O PIB é a medida da riqueza de um país – e ultimamente tem assanhado os apóstolos lulistas, encantados com a notícia de que o PIB brasileiro vai superar o do Reino Unido. No entanto, parece cada vez mais claro que o valor dessa medida não é significativo quando se trata de observar os avanços sociais, econômicos e de infra-estrutura de um país em relação aos demais.
O caso japonês é típico, como mostra o jornalista Eamonn Fingleton em artigo no New York Times. Invocado nos EUA desde os anos 90 como exemplo do que acontece com um país quando sua economia entra em estagnação, o Japão, pelo contrário, atravessou as chamadas “décadas perdidas” sofisticando sua indústria, aprimorando sua infra-estrutura e melhorando substancialmente a qualidade de vida de seus cidadãos, que em muitos aspectos é bastante superior à dos americanos. Os avanços em tecnologia, marca do domínio americano desde os anos 50, têm sido mais acentuados no Japão. Mas nada disso aparece nas medições quantitativas do PIB, segundo as quais os EUA cresceram mais que o Japão no período e, portanto, ficaram “mais ricos” que os japoneses.
O mesmo poderia ser aplicado ao caso brasileiro, cujo PIB nos coloca como o gigante do Hemisfério Sul, dono da oitava economia do mundo, à frente da França e, como se sabe, pau a pau com o Reino Unido. Já se disse que, embora com PIB equivalente, o Brasil está muito longe de ter uma qualidade de vida semelhante à dos britânicos e franceses – o próprio ministro Guido Mantega, que é um otimista, disse que isso só vai acontecer daqui a uns 20 anos. Então, poderíamos comparar o Brasil com a Argentina, que é nosso vizinho júnior e aparece no distante 23º lugar do ranking dos PIBs, ou com o Chile, que é o 45º. Mesmo nesses casos, porém, a comparação seria desastrosa para nós: o Brasil tem uma rede de água e esgoto que cobre apenas 77% do país, contra 85% na Argentina e 97% no Chile; a taxa de alfabetização brasileira é de 90%, contra 97% na Argentina e 95% no Chile – em números absolutos, o Brasil é o oitavo do mundo em número de analfabetos; no Índice de Desenvolvimento Humano, o Chile é o latino-americano mais bem colocado (44º), seguido da Argentina (45º), e o Brasil aparece num distante 84º lugar, abaixo de Barbados, Antígua e Barbuda e Trinidad e Tobago.
Dizer que somos a sétima ou sexta economia do mundo pode ser bom para inflar egos governistas, empenhados em pirotecnias eleitorais e demagógicas, mas está longe de representar a realidade dramática de um país que, não obstante suas aspirações de superpotência, apresenta ainda deficiências tão profundamente primárias.
“O mesmo poderia ser aplicado ao caso brasileiro, cujo PIB nos coloca como o gigante do Hemisfério Sul, dono da oitava economia do mundo, à frente da França e, como se sabe, pau a pau com o Reino Unido.”
Na verdade, o crescimento do PIB coloca o Brasil como sexta economia do mundo, à frente do Reino Unido, mas, por enquanto, atrás da França.
Exatamente.
Ufanismo e’ o que nao falta neste governo. Uma copia exata dos militaes que tanto criticavam.
São só comparações e não passam disso. A diferença é tão brutal que é bobagem tirar profundas conclusões.
O PIB do estado de São Paulo é maior que o da Argentina. O PIB da região de Campinas é maior que o do Chile.
Guterman, poderíamos dizer “O PIB é a medida da riqueza ‘financeira’ de um país”.
Mas o que interessa é a sua bem colocada e oportuna comparação entre Japão e EUA.
O Japão, em que pese a tal “década ou décadas” perdidas, realmente é um dos países mais avançados da terra, tanto em tecnologia como em civilidade, grau de cidadania.
Apesar dos iPhones, Silicon Valleys, Windows, Facebooks, Twitters, etc. a EIU (Economist Intelligence Unit, departamento da revista britânica Economist), coloca o Japão no topo da lista denominada “Global Innovation Index”, publicado em 2009 (referente ao período 2004-2008) e projeta que o Japão permancerá nesta posição no período 2009-2013. Em segundo vem Suíça, Finlândia e EUA. O prognóstico para 2013 mantem os 3 primeiros lugares inalterados, mas os EUA caem de quarto para quinto.
Em patentes o Japão é número um em termos absolutos e, junto com os EUA, responderam por mais de 51% das patentes emitidas no mundo em 2007 (WIPO). O mais impresionante é o número relativo: 1.300 patentes por milhão habitantes no Japão contra 500 na Suíca e 300 nos EUA e Suécia.
Mas aqui vale uma ressalva: número de patentes não é de forma alguma um bom indicador do grau de inovação de um país.
Isto porque um riff de guitarra de um James Brown, uma sinfonia de Wagner ou Beethoven, um quadro de van Gogh, um livro de Kafka, uma gravura de Andy Warhol, uma escultura de Michelangelo, uma música do Nirvana não são passíveis de patente. Há o direito autoral, mas qualquer um pode copiar um jeito de alguém pintar ou tocar guitarra. É assim, da genialidade de um ou poucos indivíduos, que surgem, por exemplo, as grandes vertentes culturais e tecnológicas como o funk, o impressionismo, o rock, o semicondutor á base de silício e asim vai.
Finalmente PIB não mede felicidade, saúde mental, saúde física, degradaçao ambiental, perda de biodiversidade, poluição, etc. Não bastasse isto, o PIB pode subir mesmo quando as coisas pioram. A reconstrução da destruição causada pelo fenomenal Tsunami que atingiu o Japão em 2011 curiosamente provocará um aumento do PIB japonês. Em suma, o PIB é um índice extremamente limitado e perverso.
nao precisa ir tao longe. china tem o 3ro pib e qualquer um sabe que esta longe de modelo em qualidade de vida. este eh um bom exemplo de que tamanho nao eh necessariamente documento.
foi a primiera vez que ouvi a anta do mantega falar algo pe no chao, muito incomum para ele.
Carlos…. muito bem colocado…. (melhor ainda no que se refere ao Mantegão)…. kkkk
responder este comentário denunciar abusoDesde a época da Ditadura Militar se fala em oitava economia do mundo, o que é sinal de demencia, o Australiano tem um poder de compra muito maior do que o Brasileiro mesmo com PIB menor.
Marcos, a sua explanação é ótima mas, não se esqueça que estará lidando com os energúmenos do PT que só conseguem ouvir o que o lula e mantega dizem mas não conseguem filtrar. Talvez uma explicação simplória fosse mais á este público: “uma família ganha por mes R$ 1.500,00, é composta pelo casal mais nove filhos em idade escolar. Em vista disso as despesas somam R$ 1.200,00 sobrando para dividir entre eles R$ 300,00 ou seja, R$ 27,00 para cada um. Outra família ganha por mes R$ 1.200,00 e é composta pelo casal e um filho em idade escolar, por isto as despesas mensais somam R$ 600,00 e sobra para dividir por 3 R$ 600,00 ou seja, R$ 200,00 para cada um. Perceberam a diferênça?
O PIB é apenas um indicador e é um termometro de crescimento e “ponto”. Explorar isto é coisa de…. disto ai que está no poder (não me refiro a partidos e sim classe política/governantes). O IDH é muito mais representativo mesmo que tenha lá suas controvérsias. Mas o IDH passa longe dos discuros…. kkkkkk….
É astronômica a distância entre a intenção e o gesto na Terra Brasilis…
E tem mais.
“”"a taxa de alfabetização brasileira é de 90%”"” é uma grande inverdade.
É um número, uma estatística, meramente formal, porque 90% desses 90% são analfabetos funcionais, incapazes sequer de assinar o próprio nome por extenso com o dedo.
Passo a palavra para o Intenço. Rs.
Se PIB fosse o melhor indicador, a Noruega seria infinitamente inferior aos EUA
abs!
Não tem a menor relevância.
Mais que o PIB devemos considerar a renda per capita.
O PIB maior ou menor só serve para o governo ter um parâmetro para arrecadar mais impostos.
Desculpe alexandremk, mas falou pouco e infelizmente falou bobagem. Renda per capita é um indicador ainda pior que o PIB. Traz muito mais distorção. E um dos melhores exemplos é justamente o Brasil.
responder este comentário denunciar abusoPois, se o PIB sobe – e o Eike quer ser o número 1 da lista Forbes ate. 2016 – que o IDH da populacao acompanhe o crescimento econômico do pais. O Mantega admitiu que vai demorar bem mais -que o sonho do bilionario , mas no Brasil da esperança há a esperança de chegar lá um dia, afinal sempre ouvi dizer que este eh o pais do futuro.
O PIB por si só não revela muita coisa… dado que os países diferem bastante em tamanho e população.
Mas o PIB per capita, junto com o coeficiente de Gini pode ser mais revelador… pois demonstra além além da riqueza (proporcional ao nº de habitantes), a distribuição da mesma.
O dia que esses números forem publicados com orgulho, aí sim provavalmente teremos o que comemorar.
De 192 milhões de habitantes que vivem no Brasil, apenas 44 milhões tem a mesma renda de um cidadão de classe média de um país de primeiro mundo (23% das famílias com rendimento mensal de mais de 5 salários mínimos). E esses 44 milhões não tem a mesma qualidade de vida (infraestrutura ruim e a situação do resto do povo respinga neles), ou poder de compra de um cidadão do primeiro mundo.
Ainda estamos pelo menos 25 anos de chegar no primeiro mundo. Pelo menos.
2012
2011
2010
2009
2008
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