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Marcos Guterman

Ainda há o que dizer sobre o histórico aperto de mão entre Lula e Maluf, mas, sobretudo, ainda há muito a dizer sobre a defesa que a vanguarda petista fez desse gesto. O argumento mais usado é que os tucanos também queriam a aliança com Maluf; logo, se o PSDB pode se rebaixar a esse ponto, por que o PT não poderia? Outro argumento é ainda mais impressionante: o afago em Maluf é algo “natural”, uma vez que o PP já está na base do governo de Dilma, e ademais faz parte da estratégia petista de “ampliar o arco de alianças” para ganhar o poder em São Paulo, de modo a implantar aqui o revolucionário projeto salvacionista de Lula.

Todo esse esforço retórico mal esconde o colapso moral da política brasileira, que se tornou definitivo com a rendição do PT, antes orgulhoso de sua retidão, à desmoralização das alianças ideológicas ou programáticas. Mas não foi apenas isso: o lulismo transformou aquilo que deveria ser exceção em regra, ao sugerir que o crime de corrupção, de que Maluf é símbolo máximo, é a norma no Brasil. Ora, estão a dizer os petistas, se todos são corruptos, por que o PT não pode abraçar o maior deles?

Trata-se de uma estratégia manjada. Ao se generalizar a culpa, chega-se à conclusão de que ninguém pode ser responsabilizado por nada, de modo que a corrupção se “naturaliza”, como se fosse um dado incontornável da realidade. Ao tentar convencer os brasileiros a aceitar o “mal menor”, isto é, a aliança com notórios corruptos, em nome de um projeto nacional, o lulismo quer abrir caminho para que se aceite o mal em si mesmo, em qualquer dimensão. Nesse cenário, Lula é o Líder que a todos redime – é ele que aperta a mão de Maluf, pessoalmente, sacrificando-se para que seus seguidores possam manter intacta a sua “higiene moral”. É ele, Lula, quem assume toda a responsabilidade pelo trabalho sujo da política.

Ao agir de acordo com sua consciência e abandonar a chapa lulo-malufista à Prefeitura de São Paulo, a deputada Luiza Erundina tentou recolocar as coisas em termos morais, renunciando ao “mal menor”, simplesmente porque não poderia conviver consigo mesma se aceitasse a companhia de Maluf. Ela lembrou que Maluf não poderia estar numa chapa da esquerda progressista porque ele representa todos os crimes que essa chapa deveria, por princípio, combater. Foi o bastante para que a deputada fosse considerada irresponsável pela tropa petista – isto é, à luz da narrativa histórica do lulismo, era Erundina que estava cometendo um crime, ao prejudicar a manutenção do projeto redentor de Lula. O mesmo se aplica à imprensa que expõe a roubalheira e é, por essa razão, tratada como “golpista”.

Sob o lulismo, a corrupção é considerada não só aceitável, como legal; inaceitável e ilegal é denunciá-la. Gente supostamente bem informada aceita alegremente esse postulado e empresta seu verniz intelectual para cristalizá-lo como verdade eterna, reduzindo os códigos morais a letra morta. É como se nada do que sabemos sobre o certo e o errado tivesse mais valor.

O “nunca antes”, portanto, não é uma piada. É precisamente a essência desse colapso ético, sustentado pela falácia de que a popularidade do Grande Eleitor a tudo justifica.

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“Paranoico, prepotente, sectário, praticou e estimulou entre seus aliados abusos e ilegalidades, como se eles estivessem acima do que se aplicava aos mortais devido à grandiosidade das missões de que estavam imbuídos.”

A descrição acima, feita em texto de Carlos Eduardo Lins da Silva na Folha desta segunda-feira (aqui, só para assinantes), diz respeito a Nixon, mas poderia servir, sem retoques, para se referir a Lula – com a diferença que, nos EUA, Nixon teve de deixar o poder, enquanto no Brasil Lula é carregado pelas massas.

Como se sabe, o lulismo e seus associados, com sua missão de salvar o Brasil, se consideram acima de julgamentos terrenos, ao mesmo tempo em que autorizam alianças políticas corruptas que violentam a base e a história do PT e embaralham a política, ao ponto de tornar irreconhecíveis os partidos, inclusive os da oposição. Agora, como a coroar essa putrefação do mundo político brasileiro, Lula, na tentativa de sacramentar sua hegemonia nacional, inventou uma chapa à Prefeitura de São Paulo que diz representar o “novo”, mas que tem Paulo Maluf no palanque.

“Tenho conversas com todo mundo, todas muito elegantes. Não há mais esquerda e direita, o que há são segundos de TV”, justificou o neopetista Maluf, com uma honestidade incomum – afinal, não há por que esconder os motivos pelos quais ele se juntou ao PT e a Lula, numa aliança que, de esdrúxula, não tem absolutamente nada.

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Fila em banheiro público de Mumbai: eles não pagam

 

Mumbai, a maior cidade da Índia, tem cerca de 10 mil banheiros públicos. Em boa parte deles, os homens podem urinar de graça, mas as mulheres têm de pagar. Contra essa discriminação, um grupo de ativistas começou uma mobilização para que as indianas possam urinar de graça – e que tenham banheiros adequados às suas necessidades, já que a maioria deles é imunda.

“Cada vez mais mulheres trabalham fora de casa, mas a maioria evita ir aos banheiros devido à sujeira”, explicou a ativista Minus Gandhi, da ONG Apnalaya, segundo o jornal El Mundo. “Elas são obrigadas a segurar o dia inteiro, com todo o estresse que isso provoca, além do risco de infecções.” Trata-se de um “direito humano”, disse ela ao New York Times.

Na Índia, país celebrado como modelo por sua economia em crescimento, metade das casas não têm banheiro. Boa parte dos indianos faz suas necessidades no mato ou nas ruas – as mulheres o fazem em grupo, para evitar eventual assédio sexual.

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Uma pesquisa publicada na revista científica PloS ONE mostra que é possível conhecer a orientação sexual de alguém observando apenas seu rosto.

Nos EUA, há até um termo coloquial para essa capacidade, “gaydar”, mas não havia prova científica de que, de fato, ela funciona. A experiência feita pelos psicólogos Joshua Tabak e Vivian Zayas, que mostraram fotos de homens e mulheres para os participantes, indica que eles conseguiram saber se alguém é gay ou heterossexual apenas com uma rápida olhada – rápida mesmo: menos de 1 segundo, tempo suficiente para que o observador soubesse simplesmente que se tratava do rosto de alguém.

Os pesquisadores retiraram das imagens quaisquer sinais que pudessem induzir conclusões: não havia brincos, piercings ou tatuagens.

A acurácia chegou a 60%. Os participantes erraram mais ao atribuir homossexualidade a homens heterossexuais, talvez porque, segundo os pesquisadores, qualquer leve traço feminino em homens leva à conclusão de que se trata de um gay. Ou seja: é mais difícil saber se um homem é homossexual do que uma mulher.

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O site Ashley Madison, que possibilita casos extraconjugais, começou uma campanha publicitária no México em que o astro é Enrique Peña Nieto, candidato presidencial do tradicional PRI. Até os feijões mexicanos sabem que Peña Nieto traiu a mulher, que se separou dele. O político aparece em cartazes com batom no colarinho e o seguinte slogan: “Infiel com sua família, fiel e comprometido com seu país”.

Segundo disse à Associated Press o representante do site no México, Ricardo Castañeda, se o candidato tivesse usado o Ashley Madison não teria sido flagrado.

 

(Foto: Alexandre Meneghini/Associated Press)

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A britânica Zina Saro-Wiwa produziu um documentário sobre mulheres negras americanas que, como ela, estão “transitando” do cabelo alisado quimicamente para penteados mais naturais. É uma mudança e tanto. Como Zina mostra em ótimo vídeo que pode ser visto aqui, o cabelo liso predomina entre as estrelas negras do mundo pop americano.

Em pequeno texto publicado pelo New York Times, Zina conta que não pretendia ser personagem de seu próprio filme. “Mas, ao incluir minha história, eu me vi obrigada a pensar sobre como eu me sentia sobre meu cabelo com uma honestidade que jamais tive”, explicou ela.

Segundo Zina, há muitas mulheres negras “transitando” sem fazer alarde. “Não é um movimento movido pela raiva”, diz a cineasta. “As mulheres não estão dizendo que sua motivação é combater os ideais eurocêntricos de beleza. Em vez disso, é um movimento caracterizado pela autodescoberta e pela saúde.”

Mas Zina reconhece a dimensão política do fenômeno, porque o cabelo negro e o corpo negro são historicamente vinculados a lutas sociais nos EUA e ao imaginário americano. “Demonstrar esse nível de auto-aceitação”, isto é, aceitar o cabelo como ele é, “representa uma poderosa evolução na expressão política negra”, diz Zina. A verdadeira transformação começa dentro de si mesmo: “Dizer em voz alta ‘eu sou negra e me orgulho disso’ é uma coisa; acreditar nisso silenciosamente é outra”.

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Estreia hoje na TV americana um reality show chamado Push Girls. Ele reúne cinco moças que sofreram acidentes ou tiveram doenças que as obrigam a andar de cadeira de rodas. A ideia é mostrar que, a despeito das óbvias limitações, elas podem levar uma vida quase normal.

“As pessoas de nosso convívio conseguiram lidar com a paralisia e perceberam que não era uma tragédia”, disse Mia Schaikewitz, de 33 anos, paraplégica desde os 15. “O legal do programa é que os telespectadores vão ver isso.”

As jovens só se conheceram depois que ficaram paraplégicas e agora são muito amigas, quase irmãs, segundo dizem. O elo entre elas foi a modelo Angela Rockwood, que ficou tetraplégica há 11 anos num acidente de carro. Foi por meio de Angela que o programa tomou forma: ela queria mostrar o dia a dia das amigas e como elas são felizes.

“Acho que as pessoas temem se aproximar de nós e temem ter relacionamentos conosco porque acham que vão encontrar algo negativo”, lamenta Mia. “Se eles nos vissem como somos em nosso cotidiano, saberiam que isso (a cadeira de rodas) é apenas um acessório.”

 

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Um tribunal de Nova York decidiu que chamar um heterossexual de “gay” não é mais uma ofensa, informa a Associated Press. Segundo o entendimento da corte, a sociedade não trata mais esse rótulo como uma difamação. Logo, se não há difamação, não há crime.

A decisão considerou que as sentenças anteriores condenando réus em casos assim foram baseadas “na falsa premissa de que é vergonhoso ser descrito como gay, lésbica ou bissexual”.

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As ações do Facebook perderam mais de 20% de seu valor uma semana depois de seu rumoroso IPO (oferta pública inicial de ações). À parte as especulações sobre algum tipo de manipulação ou fraude, o fato é que o prejuízo é didático para perceber os limites da internet e de seus monstros empresariais.

Os investidores parecem ter concluído que o Facebook é menor do que o buzz em torno dele faz supor. Ou seja: a rede de Mark Zuckerberg orgulha-se de seus milhões de seguidores, mas o mercado entende que esse potencial não é monetizado de modo consistente. A General Motors notou isso e decidiu parar de anunciar no Facebook. Outros devem seguir seu exemplo.

Esse não é um problema só do Facebook. A internet, em geral, é um lugar para o qual as pessoas convergem em busca de diversão e informação barata ou gratuita. Só aceitam pagar quando o produto oferecido é de reconhecida qualidade e exclusividade, caso do New York Times, que registra crescente número de assinantes pagantes de seu serviço digital. Mas exemplos assim são raros. Mesmo a pornografia, que é o motor financeiro da internet desde sempre, viu os sites pagos minguarem, porque a oferta gratuita na web é cada vez maior.

Em relação ao mercado de trabalho, a internet, que prometia ser a meca dos jornalistas neste início de século, provou-se uma decepção – a alimentação automática de sites restringe dramaticamente a oportunidade de emprego na rede, e a maioria das poucas vagas existentes remunera muito mal.

Ou seja: a “nova economia” representada pela internet tem muito pouco de economia, e vive basicamente atrelada à “velha economia”, justamente o modelo que ela deveria superar. Não se nega o potencial da web na ruptura dos padrões de comunicação e de integração social, mas agora é possível perceber que seu limite, ao contrário dos prognósticos deslumbrados, não é o céu.

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Shahin Najafi é um rapper iraniano que vive exilado na Alemanha, depois de ter sido jurado de morte pelos aiatolás. Seu “crime” foi ter feito uma música implorando pela vinda de Ali al-Hadi al-Naqi, figura sagrada no islamismo xiita, para dar um jeito nos problemas do Irã atual (ouça abaixo, com a transcrição da letra em inglês). “Os fundamentalistas não têm senso de humor”, disse ele à Der Spiegel. “Eles querem que obedeçamos cegamente e acreditemos em seus dogmas.”

Najafi admite que pintou uma sociedade iraniana “totalmente degenerada”, mas nega ter exagerado – embora a capa de seu disco tenha uma mesquita em forma de seio e a música fale de sexo e corrupção no Irã, entre outras provocações. Ele explica que o seio é “uma alusão aos casamentos temporários no Irã, que são concluídos pelos mulás em apenas algumas horas e que são fontes de renda para eles”. A bandeira sobre o domo da “mesquita” é uma homenagem aos homossexuais executados no país. Apedar disso tudo, Najafi diz que não esperava tamanha reação.

Ele afirma que não se arrepende do que fez e que tem esperança na mudança: “Eu acredito na história. Precisamos de tempo. Vai levar algum tempo antes que as coisas mudem. Mas isso vai acontecer”.

 

Naqi! for sake of your sense of humor
For sake of this deportee man out of ring
For sake of the threatening life’s big penis sitting back to us
Naqi! For sake of the width and lengths of sanction and uprising dollar and the sense of humiliation
Naqi! For sake of paper made Imam
For sake of Ya Ali saying infant trapping in the womb
For sake of jurisprudence lesoon in the nose operation’s room
For sake of Agha* [the leader] and prayer bead and rug made in china
Naqi!for sake of Sheith Rezaeie’s* thumb[an Iranian football player who fingered his playmate in live broadcasting match]
For sake of the missed out religion and the religious football
Chorus:
Hey Naqi! Now that Mahdi has slept, we are calling you:hey naqi!
We are ready wearing our shrouds, hey naqi! Rise up! (2)
Naqi! For sake of love and Viagra
For sake of legs up in the air and chakra
For sake of bread, chicken, meat and fish
And Silicon breast and striped virginity
Naqi! For sake of Golshifte’s* tits [an Iranian actress who pose nude for Cezar film prize trailer]

For sake of our lost prestige which was taken
Naqi! For sake of Aryan’s race
And the plaques overhang the neck
Naqi! Please for sake of Farnood’s* dick [an Iranian child who goofed in a live TV show]
And three thousand billion* under the sapphire sky [the amount of government embezzlement from Iran's Saderat Bank]
Persian Gulf and Uromieh Lake were fictional
By the way! What was the Green Movement leader’s name?!
Chorus (2)
Hey Naqi, hey Naqi, hey Naqi!
For sake of fart-rending* demise of nation’s Imam [it points to a goof from an Iranian TV's host, who used fart-rending instead of the word "Heart-rending"]
For sake of fossilized political commentators far from homeland
For sake of high class widows roaming in discos
For intellectual discussions in chartrooms
For sake of notorious men’s order
For sake of female men rights’ supporters
For sake of colored revolution on TV
For sake of 3 percent book readers of people
For sake of fake & hollow poets
For sake of this fickle crowd
Who say “viva” in the morning & “down with” in the evening
For sake of fantasy fiction’s hero
Chorus (2)
Hey Naqi, hey Naqi, hey Naqi!

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  • Quem Faz

    Quem Faz

    Marcos Guterman

    Marcos Guterman é jornalista profissional desde 1989. Trabalhou por 15 anos na Folha e desde 2006 está no Estadão, onde edita a Primeira Página. É historiador, com graduação e mestrado pela PUC-SP. Atualmente faz doutorado em História na USP, tendo o nazismo como tema de pesquisa. É autor do livro "O Futebol Explica o Brasil". Sua pátria é o Santos Futebol Clube.
    Contato: marcos.guterman@grupoestado.com.br

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