Há quem diga, como fez Clóvis Rossi na Folha recentemente, que o terremoto e o tsunami no Japão podem ter sido resultado da exploração desenfreada da natureza pelo homem. Rossi admite que se trata de uma “cisma”, uma “sensação de que a coisa está esquisita”, isto é, que há um desequilíbrio na natureza por conta da ação humana. Embora calçada em pesquisas científicas que atestam os efeitos da industrialização e da urbanização do planeta sobre o clima e os fenômenos naturais, pode-se dizer que essa “sensação” seja fruto de uma visão teológica do mundo. Onde se lê “vingança da natureza”, leia-se “vingança de Deus”.
No Gênesis, a vingança é clara. Deus decide mandar um dilúvio para retomar o controle dos destinos do homem, perdido por conta da expansão demográfica que se seguiu ao “crescei e multiplicai-vos” – isto é, quanto mais gente sobre a face da Terra, menor a possibilidade de que essas pessoas sejam feitas “à imagem e semelhança de Deus” e se submetam a ele. É o primeiro alerta a respeito dos efeitos do domínio do homem sobre a natureza e é também o primeiro alerta sobre os riscos da “excessiva” liberdade criativa humana. A visão religiosa, nesse caso, é aquela que vê na ação humana um potencial desafio à ordem divina. Deus, então, diz: “Farei desaparecer da face da terra o homem que criei, o homem e o animal, os répteis e as aves dos céus; porque me arrependo de os haver feito”. Deus aposta no “justo” Noé para que o renascimento do mundo, quando as águas baixarem, repare a aliança do homem com Ele.
Na época do grande terremoto de Lisboa, em 1755, Voltaire ironizou os padres que atribuíram a tragédia – com tsunami e tudo – à ira divina por causa dos pecados dos portugueses. Que Deus era aquele, disse o pensador francês, que castigava indiscriminadamente homens, mulheres e crianças, vítimas que nem sabiam o que era pecado? Rousseau rebateu a ironia, argumentando que Deus não tinha culpa se os lisboetas haviam construído uma cidade bem no lugar onde as forças da natureza se manifestariam naquela magnitude. Foram vítimas do “pecado” da vontade humana de vencer a natureza e submetê-la a seus desígnios.
Um século depois, esse mesmo espanto ante o progresso humano foi expresso como problema ideológico no Manifesto Comunista, de Marx e Engels: “A burguesia, durante seu domínio de classe, apenas secular, criou forças produtivas mais numerosas e mais colossais que todas as gerações passadas em conjunto. A subjugação das forças da natureza, as máquinas, a aplicação da química à indústria e à agricultura, a navegação a vapor, as estradas de ferro, o telégrafo elétrico, a exploração de continentes inteiros, a canalização dos rios, populações inteiras brotando na terra como por encanto – que século anterior teria suspeitado que semelhantes forças produtivas estivessem adormecidas no seio do trabalho social?”. Soa como elogio, mas, pelo contrário, é exatamente esse espanto que permeia a retórica anti-industrial e antimoderna desde os tempos do Romantismo até a era atual da militância verde.
Segundo essa mensagem, a Terra está sendo “ferida” pela ganância burguesa, aquela classe responsável pelo desencantamento do mundo. A cada tragédia natural, recicla-se um discurso que mal esconde a nostalgia daquilo que se imagina tenha sido o idílico Paraíso oferecido aos homens pela infinita bondade de Deus. No Éden, bastava viver em “harmonia” com a natureza – isto é, bastava aceitar a subordinação à ordem divina e renunciar à capacidade racional de transformar o mundo – para que o homem fosse feliz.
Esse ideal da “harmonia”, como se sabe, é exatamente o que está no âmago do pensamento fundamentalista e totalitário.
Pode ter sido uma vingança das milhares de baleias assassinadas anualmente? Será
E as milhares que morrem nas praias ? Seria um cetáceoicídio ?
responder este comentário denunciar abusoE os milhares de bovinos assassinados para os nossos churrascos?… Prefiro continuar um cúmplice desses assassinatos e continuar nos churras & cerveja.
responder este comentário denunciar abusoÉ pouco provável que uma acomodação de placas tectônicas tenha algo relacionado com a ação antrópica – muito menos com uma ação divina. Ao contrário do que ocorre com o aquecimento global, esse fenômeno sim, provavelmente, se deve à ação do “progresso” desenfreado, ganancioso e consumista. Não é preciso um livro sagrado dizer que a natureza humana é predadora com laivos de perversidade. Basta analisar a História. Um exemplo concreto está nas primeiras páginas dos jornais. É uma aberração um país “adiantado” como o Japão construir usinas nucleares no chamado “circulo de fogo do Pacífico”. Ou seja, se existir um deus, o problema aí não deve ser creditado a ele.
Será se entendi direito o japoneses não acreditam em Deus, pelo menos no nosso e foi tudo por agua abaixo, é isso. Tipo assim uns cananeus?
Guterman,
estava inspirado hein?!
SIm, o homem esta’ envenenando a natureza, nao resta duvida.
E’ responsavel pelo “global warming”? Talvez sim, talvez nao. Os dados sao incocnlusivos neste momento. Muitas variaveis…
o ocorrido e o que ira ocorrer eh resultado implacavel da 2da lei da termodinamica e do acaso, nos inclusive.
o nosso controle sobre a natureza eh limitadissimo e nos custa admitir que nao temos o controle quando acontecem eventos como o descrito, mas eh parte da vida.
Estou aqui lembrando dos tantos evangélicos insuportáveis que conheço (notem que não estou dizendo que todo evangélico é insuportável) que, nessas horas, sempre vêm com o argumento da “Tribulações”… Fundamentalistas e totalitários. Exatamente como George W. Bush.
Caro Guterman. Como é de praxe, você sempre procura fazer ironia com as ideologias de esquerda, até em assuntos de dasastres ambientais.
Você se esquece que o capitalismo selvagem, este sim, é o principal responsável pela atual forma predatória do homem lidar com a natureza.
E não me venham com esse papo idiota de que é possível conciliar capitalismo e meio ambiente, sendo ele o grande responsável por tudo isso.
ai que saudades da ussr !!!
responder este comentário denunciar abusoGovernos não são rigorosos consigo mesmos. O acidente de Chernobyl aconteceu por causa de uma conjunção de irregularidades que foram toleradas pela ditadura comunista. Se pelo menos existisse imprensa livre e oposição na Ucrânia daquela época…
responder este comentário denunciar abusoBen
‘Se pelo menos existisse imprensa livre e oposição na Ucrânia daquela época…”
No Japão existe e não adiantou coisa nenhuma, as operadoras de usinas nucleares no Japão fizeram de tudo para tapear, falsificar relatórios e esconder acidentes, o resultado estamos vendo, seguindo a tática do salaminho.
Uma fatia de verdade de cada vez.
Bernardo: São duas situações distintas. Chernobyl alcançou a escala máxima de um desastre em um usina nuclear (7). O motivo foi falha humana e falta de dispositivos de segurança. No Japão dizem que a escala é de 4 ou 5 e o que desencadeou o desastre foi um terremoto fortíssimo.
responder este comentário denunciar abusoBen
São causas distintas, sem dúvida, mas da mesma forma que Chernobyl foi construído com falhas, teve gente claramente incompetente na coordenação do teste onde ocorreu o acidente, tudo isto com a cobertura do regime comunista, no Japão estavam operando uma usina com padrão de segurança ultrapassado, dentro de uma área de alto risco e agora, pelo menos até onde posso perceber, o esquema de informação não difere muito daquele que foi praticado pela falecida URSS.
Até onde pude verificar foi o Tsunami que avariou o fornecimento de energia de emergência, até as explosões os prédios estavam intactos, difícil está sendo aceitar o fato de que, mesmo com os riscos que sabiam existir, não terem aperfeiçoado ou garantido a questão mais crucial da operação de uma josta destas, a refrigeração do núcleo do reator.
Tecnicamente você está correto, são situações distintas, mesmo as consequências creio que serão menores no caso japonês, tudo indica isto, mas o trigger da coisa é sempre o mesmo, ganância , ignorância e arrogância, quer de pessoas quer de grupos.
No final das contas existe sempre o “risco residual”, e no caso de usinas nucleares as consequências são tão sérias que penso ser melhor viver sem elas.
responder este comentário denunciar abusoFalecida URSS? Tem gente que continua achando que a estatização da economia e o autoritarismo político podem solucionar todos os problemas da sociedade.
responder este comentário denunciar abusoBernardo,
Teus argumentos parecem estar corretos …. provavelmente vc deva ter lido ou acessado o site da wikileaks …
responder este comentário denunciar abusoBernardo,
Tens toda a razão …. veja o artigo abaixo:
” … Wikileaks, site de divulgação de informações consideradas sigilosas, vazou um documento que denuncia que o governo japonês já havia sido avisado pela vigilância nuclear internacional que suas usinas poderiam não ser capazes de resistir a terremotos. O relatório, assinado pelo embaixador Thomas Schieffer obtido pelo WikiLeaks foi publicado hoje pelo jornal britânico, The Guardian.
O documento revela uma conversa de dezembro de 2008 entre o então deputado japonês, Taro Kono, e um grupo diplomático norte-americano teria durante um jantar. Segundo o relatório, um membro da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) disse que as normas de segurança estavam obsoletas para aguentar os fortes terremotos, o que significaria “um problema grave para as centrais nucleares”. O texto diz ainda que o governo do Japão encobria custos e problemas associados a esse ramo da indústria.
Diante da recomendação da AIEA, o Japão criou um centro de resposta de emergência em Fukushima, capaz de suportar, apenas, tremores até magnitude 7,0. ….” A5V4
responder este comentário denunciar abusoModesto
Na verdade li pouco, ou quase nada daquilo que foi revelado pelo Wikileaks, neste caso penso que é só uma questão de somar 2 + 2.
Ben
Técnica e radicalismo ideológico são coisas que não combinam, no caso da opção nuclear existem defensores nos dois lados do espectro, direita ou esquerda, capitalistas ou comunistas, na minha forma de ver as coisas ambos são obscurantistas, não se importam com nada ou ninguém desde que se mantenham no poder ou controle.
guterman, ja que voce fala em negacao do homem,, copio trecho da entrevista da folha com o chefe de imprensa do governo do ira e conselheiro importante do ahmadinejad:
”
P:É verdade, como diz o presidente Ahmadinejad, que não há gays no Irã?
R:Não temos.
P:É o único país do mundo que não tem gay?
R:Na República Islâmica do Irã, não há.
”
isso eh que eh negacao para valer. o resto eh resto.
complemento: http://www.reuters.com/article/2011/03/14/us-iran-rights-un-idUSTRE72D6KI20110314
Eu sempre achei que o Ahmadinejad é gay. Realmente acho isso. Só isso explicaria tanta repulsa.
responder este comentário denunciar abuso“Estou aqui lembrando dos tantos evangélicos insuportáveis que conheço (notem que não estou dizendo que todo evangélico é insuportável) que, nessas horas, sempre vêm com o argumento da “Tribulações”… Fundamentalistas e totalitários. Exatamente como George W. Bush.”
E’ isso mesmo amiga Carolina. Isso e’ apenas oque nos chamamos de principios das dores.. Se o mundo esta alarmado com essas pequenas convulcoes oque dirao quando realmente vier a verdadeira dor do parto? Oque ocorreu no Japao e’ um gota d’agua num balde comparado com oque vai ocorrer em breve na costa oeste americana, onde praticamene milhoes de vidas serao ceifadas e as aguas do oceano pacifico alcancarao ate ao estado do Kentuck. Mas como na epoca de Noe, amiga Carolina (e vc tbm Dr. Massa achou que iria escapar dessa hein?) a mesma agua que condenou o mundo foi a fonte de salvacao a Noe e sua familia. Aguardem pois o big one da california vai torcer o eixo da terra e o mundo todo sera afetado nunca mais sera’ o mesmo. Nesse dia provavelmene Mensgeiro sera’ lembrado por muitos zombadores desse blog.
Guterman, excelente post nao e’ atoa que vc e o melhor(embora nao concordo contigo e muitas coisas) de todos esses blogueiros do estadao.
Carolina leia Mateus 27 e lembra. Jesus Cristo e’ o mesmo ontem, hoje e eternamente. Aquele que vem a Ele, jamais sera rejeitado. Crer no Senhor Jesus Cristo e sera’ salvo tu e tua casa. O tempo se aproxima.
Mensageiro, já li todos os Evangelhos e sempre me emociono, mas acho, com todo o respeito, que evangélicos como você alcançariam o objetivo proselitista muito mais rapidamente se parassem de ficar buzinando no ouvido das pessoas. Acho que a melhor forma de “dar o testemunho” é pelo exemplo, isto é, sendo cristão, tendo atitudes de solidariedade e compaixão e, sobretudo, de respeito à diferença, que era algo que Jesus tanto apreciava. Proselitismo agressivo não funciona comigo e com nenhuma das pessoas que conheço. Ao contrário, eu só vejo as pessoas (da minha classe social, pelo menos) tomando cada vez mais aversão por evangélicos, que são sempre tidos como chatos e inconvenientes – o que não é verdade.
responder este comentário denunciar abusoO Rossi culpou Gaia e sua biografia podia passar sem essa. A FoxNews falou que a culpa era da lua, que parece que está na máxima aproximação em décadas. Rousseau culpou quem construiu onde não devia. Alguém tem que ser o culpado.
Desculpe, mas seu discurso é pouco ou nada científico e extremamente ideológico e omite alguns dados reais e concretos: a capacidade de o planeta suportar a exploração de seus recursos e emissões constantes de poluentes de origem gasosa, líquida e sólida já está em seu limite de suporte ou praticamente já foi ultrapassado.
Independente de ira divina ou diabólica, é fato que a Natureza -força criadora no planeta que opera em todos os reinos- está numa condição cada vez mais distante ao que se considera seu estado de homeostase. Isso já vem desde a Revolução Industrial, havendo sido intensificado ad infinitum com a globalização e a entrada da China e Índia no jogo econômico, que criou a corrida mundial por um enriquecimento material e energético em todas as nações.
Vale a pena ler sobre a hipótese Gaia, de James Lovelock, para entender que a Natureza, através de seu instrumento -o planeta Terra-, vem buscando reencontrar seu equilíbrio. E, para isso, se for preciso elevar temperaturas no Hemisfério Norte; extinguir espécies; desertificar florestas, ou devastar o que houver pela frente, ela (a Natureza) o fará, sem sombra de dúvida, até atingir seu ponto de equilíbrio. Essa é, chamemo-la assim, um tipo de harmonia intrínseca à própria Natureza, e nada tem que ver com perorações ideológicas ou bobagens pseudoteológicas.
Sobre as palavras de Voltaire -que, aliás, morreu colocando seus próprios dejetos pela boca, o que é uma metáfora adequada para o tipo de pessoa que ele foi, em vida-, vale lembrar que a Natureza, assim como a Justiça, é um tipo de força ‘cega’, que não discrimina homens, mulheres e crianças e leva de roldão tudo o que vem pela frente. Deus nada tem que ver com isso. O ser humano começa a pagar um preço cada vez mais elevado pelo modelo de vida que optou, sem qualquer planejamento no uso dos recursos e nas emissões que provoca. Chamar quem denuncia isso de “fundamentalistas, totalitaristas etc” é um equívoco gigantesco, e prova de desconhecimento do que a comunidade científica, em quase uníssono (as exceções são os defensores do status quo industrial), propala hoje em todo o planeta.
O que se sabe, no seio da comunidade científica, é que já vivemos os tempos do aquecimento global e que não haverá retorno da era à qual já adentramos. O que acontecerá, possivelmente, serão adequações à nova situação. Ou seja: o ser humano terá que, ao mesmo tempo em que busca novas formas de reduzir seus impactos sobre o meio ambiente, encontrar formas de se adaptar aos efeitos do aquecimento global sobre os diferentes ecossistemas nos quais está inserido. Há grande probabilidade de mais desastres e grandes deslocamentos humanos, por todo o planeta. É previsto o desaparecimento de países como Bangladesh ou Ilhas Maldivas, por exemplo.
Quem conhece ou trabalha na área agrícola, no Brasil, sabe do que estou falando, pois o impacto do aquecimento global já é sentido de maneira consistente no setor, que começa a planejar-se. Quem tiver dúvidas, consulte especialistas na área, como os da Embrapa. Tudo mudou: desde o regime de chuvas (mais concentrado, com precipitações mais intensas em espaços mais curtos de tempo), até as florações de diversas culturas, que já não atendem às estações como antigamente. Isso não é bíblico ou “chutado”, mas algo medido, analisado e com consequências práticas na atividade do campo. É preciso, portanto, planejar-se e criar planos de contingência para superar as situações decorrentes.
Querelas ideológicas, seja por parte de liberais seculares ou de malucos fundamentalistas, que reivindiquem iras divinas ou diabólicas ou o risco de totalitarismos, não podem servir de objeção ou justificativa para que a criação de planos de contingência contra catástrofes entrem na pauta de governos de todo o mundo. È importante -urgente!- prevenir-se. Igualmente, é fundamental que o pensamento e a cultura da sustentabilidade passem a fazer parte do dia a dia dos cidadãos, colocando freios à ilimitada ganância humana sobre os recursos planetários, ensinando a necessidade na redução de consumo e produção em escala global. O pensamento de crescimento contínuo, somando mais e mais percentuais ano a ano, representa apenas a aceleração rumo ao abismo.
Em resumo: ninguém muda fazendo sempre as mesmas coisas. O ser humano deve mudar, ou sofrer as consequências por suas opções, até aqui egoístas, inconscientes e inconsequentes. È importante virar o jogo. E o ser humano dispõe de tecnologia e recursos científicos para começar já a corrigir seus erros e intervenções sem planejamento. Viver de forma sustentável, mensurando e reduzindo impactos, esse é o Paraíso que, hoje, deveríamos almejar, crentes, ateus, pretos, brancos, amarelos, azuis, cor-de-rosa, ou seja: todos os que desejam um planeta (ainda) habitável.
Em tempo 1: Não há ainda quaisquer indícios que o desastre ocorrido no Japão tenha sido consequência direta ou colateral do aquecimento global.
Em tempo 2: As bases religioso-filosóficas para a exploração e dilapidação ilimitadas do planeta Terra podem ser encontradas na cultura judaico-cristã. Basta ler o Gênesis, com seu “crescei e multiplicai-vos”; e que recomenda aos habitantes do admirável novo mundo “que explorem e reinem sobre todas as outras espécies”. Depois, os cristãos protestantes, conforme mostrou Max Weber, com sua cultura do trabalho para ganhar o paraíso pela realização material. E a Revolução Francesa (revolução das idéias), que estabeleceu os direitos do indivíduo sobre a coletividade; e a Revolução Industrial (revolução das máquinas), que trouxe a capacidade de explorar e transformar quase que ilimitadamente os recursos planetários, serviram de instrumentos para chegarmos até onde chegamos.
” … é fato que a Natureza -força criadora no planeta que opera em todos os reinos … para entender que a Natureza, através de seu instrumento -o planeta Terra-, vem buscando reencontrar seu equilíbrio …”
Deixa ver se eu entendi : A Natureza é uma força criadora no planeta, que usa o planeta como seu instrumento para reencontrar o seu equilibrio.
E o discurso do Guterman é que é pouco ou nada científico ?
responder este comentário denunciar abusoRicardoR, Natureza é um termo genérico, que, em latim, grego e alemão, designa não apenas animais e plantas, mas também fenômenos do universo físico (como ações do clima, fisiologia, geologia e mesmo matéria e energia). Não é um mero sinônimo do planeta Terra como um organismo vivo, como, por exemplo, explica James Lovelock, que resgatou a hipótese Gaia dos gregos.
Há farta literatura disponivel em muitos idiomas sobre aquecimento global, hipótese Gaia, conceito de Natureza/Natura. Basta pesquisar e informar-se para não falar nem perguntar tolices. Percebe-se claramente que você não é da área e tem dificuldades de entender o óbvio.
Sds
responder este comentário denunciar abusoÉ só mostrar as incoerências no argumento que partem para a agressão. Normal. Parece que quem está precisando ler e se informar é você.
responder este comentário denunciar abusoNão tem “incoerência” (sic), nem ataque algum, exceto o seu, típico de quem tenta desqualificar os outros, sem ter base ou conhecimento para isso, sendo incapaz de acrescentar nada, em nenhum nível. Se você provoca, deve estar preparado para a réplica.
Aprenda: conceitualmente, Natureza é uma coisa e planeta Terra é outra. A Natureza atua na Terra, assim como no corpo humano e mesmo nos corpos celestes. Provavelmente você jamais ouviu falar, mas existe um ramo do conhecimento destinado a estudar a Natureza, recebendo o nome de Ciências Naturais. As Ciências Naturais estão divididas em Astronomia, Biologia, Física, Química e Geologia. Mas você deve achar que “Natureza” são apenas plantinhas e animais. Se você fosse um cara inteligente, questionaria se Natureza é apenas um conceito genérico ou uma força formativa única que atua nos diversos campos da matéria, seja ela viva ou inanimada, com manifestações diferentes. Pois essa é uma das perguntas tanto de boa parte da Filosofia quanto da Ciência, em relação ao que seria a “natureza” da Natureza. Por isso, na Grécia e em outras culturas, confundia-se a Natureza com a própria divindade. Mas isso já é demais para você, certo?
E minhas referências não são de “Internet”, não. Essas ficam para ignorantes pretensiosos, que têm a cara de pau de tentar contestar o que desconhecem. As referências são Aristóteles, Lucrécio, Tomás de Aquino, Leibniz, Spinoza, Newton, Einstein, David Böhm, Rupert Sheldrake, James Lovelock, Francisco Varela e Humberto Maturana, dentre alguns outros.
responder este comentário denunciar abuso“Não tem “incoerência” (sic)i”
Como não, vc diz que o post do Guterman não é cientifico e vem com um papo de Natureza usando o planeta como instrumento para estrar em equilibrio.
“nem ataque algum, exceto o seu,”
Eu não ataquei no primeiro post, apenas apontei uma incoerencia. Como vc resolveu baixar o nivel atacando ao dizer que eu não sei do que estou falando retribui na mesma moeda.
“típico de quem tenta desqualificar os outros”
Você lê o que vc escreve, porque quem está tentando desqualificar é vc com esse papo de sei tudo, vc n saber nada.
“Aprenda: conceitualmente, Natureza é uma coisa e planeta Terra é outra. A Natureza atua na Terra, assim como no corpo humano e mesmo nos corpos celestes.”
Se vc diz que é deve ser verdade, certo ?
“Mas você deve achar que “Natureza” são apenas plantinhas e animais. Se você fosse um cara inteligente, questionaria se Natureza é apenas um conceito genérico ou uma força formativa única que atua nos diversos campos da matéria, seja ela viva ou inanimada, com manifestações diferentes.”
De novo o papo de sou inteligente, vc não. Repetitivo, não ? E essa definição de natureza vc chegou após ter fumado o que mesmo ?
“Pois essa é uma das perguntas tanto de boa parte da Filosofia quanto da Ciência, em relação ao que seria a “natureza” da Natureza. Por isso, na Grécia e em outras culturas, confundia-se a Natureza com a própria divindade. Mas isso já é demais para você, certo?”
E demais para qualquer pessoal normal, mas continue …
“E minhas referências não são de “Internet”, não. Essas ficam para ignorantes pretensiosos”
Cara, não sei se vc percebeu mas quem tá bancando o pretensioso é você.
1-(…)”e vem com um papo de Natureza usando o planeta como instrumento para estrar em equilibrio.”
‘Estrar’ (sic)? Não sabe sequer escrever, como quer saber ler?
Eis o que escrevi:
(..) “é fato que a Natureza -força criadora no planeta que opera em todos os reinos- está numa condição cada vez mais distante ao que se considera seu estado de homeostase.”
(…) “Vale a pena ler sobre a hipótese Gaia, de James Lovelock, para entender que a Natureza, através de seu instrumento -o planeta Terra-, vem buscando reencontrar seu equilíbrio. E, para isso, se for preciso elevar temperaturas no Hemisfério Norte; extinguir espécies; desertificar florestas, ou devastar o que houver pela frente, ela (a Natureza) o fará, sem sombra de dúvida, até atingir seu ponto de equilíbrio.”
2- Cite alguma referência sobre o que é (ou não é) a Natureza. Autor e obra. Você não foi capaz de contestar uma só das considerações que fiz. Só ironizar com base na própria ignorância, como se fosse um aborígene que dissesse ser impossível voar a um piloto de avião, apenas por desconhecer a existência do avião.
3- Definições de Natureza que corroboram o que escrevi: “Física”, de Aristóteles; “Si la naturaleza es la respuesta, cuál era la pregunta?” e “La rebelión de las formas”, do físico espanhol Jorge Wagensberg; “Ponto de Mutação” e “Tao da Física”, de Fritjof Capra; “Uma nova ciência da vida – A hipótese da causação formativa”, de Rupert Sheldrake; “Gaia – um novo olhar sobre a vida na Terra”, de James Lovelock.
Consulte “Física”, de Aristóteles, definição de “Natureza e natural” no Livro II.
4- Se baixei o nível, foi para ficar no seu mesmo patamar.
5- Fumar? Fumo e drogas não fazem parte de meus hábitos ou vícios. Já basta ter que aguentar drogas vivas (?) como você.
responder este comentário denunciar abusoMarcio, você deu uma verdadeira aula aqui, mas podia se lembrar que a maioria dos participantes nao é cientista e nem da sua área.Nosso debate é mais filosófico que científico. Nao agrida o Marcos Guterman, para mim ele é bastante bom no que escreve.
responder este comentário denunciar abusoBom dia, Anna H. Não agredi o Marcos Guterman, não teria porque fazer isso. Só considero que o texto dele tem os mesmos defeitos que ele aponta nos outros: é tão ideológico e tem até mesmo um pendor fundamentalista (embora com uma visão laica-liberal extremada) quanto aquilo que ele critica.
O fato é que nenhum tipo de crítica pode engessar a ascensão de uma nova forma de pensar e se relacionar com o mundo -a sustentabilidade-, nem impedir a necessidade de se agir imediatamente para minimizar o que vem pela frente e que já chegou, na verdade. Outro ponto importante é que os direitos do indivíduo já não podem mais ser ilimitados, seja na exploração dos recursos naturais, do enriquecimento sem fim etc. Essas são algumas das heranças tanto da Revolução Francesa quanto da Industrial que precisam ser repensadas. É importante entender que limitar a capacidade do ser humano de dilapidar os recursos naturais e destruir o próprio planeta não é sinônimo de totalitarismo, romantismo ou coisa que o valha, nem imposição de harmonia alguma. É questão de sobrevivência.
È importante ter abertura de mente e não se apegar a clichês, sejam de ordem religiosa ou secular. È preciso rever a visão de conquista da Terra, substituindo-a pela de parceria: ou seja, você toca, mexe, modifica, mas jamais esgota ou atinge limites.
(…)”a noção de que há terras sobrando para plantar biocombustíveis ou para abrigar usinas eólicas é ridícula. Nós faremos o possível para sobreviver, mas infelizmente eu não consigo ver os EUA ou as economias emergentes da China e da Índia voltando no tempo – e eles são as maiores fontes de emissões. O pior vai acontecer, e os sobreviventes terão de se adaptar a um clima infernal.
Talvez o mais triste seja que Gaia perderá tanto quanto ou mais do que nós.
Não só a vida selvagem e ecossistemas inteiros serão extintos, mas na
civilização humana o planeta tem um recurso precioso. Não somos meramente
uma doença; somos, por meio da nossa inteligência e comunicação, o sistema
nervoso do planeta. Através de nós, Gaia se viu do espaço, e começa a
descobrir seu lugar no Universo.
Nós deveríamos ser o coração e a mente da Terra, não sua moléstia. Então,
sejamos corajosos e paremos de pensar somente nos direitos e necessidades
da humanidade, e enxerguemos que nós ferimos a Terra e precisamos fazer as
pazes com Gaia. Precisamos fazer isso enquanto somos fortes o bastante para
negociar, e não uma turba esfacelada liderada por senhores da guerra brutais.
Acima de tudo, precisamos lembrar que somos parte dela, e que ela é de fato
nosso lar.
James Lovelock
http://www.mudainstituto.com.br/pdf/James%20Lovelock%20A%20vingan%C3%A7a%20de%20Gaia.pdf
responder este comentário denunciar abusoAh, Anna H., a rispidez de minhas palavras se dirigiram ao comentarista RicardoR., que estava a fim de “tirar casquinha”, sem ter recursos ou conhecimento para isso. Vi a forma arrogante como ele se comportou com outros comentaristas, e não ia dar mole para uma pessoa que age dessa forma. O resto foi consequência.
Abs
responder este comentário denunciar abuso“‘Estrar’ (sic)? Não sabe sequer escrever, como quer saber ler?”
Nossa, quanta inteligência, ele achou um erro de digitação.
“(..) “é fato que a Natureza -força criadora no planeta que opera em todos os reinos- está numa condição cada vez mais distante ao que se considera seu estado de homeostase.”
(…) “Vale a pena ler sobre a hipótese Gaia, de James Lovelock, para entender que a Natureza, através de seu instrumento -o planeta Terra-, vem buscando reencontrar seu equilíbrio. E, para isso, se for preciso elevar temperaturas no Hemisfério Norte; extinguir espécies; desertificar florestas, ou devastar o que houver pela frente, ela (a Natureza) o fará, sem sombra de dúvida, até atingir seu ponto de equilíbrio.”
Vale a pena ler Richard Dawkins, esta Teoria Gaia só é aceita entre ambientalistas, mistícos e new ages. A comunidade científica séria não dá muito crédito
“2- Cite alguma referência sobre o que é (ou não é) a Natureza. Autor e obra. Você não foi capaz de contestar uma só das considerações que fiz. Só ironizar com base na própria ignorância, como se fosse um aborígene que dissesse ser impossível voar a um piloto de avião, apenas por desconhecer a existência do avião.”
Você não aceita uma contestação e parte para a agressão chamando os outros de ignorantes, quem é o ignorante aqui ?
“4- Se baixei o nível, foi para ficar no seu mesmo patamar.”
Você baixou o nível primeiro, então estamos no seu patamar.
“5- Fumar? Fumo e drogas não fazem parte de meus hábitos ou vícios. Já basta ter que aguentar drogas vivas (?) como você.”
Então se mate, porque estou aqui só por alguns posts mas você tem que aguentar uma droga como você todo o dia, deve ser muito díficil.
Não vou continuar com essa discussão.
responder este comentário denunciar abusoAgora percebo que, além de arrogante, você é picareta.
1- Estou aguardando sua definição de Natureza (ou o que a Natureza não é). Autor(es) e obra(s). Citei algumas, inclusive mencionando trechos para leitura. As suas, por favor. Desafio a que você o faça.
2- A Hipótese Gaia já sofreu diversas revisões e críticas desde a abordagem original, por Lovelock e Margullis, mas hoje é aceita, modificada, na própria ciência ecológica, sendo chamada também de geofisiologia ou Sistema de Ciências Terrestre. Sem dúvida, a “comunidade científica séria” desacreditou a Hipótese Gaia…sem dúvida, sem dúvida (hehe). Aqui o que a NASA (conhece?) diz a respeito:
E
http://science.nasa.gov/media/medialibrary/2010/03/31/ESE_Strategy2003.pdf
E
http://serc.carleton.edu/introgeo/earthsystem/nutshell/index2.html
“Earth system science embraces chemistry, physics, biology, mathematics and applied sciences in transcending disciplinary boundaries to treat the Earth as an integrated system and seeks a deeper understanding of the physical, chemical, biological and human interactions that determine the past, current and future states of the Earth. Earth system science provides a physical basis for understanding the world in which we live and upon which humankind seeks to achieve sustainability.”
responder este comentário denunciar abuso“As aguas do oceano pacifico alcancarao ate ao estado do Kentuck”
Ou você está confundindo onde fica o Kentucky ( do outro lado, quase no oceano atlântico ) ou então o que você anda fumando é muito bom : )
Já estamos esperando um comentário Chavista dizendo que o que aconteceu no Japão é culpa dos norte americanos que fizeram algum teste esplosivo.
Chaves fora, uma dúvida é por demais preocupante: Após 11/03 (dia do terremoto no Japão 9 na Richter), 40 tremores concentram-se praticamente no mesmo local e as outras partes do mundo, mesmo as mais sujeitas ao fato, simplesmente silenciaram.
E são locais de constantes e diários movimentos ( Indonésia e arredores).
Todos os 40 movimentos na área nipônica são de intensidade entre 4 e 7 até agora.
Qual a próxima surpresa que o Círculo de Fogo, nos dará ?
Estes relatórios são da USGS.
Foi tão Explosivo que foi com “s”.
Caracas….
responder este comentário denunciar abuso.
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Conversa entre leitores
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- Você acha que Deus sempre tem culpa de tudo?
- Bem, Ele não mandou Moisés abandonar o politeísmo para viver em Canaã?
- Mas o profeta não avaliou tudo, antes de fazer essa troca?
- E por que você pensa que ele passou 40 anos peregrinando pelo deserto?
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leva tempo localizar o unico lugar no oriente medio que nao tem uma gota de petroleo. palavras da golda.
responder este comentário denunciar abusoMuita besteira tem sido dita.
A terra já passou por várias eras, como a do gelo, por exemplo, com mudanças climáticas brutais.
Atualmente a inclinação do eixo de rotação da terra está se alterando rapidamente, e esse é o principal fator responsável pelas mudanças climáticas que observamos. A documentação respectiva é farta na internet, basta procurar.
Mas essa informação é sistematicamente abafada porque vai contra o discurso politicamente correto da inteligentzia esquerdopata sobre o aquecimento global causado pelo ocidente caitalista malvado.
Engraçado que nenhum desses vagabundos menciona a China, e as atrocidades ecológicas praticadas pelo regime comunista.
E a quantidade de gases estufa lançados na atmosfera nos últimos séculos, não tem influência nenhuma? Documentação de que fontes? Acho que a questão é muito mais abrangente e séria que picuinhas entre esquerdopatas e direitopatas.
Obs.: sou politicamente in-correto.
“Atualmente a inclinação do eixo de rotação da terra está se alterando rapidamente.”
Como falam bobagens, eixo de rotação da terra está se alterando rapidamente ???
A alteração do eixo de rotação é um processo que leva milhares de anos.
“E esse é o principal fator responsável pelas mudanças climáticas que observamos.”
Claro, e um processo que leva milhares de anos resolveu dar uma acelerada justo agora só para atender as suas expectativas.
“A documentação respectiva é farta na internet, basta procurar.”
Existe documentção farta na internet para tudo desde gnomos e fadas até ovnis. O fato de estar em abundancia na internet não diz nada.
“Mas essa informação é sistematicamente abafada porque vai contra o discurso politicamente correto da inteligentzia esquerdopata sobre o aquecimento global causado pelo ocidente caitalista malvado.”
Que viagem. Uma das principais vozes que chamam a atenção para o problema do aquecimento global é o Al Gore. Ele também é um esquerdopata que acusa o ocidente capitalista malvado de causar o aquecimento global ???
“Engraçado que nenhum desses vagabundos menciona a China, e as atrocidades ecológicas praticadas pelo regime comunista.”
E esta viajando de novo, todos os que estão atentos ao problema do aquecimento global sabem que India e China são um dos principais problemas, porque vai ser complicado conciliar o crescimento desses dois paises com uma política de preservação. Pricipalmente a China que não ouve ninguém e faz o que bem entende.
Quem lhe disse que a China é um país comunista? Há tempos que eles aderiram a economia de mercado.
Claro que as mudanças climáticas têm relacionamento direto com o capitalismo,o agronegócio, isso é óbvio.
Guterman,
foi a CIA trabalhando com o Mossad, deu no Al Jasera!
RicardoR.
O Al Gore é esquerdopata, assim como o Barack Hussein, o Clinto, o Carter, o Kissinger. Só porque são americanos não quer dizer que não possam ser esquerdopatas. Ops.
Correção.
O vagabundo do Barack Hussein sequer americano é.
É queniano. Tanto é, que ele moveu céus e terras para se furtar a mostrar sua certidão de nascimento original, além de ter bloqueado o acesso a todos os seus registros biográficos. Que é que ele teria a esconder?
RicardoR, nao to fumando nada. E’ isso mesmo o continente americano sera’ reduzido quase a metade. O mundo todo sera abalado sera’ o comeco do fim. Quem viver vera’. Dr. Massa ainda ha tempo. GET OUT NOW! DON’T BE CAUGHT IN THIS MESS.
Correto Guterman. Ideal do pensamento fundamentalista e autoritário. Presente na vida do ser humano desde os tempos das cavernas. Presente inclusive nas coisas mais infantis como não ganhar presente de Papai Noel caso não seja uma boa criança durante o ano todo. Enquanto isto a natureza segue seu curso se desiquibrando e achando um novo equilíbrio, onde tudo e todos sentem e participam de uma forma ou outra. E o ser humano sabiamente tira seu proveito destas horrendas experiências para interesses próprios e incrivelmente cruéis como a própria desgraça que os envolvem.
Voce esta certo…o totalitarismo e o fundamentalismo odeia as mudanças..e a liberdade.
Profundo teu texto….mas é uma visão critica e real
Abraços.
O homem nunca será feliz, porque é imperfeito ! Essa conclusão nem é minha, é o que se deduz ao ler a Bíblia, é o que se deduz também quando lemos obras científicas e,mesmo aqueles gênios que sabem tudo, chegam um momento em que não conseguem ir em frente,ficam emperrados e só conseguem gaguejar. Por isso acredito em um SER supremo, aquele que É (simples assim) e está fora de qualquer julgamento humano.Quem somos nós ? Ao nos depararmos com catástrofes da grandeza do terremoto + tsunami + perigo nuclear que acontece no Japão, é impossível não nos sentirmos vulneráveis e f… (desculpe a força de expressão). Achamos que só acontece
com os outros. Até o dia em que nos encontramos também no meio de uma tragédia. É risível mas muito sério ao mesmo tempo.O homem tem que ser responsável ao viver em coletividade, tem que pensar duas vezes antes de construir o perigoso.Não se agarrar a Deus de maneira irresponsável, deixando tudo nas mãos dele. Com certeza esse Deus está se lixando e desde o começo de tudo, quando éramos apenas um projeto, digamos assim, ele disse ‘e que se virem’. Estamos ‘nos virando’ mas mal, muuito mal.Quero aproveitar a oportunidade para declarar que sou fã do Greenpeace, essa organização não muito conhecida no mundo,mas que vem alertando sempre para os perigos que devemos evitar. Temos que escutar alguém que fale para nosso bem,afinal !
PS: Guterman, seu parágrafo final não entendi bem.Será que quer dizer que todo pensamento religioso é totalitário ? E o amor, é o que ?
Olá, Anna
De certa maneira, todo pensamento fundamentalista religioso é totalitário, na medida em que não aceita o contraditório, se enxerga como única via de entendimento do mundo e tem como ideal a “harmonia” entre todos os homens, isto é, a superação das diferenças – que são, justamente, a grande riqueza humana.
responder este comentário denunciar abusoGuterman, o amor a sí e aos outros também faz parte dessa harmonia, nao ? E é exatamente o que prega a religiao (em geral,pode ser que o satanismo já seja considerado religiao), porque sem ele nao existe harmonia.Quando você pretende fazer um bem, isso é harmonia que traz. Concórdia, pacificaçao,amor. Mas o fator da diferença é também importante,ao meu ver, porque é um direito do homem ser diferente dos seus semelhantes. Mas diferente em que ? Um bandido é diferente, de certa maneira. Já a cultura e os costumes de um povo devem ser respeitados, no entanto precisam ser mudados de tempos em tempos, até por questao de sobrevivência. Ou você pensa que nossos índios deviam ficar eternamente usando arco e flecha e andando seminus ? Se fosse assim nao evoluiríamos nunca. E a democracia foi criada para garantir os direitos e liberdades individuais,mas ela nao pode impedir que o homem procure viver em harmonia com seus semelhantes, buscando uma soluçao para os conflitos, etc. Nao sei se me fiz entender.
Em tempo: nao acredito que o fundamentalismo na religiao procure a harmonia, e sim a tensao e a guerra.
Senhores,
Realmente vivemos tempos de preocupações ambientais sem precedentes. Já está em marcha a maior extinção de espécies desde que a vida existiu na Terra (até o momento, se fizermos a contabilidade em número de espécies. Em termos de percentual das espécies existentes essa ainda não é a pior de todas; isso porque nossa época é mais rica em biodiversidade do que qualquer período anterior). A atmosfera é uma estrutura extremamente fina e responsável por um equilíbrio assombroso.
A hipótese de Gaia tem o mérito de mostrar como as relações da natureza são complexas e intrincadas, mas peca gravemente ao dar margem para a idéia de “intenção”. O aumento de nevens devido a um aumento de temperatura, que tede, devido ao branco das nuvens, a aumentar a reflexão da Terra e assim resfriar o ambiente, não tem nada de intencional. Nada. A natureza não está “tentando” manter o equilíbrio de nada. Está cegamente se comportando como se comporta qualquer copo de água em qualquer lugar; Se nosso planeta, porém, não apresentasse uma estrutura em que o funcionamento da natureza apresenta características de equilíbrio, certamente não estaríamos aqui para contar história, simples assim.
Agora… se por um lado devemos nos preocupar com as ações humanas, que hoje tem poder sem precedentes de afetar toda a biosfera, precisamos manter a cabeça no lugar…
Terremotos acontecem o tempo todo. Ao menos um tsunami de proporções significativas é registrado TODO ANO (ver Fundamentos de Oceanografia, de Tom Garrison). Eventualmente um desses tsunamis ganha proporção maior e causa estragos significativos. E mais esporadicamente ainda essa proporção maior é realmente devastadora e, por azar, atinge áreas habitadas. Esse azar, é claro, é cada vez mais provável, uma vez que a ocupação humana no globo é cada vez mais abrangente. É cada vez mais difícil para um tsunami encontrar um pedaço de continente vazio para inundar em paz.
Quanto às suposições de que são as ações humanas que causam os tsunamis… Qual seria a relação entre o aquecimento global e o comportamento das placas tectônicas? Mudar a temperatura média da atmosfera em meio grau afetaria como a temperatura interna do ínterior da Terra, cuja fonte é distinta? (a atmosfera e as camadas iniciais da crosta recebem calor do sol, ao passo que a parte “derretida” do núcleo recebe calor interno da Terra, devido à pressão do peso da Terra sobre si mesma e devido ao calor do material nuclear presente no núcleo terrestre).
Sim, atribuiram vingança divina ao terremoto de Lisboa. Realmente… Um deus que elimina pecadores com uma enorme inuncação que mata sem distinção idosos, crianças, recém nascidos, grávidas, cachorros e as roseiras da janela, ao invés de usar sua onipotência para causar enfartos localizados no peito dos verdadeiros ruins, é ou extremamente sádico e perverso ou absurdamente pouco criativo. Características tão incoerentes com a realidade divina que já bastaria para se demonstrar, por absurdo, que o todo poderoso ou não existe ou foi achar outra coisa pra fazer depois de entregar muito relapsamente a lição de casa da disciplina “Criando Universos Com Vida I – Introdução às Manifestações de Poder”.
A tragédia no japão aconteceu porque a Terra treme. Porque a placa do pacífico avança, em média, algo em torno de 7 ou oito centímetros por ano contra a placa tectônica da Ásia. Parece pouco, mas os continentes vão se comprimindo, se comprimindo, e de repente dão uma “escorregadinha” um sobre os outros. Na escala do planeta, é algo sutil e delicado. Suave até, pode-se dizer. Mas somos seres de menos de 2 metros de altura vivendo sobre camadas de 30.000 metros deslisando umas sobre as outras sobre um manto escaldante. Uma pulga sobre um carro é um gigante mastodôntico se comparado ao que é um humano sobre a crosta terrestre.
Sim, precisamos sempre de um culpado. Precisamos sempre de um culpado porque nosso cérebro, quem diria, tem um ímpedo de desconfiar que há uma causa para tudo. Aparentemente, até agora, há. Só que também temos um ímpeto para achar que a causa é sempre humana, social, inteligível apenas por meio de personagens (vivos, corpóreos ou não, mas sempre cheios de intenções). Nosso cérebro, portanto, não é perfeito. Assim, exige um esforço a mais identificar o “culpado” como uma simples tensão mecânica de um movimento gigante e constante. Parece não ter tanta graça. Achar que o tsunami é culpa de ALGUÉM (a humanidade, os pecadores, os ateus ou os capitalistas ou os socialistas ou, por que não, o Chuck Norris) é sempre muito mais interessante do que apontar como culpada a energia cinética de aproximadament 2.066.000.000.000.000.000 m³ de crosta sob o oceano. Não tem graça, não dá uma manchete arrebatadora de vendas.
As atribuições de culpa, hoje e sempre, em sua assombrosa riqueza de variedade e matizes, vão sempre revelar muito mais sobre os atribuidores (nós) do que sobre a natureza…
Um texto muito bacana publicado originalmente em La Nacion, na Argentina, para desmistificar os idiotas que dizem que o desastre natural no Japão foi uma vingança divina ou qualquer tolice que o valha. Título: “A Terra não está irritada com o Japão”.
http://www.lanacion.com.ar/1357217-la-tierra-no-esta-enojada-con-japon
Marcio Augusto R.
excelente e de alto nível o que você escreveu, inclusive valendo para as suas réplicas e tréplicas. Você demonstra, além de ser profundo conhecedor do tema, possuir considerável cultura humanista.
Seu estilo e combatividade me lembram um outro frequentador do blog, o Jacob Ibrahim.
Parabéns por trazer uma contribuição que ilumina os que procuram de fato um conhecimento maior, ao invés de vaidades e picuinhas descabidas.
responder este comentário denunciar abusoCecília, obrigado. Um abraço!
responder este comentário denunciar abuso[caro revisor, retirei alguns erros grosseiros de digitação; favor deixar apenas esta versão (que pode ainda ter erros, mas menos absurdos, espero)]
Senhores,
Realmente vivemos tempos de preocupações ambientais sem precedentes. Já está em marcha a maior extinção de espécies desde que a vida surgiu na Terra (até o momento, se fizermos a contabilidade em número de espécies. Em termos de percentual das espécies existentes esta ainda não é a pior de todas; isso porque nossa época é mais rica em biodiversidade do que qualquer período anterior). A atmosfera é uma estrutura extremamente fina e responsável por um equilíbrio assombrosamente intrincado e delicado.
A hipótese de Gaia tem o mérito de mostrar como as relações da natureza são complexas e interligadas, mas peca gravemente ao dar margem para a idéia de “intenção”. O aumento de nuvens devido a um aumento de temperatura, que tende, devido ao branco das nuvens, a aumentar a reflexão da Terra e assim resfriar o ambiente, não tem nada de intencional. Nada. A natureza não está “tentando” manter o equilíbrio de nada. Está cegamente se comportando como se comporta qualquer copo de água em qualquer lugar; Se nosso planeta, porém, não apresentasse uma estrutura em que o funcionamento da natureza apresenta características de equilíbrio, certamente não estaríamos aqui para contar história, simples assim.
Agora… se por um lado devemos nos preocupar com as ações humanas, que hoje tem poder sem precedentes de afetar toda a biosfera, precisamos também manter a cabeça no lugar…
Terremotos acontecem o tempo todo. Ao menos um tsunami de proporções significativas é registrado TODO ANO (ver Fundamentos de Oceanografia, de Tom Garrison). Eventualmente um desses tsunamis ganha proporção maior e causa estragos significativos. E mais esporadicamente ainda essa proporção maior é realmente devastadora e, por azar, atinge áreas habitadas. Esse azar, é claro, é cada vez mais provável, uma vez que a ocupação humana no globo é cada vez mais abrangente. É cada vez mais difícil para um tsunami encontrar um pedaço de continente vazio para inundar em paz.
Quanto às suposições de que são as ações humanas que causam os tsunamis… Qual seria a relação entre o aquecimento global e o comportamento das placas tectônicas? Mudar a temperatura média da atmosfera em meio grau, ou um grau ou dois, afetaria de que maneira a temperatura interna do ínterior da Terra, cuja fonte é distinta? (a atmosfera e as camadas iniciais da crosta recebem calor do Sol, ao passo que a parte “derretida” do núcleo recebe calor interno da Terra, devido à pressão do peso da Terra sobre si mesma e devido ao calor do material radioativo presente no núcleo terrestre).
Sim, atribuiram vingança divina ao terremoto de Lisboa. Realmente… Um deus que elimina pecadores com uma enorme inuncação que mata sem distinção idosos, crianças, recém nascidos, grávidas, cachorros e as roseiras da janela, ao invés de usar sua onipotência para causar enfartos localizados no peito dos verdadeiros ruins, é ou extremamente sádico e perverso ou absurdamente pouco criativo. Características tão incoerentes com a realidade divina que já bastaria para se demonstrar, por absurdo, que o todo poderoso ou não existe ou foi achar outra coisa pra fazer depois de entregar muito relapsamente a lição de casa da disciplina “Criando Universos Com Vida I – Introdução às Manifestações de Poder”.
A tragédia no Japão aconteceu porque a Terra treme. Porque a placa do Pacífico avança, em média, algo em torno de 7 ou 8 centímetros por ano contra a placa tectônica da Ásia. Parece pouco, mas os continentes vão se comprimindo, se comprimindo, e de repente dão uma “escorregadinha” um sobre os outros. Na escala do planeta, é algo sutil e delicado. Suave até, pode-se dizer. Mas somos seres de menos de 2 metros de altura vivendo sobre camadas de 30.000 metros deslisando umas sobre as outras sobre um manto escaldante. Rodeados por oceanos com, em média, mais de 4.000 métros de profundidade. Uma pulga sobre um carro é um gigante mastodôntico se comparado ao que é um humano sobre a crosta terrestre.
Sim, precisamos sempre de um culpado. Precisamos sempre de um culpado porque nosso cérebro, quem diria, tem um ímpedo de desconfiar que há uma causa para tudo. Aparentemente, até agora, há. Só que também temos um ímpeto para achar que a causa é sempre humana, social, inteligível apenas por meio de personagens (vivos, corpóreos ou não, mas sempre cheios de intenções). Nosso cérebro, portanto, não é perfeito. Assim, exige um esforço a mais identificar o “culpado” como uma simples tensão mecânica de um movimento gigante e constante. Parece não ter tanta graça. Achar que o tsunami é culpa de ALGUÉM (a humanidade, os pecadores, os ateus ou os capitalistas ou os socialistas ou, por que não, o Chuck Norris) é sempre muito mais interessante do que apontar como culpada a energia cinética de aproximadament 2.066.000.000.000.000.000 m³ de crosta sob o oceano (volume aproximado da placa do Pacífico). Não tem graça, não dá uma manchete arrebatadora de vendas.
As atribuições de culpa, hoje e sempre, em sua assombrosa riqueza de variedade e matizes, vão sempre revelar muito mais sobre os atribuidores (nós) do que sobre a natureza…
Excelente, recomendo a leitura.
Este é o caminho aparentemente mais fácil, o de atribuir tudo a ação direta de um deus. Digo aparentemente pois no fundo é bem mais complicado conciliar os instintos e pensamentos derivados de nosso intelecto animal, com um ideal moral supostamente criado e controlado com mão de ferro por um criador. Criador este que pode inclusive lança-lo à perdição eterna, se por acaso a pobre alma imortal teimar em por exemplo desejar e cobiçar aquela vizinha boazuda que mora em frente. Não é novidade alguma o fato de que o pobre criador não passa de uma figura decorativa, tipo a rainha da Inglaterra, pois quem realmente tem poder são todos esses intermediários, os primeiros ministros poderosos que no final escrevem errado em linhas mal traçadas, mas suficientes para ludibriar os incautos e temerosos crentes, que sentem-se tão seguros pela fé, que preferem nem pensar. São eles que também incitam os exércitos a combater em nome de seu Augusto representado.
Além desses dogmáticos tradicionais, há também os do tipo neo pagãos, que atribuem tudo a inteligência de mãe Gaia que está se vingando contra seus pequenos porém terríveis algozes, os seres humanos, e que esta irá expulsar esses pequenos corpos estranhos através de terríveis cataclismas e etc., uma idéia tão absurda quanto a da arca de noé.
Mas por outro lado é claro que o monopólio da verdade não está do lado da ciência, esta também em muitos casos é vacilante, até hoje, por exemplo não definiram exatamente se o ovo faz mal ou bem para a saúde. E esta também propicia o surgimento de dogmas, uma crença inabalável na ciência e no seu poder de modificar o mundo e proteger-nos afinal precisamos de alguma estabilidade em nossas vidas, e achar que estamos boiando sozinhos, insignificantes e finitos neste vasto universo sem algum apoio não é exatamente uma idéia confortadora.,
No entanto, pelo menos a ciência torna a realidade mais fácil de entender, através das pelo menos comprováveis leis de Deus, como a lei da atração dos corpos, as propriedades da matéria, que estudamos na física, e outras leis bem conhecidas da maioria dos mortais.É bem mais simples entender que o Tsunami é uma onda gerada por forças que se originam do choque de placas tectônicas, que estão “flutuando” na matéria derretida que compõe a imensa e esmagadora porção do globo. E desta forma é que a humanidade busca contornar esses inevitáveis problemas, construindo prédios, pontes e etc que agüentam os piores abalos sempre projetados em cálculos e ciência das mais terrenas possíveis. Se fossemos levar em consideração a causa e efeito divinos baseados na pureza dos corações humanos creio que só sobrariam mesmo as crianças, e olhe lá.
Sim, Rogério, as crianças.E são elas que injustamente acabam pagando pelo erro dos adultos. Veja agora a situaçao das crianças japonesas, mais vulneráveis da populaçao, com o risco enorme de terem um câncer na tiróide e talvez morrerem por isso. Por que Deus iria usá-las para castigar os homens ? Esse Deus aí nao existe, é impossível.Pelo menos para quem acredita que é um deus de bondade,misericordioso.O mundo está sendo ‘governado’ por forças malignas, nisso eu acredito.Por que Deus nao intervém, entao ? Pergunte a ele. Mas acreditar que as leis da física pertencem ao Criador gera outra discussao inútil.
responder este comentário denunciar abusoAnna
O mundo é governado por animais, humanos, e isso explica tudo, não há o bem e o mal, apenas a existência.
As leis físicas são leis da matéria e da energia que compoe esse universo que podemos observar, e estas não podemos afrontar. Se assim fizermos, aí, com certeza seremos punidos, como por exemplo pular de um prédio, é morte certa. É o que podemos perceber utilizando os 5 sentidos e alguma lógica.
Já determinar o que Deus é ,ou mesmo se ele existe, é uma tarefa impossível para nosso limitado entendimento, podemos simplesmente especular ,como fazem ou fizeram os milhares de mitos e religiões que existiram na história humana. E se essa idéia de Deus é um consolo ou algum ponto de apoio, tudo bem, ele nem precisa existir realmente basta essa a idéia que temos dele, que invariavelmente será a nossa imagem e semelhança.
Olá, Anna H. Deixe eu me meter um instante em sua conversa com o Rogério. Há algum tempo, li um texto chamado “Porque odiamos a Deus”. O artigo era uma provocação muito bacana e a base era a seguinte: quando conseguimos o que queremos, agradecemos a Deus, dizemos que Ele está do nosso lado etc. E quando não conseguimos o que queremos, quando somos contrariados, ou quando vemos a injustiça ou os desastres triunfarem sobre nossa vontade ou aspirações, ora dizemos que Deus não existe, que nos abandonou, que não tem nada a ver conosco ou com a humanidade etc etc.
Eis alguns trechos:
(…)”Para os ateus ou antiteístas, a prova da inexistência de Deus encontra-se nas misérias e mazelas do mundo, sobre as quais Deus não intervém, de forma a colocar ordem nas coisas como um pai superpoderoso que deveria ser capaz de levar Justiça a todos os cantos do planeta e paz para o íntimo dos indivíduos. O ser humano, que tanto afirma prezar seu livre arbítrio, no fundo não consegue suportar a possibilidade de ser responsável por seu próprio destino.
Essa postura claramente emotiva pode se estender até mesmo aos reinos vegetal e animal, quando nos tornamos incapazes de aceitar a vida e a morte de plantas, florestas e animais que amamos ou a existência de animais que encarnem nossa fantasia ou visão do mal, como tubarões, crocodilos, piranhas, aranhas e diversos outros.
Quantas vezes não imprecamos contra Deus, não O ofendemos, O xingamos, por nos sentirmos perseguidos, pela perda de um ente querido, pela sequência de maus resultados em nossas tarefas, trabalho ou desejos pessoais, nos sentindo injustiçados ou abandonados? No fundo, o que é isso se não culparmos Deus por não ser um bom ‘superpai’, que, como Ser onipresente, deveria responder a todos nossos apelos e impedir qualquer mal de nos atingir e àqueles a quem amamos?
O ódio a Deus oculta um estado de infantilidade psico-espiritual. Oculta –e revela tambem- nossa incapacidade de crescermos na direção de Deus, em parceria com Ele, como a planta que, ao sintetizar a luz solar, se transforma num espécime adulto e completo.
Na verdade, o mundo em que vivemos, as coisas que percebemos e que estão à nossa volta, o que nos acontece, têm muito mais a ver com nossas emoções e a maneira como lidamos com elas do que com aquilo que chamamos de “Vontade de Deus”. O plano das emoções, embora não seja material, também não é divino, ainda que seu domínio seja um degrau fundamental no conhecimento do plano espiritual.”
Mais à frente, outro trecho:
(…)”O título desta breve reflexão “Por que odiamos a Deus” traz em si uma pequena armadilha. A palavra ‘odiar’ representa o paroxismo emocional, o extremo do extremo, e descreve nossa própria infantilidade. Porque, em se tratando de caminho espiritual ou de Deus, as coisas são sempre simples: se você não crê n’Ele, não tem porque se preocupar com Ele. Você vive a vida como uma vela com prazo para apagar e vive no mundo apenas com aquilo que seus cinco sentidos físicos lhe conferem como limite.
Mas se você crê (ou habita) n’ Ele, você não crê com a mente, não tem necessidade de qualquer esforço para lembrar-se dEle, para crer nEle. Você vive n’ Ele. Imerge n ‘ Ele. Se move n’ Ele, como dizia São Paulo. Quando você machuca seu braço, você o xinga ou cuida dele? Você cuida, porque ele (seu braço) faz parte de você, e você dele. A mesma coisa ocorre com quem vive em Deus, como gota dágua dentro de um oceano. Um é o outro.
Assim, odiar a Deus equivale, no fundo, ao esperneio de uma criança. É a raiva de uma criança birrenta, exigente e que deseja ser mimada. Evidentemente, isso não elimina as misérias e mazelas do mundo; nem explica as crianças que sofrem ou que são abusadas; as injúrias do déspota, como dizia Shakespeare. Pois o trabalho de eliminar tais mazelas, por terrível que nos seja admiti-lo, não consiste numa superpoderosa intervenção divina, e sim na ação (humana) de indivíduos que reconhecem que é inviável viver em sistemas ou processos de exploração contínua.”
Tem mais coisa, mas creio que esses trechos servem para uma reflexão.
Abs
responder este comentário denunciar abuso“O plano das emoções, embora não seja material, também não é divino, ainda que seu domínio seja um degrau fundamental no conhecimento do plano espiritual.”
Olá Marcio
Não há qualquer metafísica, pelo que se sabe, na origem das emoções, a ciência prova que as emoções estão dentro do cérebro, no sistema límbico. Se existe alguma conexão espiritual ou não, deixa de ser ciência para entrar no interessante porém impreciso campo da especulação.
É menos complicado tentar entender o por que do nosso “bem” ou “mal” verificando nossas bases animais.
“Em 1878, o neurologista francês Paul Broca observou que, na superfície medial do cérebro dos mamíferos, logo abaixo do cortex, existe uma região constituída por núcleos de células cinzentas (neurônios), a qual ele deu o nome de lobo límbico (do latim limbus, que traduz a idéia de círculo, anel, em torno de, etc), uma vez que ela forma uma espécie de borda ao redor do tronco encefálico (em outra parte desse texto escreveremos mais sobre esses núcleos). Esse conjunto de estruturas, mais tarde denominado sistema límbico, surgiu com a emergência dos mamíferos inferiores (mais antigos). É ele que comanda certos comportamentos necessários à sobrevivência de todos os mamíferos. Que também cria e modula funções mais específicas, as quais permitem ao animal distinguir entre o que lhe agrada ou desagrada. Aquí se desenvolvem funções afetivas, como a que induz as fêmeas a cuidarem atentamente de suas crias, ou a que promove a tendência desses animais a desenvolverem comportamentos lúdicos (gostar de brincar). Emoções e sentimentos, como ira, pavor, paixão, amor, ódio, alegria e tristeza, são criações mamíferas, originadas no sistema límbico. Este sistema é também responsável por alguns aspectos da identidade pessoal e por importantes funções ligadas à memória. E, com a chegada dos mamíferos superiores ao planeta, desenvolveu-se, finalmente, a terceira unidade cerebral : o neopálio ou cérebro racional, uma rede complexa de células nervosas altamente diferenciadas, capazes de produzirem uma linguagem simbólica, assim permitindo ao homem desempenhar tarefas intelectuais como leitura, escrita e cálculo matemático. O neopálio é o gerador de idéias ou, como diz Paul MacLean – ” ele é a mãe da invenção e o pai do pensamento abstrato”. ”
,Veja mais no link
http://www.cerebromente.org.br/n05/mente/limbic.htm
responder este comentário denunciar abusoTudo contra o totalitarismo! Mesmo o religioso. Mas será que a noção de “harmonia” não comporta divergências? Se Deus fosse totalitário, o pecado não teria espaço para se manifestar. E que contribuição o modernismo e a industrialização dão para um futuro de harmonia, seja de que espécie for? A harmonia com a natureza hoje é uma meta que transcende ideologias. O próprio capitalismo já descobre caminhos para negociar e lucrar com o ambientalismo. O modernismo é transformador mas não é suicida. Assim como o desenvolvimento foi considerado um novo nome da paz, pode ser que sustentabilidade seja o novo nome da “harmonia”.
Balelas…
O fato é que o planeta tem sua história e o ser humano é só um mero detalhe. Por isso que é bom acelerarmos a corrida espacial porque daqui a alguns milhares de anos … o bicho vai pegar de vez.
-para as cidades que estão localizadas próximas das praias já existe o risco de serem invadidadas pelo mar desde antes da sua fundação. quanto ao vazamento nuclear, isso sim é culpa dos homens.
Guterman
Exelente o texto.
Compartilho cada idéia sua sobre a necessidade do religioso e do totalitário de controlar todas as variáveis, de nada sair do lugar, da busca obscessiva e compulsiva por “harmonias” que os tranquilizem contra as incertezas da existência.
O complexo, o incerto, o novo, tudo isto é intolerável para o totalitário e para o religioso. A existência desta gente só encontra sentido se puderem homogenizar a natureza, os homens entre sí e suas crenças. Eles precisam controlar e serem controlados. A liberdade é um fardo pesado demais.
Parabéns Guterman. O pior é que os “críticos” do totalitarismo têm uma visão oposta associando este aos “horrores da técnica”. Sabem eles que Hitler era um tremendo de um natureba vegetariano e místico?
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