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Marcos Guterman

04.agosto.2009 00:09:51

Facebook: motivo de suicídio?

Vincent Nichols, chefe da Igreja Católica britânica, não tem uma visão muito positiva sobre as redes sociais como o Facebook. Para o arcebispo, elas podem motivar até o suicídio dos jovens. Eis sua opinião, dada ao Sunday Telegraph:

“Há uma preocupação de que o uso excessivo ou quase exclusivo de mensagens de texto e de e-mails esteja fazendo com que a sociedade perca a habilidade de construir comunicação interpessoal, necessária para a vida em comunidade. Estamos perdendo as habilidades sociais, as habilidades de interação humana, como ler o humor de uma pessoa, como ler sua linguagem corporal, como ser paciente até o momento certo de pressionar sobre um ponto de vista.”

“O uso exagerado da informação eletrônica desumaniza aquilo que é uma parte muito importante da vida em comunidade. O Facebook e o MySpace podem ajudar a formar comunidades, mas não geram comunicação completa, de modo que não se constrói uma comunidade completa. Se nós estamos nos referindo à comunidade como uma genuína construção coletiva com algum significado, então nós precisamos mais do que o Facebook.”

“Entre pessoas jovens, geralmente um fator-chave que as leva ao suicídio é o trauma das relações transitórias. Elas se lançam em uma amizade ou numa rede de amigos, que de repente deixa de existir, e isso as deixa desoladas. É a síndrome do tudo ou nada.”

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15 Comentários Comente também
  • 04/08/2009 - 01:07
    Enviado por: Fabio Unique

    O suicidio eh mais comum quando o bullying eletronico eh uma extensao ao bullying que o adolescente enfrenta na escola, ou seja, o adolescente esta se sujeitando a bullying eletronico no que era antes o santuario do quarto de dormir, agora equipado com o computador, ou em outros lugares, via texting, e o bullying vem de pessoas com quem ele ou ela necessariamente precisa interagir pessoalmente, ou seja, colegas de hospicio… err… desculpe, escola. Portanto, o contrario do que o chefe da Igreja Catolica Britanica afirma. Que a Igreja esteja a 180 graus dos fatos, era de se esperar, por parte de uma Igreja que faz bullying ate os dias de hoje contra grupos que nao lhe agrada, como os homosexuais.

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  • 04/08/2009 - 02:39
    Enviado por: Glúon

    Entreouvindo intimidades:

    - O que você está lendo aí, Marisa?
    - Estou lendo o blog do Guterman, Lula.
    - E o que tem de tão interessante aí?
    - Aqui fala sobre o fator-chave que leva as pessoas jovens ao suicídio.
    - E o que leva a juventude a se matar, Marisa?
    - Ora, é o trauma das relações transitórias, né?
    - Está vendo, Marisa, porque eu sempre quis um 3º mandato?

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  • 04/08/2009 - 04:38
    Enviado por: Anna H.

    Estou de acordo com o Nichols. Linguagem corporal (não-verbal) é muito importante, sério ! Como você pode entrar em contato pessoal com um adolescente que passa o tempo todo parado,esfregando o nariz, de olho grudado no Orkut (ou Face) ? É alucinante. Eles parecem viver em outro mundo, não escutam ninguém, não fazem amigos fora do virtual, não se mexem e estão ficando atrofiados. No futuro, o que vai ser dessa gente ? Eles precisam parar um dia na semana, pelo menos, e irem fazer teatro, dança, quaqluer atividade que obrigue a mexer o corpo, a entrar em contato com o mundo real. Senão, daqui uns tempos vai ser a catástrofe generalizada entre os jovens. Digo e assino embaixo: a catástrofe.

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  • 04/08/2009 - 04:46
    Enviado por: Fey

    Não sou religioso, mas concordo até um certo ponto com o Sr. Nichols.
    Não sei se existe essa “trauma” de relações transitórias, mas acho que os jovens de hoje em dia tem certas deficiências únicas dessa geração ‘sempre-conectada-sem-fio-com-twitter-no-cel’.

    A primeira deficiência que noto é o péssimo modo de escrever. Não que eu seja um senhor literário com meus erros de digitação, mas a garotada manda menssagens do tipo : “eae…ajudaee…axim num dá…flws.” de propósito.
    Um hábito que deve até influenciar inconcientemente em redações e cartas mais formais mais tarde.

    A segunda deficiência, noto em alguns jovens americanos que sem dúvida não sabem mais esperar a vez pra dar a sua opnião como o arcebispo apontou, e muito menos ouvir aquilo que não quer como críticas que podem ser construtivas.

    E finalmente, não tenho dúvidas que é fácil uma pessoa se isolar do mundo real e viver no mundo virtual, embora ache que o maior vilão nesse caso seja jogos de RPG, e não sites de comunidades.

    Em tempo, existe um certo equívoco na interpretação da utilildade de um Facebook, ou MySpace também. Elas são muito mais úteis se forem usados como espaços para colocar os seu portfólios, currículos, e procurar conexões profissionais ou de clubes, ao invéz de ser usado pra postar a última foto ou vídeo estúpido que o pessoal fez enquanto tava embriagado, vomitava, e mostrava a bunda pra câmera.

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  • 04/08/2009 - 11:22
    Enviado por: Rogério

    Temos que avaliar a seguinte questão, o individualismo ocorre em nossa sociedade não devido ao advento da internet e etc, este é fruto do estilo de vida resultante da qualidade das relações humanas na sociedade moderna tendo por base o processo produtivo especializado que torna as pessoas cada vez mais independentes umas em relação ás outras. Atualmente é possível vivermos trabalharmos, fazermos compras e etc falando apenas o mínimo necessário coisa impensável há séculos quando a proteção social era conferida pela força do clã, da tribo, atualmente as instituições frias e impessoais executam este papel.
    Os sites de relacionamento são apenas uma ferramenta a mais nessa sociedade individualista, mas como qualquer coisa que há sobre a face da terra, se utilizado de forma exagerada pode causar problemas, e voltamos a velha questão de sempre, sobre o papel dos pais em controlar crianças e adolescentes para que não fiquem o dia inteiro na frente de uma televisão, computador e etc.,programar horários para que os filhos possam um dia aprender a programar os próprios, o ser humano é um animal de hábitos.
    A palavra chave para levarmos na boa todos esses desafios é equilíbrio. É inegável a utilidade dessas novas ferramentas e não temos como proibir os jovens em utilizá-la, resta nos orientar mostrando os prós e contras, alertando-as para os possíveis perigos. Se não temos o trabalho de orientar e direcionar uma incrível ferramenta pode transformar num instrumento sub aproveitado e inclusive mediocrizante.
    Mas acredito que haja proporcionalmente tantos adolescentes que vivam enfurnados na frente de um computador, a maioria vai a escola e realizam muitas atividades que exigem o aprendizado do relacionamento social. Mas pode ser que com o tempo possa agravar essa situação.
    Nossa sorte é que vai demorar muito tempo a aparecerem pais virtuais.

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  • 04/08/2009 - 14:43
    Enviado por: Alexandre

    Acho que o sr. Nichols exagera um pouco, mas, de modo geral concordo com ele.
    Em seu “Societé de Consommation”, Jean Baudrillard faz uma análise interessante da banalização da violência (o exemplo utilizado por ele foi o da gerra) devido à sua constante exibição na televisão. Grosso modo, ao assistir a um combate pela TV, o tele-expectador, no conforto de sua sala, sente-se distante de conflito e, consequentemente, acaba por se tornar menos sensível, se não indiferente a ele.
    No que diz respeito à substituição das relações interpessoais pelos relacionamentos online, creio que ocorra algo semelhante. Os relacionamentos tornam-se superficiais. Coloca-se de lado o contato humano.

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  • 04/08/2009 - 14:54
    Enviado por: Fabio Unique

    Rogerio, ” tendo por base o processo produtivo especializado que torna as pessoas cada vez mais independentes umas em relação ás outras. ” Ue, a especializacao nao eh uma forma de inter-dependencia das pessoas umas em relação as outras? Veja a grafia: inter-dependencia nao independencia.

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  • 04/08/2009 - 21:26
    Enviado por: Parsifal

    Sei lá Guterman, depois que cemeçei a comentar nos blogs tenho sentido uma estranha vontade de fazer paraquedismo e escalar o K-2….

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  • 05/08/2009 - 08:54
    Enviado por: Rogério

    Fábio

    Não sei, pode ser que esteja certo, não sou especialista em ortografia e etc., mas a idéia que me ocorreu foi a imagem de pessoas numa linha de produção. O cara chega no trabalho e fica toda a jornada instalando para-brisas em um carro, por exemplo, não necessitando sequer falar uma palavra com o colega à frente que instala as portas, sendo independentes entre si no que toca as relações pessoais. Mas é certo que há dependência destes funcionários em relação à empresa, a instituição. Considerando a empresa e o processo produtivo, nesse caso s.m.j acho que é certo utilizar o termo inter- dependência.
    Seria diferente se um carro fosse montado artesanalmente por várias pessoas, necessariamente estes teriam que comunicarem-se o tempo todo fortalecendo laços sociais, inclusive.

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  • 05/08/2009 - 10:09
    Enviado por: André

    Guterman,

    O Arcebispo de Westminster está coberto de razão, sou católico, e vejo nas palavras dele uma preocupação pastoral com os jovens, sobretudo porque eles ainda não tem uma personalidade formada, e estão em busca se conhecer e conhecer o mundo em volta, só que de maneiras fictícias, superficiais ou virtuais, esse processo fica muito tênue e perigoso emocionalmente. Esse é um desafio do homem contemporâneo, viver em comunidade e em paz.

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  • 05/08/2009 - 15:52
    Enviado por: Fernando Paraguassú

    Caro Guterman,
    Sai do muro meu chapa. Você transcreveu a opinião do arcebispo mas não colocou a sua, hehe. Discordo de André e Anna H. e concordo com Rogério.
    Obviamente o arcebispo não tem um perfil no Facebook/Orkut/MySpace ou similares, visto que esses sites justamente servem para se relacionar com outras pessoas. Provavelmente ele também não usa e-mail.
    Obviamente a linguagem corporal não faz parte desse tipo de comunicação, então proíbam as cartas também (em papel mesmo), pois ao longo dos séculos quantos já não se suicidaram ao receber más notícias?
    Isso soa como todos os “demônios” anteriores que iriam acabar com a “nossa” juventude: os moleques em Columbine (e similares) mataram seus colegas por causa da música de Marilyn Manson ou Slayer. Proíbam o heavy metal! Algum retardado atirou em alguém depois de jogar um videogame violento. Proíbam os jogos violentos!? Claro, os pais TÊM que acompanhar o que os filhos fazem, como sempre tiveram. A diferença é que muitos pais são ignorantes em relação às ferramentas NOVAS que os filhos fazem/usam.
    Os jovens ainda vão à escola, jogam bola, flertam, namoram, levam fora e tudo mais como antes, ALÉM de continuar em contato com seus amigos e também fazer tudo isso via computador.
    Se alguém acaba com a própria vida, é porque há outros problemas com a cabeça do indivíduo. Se foi uma carta escrita à mão, e-mail ou mensagem de Facebook que desencadeia o suicídio, a mídia é puro detalhe diante da incensatez do(a) perturbado(a).

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  • 05/08/2009 - 16:31
    Enviado por: Anna H.

    Fernando Paraguassú,
    Insensatez, e não ‘incensatez’ como vc escreveu. Você tem direito de discordar, mas tenho lido a respeito da inércia da grande maioria de garotos que utiliza os sites de relacionamento, e da grande frustração que sentem ao perceberem que os tais amigos virtuais são fictícios e, no mais das vezes, gostam mesmo é de exibição (alguns até nus em fotos cretinas) e muito pouco para trocarem idéias e amizade duradoura. Não acredito que o meio em sí seja o mal, mas o uso inadequado e a falta de boas idéias da parte de quem realizou os sites ditos ‘sociais’, vêm aos poucos decepcionando muitos usuários que acreditavam na força deles (sites). Estão precisando melhorar de alguma forma, penso eu, inclusive incentivando os fanáticos a não serem tão fanáticos. Como nas publicidades de bebidas e cigarro. Consumir com moderação !

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  • 06/08/2009 - 03:50
    Enviado por: Fabio Unique

    Rogerio, ” não sou especialista em ortografia “, nem eu. A imagem que me vem quando se fala em especializacao nao eh de uma linha de montagem especializada nos mesmos movimentos roboticos por parte de seres humanos, conforme voce indica. Nao. Eh de um medico que domina todos os aspectos de uma doenca rara, ou de um engenheiro que conhece somente um unico software de cabo a rabo, e somente ele tem aquele conhecimento (especializado), mas depende dos outros para todo resto. A inter-dependencia permite ou nao permite a individualidade? Ou seria a independencia que permite a individualidade? A intuicao e o paradoxo, right? Para voce, a imagem eh de uma linha de montagem. Imagens diferentes, sendo assim o nosso problema eh grafico, e nao ortografico. Por essas e outras que nao sou sociologo e nao estudo sociologia. Tampouco tenho o telefone do Papa para pedir orientacoes nesse papo.

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  • 07/08/2009 - 17:50
    Enviado por: Rogério

    Fábio
    Agora confundiu o tico e o teco.
    Acho que os dois permitem a individualidade. A inter-dependencia sempre existiu mas no passado ela estava ligada ao clã, ao grupo familiar, tribal,que produziam tudo que era necessário com autosuficiencia, caçavam, faziam roupas e etc. Atualmente as instituições, empresas, governos e etc tomaram esse espaço, de maneira impessoal, permitindo a qualquer um viver, em relativa segurança, sem comunicar-se sem ninguém. Mas dependemos enormemente deste sistema, se ele cair, será dificil sobreviver, não sabemos mais caçar, pescar, plantar e etc.
    Liberdade? Estou achando que é um conceito utopico, talvez o robinson Crusoé possa explicar melhor.

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  • 10/08/2009 - 00:00
    Enviado por: Fabio Unique

    Rogerio, voce escreve “processo produtivo especializado” no lugar de “processo produtivo massificado”, voce escreve “problema ortografico” no lugar de “problema grafico”, mas eu confundo o tico e o teco. Fazer o que, ne? Eu eh que nao vou cometer suicidio por causa de uma conversa dessas.

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    Marcos Guterman

    Marcos Guterman é jornalista profissional desde 1989. Trabalhou por 15 anos na Folha e desde 2006 está no Estadão, onde edita a Primeira Página. É historiador, com graduação e mestrado pela PUC-SP. Atualmente faz doutorado em História na USP, tendo o nazismo como tema de pesquisa. É autor do livro "O Futebol Explica o Brasil". Sua pátria é o Santos Futebol Clube.
    Contato: marcos.guterman@grupoestado.com.br

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