta que não pretendia ser personagem de seu próprio filme. “Mas, ao incluir minha história, eu me vi obrigada a pensar sobre como eu me sentia sobre meu cabelo com uma honestidade que jamais tive”, explicou ela.
Segundo Zina, há muitas mulheres negras “transitando” sem fazer alarde. “Não é um movimento movido pela raiva”, diz a cineasta. “As mulheres não estão dizendo que sua motivação é combater os ideais eurocêntricos de beleza. Em vez disso, é um movimento caracterizado pela autodescoberta e pela saúde.”
Mas Zina reconhece a dimensão política do fenômeno, porque o cabelo negro e o corpo negro são historicamente vinculados a lutas sociais nos EUA e ao imaginário americano. “Demonstrar esse nível de auto-aceitação”, isto é, aceitar o cabelo como ele é, “representa uma poderosa evolução na expressão política negra”, diz Zina. A verdadeira transformação começa dentro de si mesmo: “Dizer em voz alta ‘eu sou negra e me orgulho disso’ é uma coisa; acreditar nisso silenciosamente é outra”.
Um ataque “cirúrgico” de drone matou no Paquistão o número dois da Al Qaeda, Abu Yahya al-Libi, informou o governo americano nesta terça-feira. Trata-se de um dos mais duros golpes que os EUA já assestaram contra a cúpula da organização terrorista utilizando sua frota de aviões não tripulados. É também mais uma prova de que o presidente Barack Obama não está para brincadeira.
Obama tem saído melhor que a encomenda. Na campanha eleitoral de 2008, os republicanos diziam que, se ele se tornasse presidente, os EUA seriam alvo fácil para os terroristas, já que o jovem senador de Illinois não tinha nenhuma experiência para lidar com as graves questões de segurança nacional. Pois bem. Sob a Presidência de Obama, os EUA estão mais determinados do que nunca em sua “guerra ao terror”. E consta que Obama reserva para si a decisão final sobre os assassinatos seletivos. Pode-se dizer que é ele quem puxa o gatilho, como mostrou recente reportagem do New York Times.
É interessante notar o “timing” do vazamento de informações detalhadas sobre as operações secretas com drones no Paquistão, em especial sobre como se comporta Obama, que surge desses relatos como líder implacável contra os inimigos dos EUA. No momento em que a intenção de voto no presidente balança, por causa da crise econômica, pode fazer muito bem a Obama posar de justiceiro com aquilo roxo.
Há alguns dias, Israel está mergulhado num debate sobre imigrantes africanos, graças à reação racista de alguns parlamentares direitistas e de manifestantes em Tel Aviv a incidentes envolvendo esses refugiados. “Eles são todos infiltrados. Temos de expulsá-los”, defendeu o deputado Danny Danon, do Likud. A deputada Miri Regev, também do Likud, foi mais longe e, num discurso a irados simpatizantes, declarou: “Os sudaneses são o câncer em nosso corpo”.
“Câncer” e “infiltrado” eram alguns dos termos que os nazistas usavam para se referir aos judeus. Essa é a primeira razão pela qual essas expressões não ficam bem na boca de parlamentares judeus, em referência a refugiados. A segunda razão – e talvez a mais importante – é que um Estado judeu não deveria jamais fechar as portas dessa maneira a refugiados estrangeiros, porque esse Estado foi fundado sob a premissa de abrigar gente perseguida. A não ser que alguns israelenses considerem que os negros africanos não são gente.
Todos os países importantes do mundo têm de lidar com a difícil questão da imigração, e a maioria não só não sabe o que fazer como também, em muitos casos, age de forma racista. Ou seja: Israel não é excepcional. Mas isso não serve como desculpa diante do dever moral dos judeus de acolher quem sofre. Como disse o presidente de Israel, Shimon Peres: “O ódio aos estrangeiros contradiz as bases do judaísmo”.
Uma intervenção militar na Síria, a título de acabar com os massacres ora em curso, pode causar violência ainda maior. Essa opinião, expressa tantas vezes pelo governo brasileiro, é compartilhada pelo ex-secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger.
Em artigo no Washington Post, Kissinger faz uma arqueologia das relações internacionais para mostrar que a diplomacia da Primavera Árabe substituiu o princípio da ordem internacional baseada na soberania dos Estados, em vigor desde o século 17, pelo princípio da intervenção humanitária. Ou seja: a “comunidade internacional” exige que o governo negocie uma transferência de poder pacífica, o que ele jamais fará sem a ameaça ou a perspectiva de intervenção armada. Segundo Kissinger, essa doutrina não leva em conta primariamente questões como o interesse nacional, que não se enquadram na perspectiva moral implícita na ação de inspiração humanitária. E isso cria um problemão para os EUA.
A razão é simples: se a questão central não é o interesse nacional, mas uma demanda moral, então os EUA teriam de apoiar todos os levantes em todas as partes do mundo – inclusive na Arábia Saudita, que é um de seus maiores aliados no Oriente Médio a despeito de ser uma tirania. Ademais, só intervir para derrubar um regime assassino não basta: uma ação desse tipo pressupõe responsabilizar-se por ajudar na reconstrução do país, o que implica custos e desgaste político e diplomático; lavar as mãos significa permitir que terroristas ocupem os espaços deixados pela queda do regime.
E então surgem as perguntas. Uma intervenção na Síria seria interessante, do ponto de vista americano, porque derrubaria um governo que apoia Irã, Hizbollah e Hamas, vistos como problemáticos em Washington; por outro lado, os EUA estão finalizando a desgastante aventura no Iraque e no Afeganistão e têm poucos motivos para querer um novo confronto no Oriente Médio. Mais importante: quem substituiria Bashar Assad? Quem são os rebeldes? Quais são as chances de financiar gente que, depois, se tornará um pesadelo para os EUA, como aconteceu com o Taleban no Afeganistão?
Kissinger recomenda que, antes de derrubar Assad, os EUA e as outras potências interessadas no que acontece na Síria costurem um acordo político amplo, que evite a guerra civil e que tenha amplo apoio internacional, inclusive do ponto de vista da segurança. O ex-secretário, no entanto, diz duvidar dessa possibilidade, dadas as atuais circunstâncias. E é sombrio sobre o horizonte sírio: “Ao reagir a uma tragédia humana, temos de ter cuidado para não permitir outra. Na ausência de um conceito estratégico claramente articulado, uma ordem mundial que borra fronteiras e mistura guerras civis e internacionais jamais pode relaxar”.
Estreia hoje na TV americana um reality show chamado Push Girls. Ele reúne cinco moças que sofreram acidentes ou tiveram doenças que as obrigam a andar de cadeira de rodas. A ideia é mostrar que, a despeito das óbvias limitações, elas podem levar uma vida quase normal.
“As pessoas de nosso convívio conseguiram lidar com a paralisia e perceberam que não era uma tragédia”, disse Mia Schaikewitz, de 33 anos, paraplégica desde os 15. “O legal do programa é que os telespectadores vão ver isso.”
As jovens só se conheceram depois que ficaram paraplégicas e agora são muito amigas, quase irmãs, segundo dizem. O elo entre elas foi a modelo Angela Rockwood, que ficou tetraplégica há 11 anos num acidente de carro. Foi por meio de Angela que o programa tomou forma: ela queria mostrar o dia a dia das amigas e como elas são felizes.
“Acho que as pessoas temem se aproximar de nós e temem ter relacionamentos conosco porque acham que vão encontrar algo negativo”, lamenta Mia. “Se eles nos vissem como somos em nosso cotidiano, saberiam que isso (a cadeira de rodas) é apenas um acessório.”
Um tribunal de Nova York decidiu que chamar um heterossexual de “gay” não é mais uma ofensa, informa a Associated Press. Segundo o entendimento da corte, a sociedade não trata mais esse rótulo como uma difamação. Logo, se não há difamação, não há crime.
A decisão considerou que as sentenças anteriores condenando réus em casos assim foram baseadas “na falsa premissa de que é vergonhoso ser descrito como gay, lésbica ou bissexual”.
Historinha dos novos tempos. Certa vez, uma mulher espanhola de 24 anos, grávida de sete semanas, procurou uma clínica para abortar. Duas semanas mais tarde, ela foi informada pelo médico que a atendeu que o aborto estava consumado. Seis meses se passaram e ela descobriu que continuava grávida. Como aborto é crime na Espanha após 22 semanas de gestação, ela levou a gravidez até o fim, mas decidiu processar o ginecologista, num caso inédito.
A Justiça acaba de dar ganho de causa a ela, informa o Guardian. O médico terá de lhe pagar mensalmente 978 euros até o 25º aniversário da criança, além de 150 mil euros por danos morais. Ou seja: o sujeito vai arcar com as despesas do menino como se fosse o pai dele.
O ginecologista, claro, vai recorrer da sentença. A mãe, por sua vez, diz que ama seu filho e que, no futuro, vai contar toda essa história a ele.
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